Isso sim é catolicidade! Além de ser realmente engraçado! Acrescento outra coisa: um grande monge católico, alemão, que refuta demonstra muito bem a incoerência dos protestantismo, com o nome de Martinho. Mas não é Lutero, é Martinho Vonier!
"[...] É por conta disso que temos a curiosa anomalia de uma comunidade na Inglaterra, pertencente a uma congregação italiana, numa casa dependente de um mosteiro francês, composta por alemães!" E mais! "[...] Apesar do nome aparentemente francês, Anscar Vonier era alemão puro. Sua família migrou para a Alemanha do Tirol que, naquela época, fazia parte do Império Austriaco."
Leia o restante aqui: https://anscarvonier.wordpress.com/2015/05/02/vida-e-obra-de-dom-anscar-vonier-parte-4/
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sábado, 2 de maio de 2015
sábado, 18 de abril de 2015
Vida e obra de Dom Anscar Vonier – Parte 3
Bem que a Revolução Francesa tentou! Mas a Igreja de Cristo irá sempre sobreviver aos ataques de seus inimigos. Depois de destruído pelos protestantes, o mosteiro de Buckfast é finalmente redescoberto por uma comunidade de monges expulsos de seu monastério pelos revolucionários. Leia mais uma parte desta bela história aqui: https://anscarvonier.wordpress.com/2015/04/18/vida-e-obra-de-dom-anscar-vonier-parte-3/
domingo, 29 de março de 2015
Vida e obra de Dom Anscar Vonier – Parte 1
Se ainda não curtiu nossa página, então curta e ajude-nos divulgando para seus amigos!
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Por muitos anos South Devon tornou-se um centro turístico ao atrair inúmeros turistas de todas as partes das Ilhas Britânicas, da Europa, principalmente da Holanda e Alemanha e, cada vez mais, dos EUA e Canadá. Buckfast fica ao redor de Torbay e está à margem de Dartmoor, de modo que, mesmo sem a saga da reconstrução da abadia de Buckfast, o distrito teria sido uma atração, uma espécie de porta de entrada para a Riviera Inglesa e um passe para Hound of the Baskervilles. Entretanto, a abadia de Buckfast recebe cerca de meio milhão de visitantes por ano, principalmente por conta do interesse despertado pela reconstrução nos tempos modernos de um mosteiro medieval, trabalho de quatro monges que eram pedreiros. Essa conquista foi o objetivo de vida de um homem que inspirou o trabalho que, pela força de sua personalidade, viu a sua realização, apesar das enormes dificuldades. Este abade foi Anscar Vonier, o tema deste artigo.
No corredor sul da igreja da abadia há uma placa em memória a Dom Anscar Vonier, feita por Benno Elkan. Nessa placa, o abade, uma figura de pequena estatura, é retratado como que oferecendo o trabalho de sua vida a Nossa Senhora, a quem a abadia é dedicada. Há uma característica épica a respeito da história na contida placa. O jovem monge é salvo de um naufrágio no qual seu abade pereceu; sua própria eleição como abade; a decisão de reconstruir a igreja da abadia; a primeira carga de pedra da pedreira entregue em um cavalo emprestado e um carrinho; a mão-de-obra sem nenhum equipamento moderno e, finalmente, a aclamação da obra concluída com a morte chamando-o para sua recompensa.
No meio da placa está o abade trabalhando em seus escritos teológicos. Isso foi um golpe de mestre por parte do artista, uma vez que destaca a força motriz por trás dos sucessos de Dom Vonier. Ele se considerava um entre o número de monges beneditinos que foram os missionários da fé cristã nessas ilhas. Dom Vonier quis levar Deus para as pessoas comuns e, por isso, apesar da oposição, insistiu que a igreja tivesse quatro pináculos apontando para cima, levando o olhar das pessoas de baixo para cima, da terra para os céus. Do mesmo modo, ele pretendia que seus escritos fossem um meio de levar a teologia para o leitor em geral. Ele considerava a pregação como outra forma de esforço missionário e, ao mesmo tempo em que tinha o longo sermão como uma questão disciplinar, dava “aulas” regulares nas noites de domingo, no púlpito, para seus monges e o povo local. Suas realizações, portanto, só podem ser completamente apreciadas diante do pano de fundo histórico da abadia de Buckfast e da reconstrução que ele inspirou e serviu de tunal para seu ensino e púlpito para sua pregação.
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Esta é uma tradução de uma palestra feita por Dom Leo Smith, no English Benedictine Congregation History Commission – Symposium 1996.
