segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Bíblia e o Celular.

Acabaram de me enviar pela milésima vez aquele texto onde se pergunta como seria se tratássemos a Bíblia do jeito que tratamos o celular.

Por isso resolvi fazer uma brincadeira com a pessoa que me enviou (e não gostou nada, por sinal), e mostrar que as pessoas usam a Bíblia sim como o célular.

Mas é bom destacar: É só uma brincadeira, e não estou a zombar da Bíblia (Livro que foi inspirado pelo próprio Deus). O objetivo é criticar algumas formas de uso.

Mas então, não é que utilizamos a Bíblia como o celular?

Se carrega no bolso ou na bolsa pra dizer que tem, apenas porque todo mundo tem que ter.

Várias vezes ao dia são dada certas olhadas, no entanto nada profundo ou contextualizado.

Muitas vezes se olha pra ver se tem um SMS do céu.

Tem a versão de brinquedo para se dar de presente as crianças.

Tem que se levar a Igreja e dar 10% do seu salário para ter crédito com Deus.

A qualidade do sinal vai depender da denominação que freqüenta.

Só [eu] e meu [grupo] sabe usar direitinho e tem o melhor sinal.

Se escolhe a operadora pelas vantagens e promoções.

As operadoras ganham muito dinheiro dando sinal.

Não se sabe onde e como foi fabricada, ou se ignora, mas pensam que caiu do céu pronta para a venda.

Por utilizá-la para futilidades, muitos acabam enjoando.

Possui várias versões: Almeida, Almeida Corrigida, Almeida Corrigida e Fiel, Almeida Corrigida e Fiel Atualizada, e por aí vai...

Existe uma feita para cada tipo de pessoa: Bíblia da mulher, do homem, criança, empresário, bíblia gay, do Paraguai (onde é incompleta).

Você pode comprar capas personalizadas proteger.

Alguns fazem coleção de Bíblias, mas nunca usam.

Outros roubam dinheiro de otários utilizando de forma errada seus serviços.

Nela encontramos alguns telefones de emergência:

- Está triste, prestes a perecer e amargurado? Ligue Pr 31, 6
- Estão zombando de você? Ligue Sl 80, 6
- Em caso de emergência, disque Sl 91, na superstição de que o Salmo tem algum poder especial.

Novamente: É só uma brincadeira, e não estou zombando da Bíblia (Livro que foi inspirado pelo próprio Deus). O objetivo é criticar algumas formas de uso, principalmente as formas supersticiosas que tiram o devido valor das Sagradas Escrituras.

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Se você vê mais semelhanças, pode colocar nos comentários rsrsrs

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O dia original da "Queima do Alcorão"

Normalmente muitos muçulmanos desavisados, outros nem tanto, afirmam que a Bíblia foi modificada com o tempo, e que por isso não podemos confiar nela. Muitos do que afirmam isso, que nem sempre são muçulmanos, apelam para escritores como Bart Ehrman, crendo que o mesmo tenha demonstrado o "consenso" de que a Bíblia, em especial o Novo Testamento, não é digna de confiança.

O problema é que boa parte nem mesmo entendeu a proposta do livro. Muitos se empolgaram mesmo foi com o titulo tendencioso, diferente do original, e a partir daí tiveram uma idéia falsa.

O ruim nisso é que pouco se sabe sobre a história da Igreja e a composição das escrituras, muito menos o que significa a inspiração da Bíblia.

Isso tem feito muitos abandonarem a fé na Bíblia e na Igreja, embora quem conheça de fato as doutrinas da Igreja não a abandona, isso porque boa parte das criticas são infundadas e não são direcionadas as doutrinas em si, e sim a certos tipos de espantalhos mal feitos em questões como a Divindade de Jesus e os escritos de Paulo, por exemplo.

Segue aí um vídeo interessante, e engraçado, sobre o Alcorão. Há muito o que estudar sobre o assunto, mas os muçulmanos devem rever as afirmações que aceitam sem contestar, principalmente de uma falsa base histórica contra a Igreja.

terça-feira, 29 de março de 2011

Lutero, “católico”? Nem sonhando.

Por Thomas Ricci, 30Giorni

Tradução montfort.org.br

Entrevista com Theobald Beer, 81 anos, um sacerdote católico, autor de um livro que revoluciona a tese mais difundida acerca de Lutero. Dissipou muitos estereótipos: o monge de Wittenberg despreza Santo Agostinho, não é occanista, é contradito por Melanchthon. Mas, o problema real é a sua falsa cristologia.

