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sábado, 2 de julho de 2016
Imperdível! Conheça o livro "Papa Sarto, o Papa Santo".
Finalmente, depois de alguns pequenos ajustes, site ficou completamente pronto.
Como bem desejava São Pio X, temos que trabalhar para restaurar todas as coisas em Cristo. Espero que este modesto livro, feito com muito esforço e com as imperfeições que fazem parte de qualquer trabalho que se inicia, seja útil, fazendo-os amar a Igreja, os santos e, principalmente, a Deus. Se pelo menos uma pessoa resolver melhorar a própria vida seguindo o exemplo deste imitador de Cristo, nosso trabalho terá valido a pena.
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quinta-feira, 21 de junho de 2012
O Credo - Missa Tridentina
Essa parte é grande, mas rica, por isso resolvi colocá-la toda, em vez de apenas comentar.
O leitor poderá perceber cada vez mais a riqueza da liturgia, e ver que boa parte das acusações protestantes contra a Igreja não possuem fundamento.
Já adianto aqui que em breve estarei sorteando um livro desse.
Mas quem quiser comprar (o que recomendo), pode fazer o pedido na Editora Permanência. Se for da Bahia, entre em contato comigo pois sei onde se vende por aqui, e posso até enviar por correio.
Bom proveito:
Além dos domingos, diz-se o Credo nas festas dos Apóstolos, que pregaram a fé; nas festas dos doutores que a defenderam; na de Santa Madalena, que foi a primeira a crer na ressurreição, anunciou-a aos Apóstolos e foi assim apóstolo dos apóstolos; nas festas dos Santos Anjos, porque é deles que se diz: factorem caeli et terrae, visibiliu omnium et invisibillium - criador do céu e da terra, das coisas visíveis e invisíveis; nas festas da Virgem Santíssima, pois o Símbolo fala igualmente de Nossa Senhora (no entanto, não se diz nas missas votivas). Diz-se ainda na festa da dedicação de uma igreja e nas festas dos padroeiros, porque se supõe que haverá nesses dias mais concurso de povo; é o que acontece quando a festa de São João Batista cai no domingo; quando cai em outro dia não é dito, porque São João veio antes da consumação dos mistérios, e não se fala dele no Símbolo. Diz-se também o Credo por causa da concorrência do povo, quando uma igreja possui uma relíquia insigne do santo festejado nesse dia.
O Credo que a Santa Igreja emprega na Santa Missa não é o Símbolo dos Apóstolos, é o de Nicéia; e, se quisermos ser mais exatos, devemos chamá-lo de Símbolo de Nicéia-Constantinopla, porque todo o artigo do Espírito Santo foi acrescentado, contra Macedônio, no primeiro Concílio de Constantinopla.
Até o século XI, o Credo não era recitado publicamente na Igreja Romana. Santo Henrique, Imperador da Alemanha, vindo a Roma, surpreendeu-se por não escutar o Credo. Falou então ao Papa Bento VIII, que ocupava a cátedra de São Pedro, e este pontífice respondeu que a Igreja Romana marcava assim a pureza de sua fé, já que não havia necessidade de rejeitar o erro que não estava em seu seio. No entanto, logo depois da observação do santo Imperador, o Papa decidiu que o Credo seria dito na missa nos dias de domingo, na Igreja Romana, a fim de que esta confissão de fé fosse sublinhada, por ser proclamada pela própria cátedra de São Pedro,.
O Símbolo de Nicéia é mais longo do que o dos Apóstolos, apesar de este conter igualmente todas as verdades da fé; mas, com as heresias aparecendo sucessivamente, foi necessário dar desenvolvimento a cada um dos artigos que eram atacados, sendo assim cortados pela raiz os diversos erros, na media em que apareciam. O símbolo contém tudo o que devemos crer porque dizemos: Credo Ecclesiam; crendo tudo o que crê a Santa Igreja, possuímos tudo o que foi adotado, tudo o que foi declarado como verdade, nos Concílios de Nicéia, de Constantinopla e em todos os seguintes.
Eis como começa este Símbolo: Credo in unum Deum.
Notemos a diferença. Os Apóstolos não puseram a palavra unum, não julgaram necessário em sua época. Foi no Concílio de Nicéia que a Igreja achou necessário acrescentá-la, a fim de manter a afirmação da unidade divina ao lado da profissão expressa da trindade das Pessoas, dirigida contra os arianos.
Mas por que dizemos: Credo in Deum? Qual é aqui a utilidade desta preposição in?
Ela é de grande importância e compreende-se facilmente. A fé não é outra coisa do que um movimento de nossa alma para Deus; a fé, unida à caridade, a fé vida que a Igreja colocou no coração de seus filhos, tende, por sua natureza, para Deus, sobe e se eleva para ele, Credo in Deum.
Há duas maneiras de se conhecer a Deus. Um homem que vê todas as coisas que compõe o universo: a Terra com suas produções numerosas, o firmamento enriquecido com seus astros, no meio dos quais brilha o Sol com um esplendor magnífico, e onde todas as revoluções se operam de maneira tão admirável; esse homem, digo, diante de tantas maravilhas, dispostas com tanta ordem e perfeição, não pode deixar de reconhecer que alguém fez tudo isso: é o que se chama uma verdade racional. Tal é pois a maneira de conhecer a Deus pela razão: cê-se a criação e se conclui que é a própria obra de Deus.
Mas quando dizemos: conhecer a Deus como Pai, Filho e Espírito Santo, é preciso, certamente, que Deus nos tenha dito e que acreditemos em Sua Palavra, pela fé, quer dizer, por esta disposição que nos é dada sobrenaturalmente de crer naquilo que Deus disse, de nos entregarmos à Sua Palavra. Deus me revela tal coisa por sua Igreja; logo saio de mim mesmo, lanço-me para Ele e reconheço como verdade o que Ele se digna me revelar. É assim que confessamos nosso Deus: Credo in unum Deum, Patrem omnipotentem.
Factórem cæli et terræ, Visibílium ómnium et invisibílium - Deus fez o céu e a terra, todas as coisas visíveis e invisíveis. Custava aos gnósticos atribuir a Deus a criação da matéria e dos seres visíveis; foram condenados por essa decisão do Concilio de Nicéia, que determinou que todas as coisas visíveis e invisíveis, visibilium et invisibilium, são obra de Deus. Rende-se, assim, homenagem ao Deus eterno, por ser todo poderoso e por ter criado, por este poder, todas as coisas visíveis e invisíveis. Por aí faz-se também profissão de fé à criação dos anjos.
Et in unum Dóminum Iesum Christum, Fílium Dei Unigénitum - E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus. Dizemos aqui, outra vez: creio em um Senhor. A palavra unum é essencial: não é em dois Filhos que cremos, mas em um só; não é em um homem e em um Deus, separados e formando duas Pessoas diferentes: é na mesma Pessoa, a do Filho único de Deus. Mas porque o chamamos Senhor de uma maneira tão especial? Já o tínhamos dito, falando do Pai. Damos este título a Jesus Cristo porque somos duas vezes Dele. Primeiramente somos Dele porque nos criou com o Pai, que fez todas as coisas por Seu Verbo; além disso, somos Dele porque nos redimiu por Seu Sangue e nos arrancou do demônio; somos Sua compra, Seu bem, Sua possessão; além de ser nosso Criador, nos possui a outro título, e Seu amor pelas almas leva-O a querer possuí-las como Esposo.
Um Filho em Deus, eis um exemplo do conhecimento de Deus diferente do conhecimento racional, de que falamos mais atrás. A razão, por si só, não poderia nos mostrar que há em Deus um Pai e um Filho: é preciso, para sabê-lo, ou estar no céu ou isto ser revelado pela Escritura ou pela Tradição. Assim como cremos em um só Deus Pai e não em dois, assim cremos em um só Filho: et in unum Dominum Jesum Christum, Filium Dei Unigenitum.
Et ex Patre natum, ante omnia saecula — nascido do Pai antes de todos os séculos. Os séculos não tinham começado quando Deus fez sair de suas mãos a obra da criação. Para que houvesse século, era preciso que o tempo existisse. E para que houvesse tempo, era preciso haver os seres criados. Ora, antes de todos os séculos, antes que algo tivesse saído do nada, o Filho de Deus tinha saído do Pai, assim o confessamos pelas palavras: Et ex Patre natum ante ómnia sæcula.Deum de Deo, lumen de lúmine, Deum verum de Deo vero, — nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro.
O mundo criado procede de Deus, já que é Sua obra. Mas ele não é Deus por isso: o Filho de Deus, ao contrário, saindo do Pai, é Deus como Ele, porque é engendrado nEle: de sorte que tudo o que se diz do Pai convém ao Filho, salvo que Ele não é o Pai, mas é sempre a mesma substância, a mesma essência divina.
