I. Não temos naturalmente em nós o desejo de ver Deus em si mesmo; isto está provado. Este desejo, porém, nos é dado; assim, nós o temos de forma sobrenatural. É necessário, consequentemente, colocarmos na cabeça que, se o homem fosse deixado em seu estado puramente natural, ele não teria este desejo. Ora, visto o poder que teria o homem, neste estado, de conhecer a Deus pela razão remontando do efeito à causa, e visto sua tendência de desejar ver diretamente o que ele conhece indiretamente, nós achamos difícil concluir que o homem, no estado puramente natural, não pode desejar ver Deus imediatamente. Por outro lado, visto de forma intima, profunda, universal, que há em nós este desejo em nosso estado atual, temos dificuldade em nos persuadir que este desejo em nós não seja essencial, e não seja uma das tendências, um dos das necessidades naturais de nossa natureza. Assim como os autores pensavam que este desejo nos era natural e que há controvérsia neste tema entre os teólogos e filósofos.
Esta dificuldade que nós temos de nos persuadir que este desejo não nos é natural, e esta controvérsia entre os teólogos a respeito do assunto, são como evidencia da força que Deus colocou este desejo em nós, e de intima ligação que foi estabelecido entre o elemento natural e o sobrenatural, quando foi isto foi depositado em nós.
***
II. Na antiguidade pagã, o ateísmo se cobriu às vezes, sobretudo nos últimos tempos, de um culto vago da natureza, de uma admiração estéril de suas maravilhas. É precisamente o mesmo erro que reapareceu no século XVIII. Sêneca e os mais sábios filósofos continuaram, como um ateísmo desigual, pelos mesmos argumentos dos modernos apologistas da fé. Isto voltou nos dois últimos séculos; o que aprendeu a humanidade sobre Deus?
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domingo, 1 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Deus - Exposição sobre a ação do Espírito Santo (Parte IV)
IV – EXPOSIÇÃO SOBRE A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA SANTIFICAÇÃO DAS ALMAS E SUA AÇÃO, DE UMA PARTE NAS OPERAÇÕES DIVINAS AD INTRA, DE OUTRA NA ENCARNAÇÃO DO VERBO.
Na processão das pessoas divinas, o Verbo recebe apenas o nome e a qualidade de Filho; O Espírito Santo procede, mas não é o Filho. Por quê? Porque a operação divina pelo qual o Filho vem do Pai é a única que tem como objetivo a produção de um ser consubstancial (por natureza), distinto (por pessoa), mas que seja a imagem e semelhança do Pai; por consequencia, é a única que pode ser chamada, e que realmente é uma geração. A operação divina para o Espírito Santo vem do Pai não sendo da mesma espécie, embora seja também uma processão (este é um termo genérico), não pode ser chamado e não é, de fato, uma geração, mas uma operação.
Mas o Espírito Santo tem, na relação do Pai com o Filho, uma parte intima e necessária; Ele é sua conexão de amor. E se é impossível que o Pai [seja], sem que, pelo fato mesmo de seu ser, ele gera o Filho, do mesmo modo é impossível que o Pai gere o Filho e que o Filho seja gerado pelo Pai sem que, por esse motivo, todos os dois juntos respirem, exalem, soprem, se enviem reciprocamente o Espírito Santo.
(Pode-se dizer que o Espírito Santo tem, na geração eterna do Verbo, uma parte ativa, e que, por este motivo, o Pai gera o Filho? Não supõe a processão do Espírito Santo logicamente antes à geração do verbo? Se é possível dizer, sem receio, este ponto adquirido me servirá para explicar ainda mais expressamente a relação seguida que estabeleci entre a parte do Espírito Santo na geração eterna do Verbo e o que ela teve em sua Encarnação).
