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domingo, 8 de abril de 2012

João Batista é Elias reencarnado?


Muitos espiritas ao tentarem mostrar que os Evangelhos apoiam a reencarnação tentam, de forma desesperada, mencionar o caso de Elias. Por isso resolvi escrever alguns motivos porque essa interpretação não é possível:

Primeiro, mesmo que pensassem que era o mesmo profeta em pessoa chamado de Elias não significa necessariamente que eles acreditavam que era reencarnação, pode significar que acreditavam que ele simplesmente veio assim como foi levado aos céus sem morrer. Alguém que não conhece o seu nascimento nem suas circunstâncias, principalmente porque ele passou a ficar no deserto, poderia muito bem supor isso (isso porque, essa confusão aconteceu até com Jesus). Ou seja, toda essa sua conclusão passa desse pressuposto, em vez de uma possível volta de Elias no mesmo corpo que teria sido arrebatado. Todo o texto mostra que as pessoas viam certo mistério em João, esse mistério, junto com seu ministério no deserto, pode ter feito as pessoas perguntarem isso. Só isso exclui uma interpretação reencarnacionista como necessária.

Veja que alguns diziam que Jesus era João Batista! Impossível pela idade deles estarem falando em uma reencarnação. No caso de João Batista estavam falando de alguém que, segundo a tradição judaica, não teria morrido.

Então temos que buscar mais pistas sobre o que eles acreditavam, em vez de simplesmente pressupor a qualquer custo que (1) Elias havia morrido depois de ter sido arrebatado e (2) eles estavam se referindo a uma reencarnação.

Segundo, Lucas, que foi contemporâneo dos apóstolos, aprendeu diretamente com eles e escreveu uma biografia de Jesus antes que estes morressem (o que significa que eles tiveram um bom tempo para autorizar a utilização dela) diz algo que pode ajudar na compreensão sobre o que eles acreditavam:

-> Herodes pensou que Jesus era João que tinha ressuscitado, ou Elias que tinha aparecido. 9, 7; Outros, (v. 8) um profeta antigo que tinha ressuscitado.
-> Quando perguntaram sobre quem Jesus era, eles responderam: "João o Batista (impossível, como disse, que pensassem que era reencarnação nesse caso, por causa da idade de ambos); outros, Elias, e outros que um dos antigos profetas ressuscitou." Lc 9, 19. Se com os outros profetas, que estavam mortos, eles acreditavam que teriam ressuscitado, imagine Elias, que foi arrebatado vivo?
-> João Batista já estava morto, mas Jesus ao conversar na transfiguração, conversou com Moisés e Elias. Ora, se eles acreditassem mesmo que João Batista era a reencarnação de Elias, é mais lógico supor que eles citariam o nome de "João" não "Elias".

Ou seja, nesses casos não há nenhuma referência a reencarnação, pelo contrário, há varias citações que argumentam de forma positiva para que ou eles pensavam que ou Elias tinha ressuscitado (caso acreditassem que ele tivesse morrido, o que é improvável) ou que Elias apareceu, tal como havia sumido, ou uma terceira opção, que citarei no final.

Isso é o que as pessoas diziam sobre Elias. Que ou havia aparecido, ou era algum dos profetas ressurretos.

E o que Jesus disse? "E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias" 1, 17.

Nesse caso temos duas opções: espírito reencarnado, ou uma linguagem familiar da tradição judaica para outra coisa.

Quanto isso, além de ser um indicativo contrário o fato de todos os outros falarem de uma "aparição" ou "ressurreição", nas Escrituras do AT, familiar a Jesus e aos judeus que ele se dirigia, ao falar de Elias, também não apoia a reencarnação. É só recordar que Eliseu, ao fazer um pedido a Elias, pediu a porção dobrada de seu espírito. Como Elias não morreu naquele momento, seria uma prova de desespero supor que seria algo como uma incorporação (o máximo que se pode chegar). Quando Eliseu voltou, as pessoas reconheceram que o espírito de Elias, que não tinha morrido, repousava sobre Eliseu.

Assim, uma vez que é impossível pelo texto uma reencarnação ou incorporação de Elias em Eliseu, fica óbvio que se refere ao espírito de profecia em Eliseu.

Juntando os textos que mostram que eles faziam referência a uma aparição e ressurreição, com o fato de que o texto nas Escrituras que falam de Elias se referem uma significação diferente para "espírito", então fica difícil não concluir que Jesus disse que João Batista iria no espírito e na virtude de Elias não no sentido de que era a reencarnação dele (até porque diz que "vai no espírito" não que "é o espírito"), mas que tinha, assim como Eliseu, o mesmo espírito profético.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O que é ou não cristão?

Me deparei com a seguinte pergunta:

Afirmar que Jesus foi imolado para aplacar a ira de Deus, e resgatar os nossos pecados, não contraria fundamentalmente a mensagem Cristã?

O Cristo afirmou que a violência não poderia ser combatida pela violência.

O mal não poderia ser combatido pelo mal.

Como querem então alguns, que o sacrifício de sangue humano possa ser Cristão?

Algumas pessoas hoje em dia têm que entender uma coisa: o que é cristão não é todo esse nhanhanha por aí de somente amar ao proximo, somente fazer caridade, somente qualquer blablabla (até mesmo o "somente as escrituras").

A doutrina cristã é tudo o que foi passado pelos primeiros discipulos de Jesus.

Eles que viram e ouviram Jesus falar, você e eu não. Eles que aprenderam por anos com Jesus, você e eu não. Eles foram feitos apostolos e divulgadores da mensagem cristã que foi ensinada e vivida por Jesus, você e eu não. Foram com eles que Jesus deixou a responsabilidade de ensinar todas as coisas que haviam aprendido, e com a promessa de que não esqueceriam. Não pra mim ou pra você.

Esses que presenciaram, ou ouviram dos que presenciaram, escreveram o que chamamos hoje de Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. Eles foram os que escreveram cartas no primeiro século a toda a igreja. Eles morreram afirmando que falavam a verdade. Provaram que foram sinceros. No maximo foram loucos.

Esta Igreja, nas suas diversas comunidades, preservou esse ensino de forma oral e escrita, e isso foi passado de forma sucessiva e universal (daí o termo Católica). Todas aquelas comunidades possuiam suas crenças em comum, pelo simples fato de que tiveram origem apostolica, diferente da gnose e outros movimentos.

Então o que é ou não cristão, não é todo esse discurso piegas que hoje as pessoas acham, mas sim o que eles, os primeiros discipulos de Jesus, presenciaram e afirmaram.

Eles que foram os chamados cristãos, e eles acreditavam nisso. Então se acreditavam na morte expiatória, então ela é uma doutrina cristã. Se eles ensinavam que Jesus ressuscitou de fato dos mortos, então é uma doutrina cristã. Por mais que para alguns pareça uma idéia absurda.

E não é qualquer modismo de quem não presenciou nada daquilo, de quem não viu e ouviu Jesus pessoalmente, de quem não morreu pelo nome de Jesus na mão dos poderosos, que vai dizer o que é ou não cristão.

Não sou eu ou você, são eles que têm que dizer. Eles foram os enviados por Jesus.

Podem até dizer que é contraditório, errado e que não concordam. Qualquer um tem esse direito. Mas a idéia de que o que eles, os discipulos que viveram com Jesus, e os primeiros que tiveram o nome de cristãos, não preservaram a doutrina que teve esse nome por causa deles, que pregavam o seu Cristo morto e ressuscitado, e que qualquer pessoa vários séculos depois vai poder aparecer e dizer o que é ou não cristão? Essa é uma idéia totalmente absurda.

Outra questão é entender o porque disso tudo, qual o proposito e como conciliar. Mas dizer que algo é cristão ou não só porque não entendeu, e daí descartar o que aparentemente não faz sentido, é desonesto e contrário a tudo o que Jesus disse.

Eu posso concordar, discordar ou não entender. Nada mais que isso.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O Consolador é o Espiritismo?

O texto bíblico citado pra essa afirmação no Evangelho Segundo o Espiritismo é o seguinte:

Se me amais, guardai os meus mandamentos.
E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;
O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.
[...]

Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

A outra parte fala:

Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.

O problema é que Jesus não disse que o mundo ainda não conhece o Espírito da Veradde por não estar maduro. Ele diz que o mundo não recebe. E diz que não o recebe porque não e não conhece. Ainda afirma que os apostolos já conheciam, porque ele habita com eles, e que sempre estaria com eles.

Jesus disse que o consolador faria os apóstolos lembrarem tudo que ele havia dito, e ensinar. É um erro pensar que tudo que foi dito na bíblia, é dito pra quem está lendo. Está claro que eram os apostolos que seriam lembrados e ensinados por tudo que Jesus disse. Então, se Jesus falou a verdade, os apostolos receberiam o Espírito da Verdade que iria instruir.

Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. (Mateus 16:18) Então, se acreditamos de fato em Jesus, esse relembrar seria para os apóstolos relembrarem de tudo que Jesus disse, também ensinar e ajuda-los em questões dificeis. E foi o que o Esprito lembrou e ensinou os apostolos, como é relatado nas cartas apostolicas e no livro de Atos. É óbvio pelo texto que Jesus disse que seus discipulos eram os que seriam lembrados. É um erro pensar que tudo escrito na bíblia se refere a quem está lendo.

Vamos ver o que os relatos preservados deles que possuimos afirma (Seria bom ler mesmo cada versiculo citado):

- Os apostolos já criam que o Espírito Santo havia sido enviado: Atos 19:2; Lucas 12:12 (o Espirito Santo ensinaria os Apóstolos o que convenha falar); Atos 8:15-17; Atos 13:4; Atos 20:23; Atos 2:4; João 20:22; Judas 1:20; Efésios 4:30; Atos 15:28.

Segundo eles, Deus já havia dado o Espírito Santo. "Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo." 1 Tessalonicenses 4:8

E isso é evidenciado em Atos:

E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:4,8)

E a promessa de Cristo foi cumprida, como registrada no mesmo livro (v. 2,4)

Além de crer que o Espírito foi enviado, eles, por meio do ensino desse Espírito, acreditavam que o mesmo tinha personalidade, e que já a manifestava naquela época:

- Inteligência - 1 Co 2.9-11; Jo 14.26;
- Vontade e capacidade de escolha - At 13.2; 16.6; 20.28; 1 Co 12.11;

Pedro disse que Ananias mentiu ao Espirito Santo, e fala que nao mentiu aos homens, mas a Deus:

"Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus." Atos 5:3,4

E o escritor de Hebreus confirma que o Espírito é Eterno (v. 9,14)

O que se pode concluir é que:

1 - Segundo as palavras de Jesus, o Espírito Santo viria naquela época, em Jerusalém, para os seus discipulos.
2 - Os discipulos afirmaram que o que Jesus disse foi cumprido.
3 - O Espírito era atuante na Igreja.
4 - Ele possuia caracteristicas de uma personalidade.
5 - Ele é Deus.

Uma pergunta:

Diante do que foi exposto (que é claro e é diferente da visão espírita), o que o Evangelho Segundo o Espíritismo afirma foi ensinado pelo Espírito da Verdade?

Autor: Jonadabe Rios

quarta-feira, 10 de março de 2010

O evangelho segundo o espiritísmo.



Capítulo 1

1 Evangelho das boas novas dos espíritos, a consolação. Com Moisés houve a primeira revelação, Jesus a segunda, e agora o Evangelho (boas novas) dos espíritos estão sendo reveladas aos homens.
2 Houve um homem chamado Allan Kardec, o qual codificou a doutrina dos espíritos.
3 Parte da doutrina ensina que a somos salvos por nosso mérito.
4 Então, surgiu uma parábola.

Capítulo 2

1 E disse: Um certo homem tinha dois filhos;
2 E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
3 E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
4 E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
5 E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.
6 E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
7 E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
8 Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
9 Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
10 E, tornando em si novamente, o filho lembrou que o Pai não o aceitaria nesse estado.
11 Isso quem ensina são os chamados cristãos e um judeu de nome Jesus, a quem os seus seguidores o chamam de Cristo.
12 Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. (Quem lê entenda)
13 O filho sabia que ele deveria merecer, para estar perto dEle como filho,
14 O filho lembrou que o Pai o havia ensinado que tudo que acontece com ele é decorrente de algo que fez anteriormente.
15 E começou a aceitar seu estado como uma forma de pagamento dos seus erros, e que fora da caridade não há salvação.
16 Então o filho pensou: Irei fazer caridade ao próximo quando, depois que esse carma acabar, tiver algum tipo de condição para fazê-lo.
17 Irei ter com meu Pai e direi: Pai, pequei contra o céu e perante ti; mas evoluí, fiz caridade, e mesmo os meus erros anteriores foram pagos com minhas tribulações.
18 Agora sou digno de ser considerado seu filho.
19 Depois de pensar isso, ele continuou sua vida, sabendo que em algum tempo, quem sabe se longo ou não, teria seu carma pago, estaria evoluído e mereceria estar ao lado do Pai.
20 Isso ele sabia que poderia não ser nessa vida, mas um dia ele seria merecedor...






Diante disso eu pergunto se é realmente o Evangelho (boas novas) segundo o espiritismo. Porque isso não tem cara de boas novas, são as velhas mensagens de todas as religiões (tirando a reencarnação, que algumas não tem) de salvação por nosso mérito...