No entanto, como o Filho pode ser da mesma substância do Pai, sem que esta substância seja esgotada? Santo Atanásio, talando sobre esse assunto, faz a seguinte comparação que, apesar de material, nos faz apreender um pouco dessa verdade. Assim, diz ele, como uma tocha, tomando sua luz de outra tocha, não diminui em nada aquela onde foi acesa, assim o Filho de Deus, tornando a substância do Pai, não diminui em nada essa substância divina que possui com ele. Ele é verdadeiramente Deus deDeus, Luz da luz, verdadeiro Deus de Deus verdadeiro,
Genitum, non factum - Gerado, não criado. Nós, criaturas humanas, somos feitos, somos todos obra de Deus, sem exceção, mesmo a Virgem Maria e os anjos. O Verbo, Filho de Deus, não é assim: ele é engendrado, não criado; sai do Pai, mas não é sua obra. Tem a mesma substância, a mesma essência, a mesma natureza do Pai.
Em Deus, devemos fazer a distinção das Pessoas, mas devemos também considerar sempre a mesma substância divina, tanto para o Pai e o Filho como para o Espírito Santo: Idem quoad substantiam. E Nosso Senhor nos diz, ele próprio: Ego et Pater unum sumus; são uma mesma coisa, mas as Pessoas são distintas; Pai, Filho e Espírito Santo, são os três termos que servem para designar as Pessoas. E, pois, muito importante essa palavra do Concilio de Nicéia: consubstantiálem Patri, consubstancial ao Pai. Sim, o Filho é gerado pelo Pai, tem a mesma sustância, é a mesma essência divina.
Per quem ómnia facta sunt — por quem todas as coisas foram feitas. Está dito no começo do Símbolo que Deus fez o céu e a terra, todas as criaturas visíveis e invisíveis; e aqui nos diz, falando do Verbo, Filho de Deus, que todas as coisas foram feitas por Ele. Como enquadrar tudo isso? — Compreende-se facilmente comparando à nossa alma.
Três faculdades diferentes são postas nela para a realização de seus diferentes atos: a força, a inteligência e a vontade. Estas três faculdades são necessárias para que o ato seja feito. Pela força, a alma age, mas sua ação supõe o conhecimento e a vontade. Também Deus Pai Todo Poderoso fez todas as coisas por seu poder, fez tudo com inteligência por seu Filho; enfim. pôs sua vontade pelo Espírito Santo e assim o ato se realizou. Ií, pois, mais do que justo que digamos, quando falamos do Filho: Per quem ómnia facta sunt.
Qui propter nos hómines et propter nostram salútem descéndit de cælis — o qual, por amor de nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus. Depois de ter-nos mostrado o Verbo fazendo tão grandes coisas, a Igreja acrescenta que Ele veio à terra por nós, homens pecadores. E não somente veio pelo homem, mas veio para reparar os pecados do homem e para resgatá-lo da infelicidade eterna. Em uma palavra, para operar nossa salvação: et propter nostram salutem. Por esta causa desceu dos céus: descendit de caelis. Não obstante, não deixou o Pai e o Espírito Santo, não ficou privado, por isso, da beatitude da divindade, mas uniu-se ao homem e suportou nesse homem tudo o que o homem podia suportar, exceto o pecado: desceu dos céus para ser uma criatura, vivendo no meio de nós, andando conosco, conformando-se com todas as coisas da exigência da natureza humana.
Et incarnatus est de Spirítu Sancto - O Verbo se encarnou, fez-se carne por operação do Espírito Santo. Deus fez todas as coisas, e compreendemos como as fez pelas três Pessoas. No mistério da Encarnação, as três Pessoas divinas têm também sua ação. O Pai envia seu Filho, o Filho vem à Terra e o Espírito Santo preside esse sublime mistério.
Ex Maria Virgine - Atenção para essas palavras: ex Maria. Maria forneceu-lhe a substância de seu ser humano, substância que lhe era própria e pessoal, de modo que tomou de si mesma para dar ao Filho de Deus, tornado por isso mesmo seu Filho. O quanto foi preciso que Maria fosse pura para ser achada digna de dar ao Filho de Deus a substância do seu ser humano! O Verbo não quis se unir a uma criatura humana tirada imediatamente do nada, como o primeiro homem, mas ser da raça de Adão. Para isso encarnou-se no seio de Maria, o que o tornou filho de Adão. Não apenas desceu em Maria, mas tomou de Maria, ex Maria: ele é de sua própria substância.
Et homo factus est — E Ele fez-se homem. O Verbo de Deus não tomou somente a aparência de homem, mas fez-Se verdadeiramente homem. Nestas palavras sublimes vemos a própria divindade desposando a humanidade. A genuflexão é feita nesse lugar como uma marca de honra dada ao mistério da Encarnação.
Crucifíxus étiam pro nobis sub Póntio Piláto; passus, et sepúltus est — também por amor de nós foi crucificado, sob Pondo Pilotos, padeceu a morte e foi sepultado. Crucifixus. O Símbolo dos Apóstolos serviu-se igualmente dessa expressão. Os Apóstolos fizeram questão de dizer que Nosso Senhor foi crucificado, não dizendo simplesmente que ele morrera, porque era importante assinalar para todos a vitória da cruz sobre Satanás. Como fomos perdidos pelo madeiro, Deus quis que nossa salvação fosse também operada pelo madeiro, como cantamos: ipse lignum tunc notavit, damna ligni ut solveret — o próprio Deus destinou o madeiro para reparar a danação causada pelo madeiro. Sim, era preciso que o artifício do nosso inimigo fosse enganado por seu próprio artifício: et medelam ferret inde, hostis unde Iceserat, e que o remédio fosse tirado de onde o inimigo tirara o veneno
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Por esse motivo, os Apóstolos faziam tanta questão de assinalar o suplício do Senhor e, anunciando a fé entre os pagãos, falavam imediatamente da cruz. São Paulo, escrevendo aos Coríntios, lhes dizia que, indo até eles, não julgava que devesse lhes falar de outra coisa que não fosse de Jesus, e de Jesus crucificado: Non enim judicavi me scire aliquíd inter vos, nisi fesum Christum et hunc crucifixum^. Já lhes tinha dito: E nós, pregamos o Cristo crucificado: escândalo, é verdade, para os judeus, e loucura para os gentios: Judceis quidem scandalum, Gentibus autem stultitiam.
Jesus Cristo foi crucificado e acrescenta o Símbolo: pro nobis. Assim como dizemos propter nos homines descendit de caelis, era justo que a Santa Igreja nos lembrasse que se o Senhor foi crucificado, foi por nós. Crucifixus etiam pro nobis, sub Pontio Pilato passus. O nome do governador romano acha-se aqui mencionado pelos Apóstolos para dar uma uara.
Et sepultus est - Cristo sofreu, é verdade; é verdade que Ele foi sepultado e isso era preciso, porque se não fosse sepultado, como se cumpriria a profecia que dizia que deveria sair do túmulo no terceiro dia? Isso provava também que Sua morte foi real, completa e não fictícia, já que foi até o sepultamento, e a sepultura, como se pratica para os outros homens.
Et resurréxit tértia die, secúndum Scriptúras - No terceiro dia ressuscitou, conforme o que anunciavam as profecias, particularmente a do profeta Jonas. Nosso Senhor disse: "Esta geração má pede um sinal, mas não lhe será dado outro além do profeta Jonas", nisi signum Jonce prophetce33. Pois assim como Jonas ficou três dias e três noites no ventre da baleia, também o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.
Et ascendit in caelum - Subiu ao céu. O Verbo de Deus, vindo à terra para se fazer homem, não deixou por isso o seio de seu Pai. Aqui se diz que subiu ao céu no sentido de que sua humanidade efetivamente subiu e que foi objeto de uma entronização para a eternidade.
Sedet ad déxteram Patris - Está sentado à direita do Pai como mestre, como senhor. Mestre e Senhor, Ele sempre o foi segundo a natureza divina, mas devia ser também segundo a natureza humana e é o que exprimem estas palavras. De fato, devia ser porque a natureza humana, estando unida à natureza divina numa mesma Pessoa, que é a do Filho de Deus, pode-se dizer dela com toda verdade: o Senhor está sentado à direita do Pai. Davi o tinha anunciado quando dizia: Dixit Dominus Domino meo: sede a dextris meis. Isto nos prova a íntima união que existe entre a natureza divina e a natureza humana, na Pessoa de Nosso Senhor. Por isso, o Salmo 109 é verdadeiramente o salmo da Ascensão, porque é ali que o Senhor Pai diz ao Senhor Filho: senta à minha direita: Sede a dextris méis.