O trono de José Lortz e seus discípulos, incluindo os eminentes professores, como Erwin Iserloh e Peter Manns, começa a ruir? Sua interpretação de Lutero, durante décadas, considerado o melhor no campo católico, está sofrendo fortes críticas por parte de muitas áreas novas e inexploradas da pesquisa. Um livro em particular, tem feito uma reviravolta de todo o ambiente “luteranófilo” despertando a ira da escola lortziana: se trata de “Der Wechsel und Streit Fröhliche”, “O Intercâmbio e a Feliz Disputa”, lançado na Alemanha Oriental já 1974 e republicado no Ocidente em 1980 por Johannes Verlag, editora suiça dirigida pelo teólogo Hans Urs von Balthasar. O autor é Theobald Beer, um sacerdote católico já ancião, agora com 81 anos, que foi pároco durante quase quarenta anos em Leipzig, desde 1949 cidade da República Democrática Alemã.

Theobald Beer é um personagem singular, simpatissíssimo. Vive sozinho em Regensburg (República Federal da Alemanha), a antiga Ratisbona, Bispado da Baviera Oriental. Ele mora em um apartamento modesto, repleto de livros em todas as paredes, os quais se destacam os volumes da Ausgabe Weimarer de textos de Martinho Lutero. “Eu comprei para meu irmão que morava em Mônaco, no oeste. Eu sei que certamente não poderia pagá-lo”, diz ele, entristecido. Por seu livro recebeu o doutoramento em teologia honoris causa em 1977 na Universidade de Regensburg.

O sr. objeta que Lutero tenha construído uma cristologia falsa. Não é apenas uma acusação gratuita…

Theobald Beer: Não é uma acusação minha. É um fato. Os textos de Lutero sobre esta questão são inequívocos. Num texto de 1509, especificamente as anotações De vera religione di Agostino, Lutero diz: “Cristo é feito (factus) à imagem de Deus, hipostaticamente (ou seja, como uma substância real ndr), mas um acréscimo (additus) a esta”. Bem, os padres da igreja diriam àqueles que afirmassem isso sobre Cristo, anathema sit.
A afirmação de Lutero está, entre outras coisas, em claro contraste com Santo Agostinho, que, ao contrário, argumenta que Cristo é Imago Dei e não factus ad imagem Dei, como se fosse qualquer parte da criação de Deus.

A idéia de um Lutero profundamente “agostiniano” é, portanto, falsa…

Beer: Não resta a menor dúvida. Lutero rejeita Agostinho. Há inúmeras passagens em que ele comenta Santo Agostinho com ironia.

Pois então, quem é Cristo para Lutero?

Beer: Respondo com as palavras do próprio Lutero. Em uma anotação de 1511, ele escreve: “Quando perguntei que coisa – atenção: Lutero não diz quem é Cristo, mas, que coisa é Cristo – lógicamente respondo que ele é pessoa. (Lutero rejeitava a lógica ndr.). O teólogo ao contrário disse: Cristo é a rocha, pedra angular “. Lutero explica o que ele quis dizer com isso. Cristo é a rocha que nos protege da ira de Deus.

Cristo como “função” e não como “pessoa”?

Beer: Exatamente. Lutero faz uso da palavra hipostáse, mas a anula acrescentando a expressão sed additus. Lutero diz abertamente que Cristo não é uma pessoa; sobrando apenas a função de cobertura da ira de Deus. Cessando a “função” também Cristo deixa de ser.

As interpretações em voga na Alemanha são prevalentemente do tipo “histórica”, e particularmente atendendo uma atmosfera ecumênica. Francamente, cheguei a ler uma interpretação “supraconfessional” ou “preconfessional” de Lutero. Ao contrário, o sr. concentra sua análise sobre a cristologia de Lutero, sobre a questão “Quem é Cristo para Lutero”. Por quê?

