sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Zeitgeist - The Movie

Mais uma refutação, de várias que existem, do video Zeitgeist. O assunto já é antigo, e a afirmação de que Jesus é uma cópia de mitos pagãos já foi refutada há tempos. Uma pena que tem gente que precisa alimentar a fé cega de que Jesus nunca existiu.


sábado, 23 de janeiro de 2010

A religião é a responsável pelos maiores genocídios da história? - Verdade ou mentira?



Mito muito divulgado pelos neo-ateistas. Na verdade, os maiores responsáveis pelos genocídios foram os regimes Ateus, como os de Hitler, Lênin, Khrushchev, Brezhnev, Pol Pot, Fidel Castro e Stalin (existem diversos outros). O que se sabe hoje é que os regimes ateístas assassinaram mais, em um único século, cerca de cem milhões de pessoas

Todos os eventos religiosos que os céticos apontam (principalmente Dawkins, Sam Harris, Hitchens e Bertrand Rusell) chegam a duzentas mil pessoas. Dinesh D’Souza fala que “Mesmo levando em conta os maiores níveis populacionais, a violência ateísta supera a violência religiosa em termos incríveis de proporção. Aqui está um calculo aproximado. A população mundial, que era de aproximadamente quinhentos milhões em 1450 d.C., tornou-se cinco vezes maior em 1950, chegando a 2,5 bilhões. Somadas, as Cruzadas, a Inquisição e a queima de bruxas mataram aproximadamente duzentas mil pessoas. Ajustando esse número ao aumento da populaçãoo, temos, hoje, o equivalente a 1 milhão de mortes. Mesmo assim, essas mortes causadas por governantes cristãos ao longo de um período de quinhentos anos correspondem a apenas 1% das mortes causadas por Stalin, Hitler e Mao no espaço de algumas décadas.”

O que o ateu pode fazer é se contentar, diante da sua cosmovisão, pois o que eles estavam fazendo foi tudo por “ordem” dos seus genes, para, de alguma forma, perpetuar a sua espécie. Alem de que a seleção natural estava dando conta para acabar com os mais fracos (e isso era uma das cosias que Hitler afirmava, baseado no darwinismo).

Quero deixar claro aqui que não estou afirmando que o ateísmo leva necessariamente as pessoas a cometer atos imorais, mas é fato que o ateísmo possibilitou isso a esses regimes, afinal, não existe nenhuma moral absoluta segundo o naturalismo.

Outra coisa que quero destacar é que uma coisa é certa: O ser humano é mau, e crendo ou não que exista uma moral absoluta, ele pode fazer cosias boas e cosias ruins.

Mas é uma mentira absurda a afirmação de que as religiões foram responsáveis pelos maiores massacres da história.

A razão e os seus limites.



Não acho que a razão humana não tenha limites como parece pensar essas pessoas que acham que a ciencia um dia vai provar a existência ou a inexistencia de Deus.

A ciência vai nos mostrar muitas coisas, mas não acho que vai ser possivel conhecer toda a realidade atravez dela. Kant, em sua Critica da razão pura mostrou isso.

É muito dogmatismo arriscar afirmações baseadas na razão sem ver quais tipos de afirmações a razão humana pode fazer. Foi isso o que Kant disse.

Todo o conhecimento humano está baseado na experiencia. E toda experiencia humana vem dos nossos sentidos. Os seres humanos possuem cinco sentidos, e essas informações são processadas pelo cerebro.

Tudo o que imaginamos, descobrimos, criamos são baseados nesses sentidos.

Mas como sabemos que a nossa percepção da realidade (atravez dos nossos cinco sentidos) corresponde à propria realidade? E como percebemos o que dizemos perceber?

O conhecimento externo vem do objeto (que a pessoa vê, pega ou cheira) e dos nossos sentidos.

Então isso significa que não sabemos como é a realidade externa em sua totalidade, mas apenas o que podemos filtra-la com nossos sentidos. Alguns animais possuem apenas alguns sentidos, por exemplo, podem apenas sentir o toque e cheiro. E o mesmo se aplica ao ser humano, possuimos apenas 5 sentidos.

Não sabemos, por exemplo, como é a realidade "filtrada" pelos outros animais. Claro que, hoje, com a tecnoligia, podemos ver a forma que alguns animais vêem a realidade, mas, mesmo assim, ela é filtrada por nossos sentidos.

Berkeley até disse que não temos motivos pra acreditar que exista uma realidade material independente de nossa mente.

Kant não falou que os sentidos são poucos confiaveis, já que se pode encontrar forma de corrigir certas distorções sensoriais (como um galho reto que é enchergado torto debaixo d'agua).

Segundo isso que ele falou, não podemos saber realmente a realidade em si, todos os aspectos da realidade, apenas a realidade experimental. E isso é tudo o que nossa razão pode saber atravez da experiencia, e essa experiencia vem apenas de cinco sentidos.

Temos a realidade experimental e a propria realidade. Só podemos reconhecer a realidade exdperimental.

É muita fé na razão humana achar que um dia vamos conseguir provar que não existe nenhum Deus. E é muita ilusão confundir a realidade experimental da realidade em si.

