Observação: minhas posições sobre a existência de Deus e sobre a ressurreição de Jesus ainda permanecem as mesmas, embora bem mais aprofundadas, mas os argumentos sobre a existência de Deus foram melhorando com o tempo, conforme passei a estudar mais filosofia, principalmente o Tomismo. Se Deus permitir, em breve voltarei a fazer postagens sobre estes assuntos. (01/09/2016)
***

Esse foi um debate que tive com um amigo ateu que decidi
aceitar para ver o que preciso refletir e pesquisar mais. Eu
pessoalmente gostei muito, principalmente porque o Carlos é um grande
amigo, e porque geralmente os debates entre ateus e teístas na internet
não têm sido muito produtivos e civilizados.
Espero que tirem algum proveito:
JONADABE RIOS - INTRODUÇÃO
Bom,
aceitei esse debate pois estou muito desatualizado nessas questões, e
como não tenho estudado muito o ateísmo nem assistido ou lido certos
debates, esse aqui vai servir como um impulso a tomar vergonha na cara.
Nunca
antes tentei num debate dar argumentos positivos em relação ao
cristianismo na forma que Carlos propôs. Meus textos em meu blog e
debates geralmente são para responder questões específicas propostas por
algumas pessoas, ou fazer comentários de minhas leituras.
Passei
um bom tempo pensando como escrever uma argumentação que não seja na
forma que geralmente fazem, mas não consegui pensar em algo muito bom.
Para não pensar demais e o tempo passar, resolvi improvisar e ver o que
vai acontecer.
Então irei apresentar as principais
razões que pessoalmente considero boas para concluir que o cristianismo é
uma posição mais coerente que o ateísmo e depois comentá-las.
Os principais motivos são:
1
- O cristianismo é uma crença que não contradiz a si mesma e responde
satisfatoriamente a questão de sabermos ou não a verdade a respeito da
realidade através dos nossos sentidos.
2 - Os
argumentos a favor da existência de Deus fornecem razões para concluir
que é uma crença baseada em evidências reais, enquanto no ateísmo, além
de se partir de pressuposições auto-contraditórias, não são apresentados
argumentos positivos.
3 - O próprio surgimento do
cristianismo oferece razões para concluir que é mais razoável crer na
ressurreição de Jesus como um acontecimento histórico verídico do que
crer no contrário. Se Jesus ressuscitou, então o cristianismo é
verdadeiro. Se não ressuscitou, é vã a fé cristã. Argumentarei a favor
da ressurreição.
Essas são três questões que considero
respondidas de forma satisfatória pelo cristianismo e não pelo ateísmo.
Talvez existam outras, mas como o debate é limitado, resolvi apresentar
apenas essas. Tentarei nas próximas postagens apresentar algo razoável,
apesar do limite de escrita.
1) Nossos sentidos e a realidade.
O
primeiro ponto que me faz considerar é a pressuposição de que há uma
realidade, e que se pode saber a verdade sobre essa realidade através de
nossos sentidos.
Isso vem principalmente em relação ao
darwinismo: se o "objetivo" da evolução é a sobrevivência e adaptação,
não há nada que garanta, dentro do próprio ateísmo, que nossos sentidos
podem nos mostrar algo de acordo com a realidade, em vez de apenas sua
sobrevivência. Como o Craig certa vez:
"se o
naturalismo é verdadeiro, então nossas faculdades cognitivas são produto
de um processo evolutivo, o qual não conduz para a produção de crenças
que sejam verdadeiras, mas, em vez disso, conduz para crenças que o
ajudem a sobreviver. Nossas faculdades cognitivas são escolhidas pelo
seu valor para sobrevivência, não pela sua capacidade de perceber a
verdade.
[...]
Mas se isso é
verdadeiro, então sua própria conclusão de que o naturalismo é
verdadeiro é duvidosa, pois ela não é resultado de mecanismos que formam
crenças que conduzem à verdade, mas apenas à habilidade de sobreviver.
Então,
o próprio naturalismo não pode ser afirmado! Pois, o naturalista está
preso aqui em um tipo de ciclo que derrota a si mesmo:
Ele
crê no naturalismo com base nas faculdades que, segundo o próprio
naturalismo, não podem ser confiadas a produzirem crenças que sejam
necessariamente verdadeiras."
Caso isso seja verdade, nem os que são teístas estariam de fora. Mas estamos falando dessas pressuposições materialistas.
Por
outro lado, os cristãos acreditam com base em evidências que a
Realidade Ultima teria se revelado por meio de Jesus Cristo e
ressuscitado dos mortos comprovando que falava a verdade. Penso que isso
é uma boa garantia para que confiemos em nossos sentidos, pois segundo a
cosmovisão cristã, nossos sentidos não são somente para a
sobrevivência, mas para produzir ou captar crenças verdadeiras. O que
não contradiz a si mesmo, e o ateísmo ainda não respondeu
satisfatoriamente, principalmente com argumentos positivos.
2) Existência do Sobrenatural.
Quanto
aos argumentos para a existência de Deus, citarei apenas um, para ter
espaço para os outros argumentos, que você já deve conhecer, por isso só
irei citar de relance. Caso tenha alguma critica especifica a esse
argumento, tento responder depois.
O argumento da
causalidade, onde se busca deduzir algumas características da causa do
universo. O que se discute aqui não é se o universo teve uma causa, mas
quais as características dela. Se essa causa é pessoal ou não.
Penso
que esse argumento não leve necessariamente a conclusão de que foi
criado por um ser pessoal (segundo os que defendem isso, só um ser
Eterno Pessoal pode escolher transformar um estado de nulidade em algo -
o universo). Pode fazer certo sentido, mas não quero tratar desse
pondo.
O ponto principal é que se a Matéria, o Espaço e
o Tempo tiveram um inicio, então a causa deve ser Imaterial e
Atemporal. A não ser que o que causou o universo teve também uma causa
(e assim por diante). Como não é possível que exista um passado
infinito, pois se existisse não haveria o presente, então
necessariamente deve existir uma Causa Ultima, e essa Causa possui essas
características citadas.
Ora, essas são as
características do que chamamos de Sobrenatural. O que abre a
possibilidade de que essa Causa Sobrenatural possa agir na
Matéria-Espaço-Tempo.
Essa possibilidade é o principal
empecilho filosófico da maioria dos ateus em relação a ressurreição de
Jesus (o ponto principal onde quero chegar). Até o momento, a maioria
dos ateus com que tratei do assunto tem ficado sem explicações, apenas
negando a possibilidade de Milagres. Se milagres são impossíveis, ora,
então é claro que Jesus não ressuscitou. Mas se são possíveis, o que não
há nada que contradiga essas possibilidades, então o ateu deve explicar
satisfatoriamente certos fatos que ocorreram com alguns judeus no
primeiro século. Fatos que irei mencionar agora.
Por outro lado, como disse, o ateísmo não tem desenvolvido argumentos positivos para o materialismo.
3) Ressurreição de Jesus.
É
um assunto muito grande, mas tentarei resumir. O que irei colocar é
basicamente a argumentação de N. T. Wright, então caso tenha alguma
critica a algo que deixei passar em branco, mas que ele menciona, é só
dizer que tentarei responder também.