Et íterum ventúrus est cum glória, iudicáre vivos et mórtuos - O Credo fala de Nosso Senhor em duas vindas: na primeira Ele nasceu sem. glória e, como nos diz São Paulo, aniquilou-se tomando a forma de escravo: semetipsum exinanivitformam servi accipiens; na segunda deve vir com glória, venturus est cum gloria. E por que vem? Não mais para nos salvar, como da primeira vez, mas para julgar: judicare vivos et mortuos. Não somente virá julgar aqueles que estarão ainda na Terra no momento dessa segunda vinda, mas também todos os que estão mortos desde o começo do mundo, porque absolutamente todos devem ser julgados.
Cuius regni non erit finis — E seu reino não terá fim. Trata-se aqui do Reino de Jesus Cristo em Sua humanidade, pois na Sua divindade nunca deixou de reinar. Esse Reino será não somente glorioso, mas nunca terá fim.
A segunda parte do Credo termina aqui; é a mais importante. E justo que nessa confissão pública da nossa fé se falasse mais longamente de Jesus Cristo, porque pessoalmente Ele fez mais por nós, apesar de não ter feito nada sem o acordo e o concurso das duas outras Pessoas. Nessa parte O chamamos de Nosso Senhor. Esse título de Senhor convém ao Pai que nos criou, mas convém duplamente ao Filho que, além de nos ter criado, já que Deus faz todas as coisas por seu Verbo, nos resgatou. Nós Lhe pertencemos a duplo título.
Et in Spíritum Sanctum, Dóminum et vivificántem - Creio igualmente no Espírito Santo, ou seja, pela fé vou até Ele para a Ele aderir. E quem é o Espírito Santo? Dominurn. É Senhor, é Mestre como as outras duas Pessoas. Mas o que é mais? Vivificantem, dá a vida. Assim como a alma dá a vida ao nosso corpo, assim o Espírito Santo dá a vida à nossa alma, E o Espírito Santo que a anima pela graça santificante que nela derrama, a sustenta e a faz agir, vivifica-a e a faz crescer no amor. Do mesmo modo, na Igreja, é o Espírito Santo quem tudo sustenta, é Ele quem faz que todos esses membros, de nações, línguas e costumes tão diferentes, vivam a mesma vida, pertençam ao mesmo Corpo, cujo chefe é Jesus Cristo. Com efeito, todos têm a mesma fé, recebem as mesmas graças nos mesmos sacramentos, e as mesmas esperanças os animam e os confortam. Em uma palavra, o Espírito Santo sustenta a todos.
Qui ex Patre Filióque procédit — que procede do Pai e do Filho. Como se pode imaginar que o Pai e o Filho não sejam unidos? Havia necessidade de um laço que reunisse um ao outro. O Pai e o Filho não são apenas justapostos, mas um laço os une, os encerra, e esse laço procede de um e de outro formando um com eles. Esse amor mútuo é o Espírito Santo.
No Concilio de Nicéia, foi redigido o artigo do Símbolo que trata de Jesus Cristo; no Concilio de Constantinopla resolveram completar o Símbolo de Nicéia acrescentando o que se refere ao Espírito Santo, mas sem o Filioque; seria dito simplesmente: Qui ex Patre procedit.
Os padres desse Concilio não viram necessidade de dizer mais nada, porque as palavras de Nosso Senhor no Evangelho não podem deixar dúvida. Nosso Senhor tinha dito: "Enviarei o Espírito que procede do Pai" — ego mittam vobis a Patre, Spiritum veritatis, qui a Patre procedit; ele é, pois, também princípio do Espírito Santo, já que o enviou. O Pai envia o Filho, e fica claro para todos que o Filho emana do Pai, é engendrado por Ele. Nosso Senhor dizendo enviarei o Espírito, prova que Ele próprio é fonte do Espírito Santo, como o Pai. E se Nosso Senhor acrescenta essas palavras: Qui a Patre procedit, não é para nos dizer que o Espírito Santo procede somente do Pai; ao contrário, é para melhor explicar e para nos mostrar que não o envia sozinho, mas que o Pai O envia com Ele.
Os gregos não quiseram admitir essa verdade e levantaram uma discussão sobre essa passagem, a fim de destruir a Trindade. Mas compreende-se que a Trindade está ligada nas suas três Pessoas dessa maneira admirável, quer dizer, que a primeira Pessoa engendra a segunda, a primeira e a segunda estão unidas entre si pela terceira. Aquele que recusasse adotar a crença desse laço produzido pelo Pai e o Filho, e que Os reúne, isolaria completamente o Espírito Santo do Filho, o que destruiria a Trindade.
Foi na Espanha que se introduziu primeiro o Filioque no Símbolo, para explicar melhor o que tinham dito os Padres de Constantinopla; corria então o século VIII. A Igreja romana só o adotou no século XI. Sabia que isso provocaria dificuldades; mas vendo que essa medida tornava-se necessária, decidiu-se, e desde então essa adição no Símbolo é obrigatória para toda a Igreja.
Qui cum Patre et Fílio simul adorátur et conglorificátur — o qual é, com o Pai e o Filho igualmente adorado e glorificado. O Espírito Santo deve ser adorado porque é verdadeiramente Deus. Para se ter a verdadeira fé, não basta render homenagem ao Espírito Santo, é preciso adorá-lo corno Deus, assim como adoramos o Pai e o Filho, simul adoratur: é adorado ao mesmo tempo que as duas outras Pessoas divinas, simul. Nesse momento, a Santa Igreja quer que inclinemos a cabeça para render homenagem ao Espírito Santo, pois reconhecemos a sua divindade.
Et conglorificátur - É conglorificado, isto é, recebe glória com o Pai e o Filho; está dentro da mesma doxologia, quer dizer, na mesma glorificação: doxologia significa glorificação da grandeza e da majestade divina.
Qui locútus est per prophétas - Eis outro dogma. O Espírito Santo falou pelos profetas, e a Santa Igreja o declara. Ela formulou esse artigo para confundir os marcionitas, que queriam admitir o princípio de uni Deus bom e um Deus malvado. Segundo eles, o Deus dos judeus não era bom. A Igreja, declarando que o Espírito Santo falou pelos profetas desde os livros de Moisés até os mais próximos do tempo de Nosso Senhor, proclama que a ação do divino Espírito Santo se estende sobre a Terra desde o princípio.
No dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e veio sobre a terra para ficar, sendo sua missão diferente da de Nosso Senhor. O Verbo feito carne veio à Terra, mas, depois de certo tempo, voltou ao céu. O Espírito Santo, ao contrário, veio para ficar; Nosso Senhor disse que tal era sua missão, quando disse aos Apóstolos estas palavras: Et Paraclitum dabit vobis, ut maneai vobiscum in aeternum — Vos enviarei o Paraclito, que permanecerá convosco para sempre. Mais tarde lhes disse como este Espírito lhes ensinaria todas as coisas, sugerindo tudo o que Ele mesmo ensinara: et suggeret vobis omnia quacumque dixero vobis.
A Igreja, com efeito, precisou ser ensinada, ser guiada, conduzida e sustentada. Quem devia fazê-lo? Quem o fez? O Espírito Santo deve assisti-la até o fim dos séculos, segundo a palavra de Nosso Senhor. Por isso o Filho foi enviado pelo Pai, depois voltou ao céu; e o Pai e o Filho enviaram o Espírito Santo para permanecer com a Igreja até o fim. Nosso Senhor disse: "Meu Pai vos enviará o Espírito", e ainda: "Eu vos enviarei o Espírito" a fim de marcar as relações que existem entre as Pessoas divinas que não podem ser isoladas uma da outra, como quiseram os heréticos.
A Santa Igreja nos desdobrou, pois, o dogma da Santíssima Trindade. Primeiramente, o Pai Todo Poderoso, criador de todas as coisas; em seguida o Filho, descendo do céu, fazendo-se homem e morrendo por nós, depois ressuscitando vencedor da morte e triunfando em sua Ascensão; enfim, vem o Espírito Santo, Senhor como o Pai e o Filho, dando a vida, que falou pelos profetas e que é Deus como o Pai e o Filho.
Agora outro assunto: Et unam, sanctam, cathólicam et apostólicam Ecclésiam. Notemos: não dizemos: Credo in.... Por quê? Porque a fé, que tem a Deus por objeto imediato, é um movimento de nossa alma para Deus; ela se lança e repousa nele; então cremos in Deum — em Deus. Mas para as coisas criadas e intermediárias que concernem a Deus, que servem para nos conduzir a Ele e que não são Ele, nós cremos simplesmente, sem movimento interior que nos traga o repouso. Por exemplo: a Igreja que Jesus Cristo fundou, no seio da qual, se encontra, exclusivamente salvação, Credo Ecclesiam. Neste Símbolo, esse artigo é mais desenvolvido do que no Símbolo dos Apóstolos, que nos faz dizer simplesmente: Credo Sanctam Ecdesiam Catholicam.
Dizemos, pois, primeiramente, que a Igreja é una: Credo unam Ecclesiam. No Cântico dos Cânticos escutamos o próprio Esposo chamá-la minha única: una est columba mea.