Beer: A Cristologia é o cerne da questão. A partir da posição que ele assume frente a Cristo, depende todo o resto. Lutero não compreende a profunda unidade presente na encarnação. Em 1508, ele escreveu: “Se dizemos que Cristo é composto (compositus) e se se entende o termo em seu sentido estrito (proprie), então ele está certo. Se, ao contrário, se afirma que Cristo é constituído (constitutus), então ele é falso”. Como se vê, Lutero tende a divisão. Não foi por acaso que um dos seus contemporâneos, Hieronymus Dungersheym, o acusou de arianismo. Também Scbwenckfeld, um nobre da Silésia, que foi inicialmente ligado à Lutero, em um ponto escreveu-lhe: “Seu discípulo Vadian em St. Gallen está sustentando que a humanidade em Cristo é uma adição. Mas isso não está de acordo com o que dizem os padres da Igreja”. O próprio Lutero, em 1511, andava fazendo afirmações como esta: Cristo é feito pelo Pai, nascido pela Mãe.

Como é que ninguém percebeu esses gravíssimos erros cristológicos?

Beer: A pouco se acorda da condição de atribuir a Melanchthon esses erros, que se sabe ter “propagado” Lutero na Alemanha. Na verdade Melanchthon é um humanista cristão que apoia exatamente o oposto de Lutero. Quanto a questão da redenção e da criação, Lutero diz: humanitate nihil cooperande (Yves Congar notou que se trata de uma espécie de monergismo, que equivale a dizer que a humanidade de Cristo não coopera com a justificação), Melanchthon fala ao contrário, de natura conditrix; a natureza humana de Cristo participa da criação. Mas ninguém se preocupa em confrontar os dois autores.
Claro que também há razões bem objectivas que explicam esse atraso. As anotações milequinhentistas de Lutero ficaram à margem de numerosos textos, e só foram descobertos por volta de 1900! E elas são a prova decisiva. Para entendê-las, é necessário também conhecer Santo Agostinho, Pedro Lombardo, Tauler, Gabriele Biel, este último um teólogo excelente. O desconhecimento destes autores é um obstáculo para muitos. O Concílio de Trento não sabia desses textos, ou, de outra forma, Lutero teria sido diretamente condenado.


Seu livro suscitou uma inflamada controvérsia, especialmente nos círculos católicos.

Beer: As revisões críticas que recebi desconsideram a maior parte do que Lutero escreveu sobre o tema da cristologia. Para esses críticos vale o critério que posto que não deve ser, não pode ser. Lutero não pode ter escrito essas coisas a respeito de Cristo: e ainda assim ele o fez. Lutero não poderia ter utilizado fontes neoplatônicas para seu pensamento, mas ainda assim o fez, com a Theologia Deutsch. Lutero não poderia ter feito extensa referência a Hermes Trismegisto: mas isso é exatamente o que ele fez!
Lutero está repleto de referências anti-bíblicas e é estranho que não se queira ver.

E os protestantes, que dizem sobre os especialistas católicos que estudam Lutero?

Beer: Eu poderia citar o nome de proeminentes estudiosos protestantes que têm me perguntado: “mas porque a Igreja Católica deve repetir todos os disparates que fizemos no passado?”. Certa vez, um exegeta protestante me disse: “Quando eu vejo os exegetas católicos que adotam os mesmos princípios que nós havíamos abandonado, me dá um medo infernal. Penso se seremos punidos por isso”.


Com seu livro, o sr. pensa ter dificultado o diálogo ecumênico?

Beer: O verdadeiro ecumenismo eu o conheci em minhas conversas com os protestantes do leste. Além disso, não se pode fazer ecumenismo se nem mesmo se pode falar de Lutero.

T.R.

[De "30 Giorni", ano I, n. 04 de junho de 1983, pp 56-58, apud Contro la leggenda nera]

---> Comentários do Blog:

Já faz um tempo que tenho me espantado cada vez mais com a capacidade que certas pessoas tiveram para esconder a verdadeira face de Lutero. A imagem apresentada dele, como de um bom católico que só queria reformar a Igreja. Hoje muitos historiadores já não consideram o que muitos chamam de "reforma protestante" como uma reforma, e sim uma revolução protestante. Também já se sabe que uma reforma de fato passou a ocorrer antes da "reforma protestante", que erroneamente passou a ser chamada contra-reforma, como se fosse apenas uma reação.

Quando me tornei católico, tinha essa mesma ideia. Deixei de ser protestante pelas evidencias históricas e bíblicas, além da total falta de fundamento do protstantismo (engraçado que quando um católico me falou que o protestantismo não tem fundamento, cheguei a me sentir quase ofendido, tamanha a "arrogância" dele). Achava que pela falta de comunicação e a diferença da velocidade de informações em relação a os tempos atuais, por exemplo, teriam sido uma das principais causas da falta de entendimento. Isso porque a imagem que hoje ainda se apresenta de Lutero, que já está a mudar, era de um bom católico, e suas doutrinas normalmente apresentadas eram bem parecidas com as da Igreja.