Esse tipo de afirmação adimite, sem qualquer evidencia ou prova, que as experiencias com os nossos 5 sentidos nos dão acesso total à realidade. Mas o que garante que a realidade total é o que experimentamos? Nada.

Isso que é muita fé e muita imaginação!

A razão humana tem limites e é contrário a propria razão (limitada) achar que podemos ter acesso a toda a realidade atravez das nossas experiencias sensoriais, porque a realidade em si permanece separada aos nossos limitados 5 sentidos.

Pelo que parece, até Paulo afirmava que não conhecemos a realidade em si:

"Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido." 1Co 13:1

Autor: Jonadabe Rios 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Teoria da evolução afirma que o homem veio do macaco. - Verdade ou mentira?



Apesar de não ser evolucionista (embora não seja contra a teoria, só não considero que as evidencias sejam suficientes), é muito comum aparecer pessoas afirmando que o evolucionismo afirma que “o homem veio do macaco”.

Por isso é importante questionar algo que se tenha estudado. Na verdade, Darwin afirmou que possuímos ancestral comum, afinal, nós apresentamos características muito parecidas.

Existem várias criticas à Teoria da Evolução que considero interessantes, mas esse tipo de critica realmente não faz nenhum sentido.

Ser cético é sempre a mesma coisa que ser um ateu ou agnóstico. - Verdade ou Mentira?



Isso é mentira. Ceticismo é uma postura onde o individuo procura questionar as coisas. O que acontece é que muitos ateus se acham os únicos que questionam, no entanto acabam não questionando vários pontos do que supostamente os levaram a ser ateus.

Quem afirma ser cético em um conjunto de crenças sobre a realidade metafísica, é, na verdade, um crente em outros conjuntos de crenças. De fato, há diversos teístas bem mais céticos que certos ateus. Como se pode ver com vários pensadores que, diante das evidencias, concluíram que é mais racional acreditar que exista um Deus, e que a cosmovisão ateísta não se enquadra no que observamos. Um exemplo muito famoso é o filosofo Antony Flew, que conta alguns dos motivos em seu livro “Um ateu garante: Deus existe”.

Por isso, quando se assume uma posição no que se diz respeito às realidades metafísicas, a não ser que afirme categoricamente que não sabe, ele, apesar de ser cético a certos tipos de crenças, é um verdadeiro crente em outro conjunto de crenças. Um cristão acredita que Deus existe, e não acredita que o mundo surgiu por causas puramente naturais, enquanto o ateu não acredita que Deus existe, porém acredita que o universo e a vida se originaram por processos randômicos sem que Deus algum exista.

Jesus é uma cópia de mitos pagãos. - Verdade ou Mentira?



Essa frase vem sendo copiada por muitos que se dizem céticos, que na verdade são neo-ateus que não buscam realmente conhecer o assunto (verdadeiros crentes do naturalismo), mas apenas querem, a qualquer custo, lutar contra a religião. Mito é a validade dessa afirmação.




É claro que ninguém é obrigado a acreditar que Jesus é o messias, que curou milagrosamente e que ressuscitou dos mortos. Mas não se pode negar a sua historicidade, muito menos afirmar que ele é uma cópia pagã sem estar sendo desonesto intelectualmente.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cristianismo de mente vazia.

JOHN STOTT


O que Paulo escreveu acerca dos judeus não crentes de seu tempo poderia der dito, creio, com respeito a alguns crentes de hoje: “Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento”1. Muitos têm zelo sem conhecimento, entusiasmo sem esclarecimento. Em outras palavras, são inteligentes, mas falta-lhes orientação.

Dou graças a Deus pelo zelo. Que jamais o conhecimento sem zelo tome o lugar do zelo sem conhecimento! O propósito de Deus inclui os dois: o zelo dirigido pelo conhecimento, e o conhecimento inflamado pelo zelo. É como ouvi certa vez o Dr. John Mackay dizer, quando era presidente do Seminário de Princeton: “A entrega sem reflexão é fanatismo em ação, mas a reflexão sem entrega é a paralisia de toda ação”.*


O espírito de anti-intelectualismo é corrente hoje em dia. No mundo moderno multiplicam-se os pragmatistas, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer idéia não é: “É verdade?” mas sim: “Será que funciona?”. Os jovens têm a tendência de ser ativistas, dedicados na defesa de uma causa, todavia nem sempre verificam com cuidado se sua causa é um fim digno de sua dedicação, ou se o modo como procedem é o melhor meio para alcança-lo. Um universitário de Melbourne, Austrália, aos assistir a uma conferência na Suécia, soube que um movimento de protesto estudantil começara em sua própria universidade. Ele retorcia as mãos, desconsolado. “Eu devia estar lá”, desabafou, “para participar. O protesto é contra o quê?”. Ele tinha zelo sem conhecimento.


Mordecai Richler, um comentarista canadense, foi muito claro a esse respeito: “O que me faz ter medo com respeito a esta geração é o quanto ela se apóia na ignorância. Se o desconhecimento geral continuar a crescer, algum dia alguém se levantará de um povoado por aí dizendo ter inventado... a roda”2.
Este mesmo espectro de anti-intelectualismo surge frequentemente para perturbar a Igreja cristã. Considera a teologia com desprazer e desconfiança. Vou dar alguns exemplos.