É sobre o papel do Espírito Santo que foi fundada a conveniência por meio do qual o Filho se encarnou, e Maria concebeu pela operação do Espírito Santo, não por meio do Pai, ou por uma operação atribuída à natureza, mas da relação a uma pessoa cujas características e atribuições pessoais estão em jogo. Aqui ainda eu lembro que encontrei na geração eterna: a encarnação forma um homem que procede do Pai por geração e que pode, por direito, ser chamado, que é o Filho; ele não pode também ser chamado de filho adotivo; ele é a semelhança formal de Deus O Pai, e sua geração carnal tem por objetivo a produção de um ser semelhante. Era, portanto, necessário que o Espírito Santo viesse da mesma ação.
É ainda sobre as mesmas observações e noções teológicas, por conveniência, das mesmas características, propriedades e atribuições pessoais, que está fundada a doutrina católica da graça santificante e da parte que têm as três pessoas divinas. Pela graça santificante e a elevação à ordem sobrenatural, nós nos tornamos filhos de Deus; nós recebemos, por adoção sem dúvida, mas de uma maneira real, uma conexão de descendência divina que nos faz filhos de Deus e que o nome exato é geração. De toda fraseologia da geração divina, após o Nosso Senhor, de nascimento e de vida nova que nos foi dada; desta idéia de semelhança divina sempre unida a esta filiação adotiva e deificação, para fazer o fundo da descrição da graça santificante. Por último, a mesma operação atribuída ao Espírito Santo, em nossa santificação, na formação de filho de Deus em nós, na nossa deificação, no ponto em que eu poderia fazer a seguinte observação de São Paulo: dificilmente se tem, das numerosas passagens onde ele apresenta, a descrição da graça santificante e que não contenham, como um dos elementos essenciais e primeiros desta descrição, as operações interiores do Espírito Santo nas almas.
Do mesmo modo da geração eterna do Verbo, não é certo que se conceba que a processão do Espírito Santo resulte de uma relação de amor entre as duas primeiras pessoas, e que à imagem desta operação divina, a geração terrestre de Jesus Cristo tem semelhante característica, não é certo ser descrito sem uma cooperação ativa do Espírito Santo fazendo com que o verbo se encarne em Maria; o mesmo é em virtude da mesma lei oculta, em toda a série de gerações místicas de Jesus Cristo, em suas diversas espécies, vós não podeis negligenciar a ação do Espírito Santo que coopera na mesma medida a estas novas e misteriosas gerações do Verbo. Assim, a formação de Jesus Cristo nas almas pela graça santificante é chamada uma geração mística de Jesus Cristo. Ora, o Espírito Santo foi exibido como o agente e princípio direto para sua operação santificante; é a ele mesmo que se atribui a causa ativa de toda santidade. É uma outra geração mística do Verbo, em que consiste na geração da fé e da inteligência das coisas reveladas; isto pode ser considerado como sua operação tanto na Igreja em geral quanto em cada inteligência católica em particular; é o Verbo que é gerado, pois é o pensamento de Deus, a palavra divina que é concebida, que se forma, que cresce e nasce nas almas. Mas assim é pela operação do Espírito Santo que se realiza esta geração, pois é Ele que ilumina, que inspira e que dá a fé.
Na processão das pessoas divinas, o Verbo recebe apenas o nome e a qualidade de Filho; O Espírito Santo procede, mas não é o Filho. Por quê? Porque a operação divina pelo qual o Filho vem do Pai é a única que tem como objetivo a produção de um ser consubstancial (por natureza), distinto (por pessoa), mas que seja a imagem e semelhança do Pai; por consequencia, é a única que pode ser chamada, e que realmente é uma geração. A operação divina para o Espírito Santo vem do Pai não sendo da mesma espécie, embora seja também uma processão (este é um termo genérico), não pode ser chamado e não é, de fato, uma geração, mas uma operação.
Mas o Espírito Santo tem, na relação do Pai com o Filho, uma parte intima e necessária; Ele é sua conexão de amor. E se é impossível que o Pai [seja], sem que, pelo fato mesmo de seu ser, ele gera o Filho, do mesmo modo é impossível que o Pai gere o Filho e que o Filho seja gerado pelo Pai sem que, por esse motivo, todos os dois juntos respirem, exalem, soprem, se enviem reciprocamente o Espírito Santo.