Curta aqui: http://www.facebook.com/projetoanscarvonier
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No corredor sul da igreja da abadia há uma placa em memória a Dom Anscar Vonier, feita por Benno Elkan. Nessa placa, o abade, uma figura de pequena estatura, é retratado como que oferecendo o trabalho de sua vida a Nossa Senhora, a quem a abadia é dedicada. Há uma característica épica a respeito da história na contida placa. O jovem monge é salvo de um naufrágio no qual seu abade pereceu; sua própria eleição como abade; a decisão de reconstruir a igreja da abadia; a primeira carga de pedra da pedreira entregue em um cavalo emprestado e um carrinho; a mão-de-obra sem nenhum equipamento moderno e, finalmente, a aclamação da obra concluída com a morte chamando-o para sua recompensa.No meio da placa está o abade trabalhando em seus escritos teológicos. Isso foi um golpe de mestre por parte do artista, uma vez que destaca a força motriz por trás dos sucessos de Dom Vonier. Ele se considerava um entre o número de monges beneditinos que foram os missionários da fé cristã nessas ilhas. Dom Vonier quis levar Deus para as pessoas comuns e, por isso, apesar da oposição, insistiu que a igreja tivesse quatro pináculos apontando para cima, levando o olhar das pessoas de baixo para cima, da terra para os céus. Do mesmo modo, ele pretendia que seus escritos fossem um meio de levar a teologia para o leitor em geral. Ele considerava a pregação como outra forma de esforço missionário e, ao mesmo tempo em que tinha o longo sermão como uma questão disciplinar, dava “aulas” regulares nas noites de domingo, no púlpito, para seus monges e o povo local. Suas realizações, portanto, só podem ser completamente apreciadas diante do pano de fundo histórico da abadia de Buckfast e da reconstrução que ele inspirou e serviu de tunal para seu ensino e púlpito para sua pregação.
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Esta é uma tradução de uma palestra feita por Dom Leo Smith, no English Benedictine Congregation History Commission – Symposium 1996.
domingo, 21 de dezembro de 2014
Projeto Anscar Vonier
Um dos principais motivos para não ter postado por um bom tempo no blog é que iniciamos um grupo cujo objetivo é traduzir e divulgar todo trabalho de Dom Anscar Vonier.
Atualmente ele é praticamente desconhecido aqui no Brasil, apesar do prestigio que já teve por conta de publicações antigas.
Infelizmente foram deixados de lado uma vasta quantidade de grandes autores católicos. Soma-se a isso ao fato de que nem sempre se dá prioridade à tradução de textos que ainda não se encontram em nosso idioma. Esse é, inclusive, o motivo de termos decidido dar prioridade aos textos que ainda não estão em português.
Curta nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/projetoanscarvonier
Quem foi Anscar Vonier?
Em poucas linhas pretendemos dar aqui os traços principais da vida desse grande monge beneditino, que foi Dom Anscar Vonier.
Filho de família profundamente católica, Dom Vonier nasceu em 11 de novembro de 1875 em Ringschnait na Suábia, sul da Alemanha. Seus pais foram Teodulfo e Ágata Vonier. Posto que o nome da sua família o faça parecer de descendência francesa, os seus antepassados, no entanto, eram oriundos daquela região em que ele nascera, onde desde séculos sempre residiram.
Educado na escola da piedade cristã, o jovem Martinho, era esse o seu nome de batismo, comprazia-se em ajudar à Missa, acompanhando-a no seu pequeno pissal. Em casa havia armado um pequeno altar em que imitava a celebração dos santos mistérios. Daí lhe veio o desejo de abraçar a vida monástica. A esse tempo (1888), tendo ele treze anos, passou pela sua cidade um sacerdote angariando vocações para o mosteiro de Buckfast, na Inglaterra, o qual acabava de ser restaurado pelos monges da Congregação Sublacense da província francesa.
O jovem Martinho foi um dos primeiros que corresponderam a esse chamamento do Senhor. Mandado à França, fez os estudos de humanidades no colégio dos padres do Espírito Santo da cidade de Beauvais. Desses estudos e anos passados na pátria de São Luiz lhe veio um grande amor à cultura francesa.
Terminado o curso de humanidades, foi mandado para Buckfast. Ao ser admitido ao noviciado canônico, recebeu o nome de Anscar. Em 2 de julho de 1894, fez os votos de religião e em 17 de dezembro de 1898 foi ordenado sacerdote. No ano seguinte foi mandado para o colégio de S. Anselmo em Roma onde, após um brilhante curso de filosofia que sendo de três, ele completou em dois anos, defendeu a tese e recebeu as láureas de doutor.
Em 1906 ocupava Dom Vonier a cátedra de filosofia no colégio de S. Anselmo onde se havia doutorado. Nas férias desse ano o seu abade, Dom Bonifácio Natter, o tomou como companheiro numa viagem à Argentina com o encargo de fazer a visita canônica a um dos mosteiros de sua Congregação naquele país. Tendo embarcado no vapor Sírio, este sossobrou nas costas da Espanha, em 4 de agosto, perecendo entre muitos outros passageiros o abade Dom Bonifácio Natter. Dom Vonier foi salvo por um pescador. Os monges de Buckfast já tinham por mortos a ambos, tanto o abade como o seu companheiro, por cujas almas celebraram solenes exéquias. Dias depois receberam carta de Dom Vonier comunicando ter sido salvo. No dia 14 de setembro do mesmo ano, Dom Vonier foi eleito pela comunidade abade do mosteiro, e em 18 do mês seguinte, festa de S. Lucas, recebeu a benção abacial.
O novo abade desde logo manifestou o desejo de restaurar a igreja abacial, destruída no século XVI, no tempo da Reforma. Nesta obra, empreendida alguns anos mais tarde, trabalharam os próprios monges como construtores. Em 1932 Dom Vonier teve a grande satisfação de ver realizado esse desiderato, que fazia parte do seu programa de governo da abadia. Nesse mesmo ano, 15 de agosto, foi a igreja consagrada pelo Cardeal Bourne, delegado do Papa, com assistência de vários bispos e de milhares de fiéis.