Com o tempo vi que varios estudiosos protestantes sabem disso, mas não divulgam, alias, ainda fazem questão de dar a entender a mesma idéia de Lutero como quase um santo.

Infelizmente, vários malabarismos intelectuais têm sido feitos por certas pessoas, com afirmações de que não devemos dar credito em muitas coisas que Lutero disse, pois podem estar descontextualzadas, e que ele passava por muita pressão (tadinho, rs). Ora, é pelo fogo que se prova as obras de cada um. É claro que na época havia um certo perigo em algumas questões, pois boa parte das pessoas viviam com medo do diabo, purgatório, inferno, e assim vai, porém, não esse fato não justifica a defesa de erros teolóticos e blasfêmias. Mesmo que ele pensasse, ora, todos pensam coisas ruin é óbvio, mas porque dizer ou escrever? Isso significa apenas que se pensava e acreditava seriamente nisso.

Pode-se tentar demonstrar as causas, mas não se pode mudar o fato de que ele disse tais coisas absurdas, como citarei no final do comentário. Assim, penso que até mesmo os protestantes (os que forem honestos) devem mostrar de fato como o "reformador" era. Principalmente porque ele não era esse coitado apresentado em filmes e certos livros de "história". Ele teve o apoio de vários poderosos. Em um filme, coitado, enquanto ele estava em um lugar escondido traduzindo a bíblia (que supostamente ninguém lia), houve revoltas que posteriormente foram criticadas por ele. A história de fato mostra que ele incitou várias revoltas.

Enfim, há muito o que se dizer sobre a revolução protestante. Quem se interessar no assunto indico o os livros de Daniel Rops sobre o tema. Deixo, então, algumas poucas (mas fortes) citações de do "Papa" Lutero:.

 "Cristo Adúltero. Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela?" Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer"


"Deus age sempre como um louco"


"Certamente Deus é grande e poderoso, e bom e misericordioso, e tudo quanto se pode imaginar nesse sentido, mas é estúpido"


“Não devemos ceder aos ímpios papistas (...) Nossa soberba contra o Papa é necessária (...) Não havemos de ceder nem a todos os anjos do céu, nem a Pedro, nem a Paulo, nem a cem imperadores, nem a mil Papas, nem a todo mundo (...) a ninguém, cedo nulli.” 

domingo, 20 de março de 2011

Testemunha do massacre da igreja de Bagdá, ocorrido em 31 de outubro de 2010

Já havia postado um video sobre esse massacre, mas só hoje vi esse testemunho de alguém que estava lá.

O vídeo que me refiro é esse: http://porquecreio.blogspot.com/2010/11/video-do-massacre-na-catedral-catolica.html

Fica aí registrado para nós, que negamos a Cristo por qualquer tentação:


quarta-feira, 9 de março de 2011

Pretextos da revolução protestante e sua refutação

Bom, já há algum tempo não chamo mais a "reforma" protestante de reforma. De fato ela não foi. Alias, vários protestantes hoje em dia também não chamam mais de reforma, e sim de revolução, como alguns hoje que pregam uma nova revolução protestante, quando criticam (com razão) o que as igrejas evangélicas se tornaram.

Esses dias encontrei na internet um texto bem interessante sobre a "reforma" protestante, e como já faz um tempo que não posto sobre nenhum assunto, resolvi colocar esse texto aqui.

Sugiro também a leitura do livro, que está disponível para download no link que será citado no final do texto.


Pretexto - A Igreja Católica encontrava-se em uma fase de decadência. Os abusos proliferavam. A venda de cargos eclesiásticos, a vida de luxo em que vivia o alto clero, a corrupção de muitos prelados escandalizavam os fiéis. A reforma foi uma reação contra este estado de coisas, com o objetivo de restaurar a Igreja e restabelecer a sua simplicidade primitiva.

Refutação - Descontados todos os exageros apresentados por certos livros de História, lamentavelmente havia na época muitos abusos, e era grande a decadência dos costumes eclesiásticos. A par, aliás, de muita virtude e muita santidade. Entretanto, os historiadores modernos reconhecem que isto não foi verdadeiramente a causa da revolução protestante.