(Pode-se dizer que o Espírito Santo tem, na geração eterna do Verbo, uma parte ativa, e que, por este motivo, o Pai gera o Filho? Não supõe a processão do Espírito Santo logicamente antes à geração do verbo? Se é possível dizer, sem receio, este ponto adquirido me servirá para explicar ainda mais expressamente a relação seguida que estabeleci entre a parte do Espírito Santo na geração eterna do Verbo e o que ela teve em sua Encarnação).
É sobre o papel do Espírito Santo que foi fundada a conveniência por meio do qual o Filho se encarnou, e Maria concebeu pela operação do Espírito Santo, não por meio do Pai, ou por uma operação atribuída à natureza, mas da relação a uma pessoa cujas características e atribuições pessoais estão em jogo. Aqui ainda eu lembro que encontrei na geração eterna: a encarnação forma um homem que procede do Pai por geração e que pode, por direito, ser chamado, que é o Filho; ele não pode também ser chamado de filho adotivo; ele é a semelhança formal de Deus O Pai, e sua geração carnal tem por objetivo a produção de um ser semelhante. Era, portanto, necessário que o Espírito Santo viesse da mesma ação.
É ainda sobre as mesmas observações e noções teológicas, por conveniência, das mesmas características, propriedades e atribuições pessoais, que está fundada a doutrina católica da graça santificante e da parte que têm as três pessoas divinas. Pela graça santificante e a elevação à ordem sobrenatural, nós nos tornamos filhos de Deus; nós recebemos, por adoção sem dúvida, mas de uma maneira real, uma conexão de descendência divina que nos faz filhos de Deus e que o nome exato é geração. De toda fraseologia da geração divina, após o Nosso Senhor, de nascimento e de vida nova que nos foi dada; desta idéia de semelhança divina sempre unida a esta filiação adotiva e deificação, para fazer o fundo da descrição da graça santificante. Por último, a mesma operação atribuída ao Espírito Santo, em nossa santificação, na formação de filho de Deus em nós, na nossa deificação, no ponto em que eu poderia fazer a seguinte observação de São Paulo: dificilmente se tem, das numerosas passagens onde ele apresenta, a descrição da graça santificante e que não contenham, como um dos elementos essenciais e primeiros desta descrição, as operações interiores do Espírito Santo nas almas.
Do mesmo modo da geração eterna do Verbo, não é certo que se conceba que a processão do Espírito Santo resulte de uma relação de amor entre as duas primeiras pessoas, e que à imagem desta operação divina, a geração terrestre de Jesus Cristo tem semelhante característica, não é certo ser descrito sem uma cooperação ativa do Espírito Santo fazendo com que o verbo se encarne em Maria; o mesmo é em virtude da mesma lei oculta, em toda a série de gerações místicas de Jesus Cristo, em suas diversas espécies, vós não podeis negligenciar a ação do Espírito Santo que coopera na mesma medida a estas novas e misteriosas gerações do Verbo. Assim, a formação de Jesus Cristo nas almas pela graça santificante é chamada uma geração mística de Jesus Cristo. Ora, o Espírito Santo foi exibido como o agente e princípio direto para sua operação santificante; é a ele mesmo que se atribui a causa ativa de toda santidade. É uma outra geração mística do Verbo, em que consiste na geração da fé e da inteligência das coisas reveladas; isto pode ser considerado como sua operação tanto na Igreja em geral quanto em cada inteligência católica em particular; é o Verbo que é gerado, pois é o pensamento de Deus, a palavra divina que é concebida, que se forma, que cresce e nasce nas almas. Mas assim é pela operação do Espírito Santo que se realiza esta geração, pois é Ele que ilumina, que inspira e que dá a fé.
sábado, 16 de novembro de 2013
Deus - Deus e a Criação (Parte III)
Retirado do livro "Etudes sur Dieu, l'Eglise, le Pape e sur le surnature" do Padre Jean-Baptiste Aubry.