Desde o começo da sua vida monástica mostrou Dom Vonier uma predileção toda especial pelo estudo da Sagrada Escritura. Durante muitos anos dedicou diariamente uma hora inteira à leitura e estudo da Bíblia. Daí lhe veio uma grande familiaridade com as Sagradas Escrituras e sobretudo com as Epístolas de São Paulo que praticamente sabia de cór.
Possuia o dom da palavra: pregava ordinariamente aos domingos na igreja abacial e muitas vezes em outras igrejas. Era com frequência convidado pelas comunidades religiosas para lhes dirigir a palavra de vida, em exercícios espirituais. Grande foi também a sua atividade literária. Escreveu várias obras de espiritualidade, profundas em doutrina e de um sabor e atrativo pouco comum nesse gênero de literatura. Escrevia também artigos para as principais revistas católicas de Londres.
Dom Vonier, no dizer de um dos seus religiosos, foi construtor, pregador, escritor, mas foi antes de tudo e acima de tudo um monge, isto é, um homem de Deus e da Igreja. Como fruto dos seus trabalho e do seu espírito apostólico e de vida interior, a vida de oração e de união com Deus, temos as suas obras. Quem quiser conhecer Dom Vonier, leia os seus livros. Eles nos dizem melhor que qualquer biógrafo quem foi esse grande beneditino: o teólogo profundo, o monge apaixonado pelo ideal monástico, o homem de Deus, inflamado do amor de Cristo e da sua Igreja.
Das suas obras, 4 já foram traduzidas para o português*. Além de “Nova e Eterna Aliança” (The New and Eternal Convenant), temos a “Vitória de Cristo” (Victory of Christ), o “Espírito Cristão” (The Christian Mind) e o “Mistério da Igreja”, editadas pela “Lumen Christi”.
Nas obras de Dom Vonier goza-se e admira-se com a profundidade da sua doutrina e originalidade de expressão. Todas foram editadas em inglês, com exceção do “Mistério da Igreja” por se compor de três conferências, feitas em alemão pelo autor, em Salzburgo, e publicadas em forma de livro em Munique, em 1933, com o título de “Das Mysterium der Kirche”. Não se acha pois no elenco das obras do abade de Buckfast.
Suas obras são:
(As obras iniciadas com um "+" já estão em português em edições muito antigas. Faremos, entretanto, novas traduções.)
• A alma humana e suas relações com outros espíritos, 1913. (Tradução em andamento)
• A personalidade de Cristo, 1914. (Tradução em andamento)
• A Maternidade Divina, 1921. (Tradução completa)
• Chave para a doutrina da Eucaristia, 1925. (Tradução quase completa)
• A vida do mundo vindouro, 1926.
• Arte de Cristo, 1927.
+ Os Anjos, 1928.
+ A nova e eterna aliança, 1930.
• Morte e Julgamento, 1930. (Tradução Completa)
• Cristo, o rei da Glória, 1932.
• Christianus, 1933. (Tradução completa)
+ A vitória de Cristo, 1934.
• O Espírito e a Noiva, 1935.
+ O Povo de Deus, 1937.
+ O Espírito Cristão.
Cheio de merecimentos, Dom Anscar Vonier foi chamado por Deus em 26 de dezembro de 1938 para receber no céu a recompensa do seu trabalho. Ele, no entanto, continua a nos intruir e a nos reconfortar om os seus escritos.
D. Joaquim G. de Luna, O.S.B.
Tijuca, Pentecostes de 1942.
-
Fonte: Introdução no livro “A nova e eterna aliança”, edições Lumen Christi.
* Número de traduções na época. As nossas traduções darão prioridade aos textos que ainda não estão em português.
Atualmente ele é praticamente desconhecido aqui no Brasil, apesar do prestigio que já teve por conta de publicações antigas.
Infelizmente foram deixados de lado uma vasta quantidade de grandes autores católicos. Soma-se a isso ao fato de que nem sempre se dá prioridade à tradução de textos que ainda não se encontram em nosso idioma. Esse é, inclusive, o motivo de termos decidido dar prioridade aos textos que ainda não estão em português.
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Quem foi Anscar Vonier?
Em poucas linhas pretendemos dar aqui os traços principais da vida desse grande monge beneditino, que foi Dom Anscar Vonier.
Filho de família profundamente católica, Dom Vonier nasceu em 11 de novembro de 1875 em Ringschnait na Suábia, sul da Alemanha. Seus pais foram Teodulfo e Ágata Vonier. Posto que o nome da sua família o faça parecer de descendência francesa, os seus antepassados, no entanto, eram oriundos daquela região em que ele nascera, onde desde séculos sempre residiram.
Educado na escola da piedade cristã, o jovem Martinho, era esse o seu nome de batismo, comprazia-se em ajudar à Missa, acompanhando-a no seu pequeno pissal. Em casa havia armado um pequeno altar em que imitava a celebração dos santos mistérios. Daí lhe veio o desejo de abraçar a vida monástica. A esse tempo (1888), tendo ele treze anos, passou pela sua cidade um sacerdote angariando vocações para o mosteiro de Buckfast, na Inglaterra, o qual acabava de ser restaurado pelos monges da Congregação Sublacense da província francesa.
O jovem Martinho foi um dos primeiros que corresponderam a esse chamamento do Senhor. Mandado à França, fez os estudos de humanidades no colégio dos padres do Espírito Santo da cidade de Beauvais. Desses estudos e anos passados na pátria de São Luiz lhe veio um grande amor à cultura francesa.