Além disso ela é santa: Credo sanctam Ecclesiam; ainda uma vez ouvimos o Esposo dizer no Cântico: Amica mea, columba mea, formosa mea... et macula non est in te — Amiga minha, minha columba, minha formosa... não há em ti nenhuma mancha. São Paulo, escrevendo aos Efésios, diz também que ela é sem mancha nem ruga: non habentem maculam aut rugant. A Igreja de Jesus Cristo é santa, só nela há santos e nela sempre haverá santos. Ainda mais: sendo santa, só pode ensinar a Verdade.
A Igreja é católica: Credo Ecclesiam Catholicam. Quer dizer, é universal, por estar espalhada por toda a terra; e também que sua existência se prolongará até o fim dos tempos. A qualidade de católica que lhe é dada compreende tudo isso.
Enfim, é apostólica: Credo Ecclesiam Apostolicam. Sim, remonta ao começo, quer dizer que vem de Nosso Senhor; não foi elevada de repente no meio dos tempos, como fez o protestantismo, no século XVI Assim não seria de Nosso Senhor. Para ser a verdadeira Igreja, deve ser apostólica: isso significa que é preciso uma hierarquia que esteja em linhagem direta até os Apóstolos, e pelos Apóstolos a Nosso Senhor em pessoa. Assim cremos na Igreja, e Deus quer que a creiamos una, santa, católica e apostólica: Et unam, sanctam, cathólicam et apostólicam Ecclésiam. Cremos que ela é fundada sobre estes quatro caracteres essenciais que são a noção c a prova de sua instituição divina.
Confíteor unum baptísma in remissiónem peccatorum - Confesso um só batismo para a remissão dos pecados. A palavra Confiteor significa aqui reconheço. Mas por que a Igreja nos faz confessar tão expressamente um só batismo: Confiteor unum baptisma? — Porque insiste que proclamemos que só há um meio de nascimento espiritual e, segundo a palavra do Apóstolo aos Efésios, um só batismo, como um só Deus e uma só fé: Unus Dominus, uma fides, unum baptisma.
O batismo nos faz filhos de Deus ao mesmo tempo em que nos dá a graça santificante, pela qual o Espírito Santo vem habitar em nós. E quando pelo pecado mortal o homem tem a infelicidade de perder essa graça, a absolvição o reconcilia com Deus, restaurando-Lhe a graça do batismo. Essa graça primeira é tão forte, que ela mesma é devolvida, e não outra. O batismo tira sua força da água que saiu do lado de Nosso Senhor e que foi para nós o princípio de vida. Por isso, Nosso Senhor verdadeiramente nos produziu, e este é o único batismo que devemos confessar e conhecer.
Et expecto resurrectionem mortuorum - Espero a ressurreição dos mortos. A Igreja não faz somente dizer: creio na ressurreição dos mortos, mas espero. Devemos ficar impacientes para ver chegar o momento da ressurreição, pois a união do corpo com a alma é necessária para a perfeição na bem-aventurança.
Os pagãos tinham muita dificuldade em aceitar essa verdade, porque a morte parece ser uma condição de nossa natureza. Como a nossa natureza se compõe de alma e de corpo, e esses elementos podem ser separados, a morte conserva algum império sobre nós. Mas, para nós cristãos, a ressurreição dos mortos é um dogma fundamental. Nosso Senhor, ressuscitando no terceiro dia depois de sua morte, confirma-o de maneira estrondosa, pois, diz São Paulo, foi o primeiro a sair dentre os mortos: primogenitus ex mortuis; como devemos segui-lo, devemos todos ressuscitar.
Et vitam ventúri saeculi - Espero também a vida do século vindouro, que não conhece a morte. Na Terra, vivemos a vida da graça, apoiando-nos na fé, na esperança e na caridade; mas não vemos a Deus. Na glória, ao contrário, gozaremos plenamente da presença de Deus, varnos vê-lO face a face, como nos diz São Paulo: Videmus nunc per speculum in aegnigmate: tuc autem facie ad faciem — Agora vemos como num espelho, numa imagem} mas depois veremos face a face. Além do mais, durante nossa peregrinação terrestre, estamos expostos à perda da graça, ao passo que no céu não existe nenhum temor desse gênero, e possuiremos algo que satisfaz todos os desejos do homem: possuiremos o próprio Deus, que é o fim do homem. E, pois, com razão, que a Santa Igreja nos faz repetir: Et exspecto vitam venturi saeculi.
Tal é a magnífica profissão de fé que a Igreja põe na boca de seus filhos. Existe outra fórmula do nosso Símbolo que foi composta por Pio IV, depois do Concilio de Trento. Essa que acabamos de ver acha-se ali incluída, mas com muitos outros artigos dirigidos contra os protestantes, e é lida por eles na ocasião de sua abjuração: não podem obter a absolvição se não cumprirem essa condição. Além desses, todos os que recebem benefícios eclesiásticos devem pronunciá-lo ao tomar posse. Assim, um bispo deve fazê-lo chegando a sua diocese. Todos os párocos deveriam fazê-lo igualmente, ao assumir sua paróquia, mas esse costume foi abandonado depois da Revolução, sendo observado apenas em certas localidades particulares.
sábado, 16 de junho de 2012
O Evangelho - Missa Tridentina
"Enquanto os diferentes cantos são entoados, o diácono toma o livro dos Evangelhos e o põe sobre o altar, porque o altar representa Nosso Senhor, marcando assim a identidade que existe entre o Verbo de Deus, que se escuta no Evangelho e Nosso Senhor. O padre não incensa o livro, mas benze o incenso, atitude que o diácono não pode realizar.
Estando bento o incenso, o diácono, de joelhos no degrau mais alto do altar, diz a oração Munda cor meum, na qual pede a Deus que se u coração e seus lábios sejam purificados, para que possa anunciar dignamente o Santo Evangelho. Nesta oração, faz alusão à brasa ardente com a qual um serafim toca os lábios do profeta Isaías, para purificar e o tornar digno de anunciar as coisas que lhe eram inspiradas pelo Espírito Santo. Esta oração é dita igualmente pelo padre na missa privada.
Depois da oração, o diácono toma o livro no altar e, ajoelhando-se diante do padre, pede a bênção porque vai ler: Jube, domne, benedicere, como se dissesse: queira me abençoar. Na missa privada, o padre pede a bênção a Deus dizendo: Jube, Domine, benedicere, respondendo ele mesmo pelas palavras da bênção, com as mudanças necessárias para aplicá-las a si mesmo. Depois de receber a benção, o diácono beija a mão do padre que deve estar sobre o livro dos Evangelhos, parecendo assim que o está dando ao diácono, encarregando-o de ler em seu nome.
Dirige-se o diácono para o púlpito do Evangelho e começa por esta grande palavra: Dominus Vobiscum. É a única vez que é permitido o diácono saudar o povo com estas palavras. Parece que ele quer prepará-lo, como quem diz: ouça o Verbo de Deus, a Palavra eterna que é para todos uma grande graça; que o Senhor esteja convosco, que Ele vos esclareça e vos alimente por Sua palavra. E o povo responde a este chamado: Et cum ispiritu tuo.
O diácono então anuncia ao povo o que vai ler, por estas palavras: Initium ou Sequentia sancti Evangelii, fazendo o sinal da cruz sobre o livro, no lugar onde começa a passagem do Evangelho. Depois se persigna sobre a testa, sobre a boca e sobre o peito, pedindo pela cruz, princípio de todas as graças, que tenha sempre o Evangelho no coração e sobre os lábios, e que seu rosto nunca se enrubesça. Com o turíbulo, incensa o livro por três vezes enquanto o povo responde ao anúncio da boa nova, rendendo glória ao Senhor Jesus Cristo cuja palavra vai ser ouvida: Gloria tibi, Domine.
Enfim, é hora de cantar o Santo Evangelho. Para isso, o diácono junta as mãos e não as apoia no livro, não se permite tal familiaridade em relação ao que encerra a expressão da Palavra Eterna.
Terminada a leitura, o subdiácono toma o livro aberto e o leva ao celebrante que diz, beijando o começo do evangelho: Per evangélica dicta, deleantur nostra delicta - pelas palavras do Evangelho, sejam apagados nossos pecados. Encontramos nesta fórmula, que se emprega algumas vezes como bênçãos, em Matinas, uma rima que denota sua origem medieval. Enquanto isso, o diácono volta-se para o padre, em nome do qual cantou o Evangelho e, tomando o turíbulo, incensa-o três vezes. Nesse momento, só o padre recebe essa homenagem.
Quando o padre reza a missa sem ser assistido por seus ministros, deve virar o livro ao evangelho, de modo que fique voltado um pouco para o lado do norte; o diácono também fica voltado para esse ponto quando canta, porque, segundo a palavra do profeta Jeremias: Ab aquilone pandetur malum super omnes habitatores terrae - do aquilão o mal se espalhará sobre todos os habitantes da terra. Pela mesma razão, no batismo dos adultos, os catecúmenos ficam voltados para o norte, quando renunciam a Satanás.