Os católicos quase sempre têm dado uma grande ênfase no ritual e na sua correta conduta. Isso tem sido, pelo menos, uma das características tradicionais do catolicismo, embora muitos católicos contemporâneos (influenciados pelo movimento litúrgico) preferiram o ritual simples, para não dizer o austero. Observe-se que o cerimonial aparente não deve ser desprezado quando se trata de uma expressão clara e decorosa da verdade bíblica. O perigo do ritual é que facilmente se degenera em ritualismo, ou seja, numa mera celebração em que a cerimônia se torna um fim em si mesma, um substitutivo sem significado ao culto racional.


Por outro lado, há cristãos radicais que concentram suas energias na ação política e social. A preocupação do movimento ecumênico não é mais o ecumenismo em si, ou planos de união de igrejas, ou questões de fé e disciplina; muito pelo contrário, preocupa-se com o problema de dar alimentos aos famintos, casa aos que não têm moradia; com o combate ao racismo, com os direitos dos oprimidos; com a promoção de programas de ajuda aos países em desenvolvimento, e com o apoio aos movimentos revolucionários do terceiro mundo. Embora as questões da violência e do envolvimento cristão na política sejam controvertidas, de uma maneira geral deve-se aceitar que a luta pelo bem estar, pela dignidade e pela liberdade de todo homem, é da essência da vida cristã. Entretanto, historicamente falando, essa nova preocupação deve muito de seu ímpeto à difundida frustração de que jamais se alcançará um acordo em matéria de doutrina. O ativismo ecumênico desenvolve-se como reação à tarefa de formulação teológica, a qual não pode ser evitada, se é que as igreja neste mundo devem ser reformadas e renovadas, para não se dizer, unidas.


O terceiro exemplo que dou são alguns grupos de cristãos pentecostais, muitos dos quais fazem da experiência o principal critério da verdade. Pondo de lado a questão da validade do que buscam e declaram, uma das características mais sérias, de pelo menos alguns neo-pentecostais, é o seu declarado anti-intelectualismo. Um dos lideres desse movimento disse recentemente, a propósito dos católicos pentecostais (carismáticos), que no fundo o que importa “não é a doutrina, mas a experiência”. Isso equivale a pôr nossa experiência subjetiva acima da verdade de Deus revelada. Outros dizem crer que Deus propositadamente dá às pessoas uma expressão ininteligível a fim de evitar a passagem por suas mentes orgulhosas, que ficam assim humilhadas. Pois bem, Deus certamente humilha o orgulho dos homens, mas não despreza a mente que ele próprio criou.


Estas três ênfases – a de muitos católicos no ritual, a de radicais na ação social, e a de alguns pentecostais na experiência – são, até certo ponto, sintomas de uma só doença, o anti-intelectualismo. São válvulas de escape para fugir à responsabilidade, dada por Deus, do uso cristão de nossas mentes.


Num enfoque negativo, eu daria como subtítulo a este trabalho “a miséria e a ameaça do cristianismo de mente vazia”. Mais positivamente, pretendo apresentar resumidamente o lugar da mente na vida cristã. Passo a dar uma visão geral do que pretendo abordar.


Concluindo, procurei prevenir contra o extremo oposto, também perigoso, de abandonar um anti-intelectualismo superficial para cair num árido super-intelectualismo. Não estou em defesa de uma vida cristã seca, sem humor, teórica, mas sim de uma viva devoção inflamada pelo fogo da verdade. Anseio por esse equilíbrio bíblico, evitando-se os extremos do fanatismo. Apressar-me-ei em dizer que o remédio para uma visão exagerada do intelecto não é nem depreciá-lo, nem negligenciá-lo, mas mantê-lo no lugar indicado por Deus, cumprindo o papel que Ele lhe deu.







1 – Romanos 10.2
* - Também neste sentido, afirma Júlio Andrade Ferreira, em Conheça sua Fé, p. 13 (Livraria Cristã Unida): “A verdade não está na doutrina sem vida, nem na vida sem doutrina. Pelo contrário, na vida que expressa a doutrina, na doutrina que orienta a vida.”
2 – De seu comentário a Play Power, de Richard Neville.
(New York: Random House, 1970) em Guardin Weekly de 28 de fevereiro de 1970.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O pano de fundo religioso do Novo Testamento (pagão)