I. Quando se considera atentamente, à luz da Escritura e da teologia, a grande e completa economia das obras de Deus no mundo, observamos se dividir, ou se agrupar em três belas e vastas frases, que cada uma porta visivelmente a presença e as características próprias de uma das três pessoas da Trindade.
Se vê Deus, o Pai, presidindo à criação e o Antigo Testamento, operando todo este majestoso trabalho, reivindicando a glória, como as outras pessoas da Trindade, a ele atribuem também a Escritura e a tradição. Em todo Antigo Testamento, é o Pai que aparece sobretudo; as duas outras pessoas agem com Ele, sem dúvida, mas são mais escondidos; o mistério da Santíssima Trindade é anunciado com menos clareza no Antigo Testamento. Quando o Pai, no fim de seu trabalho, entra em seu repouso, deixou, sobretudo, agir o Filho. O Filho agiu, mas menos diretamente e apenas por concomitância: Cume o eram cunta componens(I)
O Filho chega à sua torre, no meio ou na plenitude dos tempos, para fazer a ligação entre o trabalho do Pai e do Espírito Santo. Seu trabalho é a Redenção; isso é feito o mais rápido possível. É ele sobretudo que age, é necessário que ele esqueça as duas outras pessoas. Ele previne seus apóstolos em breve vem a noite onde não agirá mais, que ele não pode dizer tudo aos seus apóstolos, mas que um outro virá lhes dizer o resto; e, por afirmar a unidade, ele diz que ele mesmo irá pedir a seu Pai para enviar este outro; seu trabalho termina, ele entra na sua glória ou seu repouso, para deixar agir o Espírito Santo.
Jesus Cristo sobre ao Céu, o Espírito Santo desce e começa seu trabalho imenso que vai até o fim dos tempos, que é a Igreja, e a aplicação do fruto da Redenção pela Igreja. O Pai e o Filho continuam a agir com ele. O Pai, anunciou várias vezes antes de cessar seu trabalho! Trabalho do Filho; O Filho, tendo concluído seu ato, ainda tem duas coisas ao coração, que é lembrar que Ele age com seu Pai e anuncia o trabalho do Espírito Santo; o Espírito Santo, por sua vez, cuidou em fazer conhecer na Igreja o mistério da Santíssima Trindade, que é a promulgação do trabalho simultâneo das três pessoas.
Ao buscar imagens naturais ou sobrenaturais para compreensão, na medida do possível, para a Santíssima Trindade, dir-se-á a unidade de substância na pluralidade de pessoas. Mas, isto não é mais belo e expressivo por consistir em buscar a imagem da Trindade em seus trabalhos? Porque nós sabemos que Deus não fez nada além de sua imagem, e, como dizem os escolásticos, o vestígio da Trindade está em todos os trabalhos de Deus. E, a partir dos trabalhos de Deus, sendo este último o mais alto, por portar a imagem de Deus mais perfeita; uma única humanidade deificada em três grandes trabalhos igualmente divinos.
II. Qui continet omnia scientiam habet vocis (i).
Curiosa e profunda reflexão! Como o Espírito Santo contém tudo? (1º) Sendo o tipo primordial de todos os seres, Ele tem em si todos os seus protótipos; (2º) tudo que ele deu aos seres criados não é mais que uma participação do que ele tem essencialmente e de forma perfeita; (3º) seu poder envolve, sustenta e conserva tudo o que existe; (4º) é Ele que comunica interiormente às almas pela sua graça.
Como Ele tem a ciência da voz? Nos três títulos precedentes. Pois ele porta em si a ideia primeira de todas as coisas, é nele que se realizam, ao pronunciar seu nome com uma vontade criadora. Pois ele tem em si de forma excelente e superior o que as criaturas em si por participação, sua palavra é precisamente a emissão para fora de si desta participação de seu ser. Por sustentar e conter todas as coisas pelo seu poder, sua palavra é precisamente o exercício deste poder conservador dos seres. Sendo espírito, é Ele quem, em Deus, tem por função de falar às almas.