Antigamente havia, nas grandes igrejas, dois púlpitos ou espécies de cátedras elevadas, um para a Epístola e outro para o Evangelho. Hoje não os vemos mais, a não ser na igreja de São Clemente, em Roma, e em São Lourenço fora dos muros. Existiam também na basílica de São Paulo até a época de sua restauração. Era no púlpito que se punha o Círio pascal durante os quarenta dias que terminam a Ascensão.
Devemos notar, a propósito do Evangelho, a diferença estabelecida pela Santa Igreja na maneira de anunciá-lo. Para a Epístola, manda simplesmente dizer qual a passagem que será lida, enquanto manda preceder sempre o Evangelho do Dominus vobiscum. Na Epístola, é apenas o servidor quem fala; aqui, ao contrário, é a palavra do Mestre que se ouve, sendo útil chamar a atenção dos fiéis.
A resposta Laus tibi, Christe, só é dita no fim do Evangelho lido pelo padre, porque antigamente, o celebrante, não lendo nada do que era cantado, escutava simplesmente o Evangelho.
Nas missas dos defuntos, o diácono não pede a benção do padre antes do Evangelho. Como esta é uma cerimônia em honra dos defuntos, ele abstém-se, em sinal de luto e de tristeza. Não se levam também as tochas ao púlpito, e o padre não beija o livro na volta do diácono, assim como o diácono não beija a mão do padre depois de ter pegado o livro no altar."
***
Certa vez Silas Malafaia disse que elogiaria um padre que andasse com a Bíblia na mão (como geralmente ele faz), como se o fato de andar com ela na mão significasse necesseriamente amor pela mesma.
Ora, engraçado é que o culto que Silas Malafaia faz (não incluo aqui todos os cultos protestantes), incluindo várias pregações sua, são desrespeitosas com o Evangelho.
Desde o inicio a Missa é toda Teocêntrica, e em várias partes é demonstrado o valor único dos Evangelhos.
Além disso as principais doutrinas Católicas (se não todas) são expressas na Liturgia da Missa.
Após a Epístola será recitado o Credo.
Essa parte é grande, mas vou preferir digitar para não correr o risco de deixar de dizer algo importante (Essa do Evangelho também foi copiado de forma integral).
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Missa Tridentina - Sequência
"Em algumas solenidades, acrescenta-se ao Aleluia ou ao Trato o que se chama Sequentia. Foi acrescentada ao canto da missa bem depois de São Gregório, lá pelo século IX. Recebeu o nome de Sequentia, que significa continuação. Consistia primitivamente em um texto que se acrescentava às notas melódicas que continuavam a palavra Aleluia e que já chamavam de Sequentia, antes da invenção dessa parte da missa.
É chamada também de prosa, porque em sua origem não se parecia nem aos hinos metrificados, cujos modelos se encontram nos antigos, nem aos ritmos regularmente cadenciados, que apareceram mais tarde. Era verdadeiro trecho de prosa que se cantava simplesmente, como dissemos, para revestir as palavras do neuma do Aleluia. Pouco a pouco, no entanto, aproximou-se seu gênero ao dos hinos.
A sequência servia para realçar a solenidade dos ofícios, e, enquanto era cantada, os sinos e órgãos ressoavam. Foramfeitas para todas as festas e também para os domingos do Advento.
Na reforma do missal romano, sob São Pio V, apenas quatro delas foram conservadas: Victimae Paschali, a mais antiga de todas e modelo de toda prosa, o Veni Sancte Spiritus, o Lauda Sion e o Dies irae, Mais tarde acrescentaram o Stabat Mater. Nosso missal monástico contém também o Laeta dies, para a festa de São Bento, uma composição que data do século XVI."
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Aleluia e Trato - Missa Tridentina
"Ao Gradual, sucede o Aleluia ou o Trato, conforme o tempo do ano: o Aleluia é repetido como um responsório e seguido de um versículo, depois do qual se torna a repetir uma terceira vez Aleluia. Este canto, por excelência, de louvor a Deus, devia ter seu lugar na Santa Missa. Ele tem qualquer coisa de tão alegre e, ao mesmo tempo, de tão misterioso, que nos tempos de penitência, quer dizer, depois da Septuagésima até a Páscoa, não é cantado.
Então é substituído pelo Trato. Este ocupa piedosamente a Assembléia durante o tempo necessário para as diferentes evoluções que devem ter lugar, quando o diácono, depois de ter pedido a bênção do padre, vai em procissão para o púlpito do evangelho e se prepara para fazer ouvir o Verbo de Deus.
O trato se compõe algumas vezes de um salmo inteiro, ou quase, assim como vemos no primeiro domingo da Quaresma; ordinariamente, só contém alguns versículos. Esses versículos, que se cantam com uma melodia bastante rica e muito característica, seguem sem anúncio e repetição: por ser todo executado de uma só vez, em uma só tirada, recebe o nome de Tractus."
O que acho interessante é que, até mesmo para quem não entende nada da língua, nem mesmo do português para ler em um missal bilíngue, se pode compreender muita coisa somente com os gestos.
domingo, 22 de abril de 2012
Gradual - Missa Tridentina
“Entre a Epístola e o Evangelho canta-se o Gradual. Compõe-se de um responsório com seu versículo. Antigamente se repetia o responsório inteiro antes e depois do versículo, na forma que ainda é usada para os responsórios breves, mas numa melodia muito ornada.
O gradual é, efetivamente, a parte mais musical do oficio e, como o canto era muito delicado, nunca eram admitidos mais de dois cantores, que subiam no púlpito para cantá-lo. Púlpito é uma espécie de cátedra de mármore colocada na Igreja.
É precisamente por subir os degraus do púlpito, que esta peça recebeu o nome de Gradual, assim como são chamados Salmos graduais os que os judeus cantavam subindo os degraus do templo."
Relembrando do sorteio que será realizado dia 30: http://porquecreio.blogspot.com.br/2012/04/sorteio-do-livro-ortodoxia-de.html
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Epístola - Missa Tridentina.
"Depois da Coleta e das outras orações que, muitas vezes, são acrescentadas com o nome de memórias, vem a Epístola, que é quase sempre uma passagem das Epístolas dos Apóstolos, e algumas vezes tiradas de outro livro da Sagrada Escritura.
O uso de ler só uma epístola não é um costume primitivo da Igreja; remonta, no entanto, a mil anos, ao menos. Nos primeiros séculos lia-se, primeiro, uma lição do Antigo Testamento, seguida então por uma passagem dos escritos dos Apóstolos. Agora só se lê uma epístola na missa, exceto nos dias das Quadro Têmporas e em certos dias da Féria. O uso de ler as lições do Antigo Testamento antes da epístola desapareceu quando compuseram o missal que é usado hoje, contendo tudo o que se diz na missa ,seja pelo padre, seja pelo coro, e chamado por esta razão de “Missal integral”.
O missal de antigamente, ou Sacramentário, só continha, como já dissemos, as orações, os prefácios e o Cânon. Para o restante, havia o Antifonário, a Bíblia e um Evangeliário. Perdemos com a mudança que se operou, porque cada missa tinha seu prefácio próprio, e ficamos reduzidos a um pequeno número dessas peças litúrgicas.
Observa-se para o ofício o mesmo modo de agir, já que não havia ainda breviário, usava-se então o saltério, o hinário, a Bíblia, o passionário – no qual se liam os atos dos santos – e o homiliário, que continha os discursos dos Padres da Igreja.
Durante muito tempo, o primeiro domingo do Advento guardou o privilégio de ter duas epístolas na missa. Acabou-se por deixar só uma aí também. O ofício desse domingo foi tratado com grande cuidado e representa, mais fielmente que a maior parte dos outros ofícios, os usos da antiguidade; também, apesar de semi-duplice [1], não se lhe atribuía nunca um sufrágio, assim como até a Epifania. Os sufrágios só apareceram depois do século XI.
Assim tudo procede com ordem no Santo Sacrifício: o padre expôs primeiramente os pedidos e exprimiu os votos da assistência; a Santa Igreja falou por sua boca. Logo escutaremos a palavra do Mestre, no Evangelho, mas a Santa Igreja quer nos preparar para isso por seu servidor, e põe primeiramente a Epístola, indo assim do Profeta, do Apóstolo, a Nosso Senhor.
[1] Antes de 1962 as rubricas dividiam as festas em Dúplice de 1ª e 2ª classe, Semi-duplice e Simples. O missal de 1962 simplificou esta nomenclatura. As festas passaram a ser de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª classe."