Wright apresenta alguns pontos que, pelo que penso, só podem ser respondidos com a ressurreição de Jesus.
Os
discípulos tiveram uma experiência totalmente diferente do que se
imaginava no seu tempo, tanto para os judeus quanto para os pagãos. E
essa experiência trouxe uma mudança de atitude, foi aí que eles
começaram a entender e a pregar o que os evangelhos chamam de Reino de
Deus.
Para o autor, e para mim também, a experiência
que eles tiveram foi da ressurreição física e real de Jesus, e não dos
ensinamentos em seus corações, e essa é a melhor explicação para o
surgimento do cristianismo.
O primeiro, e principal, é
basicamente que o povo pagão era cético em relação a uma ressurreição da
carne, da forma que os judeus acreditavam. Para eles, poderia existir a
reencarnação, ou uma volta a vida de qualquer outra forma (em outra
vida, por exemplo), mas não uma volta a carne, principalmente para nunca
mais morrer.
Por outro lado, os judeus acreditavam que
isso só iria ocorrer no ultimo dia, onde todos os seres humanos iriam
ressuscitar. Não um sozinho, como foi o caso de Jesus.
Após
a morte de Jesus, os discípulos tiveram essas experiências. Como Wright
diz: "Diante da desolação, as pessoas recuam para a segurança daquilo
que ouviram ou aprenderam no passado. No entanto, os cristãos primitivos
organizaram uma crença totalmente nova, de sete maneiras diferentes."
Irei tentar resumir essas sete novas crenças, em alguns momentos irei simplesmente copiar certos trechos.
1)
A crença diferente na vida após a morte e a ressurreição, diferente dos
moldes pagãos e judaicos além da importância da ressurreição dada pelos
cristãos, totalmente diferente do judaísmo.
2) Eles
passaram a acreditar que a ressurreição teve inicio com Jesus, e será
completada no futuro. "Se Jesus, o Messias, era o próprio 'fim' e o
futuro de Deus manifestado no presente, então aqueles que pertenciam a
ele, que eram seus discípulos, capacitados pelo seu Espírito, deveriam
transformar o presente, à luz do futuro."
3) Alguns
judeus consideravam a ressurreição também como uma renovação de Israel,
enquanto os discípulos de Jesus passaram a considerá-la como da
humanidade. "todos esses significados só poderiam ser compreendidos no
contexto judaico; nenhum pagão poderia sequer imaginar algo parecido com
isso. Porém, antes do surgimento do cristianismo, nenhum judeu havia
enveredado por esse caminho. Estamos diante de uma notável mudança
posterior, vinda de dentro."
4) A associação da
ressurreição com o messianismo. Segundo Wright, ninguém esperava que o
Messias fosse morrer, por tanto não esperavam a ressurreição. "Nenhum
judeu com alguma noção das idéias messiânicas teria imaginado, após a
crucificação, que Jesus de Nazaré seria de fato o ungido do Senhor. No
entanto, desde o começo, de acordo com fragmentos de antigos credos
pré-paulinos, os cristãos declaravam que Jesus era de fato o Messias,
exatamente por ele ter ressuscitado”.
Essas
características, dentre outras, não podem ser explicadas sem a
ressurreição. Para quem não entendeu, é só imaginar essa cena feita por
ele:
Agora, imagine um encontro desses revolucionários judeus, três dias ou três semanas depois. Um deles diz:
- Sabe, acho que Simão era, de fato, o Messias. Acho que ainda é!
Os outros ficam confusos e dizem:
- É claro que ele não era; os romanos o mataram, como de costume. Se você queria um Messias, é melhor procurar outro.
- Ah, - diz o primeiro – mas eu acredito que ele ressuscitou dentre os mortos.
-
O que você está dizendo? – pergunta os outros – Ele está morto e
sepultado. – Não! – responde o primeiro. – Eu creio que ele foi elevado
ao céu.
Os outros parecem confusos.
- Os justos
estão com Deus, todo mundo sabe disso; suas almas estão nas mãos de
Deus; isso não quer dizer que eles já ressuscitaram dos mortos. Seja
como for, todos nós ressuscitaremos no final dos tempos, mas ninguém
ressuscita no meio da história.
- Não – responde o primeiro. –
Vocês não compreendem, eu me senti cercado pelo amor de Deus. Senti Deus
me perdoando, perdoando a nós todos. Senti meu coração estranhamente
aquecido. Além disso, eu vi Sião, ele estava ali comigo...
Os outros o interrompem, agora irados.
-
Todos nós podemos ter visões. Muitas pessoas sonham com amigos mortos
recentemente. Às vezes esses sonhos são muito reais. Isso não significa
que eles ressuscitaram dentre os mortos. E certamente não quer dizer que
um deles é o Messias. Se o seu coração está aquecido, então cante um
salmo, mas não faça afirmações absurdas sobre Simão.
Isso
é o que qualquer judeu da época diria, caso não tivesse tido
experiências reais. Esse diálogo também faz perceber como é impossível
explicar, não só a crença na ressurreição de Jesus, mas o surgimento de
crenças novas em um grupo que havia acabado de sofrer o que em qualquer
outro seria "o mal cortado pela raiz". Não foi só um judeu, mas vários
discípulos que tiveram essas experiências, boa parte delas são isoladas.
Não é algo obscuro, não são crenças infundadas. É algo objetivo que pode ser verificado através de métodos históricos.
Só
alguém com a crença obstinada de que não pode existir milagres irá
rejeitar a qualquer custo essas evidências. No máximo poderá dizer que
não sabe explicar, mas não vejo como considerar que há alguma outra
explicação para esses fatos além da ressurreição.
Isso
foi só um resumo do que penso sobre o assunto. Não acho que aqui
poderemos ter uma conclusão de fato, também não acho que provei a
veracidade do cristianismo. No entanto considero que o cristianismo
responde muito melhor essas perguntas do que o ateísmo.
CARLOS WILKER – INTRODUÇÃO
Apresentarei três argumentos em favor do ateísmo. Em seguida objetarei contra os argumentos colocados pelo Jonadabe.
Chamarei meus argumentos de:
1) A ideia de deus
2) O problema do sofrimento
3) Argumento contra o cristianismo
1. A Ideia de Deus
Um
dos motivos que parece ser mais coerente adotar o ateísmo como posição
mais racional do que o cristianismo, é que a própria ideia do deus dos
cristãos é confusa, vazia, contraditória, repleta de lacunas.
Vejamos
alguns atributos do deus cristão. O deus cristão é um ser pessoal,
imaterial e atemporal. Permitam-me deixa isso mais claro: ele não ocupa
lugar no espaço, não encerra sobre si nenhuma partícula de matéria, não
tem corpo, não tem cérebro, não emite som, não tem imagem, não pode ser
detectado, não pode ser testado, não pode ser observado, não teve
começo, não tem fim. Mesmo que nosso conhecimento filosófico e
científico avance milhões de anos, não avançaríamos nenhum degrau na
compreensão desse deus. Um determinado argumento teísta, coloca deus
como a única causa plausível pra tudo existir. Porém, olhando os
atributos do deus cristão, eu pergunto: é com um ser assim que querem
explicar algo? É com um algo assim que vamos explicar as complexidades
do universo? Na verdade, Deus não explica, complica.