O pano de fundo religioso do Novo Testamento (pagão)
Harold H. Rowdon




O século do Novo Testamento foi uma época de fé. É verdade que as antigas formas de religião estavam esgotadas, sendo mais apropriadas para cidades-Estado ou no máximo para um império pequeno do que para o império mundial que havia sido criado por Roma. Não obstante, no nível regional o fervor religioso se expressava na prática da magia e na veneração de deuses tradicionais que podiam ser equiparados, ou ao menos relacionados, aos grandes deuses gregos e romanos.
A religião era usada como uma ferramenta do governo – Augusto restaurou não menos que 82 templos em Roma – enquanto a adoração ao imperador, que começou como um movimento espontâneo, foi promovida como meio de criar um sentimento de lealdade ao império tanto quanto ao imperador. Novas formas de vida religiosa, das quais as religiões de mistério do Oriente são exemplos bem conhecidos, espalharam-se pelo império. Religiões filosóficas, tanto antigas quanto novas, ganharam adeptos.
As religiões do século I d.C. Compartilhavam numerosas características, umas mais, outra menos. EM geral, havia uma crença subjacente em alguma forma de dualismo religioso. Embora as religiões pagãs fossem com frequência amorais, se não imorais, geralmente havia um sentimento forte de conflito entre o bem e o mal, ou ao menos entre forças benévolas e malévolas para com o homem. Também havia geralmente uma aceitação inquestionável da possibilidade do controle mágico sobre coisas e pessoas. Isso aparece não somente na prática da magia, mas também na crença de que a observância minuciosa dos ritos religiosos apropriados era eficaz para garantir o favor do deus em questão. AO mesmo tempo, havia também a crença na ação da sorte por meio do destino que estava sob o controle dos deuses, demônios ou homens. Era quase inquestionável a pressuposição de que o destino humano era definido no final das contas pelas estrelas às quais, junto com o sol, a existência pessoal era atribuída. Não é necessário dizer que a realidade do miraculoso era em geral aceita, e numa confiança desmedida era depositada em escritos sagrados, especialmente se fossem antigos, misteriosos ou enigmáticos.
O mundo do NT era o mundo romano, que, embora restrito à região que circundava o mar Mediterrâneo, era praticamente coexistente com a civilização. É apropriado, portante, fazermos uma breve análise da religião pública do ponto de vista de Roma.
A religião estatal de roma, como aquela da Grécia a que estava associada, era politeísta em sua natureza e estava interessada em grande parte na manutenção do correto relacionamento com os deuses. Os deuses do panteão romano incluíam Júpiter, com frequência enaltecido como “o melhor e maior”; Marte, pai lendário do povo romano, e poderoso na guerra; Minerva, deusa de todos os que trabalhavam com o cérebro e as mãos; e Vesta, deusa do inextinguível fogo domestico, e símbolo da vida no lar e na família.
A adoração desses deuses era em grande parte formal e estava associada com templo, altar e imagem. Era também basicamente civil, em particular nos grandes dias festivos, quando se esperava que todos participassem dos rituais. Em vista do fato de que a família era a unidade básica da sociedade romana, não é de surpreender que a religião estivesse mais fortemente entrincheirada ai do que no contexto da adoração cívica [deuses domésticos dos romanos e erruscos. (N. Do R.), que com frequência era formal até certo ponto. Lares e Penates, simbólicos de lareira e lar, suscitavam a devoção religiosa da família
No campo, onde a religião era mais conservadora, santuários rústicos eram erguidos sempre que houvesse algum sentimento especial da presença de vida, de poder e de mistério (o numen divino), independentemente de ser uma fonte, um bosque de arvores veneráveis ou uma cadeia de altas montanhas. A esses santuários eram levadas ofertas de leite, queijo, cereais ou mesmo algumas flores; as ninfas que habitavam esses lugares deviam ser honradas e, alem delas, Fauno, deus da mata, Silvano, deus da natureza inconquistada, e outros semelhantes. Também havia Término (latim “Terminus”), que protegia os campos e as fronteiras, e os diversos deuses que protegiam as profissões e o comércio.
Os deuses que se devia chegar por meio de sacrifícios também podiam se comunicar com seus devotos por meio de sonhos, oráculos e a resposta de orações Alias, se os deuses não reagissem ã propiciação por meio de respostas de orações, os tributos prometidos não somente seriam retidos, mas o adorador podia reagir com desilusão e se voltar para outros deuses.
Uma característica importante da religião do seculo I era sua abertura para o sincretismo. O caminho para isso tinha sido preparado pelo desenvolvimento impressionante do Império Grego e a tendencia na religião helenística de identificar os deuses de diferentes povos e fundir os seus cultos. Alias, a religião da era helenística foi descrita por F. C. Grant como uma cadeia de lagos com muitos afluentes. Da mesma forma, Roma, à medida que ia conquistando o mundo, seguiu a mesma filosofia de reunir as religiões tanto quanto as nações debaixo de seu domínio