I. Quando se considera atentamente, à luz da Escritura e da teologia, a grande e completa economia das obras de Deus no mundo, observamos se dividir, ou se agrupar em três belas e vastas frases, que cada uma porta visivelmente a presença e as características próprias de uma das três pessoas da Trindade.
Se vê Deus, o Pai, presidindo à criação e o Antigo Testamento, operando todo este majestoso trabalho, reivindicando a glória, como as outras pessoas da Trindade, a ele atribuem também a Escritura e a tradição. Em todo Antigo Testamento, é o Pai que aparece sobretudo; as duas outras pessoas agem com Ele, sem dúvida, mas são mais escondidos; o mistério da Santíssima Trindade é anunciado com menos clareza no Antigo Testamento. Quando o Pai, no fim de seu trabalho, entra em seu repouso, deixou, sobretudo, agir o Filho. O Filho agiu, mas menos diretamente e apenas por concomitância: Cume o eram cunta componens(I)
O Filho chega à sua torre, no meio ou na plenitude dos tempos, para fazer a ligação entre o trabalho do Pai e do Espírito Santo. Seu trabalho é a Redenção; isso é feito o mais rápido possível. É ele sobretudo que age, é necessário que ele esqueça as duas outras pessoas. Ele previne seus apóstolos em breve vem a noite onde não agirá mais, que ele não pode dizer tudo aos seus apóstolos, mas que um outro virá lhes dizer o resto; e, por afirmar a unidade, ele diz que ele mesmo irá pedir a seu Pai para enviar este outro; seu trabalho termina, ele entra na sua glória ou seu repouso, para deixar agir o Espírito Santo.
Jesus Cristo sobre ao Céu, o Espírito Santo desce e começa seu trabalho imenso que vai até o fim dos tempos, que é a Igreja, e a aplicação do fruto da Redenção pela Igreja. O Pai e o Filho continuam a agir com ele. O Pai, anunciou várias vezes antes de cessar seu trabalho! Trabalho do Filho; O Filho, tendo concluído seu ato, ainda tem duas coisas ao coração, que é lembrar que Ele age com seu Pai e anuncia o trabalho do Espírito Santo; o Espírito Santo, por sua vez, cuidou em fazer conhecer na Igreja o mistério da Santíssima Trindade, que é a promulgação do trabalho simultâneo das três pessoas.
Ao buscar imagens naturais ou sobrenaturais para compreensão, na medida do possível, para a Santíssima Trindade, dir-se-á a unidade de substância na pluralidade de pessoas. Mas, isto não é mais belo e expressivo por consistir em buscar a imagem da Trindade em seus trabalhos? Porque nós sabemos que Deus não fez nada além de sua imagem, e, como dizem os escolásticos, o vestígio da Trindade está em todos os trabalhos de Deus. E, a partir dos trabalhos de Deus, sendo este último o mais alto, por portar a imagem de Deus mais perfeita; uma única humanidade deificada em três grandes trabalhos igualmente divinos.
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II. Qui continet omnia scientiam habet vocis (i).
Curiosa e profunda reflexão! Como o Espírito Santo contém tudo? (1º) Sendo o tipo primordial de todos os seres, Ele tem em si todos os seus protótipos; (2º) tudo que ele deu aos seres criados não é mais que uma participação do que ele tem essencialmente e de forma perfeita; (3º) seu poder envolve, sustenta e conserva tudo o que existe; (4º) é Ele que comunica interiormente às almas pela sua graça.
Como Ele tem a ciência da voz? Nos três títulos precedentes. Pois ele porta em si a ideia primeira de todas as coisas, é nele que se realizam, ao pronunciar seu nome com uma vontade criadora. Pois ele tem em si de forma excelente e superior o que as criaturas em si por participação, sua palavra é precisamente a emissão para fora de si desta participação de seu ser. Por sustentar e conter todas as coisas pelo seu poder, sua palavra é precisamente o exercício deste poder conservador dos seres. Sendo espírito, é Ele quem, em Deus, tem por função de falar às almas.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Deus - Atributos e perfeições (Parte II)
Retirado do livro "Etudes sur Dieu, l'Eglise, le Pape e sur le surnature" do Padre Jean-Baptiste Aubry.