Deus
não tem corpo e nem cérebro, mas pensa, ama, tem planos. Deus é
imaterial, não ocupa lugar no espaço, mas ele já existia quando não
havia nada, e do nada criou tudo e agora interage com o mundo físico.
Alguém pode nos fornecer uma explicação pra o que isso significa?
Eu
costumo perguntar aos cristãos: o que é deus? Nunca ouvi uma resposta
satisfatória. Ouço respostas e explicações sem sentido, que demonstram
claramente que nem mesmo eles entendem e conhecem o deus que acreditam.
Penso
que devemos rejeitar a ideia de deus por ser algo semelhante a um
círculo quadrado. O que me leva a pensar que o deus cristão não existe.
2. O Problema do Sofrimento
O
deus cristão, segundo afirmam, é poderoso e amoroso. Mediante ao
sofrimento em escala alarmante, mediante ao que inocentes e indefesos
sofrem, acho implausível que exista mesmo um deus poderoso e amoroso.
Quero
deixar bem claro que não estou culpando o deus cristão pelo sofrimento.
Isso seria contraditório, já que não acredito que ele exista. A questão
é: se existe um deus poderoso e amoroso, por que inocentes e indefesos
são torturados, morrem de fome, sofrem injustiças e morrem de forma
cruel?
Vejamos
alguns exemplos: milhões de crianças morreram de fome; inúmeras são
estupradas e mortas; inúmeras foram despedaçadas por tiros e bombas;
inúmeras são vítimas de doenças que as devoram lentamente;
Por que um deus amoroso fica olhando isso acontecer e não faz nada?
Alguns
dizem que é culpa do ser humano, e eu concordo. O culpado de tanto
sofrimento no mundo, é mesmo os seres humanos. Mas não podemos
generalizar! Que culpa essas crianças tiveram? Que culpa uma criança de 3
anos tem de ter sido estuprada e morta? Que culpa milhões de crianças
tem de terem morrido de fome ou doentes? Em muitos casos, a culpa é de
outras pessoas. Como um deus amoroso fica olhando inocentes pagando pelo
erro dos outros? Tumores cerebrais, paralisias... Alguns dizem que é
culpa dos pais. Devemos ter cuidado com essa afirmação. Culpa é quando
se tem a intenção ou se age de forma irresponsável. Será que todos os
casos ocorridos é por culpa dos pais? Quem queria que seu filho nascesse
com paralisia cerebral? Ninguém! Mas se nascer, podemos culpar os pais?
Claro que não!
Alguns
defendem que essas coisas acontecem por que é plano de deus. Estranho
que um ser amoroso tenha em seus planos, tanto sofrimento, dor, medo,
desespero, doenças, estupros, guerras, torturas, racismo, mortes e mais
mortes.
Alguns defendem que deus tem
uma felicidade eterna pra essas crianças. Ou seja, todo esse sofrimento
foi apenas uma pegadinha. Se deus queria que essas crianças fossem
salvas, ele não poderia ter evitado tanto sofrimento?
3. Argumento Contra o Cristianismo
O cristianismo nos diz que existe um céu e um inferno nos esperando.
Afirma
que anjos apareceram a Maria, anunciado que ela daria a luz a um filho
concebido pelo espírito santo. Nasce Jesus. Durante sua vida, Jesus
prega o evangelho da salvação, faz milagres como transformar água em
vinho, andar sobre as águas, ressuscitar e curar pessoas. Jesus também
expulsou demônios e foi tentado pelo diabo. Após ser morto, ressuscitou
ao terceiro dia e ascendeu aos céus. Há os que entendem estas coisas
como metáforas, outros entendem literalmente. Também há os que flertam
entre as duas visões. Espero pra ver qual a visão de meu caro Jonadabe.
Permitam-me colocar dois pontos sobre essas coisas:
1)
Quando se fala em céu e inferno, estamos falando diretamente sobre vida
após a morte e imortalidade. Agora eu pergunto: temos boas razões pra
pensar que existe mesmo tais coisas? Se líderes e pregadores afirmam e
ensinam tais coisas, eles devem nos fornecer algo satisfatório. Em
tempo, desconheço qualquer reivindicação que justifique o cristianismo a
afirmar que tais coisas realmente existam. Sendo que existem outras
religiões que ensinam coisas semelhantes, o cristianismo deve nos
convencer que há mesmo vida após a morte e que existam mesmo um céu
reservado aos fiéis a Jesus e um inferno a incrédulos como eu.
2)
Anjos, demônios e diabo, pra mim são tão reais como o lobisomem, as
fadas e os duendes. Vejam que a bíblia está repleta de seres
espirituais, e muitas vezes desempenhando papéis importantes. Há mesmo
um ser maligno agindo no mundo, o qual conhecemos por diabo? Haverá
mesmo uma batalha cósmica entre as forças do bem e do mal? Há cristãos
que entendem essas coisas como metáforas ou mitos. No entanto, a imensa
maior parte do cristianismo nos ensina isso de forma bem diferente.
O
cristianismo se apóia em coisas muito duvidosas, em coisas que são (ou
se assemelham muito) mitologias, crenças recheadas de imaginação,
fantasias que em nada se diferenciam de outras religiões.
Nossos Sentidos e a Realidade / Milagres
Admito
que não entendi bem o que o Jonadabe colocou. No final, ele incluiu a
ressureição de Jesus e isso me confundiu um pouco. Caso eu cometa a
falácia do espantalho, espero que me entendam.
Parafraseando
uma frase, digo que o naturalismo não explica tudo, (ou pelo menos
ainda), mas o sobrenaturalismo não explica nada. Penso que o naturalismo
é a posição mais coerente a se tomar por que até o presente momento tem
sido a mais adequada. O que o sobrenaturalismo explica, se nem sabemos
se existe mesmo o sobrenatural? O psicólogo Michael Shermer disse: “Pra
mim existe o natural e aquilo que não sabemos explicar.” Em resumo,
recorrer ao sobrenatural, quando nem sabemos se ele existe, é apelo à
ignorância, é querer preencher lacunas do nosso conhecimento com coisas
muito duvidosas.
Milagres
Sobre
os milagres, quero dizer que não nego possibilidades. Apenas acho a
explicação que ficaria no último dos últimos lugares em uma lista de
explicações mais prováveis. O geneticista Jerry Coyne disse: “Se tem uma
coisa que a história da ciência nos mostra é que não vamos a lugar
nenhum chamando nossa ignorância de deus”.
Outra
coisa que acontece com frequência é que muitos esquecem os milagres
defendidos por outras religiões. Se os milagres de outras religiões são
verídicos, devemos concluir o quê? Que há inúmeras divindades agindo? Ou
eles são todos farsas ou enganos? Isso não é argumento em favor do
ateísmo, admito. Mas traz problemas ao cristianismo.
Existência do Sobrenatural
Jonadabe
pensa que esse argumento não leva necessariamente a conclusão que tudo
foi criado por um ser pessoal. Bem, reconhecendo isso, ele não poderá
usar esse argumento em favor da existência do deus cristão, que é um ser
pessoal.