A verdadeira reforma católica, e que corrigiu verdadeiramente os abusos existentes, teve início antes de Lutero começar a difundir os seus erros. Portanto, quando explodiu a Pseudo-reforma, as condições da Igreja haviam melhorado sensivelmente. Os verdadeiros reformadores católicos já haviam iniciado a sua obra regeneradora.

Ademais, a vida corrupta de Lutero e de outros falsos reformadores desmente essa alegação, pois de fato eles contribuíram para aumentar a decadência dos costumes, permitindo a introdução do divórcio e até autorizando a bigamia, além de abolir o celibato eclesiástico.

Finalmente, o que os protestantes atacavam não eram os eventuais abusos, mas a própria instituição hierárquica do clero e o que a doutrina católica tinha de mais essencial. A doutrina de Lutero mostra bem que ele pregava uma nova religião, e não uma reforma na Igreja Católica.


Pretexto - A Bíblia, palavra de Deus, era desconhecida dos fiéis. Os padres escondiam a Bíblia, para impor ao povo simples uma religião que não correspondia aos verdadeiros ensinamentos de Cristo, e assim conservar os seus privilégios pessoais.

Refutação - Em qualquer época histórica, a Igreja recomenda aos fiéis cautela na leitura da Bíblia, dada a grande dificuldade de interpretação de certos textos.

Isto entretanto não significa que naquela época os fiéis não pudessem ler os Livros Sagrados. Muito antes de Lutero, com o desenvolvimento da imprensa, a Bíblia era largamente difundida pelos vários países da Europa. Desde o aparecimento da imprensa até 1520, surgiram 156 edições da Bíblia am latim. Para atender ao público que não entendia o latim, foram feitas numerosas traduções para a língua vernácula. Entre 1466 e 1520 surgiram 22 edições da Bíblia traduzida para o alemão. A primeira tradução italiana surgiu em 1471; a holandesa em 1477; a francesa em 1487; e a espanhola em 1485. A tiragem de cada edição variava de 250 a 1600 exemplares.

Portanto, a afirmação de que foram os protestantes que possibilitaram ao povo a leitura da Bíblia não passa de uma das muitas invenções criadas pelo ódio à Igreja Católica, sem qualquer fundamento histórico.


Pretexto - A Religião, como aliás toda a sociedade humana, é fruto da economia. As grandes transformações econômicas do século XVI tiveram grandes repercussões no terreno religioso, dando origem à reforma protestante.

Refutação - Essa tese corresponde à interpretação marxista da História. O materialismo histórico é que coloca a economia como sendo o eixo em torno do qual giram os acontecimentos humanos.

Se esta tese fosse verdadeira, a reforma protestante deveria ter estourado na Itália, que era sem dúvida a mais "avançada" região européia da época. A Itália prosperava enormemente, e seus homens de negócio manobravam grande parte da economia de então. Basta lembrar o exemplo dos Médicis, para se ter uma idéia do desenvolvimento econômico da Península. A burguesia italiana era uma das mais prósperas e importantes do século XVI. Pelo contrário, a revolução protestante encontrou seus primeiros sucessos na Alemanha, menos desenvolvida economicamente naquele tempo.

Convém lembrar ainda que os grandes homens de negócio, os que manobravam as grandes fortunas, até o século XVII eram em sua maioria católicos.


Pretexto - A reforma foi uma conseqüência da ambição dos príncipes alemães, que queriam apoderar-se dos bens da Igreja e subtrair-se à autoridade do Imperador.

Refutação - É certo que a ambição dos príncipes alemães contribuiu poderosamente para a consolidação e expansão do protestantismo, como também é certo que alguns deles procuraram tirar vantagens políticas e econômicas da luta religiosa. Mas é historicamente certo também que a maioria dos príncipes que apoiaram Lutero agiu por razões religiosas.

Além disso, a posição dos príncipes que apoiavam a revolução protestante não era tão cômoda como parece. Na Alemanha, por exemplo, os príncipes protestantes tiveram que travar uma guerra prolongada com o Imperador Carlos V. Portanto, apoiar os protestantes não era tão vantajoso assim. Inclusive corriam o risco de perderem os próprios bens, em caso de derrota.

Por outro lado, houve na mesma época príncipes católicos que, apesar de perseguir os protestantes, também confiscaram bens eclesiásticos, como foi o caso do Rei Francisco I, da França.

Pretexto - O protestantismo foi fruto da revolta das classes humildes contra as oligarquias eclesiásticas e civis dominantes na época.