I. Quando nós dizemos que Deus não pode ser, nem ter o poder de produzir uma criatura igual a si, que não é livre de fazer o mal, etc.; estas negações são uma maneira imperfeita e incompleta de falar, pois a imperfeição e o defeito são inerentes à nossa linguagem humana empregada para designar as coisas infinitas, com expressões feitas para exprimir coisas finitas. Estritamente falando (forma literal), se acredita que falta em Deus um poder, uma perfeição, uma liberdade, ou qualquer coisa que de fato Deus não tem; pelo contrário, estas expressões insuficientes têm o objetivo de exprimir ou, por meio da palavra, de fazer entender por signos que nada de bom e de real falta à Deus e a impossibilidade de ser, de produzir uma criatura igual a si, de fazer o mal, é precisamente a perfeição de seu poder e de sua liberdade!
II. A doutrina da eternidade simultânea, que de Deus, ato puro e essência de todos os atos, que da identidade real dos atributos e operações divinas com sua essência, dá a solução fora das questões teológicas insolúveis nela. Esta solução é misteriosa e incompreensível, é verdade; mas ao menos sabemos onde ela está, e não buscaremos em outro lugar, como quando se conhece que um objeto está em tal lugar, embora não possamos encontrar este lugar em si, ao menos se conduzirá suas buscas sobre um outro ponto.
III. Esta reflexão de Tertuliano: Accipe... Deum... de suo optimum, de nostro justum. Nisi enim homo deliquisset, optimum solummodo Deum nosset ex proprietate nature; at nunc etiam justum eum patitur ex cause necessitate, não me parece justa de fato; ela parece reduzir a idéia de justiça à aceitação de um justiça vingativa. Deus, quando jamais teve que punir, teria ainda 1º possuído em si essencialmente este admirável atributo que nós chamamos de justiça; 2º exerceu sobre suas criaturas os atos que ela, em si, carrega de bom.
IV. A consideração do Ser absoluto e infinito de Deus, de seu domínio absoluto sobre toda criatura, e de seus atributos, eternidade, todo-poder, justiça, misericórdia, é a base necessária da moral e de toda lei, é o apoio, a força e a formação da consciência.
Há profundas noções espirituais e belas considerações místicas a se traçar no estudo da vida íntima de Deus. Com efeito, Deus é a fonte de toda vida, de todo sobrenatural.
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Para ver a primeira parte, clique aqui.
I. Quando nós dizemos que Deus não pode ser, nem ter o poder de produzir uma criatura igual a si, que não é livre de fazer o mal, etc.; estas negações são uma maneira imperfeita e incompleta de falar, pois a imperfeição e o defeito são inerentes à nossa linguagem humana empregada para designar as coisas infinitas, com expressões feitas para exprimir coisas finitas. Estritamente falando (forma literal), se acredita que falta em Deus um poder, uma perfeição, uma liberdade, ou qualquer coisa que de fato Deus não tem; pelo contrário, estas expressões insuficientes têm o objetivo de exprimir ou, por meio da palavra, de fazer entender por signos que nada de bom e de real falta à Deus e a impossibilidade de ser, de produzir uma criatura igual a si, de fazer o mal, é precisamente a perfeição de seu poder e de sua liberdade!
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II. A doutrina da eternidade simultânea, que de Deus, ato puro e essência de todos os atos, que da identidade real dos atributos e operações divinas com sua essência, dá a solução fora das questões teológicas insolúveis nela. Esta solução é misteriosa e incompreensível, é verdade; mas ao menos sabemos onde ela está, e não buscaremos em outro lugar, como quando se conhece que um objeto está em tal lugar, embora não possamos encontrar este lugar em si, ao menos se conduzirá suas buscas sobre um outro ponto.