Como resultado, Júpiter e seus deuses de Roma foram equiparados a Zeus e os deuses da Grécia O processo pode ter sido mais adiante, pois é possivel que, quando os homens de Listra saudaram Barnabé e Paulo como Zeus e Hermes (At 14:11-13), tinham em mente não as grandes deidades de Roma, mas os deuses locais que tinham equiparado a eles. Não era somente uma questão de povos conquistado desejando adquirir os benefícios do poder dos deuses dos seus conquistadores. Os vitoriosos romanos perceberam que era necessário honrar os deuses de um povo que tinham subjugado, visto que talvez fossem “deuses romanos em roupagem nativa”(Charlesworth) e, de todo modo, se eram deuses, tinham de exercer algum poder ao menos nos seus próprios domínios “Sempre peça ajuda aos deuses”, disse um imperador romano do século II de temperamento filosófico (Marco Aurélio).
Durante o transcorrer do seculo I, um novo sentimento religioso foi nutrido no esforço de promover a unidade e o bem-estar do mundo romano. Mas a adoração ao imperador dificilmente era uma novidade. Não era desconhecida no Oriente Médio; Alexandre, o Grande, tinha recebido honras divinas; e, em todo caso, visto que se pensava que os deuses do mundo pagão tinham sido homens antes de se tornarem deuses e poderiam aparecer novamente com aparencia humana, a linha entre o humano e o divino era muito tênue em alguns lugares.
A adoração ao imperador passou por um desenvolvimento gradual, especialmente no Ocidente, onde a certa altura foi promovida para fins políticos No começo, o imperador era considerado o representante, e não a encarnação, do genius ou espirito líder de sua dinastia; e, como princeps, ele representava a própria Roma. Ele era o guardião do Estado, o defensor da paz e da ordem, o protetor do império, seu soter ou salvador. Como tal, foi um pequeno passo para que imperadores altamente reverenciados, como Augusto e Vespasiano, fossem incluídos na lista daqueles a quem o Estado adorava como divus ou divinos. O fato de um imperador exigir adoração durante a sua vida foi considerado por muito tempo uma aberracao digna apenas de um Calígula ou um Dominicano
Contudo, a crescente pompa e cerimonia com que os imperadores romanos eram cercados os fizeram parecer cada veis mais distantes das fileiras dos mortais comuns. Os homens vinham adorar ou fazer votos pelo genius ou espírito dos imperadores vivos, embora a adoração a imperadores se limitasse a atos ou palavras de reverencia ou elogio e não se estendiam às orações ou à obtenção de orientações por meio de sonhos. Especialmente nas províncias, a adoração ao imperador servia como fator de unificação, um sentimento de lealdade ao statos quo. Consagrações conjuntas ao deus local e ao imperador eram frequentes, e a adoração ao imperador era com frequência associada à adoração a Roma. O desconforto profundo que isso trouxe para os cristãos pode ser visto nas páginas do apocalipse.
UM dos mais fortes dissolventes da religião estabelecida foi o desenvolvimento do pensamento religioso. É verdade que a religião grega havia declinado por outras razoes – também desilusões com os padrões de conduta divina, a desintegração das cidades-Estado gregas com as quais a religião grega tinha sido tao intimamente identificada, e o crescimento resultante do individualismo por um lado e uma cosmovisão de coisas por outro. Mas tudo isso estava associado com o surgimento das escolas filosóficas de pensamento que desacreditaram não somente a religião grega, mas também a romana.
Havia uma certa medida de platonismo genuíno no seculo I; o surgimento do neoplatonismo não ocorreu antes do seculo III. O platonismo “representava uma perspectiva da realidade como espiritual, ideal, invisível; sendo os objetos exteriores visíveis do Universo apenas cópias ou sombras das realidades invisíveis”(F. C. Grant). Esse ponto de vista produziu uma atitude de renúncia e asceticismo, pois o corpo passou a ser considerado pouco mais do que a habitação temporária da alma. Foi desenvolvido um tipo de piedade interior que buscava diminuir o apego da alma ao corpo, e a certa altura o neoplatonismo defendeu o asceticismo rigoroso como meio para livrar a alma do peso do corpo.
Tem-se chamado atenção para o contrate entre sombras terrenas e realidades celestiais, que é um tema da carta aos Hebreus (cf. 2Co 4:18) e de textos como 2Co 5:1-8. Mas as semelhanças são superficiais; a riqueza e qualidade do pensamento bíblico tornam totalmente distinto.
A filosofia dos epicureus ensinava que o prazer deveria ser o objetivo da vida. Mesmo que em linguagem coloquial, o ponto de vista epicureu deu origem ao lema: “Comamos e bebamos porque amanhã morreremos mas o prazer que se buscava era a felicidade. Isso dependia, assim se acreditava, da paz da mente. Visto que a religião tendia a minar essa felicidade com seu temor do sobrenatural e seu fantasma do castigo depois da morte, os epicureus eram anti-religiosos. Para eles, o Universo consistia em átomos e espaço. A sorte dominava tudo, e não havia supervisão providencial feita pelo destino ou pelos deuses. Na morte, a alma se desintegrava, portanto não havia nada a ser temido depois. A existência da dor não era negada, mas Epicuro declarou numa frase famosa que, se aguda, a dor é breve, e se longa, é leve. A dor, ele afirmava, sempre pode ser compensada por lembranças da felicidade passada.