Quando
ele diz que a matéria, o espaço e o tempo tiveram início, ele está se
referindo a Teoria do Big Bang. Caso eu esteja errado, peço que ele me
corrija.
Aqui é importante colocarmos dois pontos:
Primeiro.
Segundo Bryan Greene, professor de Física e Matemática da Columbia
University, A Teoria do Big Bang não fala nada sobre a origem de TUDO.
Na verdade, seria mais correto dizer que ela fala sobre o
“desenvolvimento” do UNIVERSO.
Vejam
que essa teoria alega que o universo veio de uma ínfimo ponto
condensado. Ora, isso é algo! A Teoria do Big Bang não diz que o
universo veio do nada, como alguns pensam. Claro, não estou alegando que
o Jonadabe pense isso. Portanto, essa teoria não exclui a possibilidade
de tudo ter sempre existido. E não podemos esquecer que há outras
teorias. E pra mim, são mais plausíveis que um ser pessoal (dotado de
pensamentos e sentimentos), imaterial e atemporal.
Sem
dúvida há inúmeras questões sem resposta em relação a origem de tudo
(se é que teve). Meu primeiro argumento coloca problemas a esse
argumento colocado pelo Jonadabe.
Jonadabe
falou em abrir uma possibilidade. O problema é que o cristianismo não
abre uma possibilidade, ele afirma e ensina. Se trabalharmos com
possibilidades, teremos muitas opções. Por exemplo: Jesus pode não ter
existido; a bíblia pode ser apenas um livro como o de outras religiões;
toda essa história de vida após a morte, céu e inferno, pode ser apenas
crendice. São possibilidades, não?
Ressureição de Jesus
Os
quatro pontos colocados pelo Jonadabe, não são fatos com muitos pensam.
Há um intenso debate e muitas discordâncias entre os estudiosos sobre
eles. Não são apenas estudiosos céticos ou ateus que discordam deles. Se
for pesquisar, verá que há muitas discordâncias sobre esses pontos
entre grandes estudiosos cristãos. Portanto, usá-los como premissas é um
tanto quanto questionável. Craig coloca esses pontos em seus debates e
“obriga” seu oponente a admitir que a ressureição é a melhor explicação.
Mas se quer há concordância sobre eles! Quem rejeita a ressureição de
Jesus não implica diretamente que seja um materialista.
Outra
coisa que me faz não acreditar na ressureição de Jesus, é que esse
argumento é um emaranhado de História, Filosofia, Teologia e até
Mitologia.
Vejamos:
A existência de Jesus, sua crucificação e seu impacto. História.
Jesus
fez muitos milagres ( transformou água em vinho, andou sobre as águas,
expulsou demônios, curou enfermos, ressuscitou pessoas), deus o
ressuscitou dos mortos, ele ascendeu aos céus e está “vivo”. História?
Não.
Muitos apresentam esse argumento
como histórico. Na verdade deveria se chamar o Argumento Histórico
Filosófico Teológico Mitológico Pra Ressureição de Jesus.
O
ateísmo parece ser mais coerente do que o cristianismo. Temos bons
motivos pra pensar que não há nenhum ser pessoal, sobrenatural, criador
de tudo e que nos ama. Enquanto o cristianismo se apoía em coisas no
mínimo muito duvidosas.
JONADABE RIOS – RÉPLICA
Essa
minha réplica não está organizada na ordem que você postou. Coloquei
desse modo para tentar responder o que colocou de forma mais resumida.
Primeiro
chamo atenção a seu “Argumento Contra o Cristianismo” que na verdade
não é um argumento positivo contra o cristianismo, apenas a afirmação de
ausência de evidências, mas nada que diga que o ateísmo é uma posição
mais razoável que o cristianismo. Alguém poderia dizer que o ateísmo não
oferece evidências suficientes para suas afirmações, para o surgimento
da vida de forma espontânea, dentre outros aspectos do ateísmo, mas nem
de longe isso é um argumento que demonstre positivamente algo contra o
ateísmo.
Como são algumas razões tenho pretendido
mostrar, não responderei a essa postagem em específico e sim tentarei
responder as suas objeções e colocar algo mais no que tenho dito.
A idéia de Deus
Essa
crítica é basicamente ao conceito, portanto não tentarei evidenciar o
conceito cristão, apenas explicar de forma bem resumida, pois não é algo
que caiba em pequenas postagens como essa.
As
características de Deus que podem ser entendidas melhor que as outras
possuem exatamente as mesmas características que se deduz dos argumentos
geralmente apresentados pelos teístas para a existência de uma Causa
para o universo: Eterno, Sobrenatural, Todo-Poderoso e Inteligente. Ao
passar disso, sinto em dizer, não posso explicar as demais
características atribuídas a Deus exatamente por Ele ser Eterno e Além
da matéria. Se temos dificuldades de explicar o natural, imagine o que é
além do natural? Penso que essa questão só é resolvida se deixarmos de
tratar a Deus como um mero objeto que pode ser decifrado, não podemos
fazer isso pela limitada razão humana que nem mesmo consegue explicar
direito o que é material. Por isso, não me arriscarei nessas pequenas
postagens explicar Aquele que, segundo nós cristãos, é Insondável.
No
entanto mostrar que é difícil compreender as características divinas é
fácil, o problema é que não foi mostrado o porquê de ser insensato
acreditar em algo que é difícil de explicar. Os ateus dão diversas
explicações para a origem do universo tão difíceis de entender quanto a
idéia de Deus, como o que citou sobre a situação anterior ao “Big Bang”
em que se poderia fazer perguntas parecidas.
A existência do Sobrenatural
Bom,
sendo o “Big Bang” uma teoria sobre esse desenvolvimento não muda muita
coisa sobre o que eu afirmei sobre a Causa do universo (o que
impulsionou esse desenvolvimento?). Ao que se sabe, “antes” (se é que
pode dizer antes, sendo que não havia tempo) não havia matéria, espaço
nem o tempo, independente do que se possa dizer de “massa condensada”, o
que, de qualquer forma, exige uma causa, que, como falei, por ser
anterior ao próprio tempo e a própria matéria, é “Além da Matéria”. Se
existem outras teorias que dão conta tanto quanto essa, deveria então
mostrá-las, principalmente demonstrando de que forma isso tornaria o
ateísmo mais coerente que o cristianismo.
O assunto da
existência do sobrenatural está intimamente ligado com dos milagres.
Como não nega a possibilidade, não há muito o que dizer. Apenas que a
natureza dos milagres citados pelos cristãos (principalmente o mais
notável deles, que é a ressurreição de Jesus) é diferente do que á
maioria das religiões citam, e irei me ater a tratar sobre esse.
O ateísmo e os limites da razão
O
que falei sobre o ateísmo e os sentidos é que ele não dá nenhuma
garantia de que o que nossos sentidos captam algo relativo à verdade,
principalmente porque, segundo o próprio naturalismo, o objetivo dos
nossos órgãos é para nossa adaptação e sobrevivência, e não para captar a
verdade sobre a realidade. Se é assim, entro em um argumento parecido
com o que você fez no inicio: o ateísmo carece por não demonstrar uma
coerência interna entre as limitações de nossos sentidos, e a
possibilidade de captar a verdade sobre a realidade, em vez de apenas
serem meros instrumentos para a sobrevivência. Então, quais seriam as
bases do ateísmo para confiarmos em nossas capacidades cognitivas? A fé?