O uso de ler só uma epístola não é um costume primitivo da Igreja; remonta, no entanto, a mil anos, ao menos. Nos primeiros séculos lia-se, primeiro, uma lição do Antigo Testamento, seguida então por uma passagem dos escritos dos Apóstolos. Agora só se lê uma epístola na missa, exceto nos dias das Quadro Têmporas e em certos dias da Féria. O uso de ler as lições do Antigo Testamento antes da epístola desapareceu quando compuseram o missal que é usado hoje, contendo tudo o que se diz na missa ,seja pelo padre, seja pelo coro, e chamado por esta razão de “Missal integral”.
O missal de antigamente, ou Sacramentário, só continha, como já dissemos, as orações, os prefácios e o Cânon. Para o restante, havia o Antifonário, a Bíblia e um Evangeliário. Perdemos com a mudança que se operou, porque cada missa tinha seu prefácio próprio, e ficamos reduzidos a um pequeno número dessas peças litúrgicas.
Observa-se para o ofício o mesmo modo de agir, já que não havia ainda breviário, usava-se então o saltério, o hinário, a Bíblia, o passionário – no qual se liam os atos dos santos – e o homiliário, que continha os discursos dos Padres da Igreja.
Durante muito tempo, o primeiro domingo do Advento guardou o privilégio de ter duas epístolas na missa. Acabou-se por deixar só uma aí também. O ofício desse domingo foi tratado com grande cuidado e representa, mais fielmente que a maior parte dos outros ofícios, os usos da antiguidade; também, apesar de semi-duplice [1], não se lhe atribuía nunca um sufrágio, assim como até a Epifania. Os sufrágios só apareceram depois do século XI.
Assim tudo procede com ordem no Santo Sacrifício: o padre expôs primeiramente os pedidos e exprimiu os votos da assistência; a Santa Igreja falou por sua boca. Logo escutaremos a palavra do Mestre, no Evangelho, mas a Santa Igreja quer nos preparar para isso por seu servidor, e põe primeiramente a Epístola, indo assim do Profeta, do Apóstolo, a Nosso Senhor.
[1] Antes de 1962 as rubricas dividiam as festas em Dúplice de 1ª e 2ª classe, Semi-duplice e Simples. O missal de 1962 simplificou esta nomenclatura. As festas passaram a ser de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª classe."
Coleta - Missa Tridentina.
Coleta é a oração onde se apresenta os pedidos a Deus. É a primeira oração propriamente dita da Missa.
"Esta primeira oração da Missa se encontra nos ofícios de Vésperas, Laudes e Matinas, do ofício monástico; mas não no romano, salvo no natal, antes da Missa da meia noite. Não se encontra em Prima, porque este ofício foi instituído mais tarde; nem em Completas, que é como uma oração da noite, a qual só se tornou parte da liturgia com São Bento. Mas é reencontrada em Terça, Sexta e Nona".
O padre diz a Coleta de braços estendidos, observando o antigo costume dos primeiros cristãos. Esse costume pode ser observado nas imagens das catacumbas, além dos escritos patrísticos, que, como bem diz o autor, "teríamos perdido para sempre" muitos detalhes dos primeiros séculos sem os primeiros cristãos. Detalhes esses até mesmo importantes para a interpretação das escrituras.
"No Oriente, esse uso se conservou para todo o mundo; no Ocidente tornou-se muito raro e está restrito a casos particulares; só o padre reza desta maneira, porque representa Nosso Senhor oferecendo uma prece muito eficaz a Seu Pai enquanto estava na cruz."
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Missa Tridentina - Glória in Excelsis
Este é um hino muito antigo (Segundo século), e está em todos os missais do oriente, ou seja, faz parte da liturgia oriental de forma universal (principal evidência para apostolicidade, além da antiguidade).
A principio é dirigido a Deus, a natureza divina, o princípio criador ( o "quê"), sem distinguir ainda a personalidade (o "quem"), o louvando, bendizendo e glorificando, pois o louvor pertence a Ele.
Ele é Bendito e glorificado na criação e redenção e por nos ter criado e redimido.
Por isso LAUDAMUS TE, BENEDICIMUS TE e GLORIFICAMUS TE, meu Senhor!
Gratias agimus tibi propter magnam gloriam tuam. Damos graças por causa de sua grande glória. E qual é sua grande glória? A Encarnação, ou seja, Jesus Cristo se fazendo carne para os propósitos divinos é sua grande Glória. Por isso damos graças, pois foi por nós que o Logos se fez carne, que Deus adicionou a humanidade ao seu Logos.
A Igreja então continua a glorificar, e passa a ser mais específica.
Primeiro é dado glória ao Pai: Domine Deus Rex Caelestis, Deus Pater Omnipotens. O Senhor é Deus.
Depois é dada glória ao Senhor Jesus, Filho Unigênito, e acrescenta mais ainda, além de ser "único gerado": Domine Deus, Agnus Dei, Fillius Patris. Senhor Deus, Cordeiro de Deus e Filho do Pai, ou seja, não é apenas um "filho de Deus", mas do Pai.
Aqui é mais clara a diferenciação de Pessoa. Pai e Filho do Pai. Por ser Filho, Filho Único Gerado do Pai, possui a mesma natureza, portanto não há erro em chamá-lo de Domine Deus - Senhor Deus. Se o Pai é por Natureza (quê) Senhor, o Filho também o é.
Depois se pede misericórdia ao Esposo, o Verbo, que tira o pecado do mundo, além de pedir para que receba nossas preces. Declara que Ele está a direita do Pai, e afirma que só Ele é Santo, Senhor e Altíssimo. Ele quem? Jesu Christe.
São afirmações sobre sua natureza co-eterna com o Pai.
Mas Tu solus Sanctus, Tu solus Dominus, Tu solus Altissimus, Jesus, cum Sancto Spiritu in glória Dei Patris. Assim, a Terceira pessoa da Trindade é mencionada. O Pai, Filho e Espírito Santo são igualmente o único (quê) Santo, Senhor, Altíssimo.
Essa é mais uma das várias evidências pré-nicenas da Divindade do Logos, e pré-constantinopolitana da Divindade e personalidade do Espírito Santo.
Esse hino, assim como vários trechos neotestamentários e outros textos primitivos não têm por objetivo explicar. São apenas expressões da fé revelada e repassada pela tradição apostólica de maneira universal (como as músicas e poemas são expressões), que posteriormente seriam explicadas, ligadas e reafirmadas num concílio.
O número de evidências pré-nicenas de várias localidades diferentes demonstram que essa era a fé universal, e as explicações dos concílios apenas reafirmaram essa fé, além de combaterem as inovações que contradiziam tudo que a Igreja sempre acreditou.
Ela sempre acreditou que Jesus era tanto Deus, como Cordeiro, Profeta, etc... O que se faz após isso é mostrar como as verdades de fé não são impossíveis de serem compreendidas ou explicadas até o limite em que verdades Divinas possam ser explicadas pela limitada razão humana.
ps.: Quando se fala da Natureza divina, se fala do quê Deus é. Quando se trata da personalidade, a referência é a quem possui esse quê. Então há separação entre quê e quem, impossibilitando qualquer contradição lógica. Não há um [quê] e três [quês] ao mesmo tempo, nem um [quem] e três [quem] ao mesmo tempo. E sim um [quê] e três [quem], assim como num triângulo (quê) há três pontas ("quem", como analogia). Exigir que entendamos completamente isso? Não conseguimos compreender completamente o mundo material e temporal, portanto é pura soberba e vontade de criticar exigir que se entenda completamente o que é Eterno e além da matéria. Este blog possui alguns textos sobre o assunto, mas por agora basta citar um que trato de algumas afirmações de muçulmanos.
A principio é dirigido a Deus, a natureza divina, o princípio criador ( o "quê"), sem distinguir ainda a personalidade (o "quem"), o louvando, bendizendo e glorificando, pois o louvor pertence a Ele.
Ele é Bendito e glorificado na criação e redenção e por nos ter criado e redimido.
Por isso LAUDAMUS TE, BENEDICIMUS TE e GLORIFICAMUS TE, meu Senhor!
Gratias agimus tibi propter magnam gloriam tuam. Damos graças por causa de sua grande glória. E qual é sua grande glória? A Encarnação, ou seja, Jesus Cristo se fazendo carne para os propósitos divinos é sua grande Glória. Por isso damos graças, pois foi por nós que o Logos se fez carne, que Deus adicionou a humanidade ao seu Logos.
A Igreja então continua a glorificar, e passa a ser mais específica.
Primeiro é dado glória ao Pai: Domine Deus Rex Caelestis, Deus Pater Omnipotens. O Senhor é Deus.
Depois é dada glória ao Senhor Jesus, Filho Unigênito, e acrescenta mais ainda, além de ser "único gerado": Domine Deus, Agnus Dei, Fillius Patris. Senhor Deus, Cordeiro de Deus e Filho do Pai, ou seja, não é apenas um "filho de Deus", mas do Pai.
Aqui é mais clara a diferenciação de Pessoa. Pai e Filho do Pai. Por ser Filho, Filho Único Gerado do Pai, possui a mesma natureza, portanto não há erro em chamá-lo de Domine Deus - Senhor Deus. Se o Pai é por Natureza (quê) Senhor, o Filho também o é.