Os discípulos de Epicuro formavam grupos espalhados que seguiam um modo de vida comum sob cuidadosa regulamentação Ali eles praticavam, mesmo que só entre si, a virtude máxima, a amizade. Paulo encontrou epicureus em Atenas (At 17:18). Embora tivessem os seus próprios deuses – seres de beleza e poder sobrenaturais vivendo em paraísos de alguma forma protegidos da decadência geral – os epicureus em geral classificados, junto com os cristãos, como ateus, visto que negavam a existência das deidades tradicionais.
O cinismo – mais do que o epicurismo, uma palavra comum no seculo XX – foi uma atitude difundida amplamente no seculo I. O cínico assumia uma desconsideração altiva por tudo que era exterior a ele mesmo. A verdadeira nobreza, ele argumentava, estava na mente do homem, e não em ornamentos exteriores. O grande alvo da vida deveria ser provar que o homem pode viver sem coisas e ainda assim ser feliz, saudável e sábio O cinismo conduziu facilmente ao desprezo pela autoridade e moralidade como também pela religião Mesmo assim, os cínicos nunca foram suficientemente numerosos para se tornarem perigosos, e Vespasiano os repudiou como “cães vira-latas que só latem”.
A mais importante corrente filosófica da época, sem duvida, foi o estoicismo. De acordo com Wendland a marca registrada da era helenística, o estoicismo foi o único produto da busca intelectual grega a assumir proporções significativas na parte ocidental do mundo romano. Cicero, Sêneca e, no seculo II, Marco Aurélio, o imperador-filosofo, foram, entre outros, os que o propagaram.
Os problemas que o estoicismo se dedicava eram aqueles que a religião tradicional não tinha conseguido resolver e com que outras filosofias estavam se debatendo. Esses problemas foram bem definidos da seguinte forma: “Como se comportar em um mundo que se tornou tao grande, e onde o homem parece tao pequeno e independente, como lidar com o ataque do destino (seja bom, seja mal), sem hesitar, como enfrentar a morte e o luto, como permanecer no controle da sua alma” (Charlesworth).
As respostas que o estoicismo forneceu a essas questões surgiram de uma perspectiva do Universo que pode ser definida como “materialismo panteísta”. “Deus é natureza, é destino, é sorte, é Universo, é a mente que tudo preenche” (Sêneca). O espaço etéreo e ardente que era considerado a substancia divina e básica do universo foi identificado com a razão ou inteligencia que constitui o homem como homem em qualquer lugar que ele esteja. O ideal ético d estoicismo era uma vida em que o homem faz o que é apenas apropriado a sua natureza. Essa “lei da natureza”é conhecida de todos os homens, em todos os lugares. O que é necessário é que os homens sejam homens ao viverem de acordo com essa razão que é a lei do seu ser. Se fizerem isso, não vão dar lugar à paixão, ao sofrimento sem motivo ou à covardia, ou a qualquer demostração de emoções; eles serão livres dentro da fortaleza de sua própria mente para seguirem a lei do seu ser e assim atingirem o alvo da “auto-suficiência”pelos camanhos gêmeos da “apatia” e da “autodisciplina”. Essa era a logica do estoicismo. Embora muito critico em relação à religião tradicional, o estoicismo conseguiu entrar em acordo com ela por meio de uma interpretação alegórica dos seus antigos e ofensivos mitos religiosos.
O uso que paulo faz de ideias como conformidade com a natureza, suficiência, coisas que “não convém” e outras semelhantes levam alguns estudiosos a argumentar que ele havia sido influenciado pelo estoicismo. Paulo certamente não era adverso a usar termos em uso comum; mas ele invariavelmente os preencha com significado ovo. As pressuposições imensamente diferentes entre o cristianismo e o estoicismo (e.g., o monoteísmo em contraste com o panteísmo) demandam que as ideias de Paulo fluam numa direção muito distante da de Sêneca. “Em muitos casos, em que os paralelos estão mais próximos, a teoria de uma conexão histórica direta é impossível; em muitos outros, pode ser demonstrada como totalmente desnecessária; enquanto em não poucos exemplos, a semelhança, por notória que seja, deve ser condenada como ilusória e falaciosa” (Linghfoot). Não é de surpreender que Marco Aurélio, apesar dos seus sentimentos elevados, tenha desprezado os cristãos e aprovado a sua perseguição
Ainda permanece uma boa dose de incertezas acerca da natureza exata do gnosticismo e de seu papel no século I. É certo que constituiu uma ameaça seria à igreja crista no seculo II. Também não há duvidas de que tenha existido no seculo I em uma forma desenvolvida. Mas a natureza exata do gnosticismo ainda é uma questão de debate entre os estudiosos. Parece ter sido essencialmente eclético, extraindo ideias de muitas fontes. Não importa se ideias gregas, orientais ou judaicas predominavam no seu amálgama final, parece claro que muitas das noções que contribuía, para ele eram moeda corrente no seculo I.
Entre essas ideias, estavam as seguintes: a base dualista de abordagem; a ideia de intermediários entre uma divindade transcendente e um mundo que, sendo material, é necessariamente mau; a enfase na redenção do elemento espiritual do homem do corpo e do mundo material em que se tornou prisioneiro; a reivindicação de que a iniciação na gnosis (conhecimento) ´e o caminho do livramento e da liberdade; o modo de vida ascética que algumas seitas gnósticas demandavam e o antinomismo que outros permitiam ou até defendiam. Essas eram ideias correntes no seculo I, algumas delas sistemas de pensamento que foram resumidos anteriormente.