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III. Esta reflexão de Tertuliano: Accipe... Deum... de suo optimum, de nostro justum. Nisi enim homo deliquisset, optimum solummodo Deum nosset ex proprietate nature; at nunc etiam justum eum patitur ex cause necessitate, não me parece justa de fato; ela parece reduzir a idéia de justiça à aceitação de um justiça vingativa. Deus, quando jamais teve que punir, teria ainda 1º possuído em si essencialmente este admirável atributo que nós chamamos de justiça; 2º exerceu sobre suas criaturas os atos que ela, em si, carrega de bom.
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IV. A consideração do Ser absoluto e infinito de Deus, de seu domínio absoluto sobre toda criatura, e de seus atributos, eternidade, todo-poder, justiça, misericórdia, é a base necessária da moral e de toda lei, é o apoio, a força e a formação da consciência.
Há profundas noções espirituais e belas considerações místicas a se traçar no estudo da vida íntima de Deus. Com efeito, Deus é a fonte de toda vida, de todo sobrenatural.
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quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Deus – A Trindade. (Parte I)
Retirado do livro "Etudes sur Dieu, l'Eglise, le Pape e sur le surnature" do Padre Jean-Baptiste Aubry.
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A união, a distinção e as relações das três pessoas podem ser estudadas à luz do que nós portamos (o que faz parte de nossa natureza) e do que podemos observar.
A geração do Verbo pelo Pai, ou seja, do pensamento ou palavra interior, é o tipo da nossa; por conseqüência, a nossa pode dar uma idéia dela. Ela é a primeira e excelente realização na atividade do Ser divino, exercício da inteligência ou pronunciação do Verbo interior.
A geração de nosso pensamento em nós e a pronúncia de nossa palavra interior é, assim, nossa operação mais elevada; mas nós somos seres finitos e inferiores, assim, esta operação em nós não pode lembrar em tudo à operação divina. Não pode, sobretudo, conduzir à produção de um verbo subsistente e pessoal. Ela não é mais que um desdobramento*. Porém, ela porta todas as características de uma geração intelectual que lembra a geração eterna do Verbo divino.
A procissão do Espírito Santo, amor mútuo do Pai e do Filho, pode, da mesma maneira, ser estudada sobre o tipo que nós portamos. Qual é, em nós, o objeto e a causa do amor? Nossa semelhança que vemos no outro. A paternidade produz um filho à imagem do pai e objeto de seu amor. Assim é em Deus, onde o Filho é a imagem e o esplendor do Pai. Mas em nós, este amor não é mais que um sentimento, uma relação, e não o termo subsistente de uma relação. Em Deus, é necessário que se tenha um termo subsistente de uma relação.
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II. Como nos assombra encontrar três pessoas em uma natureza, se nós portamos em nós mesmos duas naturezas em uma pessoa? Um é mais compreensível que o outro? E se negamos a primeira porque é incompreensível, porque não negamos a segunda?
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III. Passei longos tempos meditando ou fazendo simples comparações pouco engenhosas, à maneira dos escolásticos, buscando em todas as criaturas um reflexo, uma semelhança da Trindade e também de outros mistérios da fé, analogias que eles buscavam sobretudo entre a maneira que as atribuições do homem procedem de alguma forma uma da outra e a relação entre as pessoas divinas.
Entretanto, hoje eu creio que essas comparações e analogias têm um fundamento real em uma real semelhança. Com efeito, uma vez que Deus fez tudo que existe nos dois mundos, espiritual e material, e toda criatura é a expressão de seu poder, é necessário que sua vida intima seja reproduzida, seja impressa, leve sua expressão, e, assim, tenha o reflexo da vida divina. Pode ser que haja engano na maneira de encontrar, mas se não buscar não se vai encontrar; Deus é o ideal de tudo, não um ideal abstrato, impessoal, privado de existência real, mas um ideal existente, ou o tipo e exemplar ao mesmo tempo em que é autor.
* Nota do tradutor: A palavra original é adobration. Não encontrei o significado desta palavra, e, por isso, tentei deduzi-la pelo contexto. Caso alguém a encontre, e seja diferente, eu ficaria grato ser corrigido.
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