A
ressurreição de Jesus. Creio que você confundiu as quatro crenças
surgidas após as experiências do Jesus ressurreto, com os quatro pontos
que W. L. Craig geralmente cita. O que coloquei são elementos que, pelo
menos até agora, não há muito o que se discutir, pois são
características das origens cristãs, diferente dos pontos que Craig cita
(como o túmulo vazio, que não tem muita importância na argumentação que
estou a fazer, apesar do surgimento da crença na ressurreição da forma
que citei seja uma evidência para o túmulo vazio).
Mas,
caso eu tenha me enganado e você não se confundiu, então gostaria que
demonstrasse aqui o porquê dessas crenças não fazerem parte das origens
cristãs, todas essas novas crenças surgidas após as experiências com o
que consideravam ser Jesus ressuscitado (e essa também é uma dessas
novas crenças), tanto que Gerd Theissen no livro “Jesus Histórico, um
manual” diz que “é infundado duvidar da autenticidade subjetiva das
aparições” (p. 135). O que o argumento faz é tentar demonstrar a
natureza dessas aparições a partir dos elementos que apresentei (existem
outros, mas não caberia aqui).
O problema do sofrimento
Deixei-o
no final, pois apesar de não ser algo incompatível com a existência de
um Deus amoroso e todo poderoso, é algo que nos atinge emocionalmente.
Sinto
em dizer que segundo o cristianismo, enquanto estivermos nessa terra, o
sofrimento sempre existirá, e mais: na maioria das vezes é algo para o
nosso próprio bem. Ponto. Mais que isso não poderei responder, pois o
argumento para conciliar a existência de um Deus de amor com o mau é
exatamente que não podemos saber o bem maior que esse mau permitido por
um curto período de tempo irá nos proporcionar.
Quanto
ao que você levantou sobre o assunto, por que acha que é estranho que um
Deus amoroso permita tais coisas que você citou? As explicações que
geralmente dão são incompatíveis filosoficamente, ou você apenas não
consegue concordar que esse poderia ser o melhor meio? Se as explicações
que passam (que penso que não preciso citá-las) explicam que é possível
[conciliar] a crença em um Deus amoroso com a existência do sofrimento,
o que há mais que dizer do que o fato de apenas não consegue concordar
emocionalmente, e não que ambos são incompatíveis?
Sim,
as emoções ou as nossas limitações podem atrapalhar e impedir de
concordar. Isso é semelhante a um aluno que não concorda que os
exercícios passados por seu professor dará algum proveito no futuro. O
professor nesse caso sabe que isso será proveitoso, e “sofrer” fazendo
certas atividades vai proporcionar algo bom, mas muitos alunos, enquanto
fazem, não conseguem ver alguma serventia.
Você também
citou a resposta que dão para a causa do mau, que é a liberdade humana.
Não há nenhum erro nessa afirmação. O mal só não poderia ser uma
possibilidade num mundo em que não existissem pessoas livres. Tendo em
vista que o sofrimento é uma conseqüência do mau uso do livre arbítrio,
seria LÓGICAMENTE possível criar um mundo livre, onde as pessoas tenham
livre escolha, sem a possibilidade de escolher o mal?
Enfim,
essa é uma questão muito grande que não dá para ser tratada de maneira
satisfatória por aqui. Mas você apenas descreveu parte do sofrimento,
disse que é algo estranho se for pensado junto com a existência de um
Deus amoroso, mas não mostrou os motivos. Por isso só posso responder
caso demonstre porque é estranho, e caso mostre a impossibilidade lógica
de existir um Deus amoroso junto som o sofrimento.
No
mais, o sofrimento não atinge o nosso raciocínio da mesma forma que
atinge nossas emoções. A resposta mais importante pro sofrimento seria
realmente algo filosófico? Ou algo que restaure as emoções dessa pessoa?
Não falo de uma ilusão confortadora, mas algo real e que várias pessoas
afirmam passar.
Talvez por isso que Jesus não nos deu
uma resposta filosófica, pelo contrário, ele nos deu a si mesmo. Ele
disse que qualquer pessoa cansada, sobrecarregada ou oprimida fosse a
ele, pois só Ele tem o alivio para a nossa alma, e só Ele é esse alivio.
Filosoficamente
se pode conciliar a existência de um Deus amoroso com o sofrimento,
mostrando a possibilidade lógica dessa convivência. Mas o que as pessoas
realmente querem quando estão sofrendo?
Diante do
sofrimento, o que você prefere: Uma resposta filosófica ou a cura para a
dor? Pode acreditar, quando estamos sofrendo, o que menos queremos é
saber o porquê da dor. Jesus, segundo os cristãos, trouxe a solução para
o sofrimento, e não é uma solução meramente filosófica, é uma cura. E
isso, segundo dizem, Jesus faz muito bem. Mas é uma cura que visa o
eterno, não o que é temporal.
CALOS WILKER – RÉPLICA
Argumento contra o cristianismo / A ideia de deus
Jonadabe
disse que meu argumento contra o cristianismo não é um argumento em
favor do ateísmo. Ora, eu mesmo reconheci isso quando o coloquei. No
entanto, caso não exista vida após a morte e imortalidade, o
cristianismo sofreria um duro golpe. E penso eu, que poderia ser
descartado como uma posição racional. Vejamos algo semelhante: caso
soubéssemos que Deus existe, o ateísmo estaria liquidado. Porém, o
cristianismo ainda não poderia ser tida como a posição mais racional, já
que não se sustenta apenas na existência de um criador. Agora eu
pergunto: que fortes razões podem nos fazer afirmar e ensinar, assim
como fazem os cristãos, que existe vida após a morte, imortalidade, céu e
inferno?
A ideia de deus
O
Jonadabe apenas confirmou o que eu disse. Na verdade, ele apenas
repetiu. Continuamos sem nem mesmo saber o que é esse Deus ao qual os
cristãos amam, adoram, entregam suas vidas a ele.
Talvez
nossa razão humana não consiga mesmo explicar o que é material. Mas
falar isso é atirar no próprio pé, já que os cristãos ao afirmarem que
Deus é um ser pessoal, inteligente, todo-poderoso e que nos ama, estão
tentando explicar o que é sobrenatural, que nem sabemos se existe! Se
você diz que nossa razão não explica o material, que sabemos existir,
como vocês falam sobre um ser pessoal e sobrenatural?
Outro
ponto que deve ser colocado é que não são os ateus que dão diversas
explicações para a origem do universo. Quem faz isso são cientistas de
diversas crenças e filosofias, inclusive ateus e cristãos. E isso se
trata de questões físicas, científicas. São coisas abertas a testes,
observações, novos dados, novas teorias. Algo bem diferente de Deus!
Existência do sobrenatural / Milagres
O
Jonadabe disse que o “desenvolvimento” não muda muita coisa sobre o que
ele afirmou sobre causa. Quando coloquei isso quis dizer que o Big Bang
não aborda a origem de TUDO.