Refutação - Esta tese pode ser refutada apenas pela demonstração de que havia protestantes em todas as classes sociais, desde os camponeses até a mais alta nobreza. A parte mais propulsora do protestantismo era precisamente a formada pelo alto clero, alta burguesia e alta nobreza. Basta citar o exemplo da Inglaterra, em que o Rei Henrique VIII, com o apoio do episcopado e da nobreza, levou toda a nação à apostasia.


Pretexto - O Papa Leão X, com o objetivo de conseguir dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro, iludia o povo ignorante com a venda de indulgências. Lutero revoltou-se contra isso e procurou esclarecer o povo. Em conseqüência, foi excomungado e expulso da Igreja.

Refutação - Indulgência, no sentido mais amplo da palavra, significa perdão da culpa ou pena merecida. Em linguagem teológica tem sentido mais restrito, e significa o perdão da pena que se deveria sofrer no Purgatório pelos pecados já cometidos, e já perdoados quanto á culpa.

Deus, ao perdoar os pecados, pode reservar-lhe certa pena ou castigo a sofrer no Purgatório. Para evitar essa pena, temos dois modos: um é praticar boas obras na graça de Deus; o outro é alcançar indulgências. Por estas, a autoridade eclesiástica perdoa-nos no todo ou em parte essa pena, aplicando em nosso favor as satisfações de Cristo e dos santos.

Para lucrar as indulgências, além dos requisitos que prescreve quem as concede, é necessário estar na graça de Deus. A doutrina das indulgências sempre foi aceita e posta em prática na Igreja.

O Papa Leão X, para conseguir fundos para a construção da Basílica de São Pedro, concedeu uma indulgência plenária a quem, estando nas disposições necessárias para lucrar a indulgência, entregasse uma esmola para esse fim. Lutero, que não admitia a necessidade da cooperação do homem na obra da salvação, não aceitava a doutrina da Igreja sobre as indulgências. Pode ter havido abusos, mas foi contra a própria doutrina católica a respeito desse ponto que Lutero se revoltou.

Aliás, a "questão das indulgências" foi mero pretexto para a revolta. Vários anos antes, Lutero já defendia e propagava idéias abertamente heréticas. Por detrás da questão das indulgências estava a negação de vários outros pontos doutrinários.

http://www.revolucao-contrarevolucao.com/verartigo.asp?id=26

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Noite Escura - São João da Cruz

“Em uma noite escura
De amor em vivas ânsias inflamada
Oh! Ditosa ventura!
Saí sem ser notada,
Estando já minha casa sossegada.

Na escuridão, segura,
Pela secreta escada, disfarçada,
Oh! Ditosa ventura!
Na escuridão, velada,
Estando já minha casa sossegada.

Em noite tão ditosa,
E num segredo em que ninguém me via,
Nem eu olhava coisa alguma,
Sem outra luz nem guia
Além da que no coração me ardia.

Essa luz me guiava,
Com mais clareza que a do meio-dia
Aonde me esperava
Quem eu bem conhecia,
Em lugar onde ninguém aparecia.

Oh! noite, que me guiaste,
Oh! noite, amável mais do que a alvorada
Oh! noite, que juntaste
Amado com amada,
Amada no amado transformada!

Em meu peito florido
Que, inteiro, para ele só guardava,
Quedou-se adormecido,
E eu, terna o regalava,
E dos cedros o leque o refrescava.

Da ameia a brisa amena,
Quando eu os seus cabelos afagava,
Com sua mão serena
Em meu colo soprava,
E meus sentidos todos transportava.

Esquecida, quedei-me,
O rosto reclinado sobre o Amado;
Tudo cessou. Deixei-me,
Largando meu cuidado
Por entre as açucenas olvidado.”

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tiro no próprio pé... G. K. Chesterton

Há homens que destroem a si mesmos e destroem a própria civilização se também puderem destruir essa fantástica história [a história do cristianismo].

Esse é o fato supremo e mais aterrador envolvendo a fé: que seus inimigos usarão qualquer arma contra ela, as espadas que cortam os próprios dedos e as lenhas que queimam as próprias casas. Homens que começam a combater a Igreja em benefício da liberdade e da humanidade terminam jogando fora a liberdade e a humanidade só para poderem com isso combater a Igreja. Não é exagero. Eu poderia encher um livro com exemplos disso.