Paulo teve a oportunidade de advertir contra essas coisas. O dualismo é condenado em 1Tm 4:1-5. A adoração a intermediários angelicais é reprovada em Cl 2:18 e indiretamente em Cl 1:15-17. A enfase exagerada no conhecimento é desaprovado em Cl 2:8 e 1Co 8:1-3, e o ascetismo indevido em Cl 2:20-23. O gnosticismo incipiente confrontado por Paulo parece ter tido associação com o judaísmo (Cl 2:16,17).
Ad diversas escolas de filosofia tinham os seus propagadores entre os filósofos que mascateavam seus antigos assim como faiam com frequência os mestres das religiões Paulo percebeu que era necessário fazer uma distinção entre os tais e ele e seus companheiros (1Ts 2:3-6).
Tradicionalmente havia muito espaço nos mundos grego e romano para a pratica da religião pessoal. Ela normalmente complementava a religião oficial, embora se um suplicante estivesse desapontado poderia voltar-se para a religião particular como um substituto do culto publico que a partir daí seria para ele uma tarefa puramente mecânica Visto que a religião imperial cada vez mais deixava de satisfazer as aspirações espirituais, os homens se voltaram para formas novas ou desenvolvidas de religião pessoal.
A religião pessoal podia tomar a forma das praticas da magia. Nessas praticas, as aspirações espirituais se misturavam com os pedidos mais grosseiros e vulgares de satisfação física e material. Não havia linha demarcatória bem definida entre magia e religião; a adivinhação, por exemplo, era um elemento reconhecido da segunda. Papiros de magia contendo orações e hinos eram usados (At 19:19), e maldições magicas e imprecações eram pronunciadas. O uso da astrologia e de praticas supersticiosas repulsivas fazia parte da religião popular, especialmente entre as classes mais baixas da sociedade.
Era possível conseguir acesso a deidades menos importantes, menos distantes do que as do Olimpo e os deuses do Panteão, por meio de devoções pessoais. Asclépio, deus da cura, era m predileto universal. A diana dos efésios (Ártemis) desfrutava de ampla simpatia (At 19:27). Às vezes eram usados jejuns e purificações na esperança de se obter uma visão de um deus.
Talvez a característica mais marcante da religião do seculo I, alem da difusão do cristianismo, foi a proliferação de novas seitas do Oriente, e particularmente a popularidade crescente das religiões de mistério Essas novas seitas se espalharam em grande parte por causa do fracasso da religião tradicional em satisfazer a crescente percepção religiosa de uma época que não era somente marcada por um império mundial, mas também pelo individualismo amplamente difundido.
As religiões de mistério ofereciam a salvação com base em uma revelação divina e na certeza da ajuda divina para redimir os indivíduos dessa vida por meio do “novo nascimento para a eternidade”. Purificações simbólicas e refeições sacramentais proviam a iniciação ao “mistério”e davam uma aparência de verdade e plausibilidade. Geralmente havia uma inclinação para o monoteísmo, o deus da seita sendo geralmente a divindade suprema ou seu filho, cônjuge ou amigo leal. O apelo individualista, dirigido à alma na sua solicitação, mesmo que o individuo fosse levado a uma comunidade religiosa com implicações sociais. Podia haver também implicações éticas, muitas vezes na direção de renuncia ascética.
A religião de mistério não era nenhuma inovação A adoração a Demétrio em Elêusis tinha constituído uma religião local desse tipo nos dias da Grécia antiga. Diversas religiões de mistério foram introduzidas em Roma antes do inicio da Era Cristã, embora o seculo I tenha testemunhado sua ampla difusão
Havia diferenças notórias como também características comuns nas diversas religiões de mistério A da Ísis Egípcia era “bastante difundida, polida, mistica e muito feminina” (F. C. Grant). Ísis, e não só ela, afirmava que os nomes de outras deidades eram títulos que por direito eram dela e que suas funções na realidade pertenciam a ela. Ela era a grande deusa-mãe do mundo. O ministério sagrado da sua seita era o desmembramento do seu cônjuge, Osíris, por seu inimigo Sete; a busca pelos membros espalhados empreendida pela fiel Ísis; e sua restauração As nobres procissões; os cultos nos seus templos com purificações e ofertas de incenso em vez de sacrifícios de sangue; o santuário aberto; os hinos e a liturgia sagrada; tudo isso inspirava a emoção e devoção Mattingly descreveu Ísis em muitos aspectos como um protótipo da Virgem Maria.
A adoração a Cibele, a grande mãe da Anatólia, e seu jovem cônjuge, Atis, era de um tipo bem diferente. Tinha se originado na Frigia, onde, em danças loucas hipnóticas, seus devotos tinham se mutilado em honra de Cibele e de seu amante divino. Espalhou-se por muitos lugares. EM roma, os templos de Cibele com seus sacerdotes eunucos a certa altura conseguiram aceitação, apesar do sacramento do taurobolium, em que o iniciado aparentemente recebia a promessa de novo nascimento por meio de um banho em que se encharcava de sangue de touros.