Ele
perguntou o que impulsionou esse desenvolvimento. Penso que ninguém
sabe. Caso ele sugira que foi Deus, deve nos dar uma explicação
coerente, já que pelo que sabemos seres pessoas agem no tempo-espaço.
Claro, ele primeiro deveria dar conta do meu argumento sobre a Ideia de
Deus. Caso contrário, seria colocar mistério em cima de mistério, o que
não resolve nada.
Em que outras
teorias tornam o ateísmo mais coerente? Num ponto de vista de um ateísmo
negativo, na ausência de evidência que há um ser pessoal imaterial,
atemporal, mas que no entanto é inteligente e que age fora (?) do
tempo-espaço, o ateísmo é sim mais coerente. Essas outras teorias se
baseiam em coisas como a Química e a Física. São independentes de
posições filosóficas ou religiosas. Não estou AFIRMANDO que não há
evidências. Sabemos que ausência de evidência não é evidência de
ausência. Estou apenas colocando que enquanto tivemos explicações mais
acessíveis, Deus fica no fim da fila.
MILAGRES
Eu
não nego a possibilidade de milagres, no entanto não acho plausível que
os mesmos existam. Possibilidades são bem diferentes de realidades.
Você disse que a natureza dos milagres dos cristãos é diferente das
demais religiões. Não sei porque. Se você partir de pressupostos, podem
até ser.
A ressureição de Jesus
Você
citou quatro pontos e disse que a melhor explicação seria a ressureição
de Jesus. Penso que não confundi nada. Eu disse que você se apóia em
pontos (os quatro pontos citado por você) duvidosos e para os quais há
muitas discordâncias, até mesmo entre estudiosos cristãos. Você disse:
“Wright apresenta alguns pontos que, pelo que penso, só podem ser respondidos com a ressurreição de Jesus”
Um
exemplo: sobre a ressureição física há discordâncias. Exemplos: John
Dominic Crossam e Marcus Bjorg. Sei que você poderá citar outros
discordam, o que confirmará o que tenho dito.
O PROBLEMA DO SOFRIMENTO
O
Jonadabe disse que o sofrimento é maioria das vezes para o nosso bem.
Só faltou demonstrar isso. AIDS, câncer, estupros, fome. Que bem isso
nos traz?
Ele diz que não sabemos que
bem maior isso irá nos proporcionar. Eu diria que não sabemos se há
esse bem maior. Ele já está partindo do pressuposto que há algo nos
esperando após a morte. Mas isso é extremamente duvidoso!
Quanto
ao que você levantou sobre o assunto, por que acha que é estranho que
um Deus amoroso permita tais coisas que você citou? As explicações que
geralmente dão são incompatíveis filosoficamente, ou você apenas não
consegue concordar que esse poderia ser o melhor meio? Se as explicações
que passam (que penso que não preciso citá-las) explicam que é possível
[conciliar] a crença em um Deus amoroso com a existência do sofrimento,
o que há mais que dizer do que o fato de apenas não consegue concordar
emocionalmente, e não que ambos são incompatíveis?
Enquanto
as explicações, penso que elas são insatisfatórias por vários motivos.
Primeiro: parte de pressupostos duvidosos, como que há vida após a
morte, imortalidade e, que portanto, não sabemos que recompensa teremos.
Ou seja, o que bem que teremos será infinitamente maior que o
sofrimento que passamos. Segundo: como conciliar um Deus poderoso e que
nos ama incondicionalmente, mas que fica olhando uma pessoa indefesa e
inocente sendo humilhada e torturada até a morte? Não é apenas uma
questão emocional, é algo contraditório. Pra resolver isso, terá que
recorrer novamente aos pressupostos duvidosos que eu falei.
Quando
você o exemplo do professor, já parte do pressuposto que há um
“professor”, que seria Deus. E que há um proveito futuro: uma recompensa
após a morte.
Seria
LÓGICAMENTE possível criar um mundo livre, onde as pessoas tenham livre
escolha, sem a possibilidade de escolher o mal? Sim, seria. No céu,
seremos livres ou seremos robôs? Pelo que sei, seremos livres, mas lá
não existirá o mal. Outro ponto é que eu não sugeria a ausência do
sofrimento. Precisamos sofrer pra aprender e crescer. O que eu abordo é o
sofrimento em excesso, sem sentido. Uma coisa é uma criança machucar ao
sair correndo, outra coisa é ela ter um tumor maligno no cérebro. Uma
coisa é ter que batalhar duro pra conseguir o pão, outra coisa é milhões
de crianças morrerem de fome. Minha principal crítica é que Deus não
faz nada em relação a isso. Isso é estranho!
Pra
que possamos pensar que o cristianismo é uma posição mais racional que o
ateísmo, o Jonadabe deve nos dar uma boa definição do que é Deus, nos
mostrar que ele existe, nos fornecer razões boas pra afirmação que há
mesmo vida após a morte, imortalidade, céu e inferno. Enquanto isso, o
ateísmo é mais coerente que o cristianismo.
Obrigado.
JONADABE RIOS – TRÉPLICA
Sobre o argumento contra o cristianismo
Bom,
como estamos de acordo que seu argumento contra o cristianismo não
é algo a favor do ateísmo (o que significa que ainda não
apresentou nenhum argumento positivo), irei me ater a comentar as
outras colocações. Mas é bom que quero deixar claro, mais uma vez, que
não pretendo provar a veracidade do cristianismo com esses
pequenas postagens, e sim fazer, vamos dizer... um resumo do que pode
ser usado como defesa do cristianismo.
A ideia de Deus.
Como
concordamos que não podemos nem mesmo saber de muita coisa sobre o que é
finito, e é mais improvável ainda com o que é infinito, mas gostaria de
fazer apenas alguns comentários.
Primeiro, é bom notar
que eu não disse que é impossível explicar qualquer coisa sobre Deus.
Pelo contrário, afirmei que algumas coisas podem ser conhecidas através
da razão, e que isso é mostrado em alguns argumentos para a existência
de Deus, tais como as que citei: Eternidade, Imaterialidade, Poder e
Inteligência.
As outras características que
apresentamos, teriam nos sido dadas por meio da revelação. O que não
significa necessariamente que poderíamos conciliar ou explicar tudo,
principalmente pelo fato de que até mesmo essa revelação utilizou de
antropomorfismos (a própria impressão verbal, seja escritos ou
auditivos, são tipos de antropomorfismos).
Por fim, o
fato de algo ser difícil de explicar não implica sua falsidade. Algo
pode ser real e ainda assim não termos explicação. Por isso para
continuar a negar que se pode acreditar em algo inexplicável, nesse caso
Deus, você primeiro deveria mostrar o porquê de ser insensato em
acreditar em algo assim por ser além da nossa razão.
Quanto a coisas relativas a origem do universo abertas a observação, gostaria que me desse um exemplo.
A existência do sobrenatural
Quanto ao que colocou sobre isso, confesso que não entendi muita coisa, se puder me explicar melhor o que quis dizer.
No
mais, gostaria de fazer uma pergunta: Se a ausência da evidência não é a
evidência da ausência, como você mesmo disse, como pode dizer que a
ausência de evidências sobre o sobrenatural torna o ateísmo mais
coerente?