Terminado o curso de humanidades, foi mandado para Buckfast. Ao ser admitido ao noviciado canônico, recebeu o nome de Anscar. Em 2 de julho de 1894, fez os votos de religião e em 17 de dezembro de 1898 foi ordenado sacerdote. No ano seguinte foi mandado para o colégio de S. Anselmo em Roma onde, após um brilhante curso de filosofia que sendo de três, ele completou em dois anos, defendeu a tese e recebeu as láureas de doutor.
Em 1906 ocupava Dom Vonier a cátedra de filosofia no colégio de S. Anselmo onde se havia doutorado. Nas férias desse ano o seu abade, Dom Bonifácio Natter, o tomou como companheiro numa viagem à Argentina com o encargo de fazer a visita canônica a um dos mosteiros de sua Congregação naquele país. Tendo embarcado no vapor Sírio, este sossobrou nas costas da Espanha, em 4 de agosto, perecendo entre muitos outros passageiros o abade Dom Bonifácio Natter. Dom Vonier foi salvo por um pescador. Os monges de Buckfast já tinham por mortos a ambos, tanto o abade como o seu companheiro, por cujas almas celebraram solenes exéquias. Dias depois receberam carta de Dom Vonier comunicando ter sido salvo. No dia 14 de setembro do mesmo ano, Dom Vonier foi eleito pela comunidade abade do mosteiro, e em 18 do mês seguinte, festa de S. Lucas, recebeu a benção abacial.
O novo abade desde logo manifestou o desejo de restaurar a igreja abacial, destruída no século XVI, no tempo da Reforma. Nesta obra, empreendida alguns anos mais tarde, trabalharam os próprios monges como construtores. Em 1932 Dom Vonier teve a grande satisfação de ver realizado esse desiderato, que fazia parte do seu programa de governo da abadia. Nesse mesmo ano, 15 de agosto, foi a igreja consagrada pelo Cardeal Bourne, delegado do Papa, com assistência de vários bispos e de milhares de fiéis.
Desde o começo da sua vida monástica mostrou Dom Vonier uma predileção toda especial pelo estudo da Sagrada Escritura. Durante muitos anos dedicou diariamente uma hora inteira à leitura e estudo da Bíblia. Daí lhe veio uma grande familiaridade com as Sagradas Escrituras e sobretudo com as Epístolas de São Paulo que praticamente sabia de cór.
Possuia o dom da palavra: pregava ordinariamente aos domingos na igreja abacial e muitas vezes em outras igrejas. Era com frequência convidado pelas comunidades religiosas para lhes dirigir a palavra de vida, em exercícios espirituais. Grande foi também a sua atividade literária. Escreveu várias obras de espiritualidade, profundas em doutrina e de um sabor e atrativo pouco comum nesse gênero de literatura. Escrevia também artigos para as principais revistas católicas de Londres.
Dom Vonier, no dizer de um dos seus religiosos, foi construtor, pregador, escritor, mas foi antes de tudo e acima de tudo um monge, isto é, um homem de Deus e da Igreja. Como fruto dos seus trabalho e do seu espírito apostólico e de vida interior, a vida de oração e de união com Deus, temos as suas obras. Quem quiser conhecer Dom Vonier, leia os seus livros. Eles nos dizem melhor que qualquer biógrafo quem foi esse grande beneditino: o teólogo profundo, o monge apaixonado pelo ideal monástico, o homem de Deus, inflamado do amor de Cristo e da sua Igreja.
Das suas obras, 4 já foram traduzidas para o português*. Além de “Nova e Eterna Aliança” (The New and Eternal Convenant), temos a “Vitória de Cristo” (Victory of Christ), o “Espírito Cristão” (The Christian Mind) e o “Mistério da Igreja”, editadas pela “Lumen Christi”.
Nas obras de Dom Vonier goza-se e admira-se com a profundidade da sua doutrina e originalidade de expressão. Todas foram editadas em inglês, com exceção do “Mistério da Igreja” por se compor de três conferências, feitas em alemão pelo autor, em Salzburgo, e publicadas em forma de livro em Munique, em 1933, com o título de “Das Mysterium der Kirche”. Não se acha pois no elenco das obras do abade de Buckfast.
Suas obras são:
(As obras iniciadas com um "+" já estão em português em edições muito antigas. Faremos, entretanto, novas traduções.)
• A alma humana e suas relações com outros espíritos, 1913. (Tradução em andamento)
• A personalidade de Cristo, 1914. (Tradução em andamento)
• A Maternidade Divina, 1921. (Tradução completa)
• Chave para a doutrina da Eucaristia, 1925. (Tradução quase completa)
• A vida do mundo vindouro, 1926.
• Arte de Cristo, 1927.
+ Os Anjos, 1928.
+ A nova e eterna aliança, 1930.
• Morte e Julgamento, 1930. (Tradução Completa)
• Cristo, o rei da Glória, 1932.
• Christianus, 1933. (Tradução completa)
+ A vitória de Cristo, 1934.
• O Espírito e a Noiva, 1935.
+ O Povo de Deus, 1937.
+ O Espírito Cristão.
Cheio de merecimentos, Dom Anscar Vonier foi chamado por Deus em 26 de dezembro de 1938 para receber no céu a recompensa do seu trabalho. Ele, no entanto, continua a nos intruir e a nos reconfortar om os seus escritos.
D. Joaquim G. de Luna, O.S.B.
Tijuca, Pentecostes de 1942.
-
Fonte: Introdução no livro “A nova e eterna aliança”, edições Lumen Christi.
* Número de traduções na época. As nossas traduções darão prioridade aos textos que ainda não estão em português.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Biografia de G. K. Chesterton

Um “Pai da Igreja, forçado pela necessidade dos tempos e do ministério a pregar num estilo burlesco às multidões dos cétigos e dos gaudérios”, um novo “Abram de Domenico Cavalca, que enfiou um capuz sobre a armadura e ataviou-se com belas vestes para entrar no local de perdição a fim de converter a sobrinha”, um “bispo vestido de palhaço” (E. Cecchi). Um “gênio colossal”, o “Chesterbelloc” (G. B. Shaw), “tão alegre que se poderia quase ficar tentado a acreditar que ele de fato encontrou Deus” (F. Kafka), “um presente oferecido à comunidade católica (e toda a humanidade) diretamente por Deus” (Cardeal G. Biffi), “um dos melhores que existem” (E. Hemingway), “talvez nenhum autor me tenha proporcionado tantas horas felizes como Chesterton” (J. L. Borges), “Crianchesterton” (Pe. J. O'Connor), “defensor fidei” (Papa Pio XI).
Partindo das mil maneiras utilizadas para definir esse homem, logo perceberemos que estamos diante de um gênio, um homem excepcional sob todos os pontos de vista. E Gilbert Keith Chesterton foi excepcional de verdade. EM sua Autobiography [Autobiografia] ele afirma, mostrando toda sua personalidade amável e polêmica, humorística e cheia de alegria:
“Curvando-me com certa credulidade, como costumo fazer, ante a mera autoridade e a tradição dos meus antepassados, fruindo superticiosamente uma história que, quando acnteceu, não me foi possível controlar como experiência pessoal, tenho a mais convicta opinião de ter nascido no dia 29 de maio de 1874, em Campden Hill, Kensington, e de ter sido batizado, segundo as fórmulas da Igreja Anglicana, na igrejinha de São Jorge, situada na frente da torre da caixa d'água que domina aquela paisagem elevada.”
Mas de onde provêm essa personalidade tão vivaz e essa alegria profunda e contagiante que deixaram nos leitores parca tão forte? A pergunta se faz óbvia diante de homens de tal quilate. Tudo leva a pensar que se trata de um presente, como diz o cardeal Biffi, um presente inesperado. É como uma semente caída numa terra que não esperava outra coisa. Uma feliz intuição de liberdade da razão e otimismo em relação à vida; germina num contexto familiar afetuoso e receptivo ao belo e ao bom, cresce primeiro nas margens e depois no lugar onde tudo isso se sente em casa, a Igreja. Assim nasce um autêntico gênio do pensamento e da vida. Chesterton.
Nasce numa família não muito comum: o pai de Edward trabalha no setor imobiliário, sócio com seu irmão Sidney de uma agência que existe até hoje; sereno e despreocupado, transmite aos filhos o amor pela arte e literatura, o gosto pelo fantástico e uma desenfreada paixão por brinquedos, em primeiro lugar pelo teatro de marionetes. “Inglês no grau máximo”, uma espécie de Pickwick, dirá Gilbert, liberal e unitarista, mais propenso às discussões que ao fervor religioso. A mãe é Marie Louise Grosjean, cujo pai era suiõ (pregador leigo calvinista) e a mãe escocesa. A avó escocesa é que vai abrir para Gilbert as portas do “ensolarado país das fábulas”, para o qual ele tecerá loas pela primeira vez em The Defendant [O réu] e ao qual atribuirá um fundamental valor moral e teórico em Ortodoxia. Terá ao seu lado outro irmão, Cecil, ele também jornalista, nas batalhas jornalísticas e culturais.
Sua infância é serena, cheia de brinquedos e de afeto; não brilha de modo especial nos estudos e no fim da escola superior precisa acertar as contas com a solidão e a depressão: desorientado diante da vida e do futuro, tenta a universidade sem obter nenhum êxito, em seguida uma escola de arte (será também bom pintor e desenhista); perde o contato com seus caros amigos do Junior Debating Club, todos na universidade, e fecha o jornal que juntos haviam fundado, The Debater; praticao espiritismo, do que se arrependerá amargamente.
Essa é uma confusão desgastante para um homem fundamentalmente bom e inocente como ele é e será a vida inteira. Mas no fim sai de modo milagroso (essa é a expressão mais adequada) desse túnel aparentemente sem saída (no qual acalentou, como ele mesmo admite, até a ideia mais insana), graças à leitura do livro bíblico de Jó. A esse respeito contará depois numa carta a um amigo bastante estranho, uma experiência mística. “Tenho certeza de que cada coisa é o que é porque assim deve ser. Agora a visão está desvanecendo na vida do dia a dia e me sinto feliz por isso. É embaraçoso falar com Deus cara a cara, como se fala com um amigo.”
A partir de então, a partir da inesperada granítica certeza (ou melhor, confirmação depois da prova) da intrínseca positividade da existência, envereda por uma vida totalmente nova, sentindo um desejo incontrolável de dizer ao mundo que a vida é bela, que estamos aqui e poderíamos não estar e que se pode preservar o dom inestimável da inocência sem renunciar a nada da vida. São os motivos que fundamentam o pensamento de Chesterton, e deles nascerá toda a sua vasta reflexão.
Isso é o que alegrará todos os anos de sua vida, literalmente dedicados à máxima difusão da feliz descoberta, sem poupar energias. São intuições naturais, que percorrem sem trégua sua obra inteira, como um rio subterrâneo que aparece e desaparece, mas que sabemos estar sempre por trás de cada linha, cada palavra.
Descobre seu talento de escritor e começa a colaborar com muitos jornais; consegue em pouco tempo um sucesso imprevisto. Cresce cada vez mais o número de pessoas que se perguntam quem será esse “GKC” que assina aqueles artigos tão originais, bem escritos, cheios de inelutáveis paradoxos e bom senso. Os primeiros artigos resultam no volume The Defendant [O réu] de 1901 (uma defesa do indefensável, desde as pastorinhas de porcelana aos thrillers de dez tostões...), e depois de alguns textos poéticos ele, ele assina em 1904 seu primeiro romance, The Napoleon of Notting Hill [O Napoleão de Notting Hill], narrativa surreal onde encontramos o seu amor pelas pequenas pátrias que o caracterizará por toda a vida, a coragem de lutar pela própria casa e o próprio lar, princípio de toda ousadia, e os ecos da guerra anglo-bôer. Paradoxalmente Chesterton ganha notoriedade opondo-se ao imperialismo britânico, considerado pelos ingleses mais do que uma lei religiosa, e colocando-se na defesa dos camponeses bôres num país em que isso é comparável a uma blasfêmia e alegremente provocando, junto com Hilaire Belloc, seu amigo de toda a vida, até mais do que algum materialismo safanão por essa causa.
Desse ponto em diante temos um homem novo que delineará uma imagem absolutamente inédita do escritor, brilhante e apaixonado amante da verdade e do bom humor, jamais separados.
Não deixa de ser verdade o que dele disse Emilio Cecchi: é um bispo vestido de palhaço, alguém obrigado a pintar o nariz de verde a fim de atrair nosso olhar para a verdade. Ele se faz paladino da vida normal, da família, da ordem contra o caos, do senso comum. Mostra ao mundo com o entusiasmo de um apóstolo e a alegria de uma criança que há mais aventura na vida “normal” do que em qualquer romance de aventura, mesmo numa família onde nenhuma “aventura” acontece.
O padre Ian Boyd, presidente do Chesterton Institute for Faith and Culture, sublinha que “a exuberância e o modo divertido que caracterizavam o jovem Chesterton foram elementos decisivos na criação de uma imagem pública. Ele cheava a ser citao por quem nunca havia lido nenhuma de suas obras. As suas frases tornaram-se rapidamente proverbiais”. Sua fama de arguto debatedor rapidamente se faz enorme. Ele é “a delícia dos cartunistas” (Ian Boyd) por seu perfil inconfundível (ele, que na adolescência era um sujeito alto e enxuto, com o passar dos anos torna-se um gigante com mais de um metro e noventa de altura pesando cento e trinta quilos (ou mais), que alimenta histórias e lendas de todos os tipos (uma delas é a seguinte: Chesterton se levantava no ônibus e de repente havia espaço para três mulheres se sentassem...).
Em 1905, escreve Heretics [Heréticos], o ensaio mostra, na crítica das idéias e das figuras em voga em seu tempo, seu distanciamento pessoal em relação ao “pensamento moderno” segundo qual “a verdade cósmica tem um peso tão insignificante que nada do que alguém diga pode ter importância alguma”. E mais adiante: “Em volta de qualquer inocente mesa de chá, todos os dias acontece de ouvir-se alguém sentenciar: ‘A vida ao vale a pena’. E ninguém acha que essa consideração difere desta outra: ‘Hoje o tempo está bom’; ninguém pensa que isso exerça algum efeito nos homens e no mundo.” Toda a sua vida será uma alegre luta contra esse mal de viver; dirá de fato em outra passagem: “Desentocar e combater o mal é o princípio de todas as alegrias” Só assim é possível compreender Chesterton e seus vibrantes personagens.
Escreve num ritmo torrencial artigos sobre qualquer assunto que deve discutir (Alberto Castelli dirá que sua vida foi uma única interminável discussão), praticamente sobre tudo, aonde quer que o empurre seu elã vital milagrosamente reconquistado. Trava batalhas em qualquer campo, como, por exemplo, na polêmica antieugênica. Sua produção jornalística é imensa, um “desperdício de artes e de idéias” que “causa uma sensação quase angustiante” (Emilio Cecchi). Sua assinatura aparece, em outros, em periódicos como “Daily News”, “The Speaker” e “The Illistrated London Newis”. Tmabém publica sólidos ensaios sobre literatura enfocando R. L. Stevenson, Browning, Tennyson, Blake e outros autores, e mais adiante lança The Victorian Age in Literature (A época vitoriana na literatura), obra que muitos consideram de grande valor.
Em 1908 Chesterton atinge um momento de extraordinária clarza acerca do objetivo de sua vida obra, e dá à luz dus de duas obras-primas, mas quais tamvez seja mais vibrante e eficaz toda a lucidez recebida como dom inesperado: The Man Who Was Thursday (O homem que era Quinta-Feira) e Ortodoxia, reelaboração literária e teórica das passagens fundamentais de sua experiência humana até aquele ponto: o renascer a partir do absurdo e da redescoberta da fé cristã mediante a experiência da razão aberta à realidade. Essas obras foram com razão definidas como “autobiográficas” (Ian Boyd).
A primeira é uma espécie de romance policial metafísico – dizem empregando uma expressão feliz – com o significativo subtítulo de Um pesadelo. Obra visionária, entre o místico e o grotesco, altamente poética e simbólica, ela faz um relato muito autobiográfico da descoberta da beleza e bondade da vida que é um mistério, e a possibilidade real da felicidade para o ser humano. E um livro repleto de referencias ao Livro de Jó, ao qual Chesterton deve sua salvação. Gabriel Syme, o protagonista, e no fundo Gilbert, o homem com olhar de poeta, que descobre o ponto de fuga, presente em todas as coisas, que conduz ao Mistério, a origem de tudo. O monsenhor Ronald Knox, amigo de Chesterton e, como ele, brilhante autor de romances policiais e convertido ao catolicismo, afirma: "Trata-se de um livro extraordinário: e como se o editor Ihe houvesse pedido para escrever um romance do gênero O peregrino empregando o estilo de As aventuras do sr. Pickwick", E a historia do homem, de cada um de nos, que depois de mil confusões de forte sabor policial (porque no fundo numa vida normal há muito mais aventura do que em qualquer romance de detetive...) descobre o segredo da vida.
Ortodoxia relata a tentativa do autor no sentido de encontrar as respostas para o mistério da vida e sua descoberta de que tudo o que ele procurava esta no Credo dos Apóstolos; e a intuição da razão que caminha assombrada e feliz rumo a fé, ocasionada pelo desafio de G. S. Street, que depois de ler sua obra Heretics (Hereges) fizera o seguinte comentário: "Com minha filosofia [...] começarei a preocupar-me depois que o sr. Chesterton tiver apresentando a dele"
Chesterton, com uma comparação fulminante e engraçada — a historia de um homem que deixa a Inglaterra em seu barquinho e aporta diante do pavilhão no litoral de Brighton convencido de ter descoberto uma nova terra selvagem —, narra sua tentativa de inventar uma nova religião (e ele, portanto, o iatista* fantasioso, que vamos encontrar em outros textos) e a descoberta de que ela já foi "inventada", e o cristianismo. Mais uma vez afirma o padre Boyd:
Chesterton acreditava que no fundo de todas as realidades mais profanas cada um fosse capaz de encontrar a Dens. Poucas vezes ele escreveu sobre temas religiosos, mas nos acontecimentos da vida quotidiana, ou nos objetos de gesso, ou nas ruas urbanas, ele conseguiu descobrir o mistério religioso presente no fundo de todas as coisas.
Chesterton chega assim a conclusão de que o cristianismo e para o ser humano a maior fonte de sanidade mental". Ortodoxia contem paginas inteiras de autentica e agudíssima compreensão da vida, pela qual devemos ser eternamente gratos.
Dessa sua consciência nasce um fantástico romance, breve e muito intenso, Manalive (O homem vivo), publicado em 191L Narra a historia de Inocêncio Smith (nome e sobrenome nada casuais, personificação da inocência e da normalidade), que empreende uma viagem pelo mundo e também e iatista, e depois e acusado (pelo olhar míope de alguns inquilinos da mesquinha Casa Beacon) de homicídio, furto, abandono da família e poligamia, pelo simples fato de ele ter ido visitar sua família, sua única e amada mulher e sua casa com a caixa de correio vermelha e o lampião verde na frente, que ele havia perdido na paralisia da rotina quotidiana. Um homem, diz Chesterton, que não aceitava estar morto enquanto ainda estava vivo. Em outras palavras, ele mesmo.
Essa, como praticamente todas as suas obras narrativas, apresenta aspectos nitidamente autobiográficos, embora dispersos no surreal. Sua intenção e falar da própria vida que e a vida de qualquer homem, e do mistério que nela existe, para não morrer.
Mas O homem vivo esta em cada um de nos (um verdadeiro e adequado motivo poético para Chesterton) e precisa de ajuda; precisamos de alguém que nos empurre no Mistério e para o Mistério, e que do serviço quotidiano prestado ao Mistério tenha feito sua vida: padre Brown, sacerdote católico romano (como dizem os ingleses), detetive primeiro da alma e depois das coisas materiais. O primeiro de uma longa e feliz serie de contos que tem como protagonista o semi-invisível padrezinho inglês foi lançado em 1911, e se inspira numa das pessoas mais importantes na vida de Gilbert e de sua mulher Frances Blogg, o padre John O'Connor, sacerdote irlandês que se estabeleceu na Inglaterra, homem de extraordinária inteligência e argúcia, bem descrito num capitulo memorável da Autobiography [Autobiografia]. A primeira característica do padre Brown e o fato de ele não ter características, e sua importância consiste em não parecer importante, tudo contrastando com sua atenção e inteligência insuspeitadas. Este homenzinho resolve mistérios e delitos mergulhando, gramas a sua experiência de padre e confessor, na mente de quem cometeu o delito, compartilhando com ele tudo exceto o ato de delito final, como explica o próprio Chesterton em O segredo do padre Brawn.
Em 1914 Chesterton foi acometido por uma grave enfermidade que quase Ihe custou a vida, deixando aturdida aquela Inglaterra que, embora por ele muitas vezes criticada, correspondia sinceramente a seu amor. Nesse mesmo ano sai um romance profético e visionário, The, Flying Inn (A pousada voadora); e a historia de uma Inglaterra em que se instala um governo filoislamico com o objetivo de eliminar no pais todos os bares e casas onde se vendem bebidas alcoólicas, mas que encontra em Patrick Dalroy o herói que — tendo atrás de si um barrilote de rum, uma peça de queijo e o distintivo do pub ‘velho marinheiro'? — conduz a rebelião contra a insensatez e desumanidade desse tipo de governo. E um hino ao bom humor cristão e contra os sincretismos impossíveis.
Em 1922 ele opta pelo catolicismo. Não faltou nisso a colaboração de amigos como o padre O'Connor, o padre Vincent McNabb (vibrante dominicano irlandês defensor, como ele, do distributivismo) e Hilaire Belloc. É o ancoradouro definitivo, nada fácil nem mesmo depois de toda uma existência devotada a demonstrar ao mundo a sensatez da vida crista. Naquele abençoado dia? em sua casa em Beaconsfield, Gilbert declara: aos sábios tem mapas que desenham universos densos como arvores, agitam a razão com mil peneiras que retém a areia e deixam passar o ouro; para mim tudo isso vale menos que o pó porque meu nome e Lazaro e estou vivo". A conversão origina também maior reflexão. e um Chesterton parcialmente diverso do brilhante jornalista em voga nos anos anteriores; isso lhe custara a perda de muitas amizades em sua própria casa (no fundo a desconfiança em relação ao Roman Catholic não morre facilmente nem nos dias de hoje).
No ano subseqüente a conversão Chesterton publica a biografia de São Francisco de Assis, talvez o santo por quem mais se apaixonara por seu poder de profeta e menestrel, de amante e forte contestador de seu tempo.
Em 1925 sai O Homem Eterno. Começa com o recorrente motivo da viagem e uma excursão histórica do homem sobre esta terra, com a qual o nosso Autor prova que o cristianismo é o fator supremo de civilização em todas as épocas. Do mesmo modo que se fala do cristianismo como fonte de sanidade mental para o homem, nessa obra se fala do cristianismo como fator de civilização para o mundo. Se Ortodoxia é uma resposta ao desafio de Street, O Homem Eterno é a resposta a The Outline of History, de H. G. Wells, e seu “darwinismo histórico”.
A partir de agora Chesterton viaja muito, especialmente pelo Canadá e Estados Unidos, aquele pais criticado por ele mas que lhe reserva acolhidas triunfais, em suas turnês que se tornarão proverbiais. Visita a Palestina, a França, varias vezes a Itália, que muito amava da mesma forma que amava os países católicos como a Irlanda e a Polônia (são "esses onde ainda se canta, se dança e se vestem roupas vistosas e onde a arte vive ao ar livre” afirmava Chesterton), que também visita.
Em 1933 publica a biografia de santo Tomas de Aquino, definida por Etienne Gilson como a mais bela obra sobre o “Boi mudo". "Ao lê-la não se pode pensar em outra hipótese que não seja a do gênio..." Colabora também em transmissões radiofônicas na BBC, conseguindo imensa popularidade.
Mas quem define Chesterton? Chesterton ama a gente comum porque Deus "criou muita gente assim", sua querida mulher, a tradição por ser "a democracia dos mortos", a cerveja e os bares "onde tinha seu trono” e "extravasava humorismo" (R, Church); nele liberdade e dogma são sinônimos; ele ri feito criança e é sábio como um velho de muitos séculos. Ama os bebes e a inocência (isso mesmo, a inocência!) que transforma na quintessência do homem verdadeiro e, sobretudo, vivo; participa das festas geralmente entediado e mata o tempo atirando cenouras no ar para depois apanhá-las com a boca fazendo rir as crianças presentes; ele é alguém que sai de casa para se casar, mas não deixa de passar pela padaria, freqüentada na infância com sua mãe, para beber um copo de leite, como também não deixa de levar consigo uma pistola, porque o casamento, senhores, é uma grande aventura e então é bom que se vá ao encontro dele devidamente armado...
Uns afirmam que.ele é conservador, outros que é progressista; lamento dizer isso, mas rotulá-lo assim significa ter lido pouco ou apenas trechos de sua obra. Chesterton só descobriu a vida, seu segredo a ser defendido com sacrifício e ate como próprio sangue, a ser difundido discursando sobre os telhados e chegando para isso ate a loucura, a ser sempre defendido na vida sempre tendo em vista sua Fonte, o próprio Deus, cuja casa é a Igreja católica. Talvez ele não seja muito politicamente correto, tanto ontem como hoje. Mas esta errado?
Morre em Beaconsfield (Buckinghamshire) no dia 14 de junho de 1936, onde está sepultado até hoje, no pequeno cemitério católico junto à igreja paroquial de Santa Teresinha do Menino Jesus (uma santa quase menina, veja só...), junto com a mulher Frances e a quase filha e secretaria Dorothy Collins.
Marco Sermarini
Presidente da Sociedade Chestertoniana da Italia
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