O mitraísmo, embora tenha se tornado a mais popular das religiões de mistério com apelo especial par soldados, não estava difundido antes dos seculos II e III. De origem persa, o mitraísmo estava fundamentado no mito da luta cósmica entre Ahura-Mazda, a forca da verdade e da luz, e Ahriman, a força da falsidade e escuridão Mitra paladino da verdade e da luz, tinha morto o grande touro para a salvação do mundo, e um baixo relevo no fundo da caverna, natural ou artificial, em que aconteciam os encontros da religião, retratava seus feitos. O mitraísmo oferecia uma comunidade em que os membros eram comprometidos por cerimonias de iniciação e refeições comuns à lealdade mutua. Os iniciados podiam ascender na hierarquia por vários degraus e recebiam a promessa de uma vida abençoada no alem.
As semelhanças entre as religiões de mistério e o cristianismo são obvias; as diferenças são mais significativas. Em particular, as religiões de mistério não propunham uma figura histórica como salvador. Não há provas de nenhuma influencia exercida pelas ideias das religiões de misterio sobre o cristianismo. Alias, afirma-se que é possível facilmente argumentar que houve influencia no sentido oposto.
No mundo romano, a religião passou para o âmbito do controle do Estado; não era considerada meramente uma questão de convicção pessoal. Tanto as considerações politicas quanto as religiosas exigiam isso. Por um lado, pensava-se que o favor dos deuses dependia da observância fiel do culto por todos os súditos; por outro lado, pensava-se que a integridade do império era salvaguardada pela observância universal da religião imperial. Mas roma era extraordinariamente tolerante. Contanto que um homem cumprisse com suas obrigações com a religião oficial, estava livre para escolher sua própria superstitio, desde que não fosse à religião oficial, nem politicamente subversiva, nem ofensivamente imoral. Religiões oficiais que transgrediam qualquer desse pontos provavelmente seriam proscritas, como o druidismo na Gália e na Bretanha.
A extensão da tolerância romana pode ser vista no caso do judaísmo Aqui havia uma religião que não fazia concessões no seu monoteísmo e era caracterizada pelo fervor nacionalista e o zelo proselitista. Mesmo assim, obteve um modos vivendi. Isso se deveu em parte à consideração que preservava a honra dos romanos pelo fato de os judeus oferecerem o sacrifício à sua divindade em nome do imperador. Mais importante, talvez, era o fato de que os judeus tinham importância vital para a prosperidade comercial do império. Acima de tudo, os judeus eram uma comunidade bem conectada em todo o império, e proibir seu culto teria causado problemas amplos do tipo que os romanos sempre relutavam em provocar. A tolerância garantida aos judeus era um tanto incomoda, no entanto, e podia ser colocada em risco por rebeliões judaicas ou por protestos públicos contra os judeus (At 18:2).
No inicio, o cristianismo compartilhava da tolerância concedida ao judaísmo Assim, em Corinto, Galio considerou o cristianismo uma seita daquela religião e não tomou conhecimento do novo grupo (At 18:12-17), nem Festo (At 25:25) nem Agripa (At 26:31,32) consideraram as crenças de Paulo repreensíveis Mas os próprios judeus não demorariam em causar os cristas de subersão politica ou religiosa (At 17:6,7; 18:13), e os gentios cujos interesses materiais foram prejudicados pelo crescimento do cristianismo (At 16:19-22; 19:23-28) chamaram atenção para as anomalias religiosas do cristianismo.
Antes do final do período do NT, o cristianismo, que tinha se tornado cada vez mais distinto do judaísmo, era considerado por aqueles que não tinham conhecimento intimo dos seus adeptos um movimento indesejável com base em aspectos políticos, religiosos, sociais e ate morais. Sua atitude para com a religião pagã foi apreciada suficientemente, e sua perspectiva politica e moral foi suficientemente mal compreendida, a ponto de torna=lo objeto de um misto de medo e zombaria. O enlouquecido imperador Nero, que era suspeito de intencionalmente ter colocado fogo em Roma, conseguiu desviar a atenção para os cristãos com a perseguição de 64 d.C.
Na sua primeira carta, Pedro advertiu s cristãos da Asia Menor acerca dos sofrimentos que teriam que esperar (1Pe 2:12,19ss; 3:14; 4:12ss) e os encorajou a silenciar, com a demonstração de boas obras, a ignorância dos seus inimigos que compartilhavam a sua ignorância, podemos observar, com celebrados autores romanos. (Tácito descreveu o cristianismo como uma “superstição perniciosa”, e Suetônio o chamou de “superstição novica e prejudicial”).
Próximo do final do seculo I, irromperam mais perseguições em Roma como resultado da maldade de Dominicano Em outras partes do império, e em todos os tempos, os cristãos foram expostos aos perigos da perseguição (Ap 2:13). O cristianismo não possuía sanção legal, e havia precedentes para a perseguição Alem disso, um individuo ou uma multidão hostil poderiam forcar a mão de um magistrado relutante ao criar uma situação de desordem publica, como em Éfeso no tempo de Paulo (At 19).




BIBLIOGRAFIA


ANGUS, S. The Mistery Religions and Chriistianity. Lonton, 1925.
BARRETT, C. K. The New Testament Background: Selected Documents. London, 1956.
GRANT, F. C. Hellenistic Religions, New York, 1953.
HINNELLS, J. R., ed. Mithaic Studies. 2 ., Manchester, 1975.
KEE, H. C. Miracle in the Early Christian World. New Haven, 1975.
LIGHTFOOT, J. B. Saint Paul's Epistle to the Philippians. London, 1903. (1 ed., 1868), p. 270-328.
RUDOLPH, K. Genesis. T.I. Edinburgh, 1983.
WALLS. ª F. Gnosticism. NBD [Gnosticismo, in: O novo dicionario da Biblia, 2. ed., Edicoes Vida Nova, 1995].
YAMAUCHI, E. M. Pre-Christian Gnosticism. 2. ed., Grand Rapids, 1983.