Quanto aos milagres, não disse que são todos diferentes,
mas a maioria, e citei explicitamente a ressurreição de Jesus, na qual
irei me focar.
- A ressurreição
Bom,
primeiro, gostaria que você então rebatesse o que coloquei, pois citar
assim pesquisadores não traz muita evolução no debate, pois
impossibilita que eu e você debatamos (não eu e os demais pesquisadores,
que com certeza possuem mais conhecimento que eu). Seria um problema
para que trocássemos idéias se eu simplesmente citasse nas suas outras
afirmações que alguns cientistas discordam de suas colocações e outros
não, e que por isso não haveria muito o que dizer.
Quanto
aos pontos que coloquei, penso que não são de modo algum sem sentido,
pois o que postei foram apenas crenças inteiramente novas que surgiram
após a morte de Jesus devido às supostas aparições (que não são negadas,
embora se discuta a natureza delas).
Não sei se ainda
vai dar tempo que discuta os pontos que postei, nem que eu poste algo
relevante sobre o assunto, mas gostaria que fizesse comentários sobre
eles, e não fizesse apenas referência que alguns discordam ou concordam.
- O problema do sofrimento.
Não
tenho muito o que dizer, pois quando comecei a tratar do assunto deixei
claro que não quero provar que é necessariamente verdadeiro, apenas
explicar como conciliar o sofrimento com a existência de um Deus amoroso
(especialmente o Deus que os cristãos afirmam ter se revelado). Dito
isso, seria óbvio o uso de pressupostos.
Por isso
repito o que havia dito: Filosoficamente se pode conciliar a existência
de um Deus amoroso com o sofrimento, mostrando a possibilidade lógica
dessa convivência.
Se pretendo mostrar como é possível a
existência do sofrimento com o Deus que teria se revelado por Jesus, é
mais do que natural que eu use suas pressuposições.
Conciliar,
não provar. E você ainda não demonstrou como essa conciliação, dentro
de suas próprias pressuposições, não faz sentido.
Em
resumo, você ainda não deu um argumento positivo ao ateísmo, não mostrou
porque não devemos acreditar em algo por ser inacessível por completo a
nossa razão. Também sobre a razão, não mostrou como pode conciliar as
afirmações materialistas com o uso da razão, tal como mencionei no
inicio do texto, além de não ter demonstrado nenhum argumento relevante
contra a ressurreição de Jesus fazendo referência apenas que há
pesquisadores que concordam e discordam dos pontos apresentados.
Por
fim, também não mostrou como a idéia de Deus é incompatível com o mal,
apenas fez alusão ao uso de pressuposições que seriam naturais que eu
usasse para fazer uma conciliação, até porque, no próprio problema do
sofrimento há duas pressuposições que os teístas têm se esforçado para
conciliar: (1) Deus e (2) o sofrimento como algo ruim.
CARLOS WILKER – TRÉPLICA
Argumento contra o cristianismo
Meu
argumento contra o cristianismo levanta questões cruciais como vida
após a morte, imortalidade, céu e inferno. No entanto, Jonadabe até
agora não nos apresentou nada pra defender tais pontos. Se ele está aqui
argumentando em favor do cristianismo, não pode ficar apenas defendendo
a existência de Deus. Mesmo que ele nos mostre bons motivos pra
acreditar que Deus existe, ignorando esse argumento, ele nos levará, no
máximo, a pensar que o deísmo é mais plausível. Ele disse que não
apresentei nenhum argumento em favor do ateísmo. Não é verdade!
Apresentei a ideia de Deus, no qual defendo que a ideia de um Deus
criador e pessoal é contraditória, sem sentido. Também apresentei o
problema do sofrimento. E coloquei o argumento contra o cristianismo,
que ele parece ignorar. Pra derrubar esse argumento, ele deve começar
nos fornecendo evidências que nossa consciência (ou mente) sobrevive à
destruição do nosso cérebro. Não precisamos aderir ao materialismo
reducionista, mas tudo indica que nossa consciência cessa de existir
após a morte do cérebro. Isso é um forte argumento contra o
cristianismo. Assim como não deixa de ser um argumento pra o ateísmo
também, já que é dito que Deus é um ser pessoal, mesmo sendo incorpóreo.
Mas isso eu já coloquei em meu argumento A Ideia de Deus.
A Ideia de Deus
Jonadabe
disse que podemos conhecer algumas sobre Deus através da razão. Ele só
não nos mostrou como. Ele nem ao menos nos apresentou uma definição
coerente do que é esse deus imaterial atemporal e pessoal ao qual os
cristãos adoram.
Eu não disse que Deus é difícil de explicar. Na verdade, eu disse que a ideia de Deus é contraditória e vazia. Jonadabe disse:
“...continuar
a negar que se pode acreditar em algo inexplicável, nesse caso Deus,
você primeiro deveria mostrar o porquê de ser insensato em acreditar em
algo assim por ser além da nossa razão...”
Devemos adorar, amar e entregar nossas vidas a algo inexplicável?
Devemos pregar ao mundo uma mensagem que se diz a única verdade, mas que é inexplicável?
Claro
que isso não implica que Deus não existe propriamente. Mas o torna
muito implausível e nos dar um bom motivo pra pensar que essa mente
cósmica que nos ama, não exista. Ele pedia um exemplo em relação às
origens do universo. Isso é totalmente diferente. Essas coisas, sim, são
difíceis de explicar. Eu não vivo conversando com as origens do
universo! Muito menos conheço alguma religião que seu deus pessoal é
aquilo que os físicos e cosmólogos não sabem explicar.
Existência do Sobrenatural
Jonadabe disse:
“Se
a ausência da evidência não é a evidência da ausência, como você mesmo
disse, como pode dizer que a ausência de evidências sobre o sobrenatural
torna o ateísmo mais coerente?”
Primeiro, até o presente momento o sobrenatural (se é que existe) não tem sido útil pra esclarecer nada.
Segundo, tudo que conhecemos é o natural. A existência do sobrenatural, é no máximo, uma especulação.
Terceiro,
ausência de evidência não é evidência de ausência. Porém, cada ser
humano em sã consciência age guiado pelo mais evidente. Se pra você não
houvesse evidência que Jesus existiu, você acreditaria que ele existiu?
A ressureição de Jesus
Quando
falei que até mesmo estudiosos cristãos discordam dos pontos que você
colocou, quis demonstrar que você se apoiou em coisas duvidosas. Ou
seja, suas premissas não são tão fortes como você deseja, e até mesmo
cristãos como você, discordam veementemente.
Quando um cristão defende que Jesus ressuscitou, ele está dizendo que Deus ressuscitou Jesus dos mortos.
1º) Já se parte do pressuposto que Deus existe. Se o Jonadabe nem mostrou que Deus existe, como pode afirmar que Deus fez algo?;
2º)
As supostas aparições de Jesus podem ser entendidas como simbólicas
(como defende Crossam e Bjorg) ou como ilusões, como defende o teólogo
cético alemão Gerd Lüdemam;
3º)
Jonadabe disse que naquela época as crenças pagãs e judias era
contrárias a ressureição física. O que nos leva e pensar que isso surgiu
muito posteriormente. Muitos estudiosos defendem que a ressureição de
Jesus não foi física.