O sr. Blatchford iniciou, como um demolidor bíblico comum, querendo provar que Adão não teve culpa em seu pecado contra Deus; manobrando para defender essa ideia, ele admitiu, como mera questão secundária, que todos os tiranos, de Nero ao rei Leopoldo, não tiveram culpa em nenhum de seus pecados contra a humanidade.

Conheço um homem que tem tal paixão por provar que ele não terá uma existência pessoal depois da morte que recorre à tese de que ele não tem uma existência pessoal agora. Invoca o budismo e diz que todas as almas desaparecem uma na outra. Para provar que não pode ir para o céu ele prova que não pode ir para a cidade de Hartle-pool.

Conheci pessoas que protestavam contra a educação religiosa com argumentos contra qualquer tipo de educação, dizendo que a mente da criança deve crescer livre ou que os mais velhos não devem ensinar aos jovens.

Conheci pessoas que demonstraram que não poderia existir nenhum julgamento divino mostrando que não pode haver nenhum julgamento humano, nem mesmo em prol de objetivos práticos. Elas queimaram o próprio trigo para atear fogo à Igreja; destruíram as próprias ferramentas para destruí-la; qualquer pedaço de pau era bom para bater nela, mesmo que fosse o último pedaço de sua mobília desmantelada.

Não admiramos, mal desculpamos o fanático que destroça este mundo pelo amor do outro. Mas que devemos dizer do fanático que destroça este mundo por causa do ódio pelo outro? Ele sacrifica a própria existência da humanidade à não-existência de Deus. Oferece suas vítimas não para o altar, mas simplesmente para afirmar a inutilidade do altar e o vazio do trono. Ele está disposto a destruir até mesmo aquela ética primária pela qual todas as coisas vivem, em prol de sua estranha e eterna vingança contra alguém que jamais sequer viveu. E, no entanto, a coisa pende dos céus, incólume. Seus opositores só conseguem destruir tudo aquilo a que eles mesmos com justiça dão valor. Não destroem a ortodoxia; destroem apenas o sentido comum e político de coragem. Não provam que Adão não foi responsável perante Deus; como poderiam fazê-lo? Provam apenas (a partir de suas premissas) que o czar não é responsável perante a Rússia. Não provam que Adão não deveria ter sido punido por Deus; provam apenas que o patrão explorador mais próximo não deveria ser punido pelos homens.

Com suas dúvidas orientais sobre a personalidade, não nos dão certeza de que não teremos uma vida pessoal depois da morte; apenas nos dão certeza de que não teremos uma vida muito divertida ou completa aqui.

Não é apenas verdade que a fé é a mãe de todas as energias deste mundo, mas é também verdade que os inimigos dela são os pais de toda a confusão do mundo. Os secularistas não destruíram coisas divinas; destruíram coisas seculares, se isso servir de algum conforto para eles. Os Titãs não escalaram o céu; mas devastaram o mundo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Imagens: outras perspectivas.

Esse comentário foi feito por Marcos Biancardi em um tópico sobre a suposta idolatria dos católicos.

Quem se interessar pode ver aqui.

Achei bem interessante (por isso decidi postá-lo aqui), pois, além da acusação ser algo já ultrapassado e que já deveria ser superada há muito tempo, às vezes deixamos de lado outros aspectos interessantes do que são imagens e para que servem. Isso acontece quando nos limitamos a controvérsias como a "idolatria", que é uma das famosas falsas acusações que fazem aos católicos, pelo menos aqui no Brasil.

Segue parte do comentário:

[...] creio que caberia também notar que o conceito de idolatria a imagem também pode ultrapassar a discussão imediata do objeto, seja de veneração ou adoração, o que se chama de imagem. De fato, se ampliarmos um pouco o campo de análise e conteúdo das coisas veremos que a definição de imagem pode e está contida também na formação das palavras e da fala e, de todas as falas em todas as línguas de todas as épocas.


Assim, as palavras formadas pelos sons, pelos fonemas, representam sempre uma imagem que a ela palavra corresponde e, a própria sentença literal obedecerá também a essa lógica e realidade.


Ora, a própria Bíblia está repleta de imagens, de cenas, de milagres, de revelações que nos veem pelas palavras, frutos de imagens. Então, de modo rápido é fácil entender que a palavra é imagem para explicar o que se quer dizer.


Outras maneiras de representar pela escrita são os hieróglifos, ideogramas e assemelhados. Todas essas formas dispõem de imagens para falar de fatos, de conceitos, de idéias, do abstrato. Tudo é imagem. Somente Deus, o Senhor, não o é! Até mesmo, quando ficamos a escravizar - modo de dizer - nossa fé àquilo que cremos, estamos a praticar uma forma de idolatria, isto é, damos forma à fé e essa forma se baseia numa idéia particular, numa idéia que tem conteúdo no que cremos.


Por outro lado, dever-se-ia ainda considerar que o cristianismo utilizou-se sempre sabiamente do que cada época pode oferecer e do que cada época era capaz de operar para entender a mensagem de Cristo e, nem todas as épocas tiveram a chance de ter à sua disposição a palavra escrita como domínio público. Sequer escolas haviam, elas foram disseminadas pela Igreja na Idade Média e, mais ainda, nem livros e nem bibliotecas e tudo o mais.


Assim, a imagem passou a fazer parte do mundo da educação e da transmissão dos conhecimentos.


Por fim, considerar que Cristo Jesus é Deus e Deus que se fez carne e habitou entre nós é considerar também o o Indizível tomou forma e substância fazendo-se homem e, como homem, pode ser representado pela imagem do homem e como imagem de nós mesmos. Jesus teve pele, olho, cabelos, sangue e, chorou e sofreu e morreu e foi ressurreto ao Pai, ao Eterno, ao Inominável! Então, tudo o que é nominável o é também , por conseqüência do que é: imagem!


Enfim, não dá prá ficarmos, nós cristãos, presos a essa discussão que já deveria ter sido superada e, ao invés disso, vermo-nos como um só e mesma crença e fé. Mais ainda, olhar a cristandade a partir da sua origem e a ela estar vinculada para sempre, sob o trono de Pedro e sob a direção da única e verdadeira Igreja.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Jesus cumpriu a Lei? parte 3

A Mishná e o Talmude apresentam, como se ensina habitualmente, uma abordagem legal da Lei. Isto é geralmente verdadeiro no que diz respeito ao detalhe, mas não se aplica necessariamente quando está em jogo uma compreensão radical. Talvez o exemplo mais marcante figure na tentativa de R. Simlai, no terceiro século (bMak. 24ª), de reduzir a um único, em estágios sucessivos e em termos exclusivamente não haláhicos, os diversos mandamentos de Moisés:

Foram dados a Moisés seiscentos e treze mandamentos ... Veio Davi e os reduziu a onze. Ois está escrito: Salmo de Davi. Senhor, quem pode hospedar-se em tuas tendas? Quem pode habitar em teu monte sagrado? (1) Quem anda com integridade (2) e pratica a justiça (3) e fala a verdade no coração (4) e não calunia com sua língua (5) e não faz mal a seu próximo (6) e não difama seu vizinho (7) despreza o ímpio com o olhar (8) mas honra aos que temem o Senhor(9) é responsável por seus juramentos sem se retratar (10) não empresta dinheiro com usura, (11) nem aceita o suborno contra o inocente. Aquele que assim fizer jamais vacilará, (Sl 15,1-5) ... Veio Isaías e reduziu os mandamentos a seis, como está escrito; (1) Aquele que pratica a justiça (2) e fala o que é reto; (3) despreza o ganho da opressão, (4) recusa-se a aceitar suborno, (5) tampa os ouvidos para não ouvir falar em crimes de sangue, (6) e fecha os olhos para não ver o mal (Is 33,15) ... Veio Miquéias e os reduziu a três, como está escrito: O Senhor te mostrou, ó homem, o que é bom e o que o Senhor exige de ti: 91) apenas praticar a justiça, (2) e amar a bondade, (3) e caminhar humildemente com teu Deus (Mq 6,8)... Veio novamente Isaías e os reduziu a dois, como está escrito: Assim diz o Senhor: (1) Praticai a justiça (2) observai o que é direito. Veio Amós e reduziu a um, como está escrito: Assim falou o Senhor à casa de Israel: procurai-me e vivereis (Am 5,4).

Enquanto os sábios rabínicos são retratados como especialistas práticos nos detalhes mais finos daquilo que é proibido ou permitido, melhor dizendo, a maneira correta de implementar a Torá, e apenas menos frequentemente como moralistas ou teólogos, o traço mais importante na atitude de Jesus é uma preocupação abrangente com o propósito final da Lei que ele percebia, de forma primária, como essencial e positiva, não como uma realidade jurídica mas como uma realidade ético-religiosa, revelando o que pensava ser o comportamento justo e divinamente ordenado para com os homens e para com Deus. [48]