Depois se pede misericórdia ao Esposo, o Verbo, que tira o pecado do mundo, além de pedir para que receba nossas preces. Declara que Ele está a direita do Pai, e afirma que só Ele é Santo, Senhor e Altíssimo. Ele quem? Jesu Christe.
São afirmações sobre sua natureza co-eterna com o Pai.
Mas Tu solus Sanctus, Tu solus Dominus, Tu solus Altissimus, Jesus, cum Sancto Spiritu in glória Dei Patris. Assim, a Terceira pessoa da Trindade é mencionada. O Pai, Filho e Espírito Santo são igualmente o único (quê) Santo, Senhor, Altíssimo.
Essa é mais uma das várias evidências pré-nicenas da Divindade do Logos, e pré-constantinopolitana da Divindade e personalidade do Espírito Santo.
Esse hino, assim como vários trechos neotestamentários e outros textos primitivos não têm por objetivo explicar. São apenas expressões da fé revelada e repassada pela tradição apostólica de maneira universal (como as músicas e poemas são expressões), que posteriormente seriam explicadas, ligadas e reafirmadas num concílio.
O número de evidências pré-nicenas de várias localidades diferentes demonstram que essa era a fé universal, e as explicações dos concílios apenas reafirmaram essa fé, além de combaterem as inovações que contradiziam tudo que a Igreja sempre acreditou.
Ela sempre acreditou que Jesus era tanto Deus, como Cordeiro, Profeta, etc... O que se faz após isso é mostrar como as verdades de fé não são impossíveis de serem compreendidas ou explicadas até o limite em que verdades Divinas possam ser explicadas pela limitada razão humana.
ps.: Quando se fala da Natureza divina, se fala do quê Deus é. Quando se trata da personalidade, a referência é a quem possui esse quê. Então há separação entre quê e quem, impossibilitando qualquer contradição lógica. Não há um [quê] e três [quês] ao mesmo tempo, nem um [quem] e três [quem] ao mesmo tempo. E sim um [quê] e três [quem], assim como num triângulo (quê) há três pontas ("quem", como analogia). Exigir que entendamos completamente isso? Não conseguimos compreender completamente o mundo material e temporal, portanto é pura soberba e vontade de criticar exigir que se entenda completamente o que é Eterno e além da matéria. Este blog possui alguns textos sobre o assunto, mas por agora basta citar um que trato de algumas afirmações de muçulmanos.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Missa Tridentina - Kyrie
"Em seguida, vem o Kyrie, que o padre, nas missas cantadas, deve dizer no lado do altar onde leu o Intróito. Os seus ministros o acompanham quando ele vai para o meio do altar, e colocam-se atrás do padre em diferentes degraus. Nas missas privadas o Kyrie é dito no meio do altar.
Esta prece é um grito pela qual a Santa Igreja implora às três Pessoas da Santíssima Trindade. As três primeiras invocações se dirigem ao Pai, que é o Senhor: Kyrie, eleison; as três seguintes dirigem-se ao Filho encarnado, ao Cristo, e dizemos: Christe, eleison; enfim, as três últimas dirigem-se ao Espírito Santo, Senhor com o Pai e o Filho, e por isso repetimos: Kyrie, eleison – Senhor, tende piedade de nós. Para o Filho dizemos igualmente Senhor com o Pai e o Espírito Santo, mas a Santa Igreja emprega Ele a palavra Cristo, Christe, por causa da relação desta palavra com a encarnação.
Enquanto isso, o coro canta este Kyrie que o padre recita. Antigamente punham-se muitas palavras nessas invocações como no Missal do Mans, de 1705.
O Missão de São Pio V retirou o uso desses Kyries, chamados “enfeitados”. Na missa Papal cantam-se diversos Kyries; mas isto hoje é uma exceção. Os três gritos diferentes repetidos por três vezes, como quer atualmente na liturgia, nos mostra a relação que existe aqui em baixo com os nove coros que cantam no céu a glória do Altíssimo. Esta união com os anjos prepara para o Glória que vai seguir: cântico angélico trazido para a Terra pelos Espíritos bem-aventurados."
Missa Tridentina - Incensação
"O altar representa Jesus Cristo. As relíquias dos Santos que se encontram sobre o altar nos lembram que os santos são membros de Jesus Cristo. Porque, depois de ter tomado nossa natureza humana, não somente Nosso Senhor sofreu sua paixão, triunfou na Ressurreição e entrou na glória pela Ascensão, mas também fundou sua Igreja, sendo a cabeça do Corpo Místico, e todos os santos são seus membros. Neste ponto de vista, Nosso Senhor só está completo se for acompanhado pelos seus santos, e é por esta razão que os santos que estão com Ele na Glória, devem estar unidos a Ele no altar que o representa.
Quando o padre termina a oração que disse inclinado e com as mãos sobre o altar, prepara-se para a incensação. Duas incensações terão lugar durante o Santo Sacrifício, ambas com grande pompa, por respeito a Nosso Senhor, representado pelo altar, como acabamos de dizer. No entanto, o padre fará a primeira incensação sem o acompanhamento de uma oração; contenta-se em incensar todo o altar para perfumá-lo por inteiro. Vemos pelo Levítico, que desde cedo o incenso serviu ao culto do Senhor. A bênção que o incenso recebe do padre, na missa, eleva esse produto da natureza À ordem sobrenatural.
A Santa Igreja toma essa cerimônia do próprio céu, onde São João a contemplou. Em seu Apocalipse, ele vê o anjo com um turíbulo de ouro junto do altar do Cordeiro, cercado pelos 24 anciãos: Ângelus venit, ET stetit ante altare habens thuribulum aureum – E veio outro anjo e parou diante do altar, tendo um turíbulo de ouro (Ap 8, 3). Mostra-nos este anjo oferecendo a Deus as preces dos santos representadas pelo incenso. Assim, a Santa Igreja, fiel esposa do Cristo, procura imitar o céu e, aproveitando que o véu de seus mistérios foi um pouco levantado pelo Apóstolo amado, toma para a terra aquilo que se faz lá no alto para a glória do seu Esposo.
Neste momento da missa, só o altar e o padre são incensados: a incensação dos fiéis é reservada para a segunda vez. É costume da Santa Igreja expor sobre o altar imagens de santos e relíquias que também recebem o incenso."
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Missa Tridentina - Confiteor
É um tipo de confissão criada pela Igreja onde os pecados veniais são perdoados, caso exista o devido arrependimento. Assim, na missa, isso serve também para que nos lembremos de pedir perdão, caso tenhamos esquecido.
O padre começa a se acusar, e confessa-se não apenas a Deus, mas a tudo que é santo.
Não porque se deve pedir perdão aos santos, como se os tivessem ofendido, mas para que possam pedir por ele e com ele. Isso porque, dada a crença na comunhão dos santos, não se peca apenas diante de Deus, mas também diante de uma nuvem de testemunhas.
"Certas ordens religiosas podem acrescentar o nome de seu fundador. Assim, os beneditinos, acrescentam São Bento; os dominicanos, São Domingos; e os franciscanos, São Francisco, etc."
Depois se acusa também diante dos presentes, especificando as formas em que alguém pode pecar: pensamentos, palavras e obras.
Batendo a mão no peito, como o publicano, afirma que pecou por vontade própria: Mea culpa, mea maxima culpa.
Isso também serve para nos lembrarmos desse fato. Ou seja, o tempo todo somos ensinados e relembrados de certas verdades importantes.
Segundo o autor, essa confissão pode ser suficiente "para uma pessoa em perigo de morte e impossibilitada de fazer uma confissão mais explícita."
Os ministros também fazem essa confissão. Não aos irmãos (et vobis fratres(, mas ao padre (et tibi Pater).
"Terminada a confissão, o padre se inclina novamente, menos profundamente para que o Confiteor, e diz: Deus, tu conversus vivificabis nos - Ó Deus, com um só olhar nos dareis a vida; e os ministros: Et plebs tua laetabitur inte -e nosso povo se alegrará em vós. Em seguita: Ostende nobis, Domine, Misericordiam tuam - Mostrai-nos, Senhor, vossa misericórdia, com a resposta: Et salutare tuum da nobis - dai-nos o Salvador que vós preparastes."
Estas citações baseadas nas Escrituras (Sl 84, 1), demonstram que pedimos a Deus a Jesus, que é a própria Misericórdia, assim como os judeus pediam e esperavam o Messias. Assim, nas missas pedimos que Jesus continuamente venha a nós.
Logo após o "Dominus vobiscum" o padre sobe para o Altar e vai orar, pedindo que seus pecados sejam apagados, por menores que sejam ao se aproximarmos de Deus "mais nos pesa a menor mancha".
Após isso vem a incensação, que será comentada depois.
Mas o que se pode perceber é um culto, com a comunhão de todos os santos (e nisso entenda-se todos os cristãos vivos e mortos mas que estão na presença de Cristo), onde eles oram por nós e conosco, porém o culto é totalmente voltado para nosso Senhor Jesus.
E isso vai ficar mais claro com o passar do tempo.
Estamos apenas ansiosos, vamos assim dizer, pela chegada do Rei, e por isso nos preparamos para sua chegada. Esse Rei que vem a nós todos os dias nas Missas, e que virá também no futuro claramente para todos como Rei Eterno.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Missa Tridentina - O Salmo Judica me
Como a Igreja geralmente escolhe algo que deseja exprimir, o Salmo 42 foi escolhido por causa do versículo "Introibo ad altare Dei - me aproximo do altar de Deus".
Não esteve sempre no missal, sendo fixado por São Pio V.
Desde o primeiro versículo se demonstra que o padre está in Persona Christi: Ab homine iniquo et doloso erue me - livra-me do homem fraudulento e perverso.
Dessa forma o Salmo abre bem a Missa, porque se refere a vinda de Jesus.
Como é um salmo cheio de alegria, não se faz uso na missa dos defuntos "porque estamos suplicando o sufrágio de uma alma, cuja partida nos deixa com saudades e luto. Também no tempo da Paixão, durante o qual a Santa Igreja está toda ocupada com os sofrimentos de seu Esposo, e não pensa em se alegrar".
Essas duas exceções mostram um tipo de didática na própria vida do povo. As pessoas são ensinadas das verdades cristãs pelo costume. Assim, elas são constantemente relembradas do sofrimento de Jesus no tempo da Paixão, e como simbolismo e demonstração litúrgica, não se faz o uso desse salmo.
Terminando o salmo, com o uso do Gloria Patri (Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto.
Sicut erat in principio, et nunc, et semper et in saecula saeculorum, Amen), o padre pede ajuda a Deus dizendo: Adjutorium nostrum in nomine Domini - nosso auxílio está no nome do Senhor", onde é respondido: Qui fecit caelum et terram - que fez o céu e a terra.
Pedindo, assim, auxilio a Deus para dar continuidade, pois mesmo sendo pecador e não merecendo, esse sacrifício foi algo que Deus quis, instituído pelo próprio Cristo.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Missa Tridentina - Orações e cerimônias.
Preparação
-> O Salmo Judica me - Século XII.
-> Confiteor - Século XII.
-> Incensação - Costume grego do século, III introduzido no século XII.
Ante-missa
-> Introito - Século V.
-> Kyrie - Século V.
-> Gloria in Excelsis - Composto no século II, introduzido no século V.
-> Coleta - Composto entre os séculos III e V.
-> Epístola - Costume judaico herdado pela Igreja.
-> Gradual - Século V.
-> Aleluia - Trato - Século V.
-> Sequência - IX.
-> Evangelho - Costume judaico herdado pela Igreja.
-> Credo - Século V.
Sacrifício
-> Ofertório - Século V.
-> Incensação - Século IX.
-> Lavabo - Entre os séculos VII e VIII.
-> Suscipe, Sancta Trinitas - Século X.
-> Orate Fratres - Século X.
-> Prefácio - II.
-> Sanctus - II.
-> Te Igitur - Século V.
-> Memento dos Vivos - Século V.
-> Communicates - Século V.
-> Hanc Igitur - Século V.
-> Quam Oblationem - Século IV.
-> Consagração da Hóstia - Século I.
-> Consagração do Vinho - Século I.
-> Unde et Memores - Século IV.
-> Supra Quae Propitio - Século IV.
-> Supplices te Rogamus - Século IV.
-> Memento dos Mortos - Costume do século III, introduzido no século V.
-> Nobis Quoque Peccatoribus - Século V.
-> Per Quem Haec Omnia - Século III.
Comunhão
-> A Oração Dominical - Século III.
-> Libera Nos, Quesumus V - Século V.
-> Agnus Deu - Século VIII.
-> Orações antes da Comunhão - Século X.
-> Comunhão - Século IX.
Conclusão
-> Póscomunhão
-> Ite, Missa Est - Século V.
-> Bênção - Composto entre os séculos VII e VIII.
-> Último Evangelho - Século XIII.
O autor não deixou muito claro se todas as cerimônias passaram a existir nessa época, ou só começaram a fazer parte da liturgia nas datas citadas. Isso porque o Ultimo Evangelho, por exemplo, se não me falha a memória, é o prólogo de João, e esse prólogo é do primeiro século.
As orações mais antigas penso que são as melhores para sabermos o que os cristãos primitivos pensavam. Nesse caso, faço referência especial ao "Gloria in Excelsis", comentarei mais adiante.
Como será notado, a Missa irá relembrar, inclusive nos gestos, a Paixão de Jesus Cristo. Cada detalhe possui um significado (e provavelmente irei deixar passar em branco vários detalhes)
Tentarei colocar algumas fotos como exemplo.
Missa Tridentina - Introdução.
Já faz algum tempo que não posto nada, principalmente porque não tenho lido muita coisa sobre as controvérsias em relação a Igreja, e me dedicado mais a entender melhor a riqueza de fé que há nela. Dentre os tesouros, posso citar a Missa.
Estou lendo um livro sobre o assunto que se chama “Missa Tridentina – Explicações das orações e das cerimônias da Santa Missa”, de Dom Prosper Guéranger. Ao contrário do que muitos pensam, a Missa Tridentina não foi abolida. Por lei eclesiástica, ela nunca poderá ser.
O objetivo inicial do livro não foi ser uma defesa da Missa Tridentina em relação à Missa Nova, embora a Editora Permanência tenha editado o livro com esse objetivo. Isso porque, dentre outros motivos, muitos fiéis passam a desejar o Rito Tridentino quando o conhece.
O livro em si é um conjunto de comentários sobre as orações e outras formas litúrgicas encontradas no rito, e o liturgista, Dom Prosper Guérange, comenta em ordem, além de informar as datas em que as orações ou cerimônias foram compostas e passaram a ser usadas.
O interessante é que ele foi escrito antes do Vaticano II, o que significa que havia algum interesse de demonstrar o significado da Missa ao povo (que é uma obrigação da Igreja, mas infelizmente nem mesmo hoje há interesse em certos lugares). Certamente antes do livro foram desenvolvidos outros meios de explicar as cerimônias.
Hoje muitos dizem que a Missa Tradicional não era algo bom, principalmente porque o povão não entendia nada, e muitas vezes ficava a tratar de outros assuntos dentro da Igreja (embora mesmo em português muita gente não dá o devido valor, muito menos sabe o que ocorre, e têm a Missa como um passatempo, uma diversão, um meio de "sentir" a presença de Deus, como fazem os protestantes, ao cantar hinos). Há também muitas outras objeções, mas não irei tratar dela aqui.
Para quem deseja conhecer a Missa Tridentina e seus significados, o livro é ótimo. Estes comentários serão feitos com o objetivo de aumentar o interesse pelo assunto para quem ainda não possui o livro.
Cada postagem será sobre uma oração ou cerimônia. Quando o texto do autor for pequeno, colocarei na integra.
Antes de tudo, para quem não sabe, o que é a Missa?
Ela é O Sacrifício de Jesus, que por ter sido imolado antes da fundação do mundo, é apenas renovado, sem ser repetido.
Por isso é O Sacrifício, e não os sacrifícios. Jesus morreu apenas uma vez.
Com ele nós realmente morremos com Cristo, participamos de sua morte, ficamos literalmente presentes diante do calvário. É como se estivéssemos ao pé da cruz junto com a Virgem, João, os que zombavam, etc...
A única diferença é que "Ele tomou as nossas dores" (Isaías 53, 4), e por isso, para nós, é um sacrifício incruento, enquanto para Ele, ainda hoje é mastigado. No entanto é com isso que temos vida.
Se Deus pôde, por sua Majestade, adicionar a natureza humana a si, constantemente Ele também se faz pão. Não deixa de ser Deus. Isso deve ser entendido de uma forma parecida com a Encarnação.
Por esse motivo, a hóstia é dada na boca, não na mão. E por isso também a pessoa deve examinar a si mesma (1Co 11, 28), tendo pecado mortal, deve se confessar.
Ou seja, a Missa está longe de ser um culto como os cultos protestantes, que na sua maioria são antropocêntricos onde as pessoas vão buscar alguma "benção" ou apenas "sentir" e se emocionar com músicas e pregações que apelam mais a emoção do que ensinam a verdade, enquanto a Missa é voltada para Deus. É o Santo Sacrifício que Jesus fez a Deus em favor da humanidade.
"Porque não basta as rubricas bem celebradas - não basta o direito reconhecer sua legitimidade imortal - é preciso ainda conhecê-la por dentro, nos detalhes de vida espiritual que brilham em cada oração, em cada gesto."
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