4º) A
história da ressureição é algo nitidamente mitológico. Envolve Deus
ressuscitando Jesus dos mortos, inferno, demônios, salvação, etc.
Afirmar que Jesus ressuscitou dos mortos traz consigo muitos pressupostos. Dizer que é a melhor explicação não resolve nada.
O problema do sofrimento
O
Jonadabe parece dizer que não apresentei nenhuma contradição lógica
entre Deus existir e existir o sofrimento. Realmente não há nenhuma
contradição. No entanto, se estivermos falando do Deus cristão (como é o
caso) a coisa muda. Ora, o Deus cristão é amoroso e misericordioso!
Como conciliar o fato de existirem inúmeras pessoas inocentes e
indefesas que sofrem cruelmente até à morte, se existe um Deus que as
ama incondicionalmente? Ele poderá alegar que após a morte essas pessoas
gozarão de uma felicidade imensamente maior. Bem, nesse caso ele estará
afirmando existir vida após a morte, imortalidade e felicidade eterna.
Enquanto ele não nos der bons motivos pra acreditar nisso, isso não
passará de uma fuga. Pra resolver o problema do sofrimento, Jonadabe
deve nos apresentar boas razões pra acreditarmos que existe um Deus
criador e, além disso nos apresentar algo em favor de uma recompensa
além túmulo. Até agora, ele não fez isso!
A
ideia de Deus é contraditória. Tudo indica que nossa consciência cessa
de existir após a morte. Não há uma justificativa pra tanto sofrimento,
caso o deus dos cristãos exista. Isso é um forte caso em favor do
ateísmo.
JONADABE RIOS – CONCLUSÃO
Como
disse outras vezes, seu principal argumento contra o cristianismo não é
um argumento positivo. Está simplesmente pedindo para que eu demonstre a
veracidade dele, mas isso não é argumentar, é pedir argumento.
Quanto
à ideia de Deus, insisto em dizer que apesar de algumas coisas poderem
ser descobertas pela razão (e alguns desses atributos podem ser vistos
no inicio da postagem) outros são inacessíveis, e são aceitos pela fé.
Da mesma forma que fiz antes, não vou me arriscar em querer explicar o
que está acima da razão.
Mas devemos nos entregar a
algo que não podemos explicar? Penso que se tivermos evidências (que
procurei apresentar algo ao falar da ressurreição de Jesus), sim. Uma
pessoa que ama outra se entrega mesmo sem conhecê-la completamente. Veja
que estou falando de relações humanas. Se já é impossível conhecer e
entender completamente o próprio ser humano, não passa de pretensão e
arrogância querer entender o que transcende a nós.
Sobre
o sobrenatural, tenho que discordar que não tem sido útil para
esclarecer nada, mas não terei aqui como falar sobre. Basta dizer que
mesmo que não fosse útil não significa necessariamente que não exista.
Segundo, há várias especulações sobre o próprio mundo natural, se for
para desconsiderar o que afirmam conhecer do sobrenatural por isso,
deveria desconsiderar muito do que afirmam sobre o mundo natural. Aliás,
como eu disse sobre a questão da razão, a própria fé de que podemos
conhecer algo do mundo natural
Quanto ao item 1 sobre a
ressurreição, quem sabe ele tenha sido ressuscitado por um ET? (Risos).
Sobre o segundo, sim, existem pesquisadores que defendem uma
ressurreição simbólica, mas o fato que citei sobre às crenças sobre a
ressurreição no judaísmo e paganismo do primeiro século são um forte
indício contra essa tese. Talvez você não tenha avaliado direito as
consequências disso. Sobre o 3, as afirmações das aparições da
ressurreição são bem antigas, o que, sendo simbólicas ou não,
impossibilitam que tenha surgido muito posteriormente. No quarto item só
foram feitas afirmações gratuitas.
Assim, dizer que é a
melhor explicação explica muita coisa, o que não explica nada (nem
responde) é dizer que alguém discorda de alguns dados como históricos.
Sobre
o sofrimento, fico satisfeito em ter concordado que não é contraditório
com a existência de um Deus. Esse é o objetivo do argumento. Não
pretendi provar a existência de Deus com ele, apenas mostrar que não é
contraditório.
No mais, gostei dessa forma de debate
com tempo limitado. Espero conversar melhor com você sobre outros
assuntos, principalmente sobre a ressurreição.
CARLOS WILKER – CONCLUSÃO
O
Jonadabe ignorou meu argumento contra o cristianismo. Isso me pareceu
um erro de sua parte. Meu argumento coloca em questão a vida após a
morte, a imortalidade. Eu falei que há isso em outras religiões, que o
cristianismo é apenas mais uma que defende isso. O Jonadabe não
apresentou nada pra nos mostrar que tais coisas realmente existem e não
são apenas mitos, lendas. Eu não pedi argumento, pedi uma justificativa
pra pensarmos que existe mesmo umcéu e um inferno nos esperando, como
afirma o cristianismo. Ele não mostrou nada!
No
meu argumento sobre a ideia de Deus, demonstrei que a própria ideia de
um Deus, como o cristão, é vazia, contraditória, sem sentido. O Jonadabe
apenas admitiu que não consegue explicar. Ou seja, quando pergunto o
que é Deus, ele admite que não sabe. Estranho que ele creia e viva em
nome de algo que ele nem mesmo entenda!
Ele
diz que é impossível conhecer e entender o ser humano. Sabemos muitas
coisas sobre o ser humano, estamos avançando aos poucos em relação a
isso. Porém, nem se quer saber o que é o Deus no qual se crê fortemente,
é absurdo!
Quando digo
que o sobrenatural tem sido inútil, quero dizer que sempre que
recorremos ao sobrenatural pra tentar explicar algo, isso fracassou. O
sobrenatural tem sido invocado pra explicar o que não sabemos explicar. O
fato dele não explicar nada, não significa que não exista, claro.
Porém, qual será outro meio pra tentar defender que ele existe?
Sobre
a ressureição, o Jonadabe falou que as crenças no judaísmo e no
paganismo seriam contrária a uma ressureição como teria sido a de Jesus,
não há consenso sobre isso. O historiador Richard Carrier em seu livro
“O cristianismo foi muito improvável pra ser falso?” argumenta muito bem
contra isso. No mais, penso que a suposta ressureição de Jesus está
repleta de alegações mitológicas.
Pra se crê na ressureição, não basta história, deve-se acreditar em diversas coisas, no mínimo, extremamente duvidosas.
Concordo
que o sofrimento não é contraditório com a existência de um deus. No
entanto, o que eu defendi é que é contraditório com a existência do deus
dos cristãos. Eu mostrei que há uma séria contradição entre existir um
deus todo-poderoso e amoroso, enquanto existem inocentes e indefesos
sofrendo de diversas formas. O Jonadabe não esclareceu isso.
Agradeço
imensamente ao meu amigo Jonadabe pelo debate. Foi uma honra pra mim.
Nunca tínhamos debatido nesse formato e somos muito ocupados, o que
explica o fato do debate não ter sido proveitoso e aprofundado, como
gostaríamos.
Obrigado.
***
Aos interessados, esta é minha Editora: