domingo, 13 de junho de 2010

História dos escritos neotestamentarios - Parte III

 Parte 1, 2, 4.



A tradição cristã teve um papel muito importante para a preservação do Novo Testamento. Hoje percebemos que os copistas algumas vezes acabaram modificando palavras, intencionalmente ou não, mas eles são os responsáveis pelos manuscritos que temos hoje. É importante lembrar que mesmo com os erros que estes copistas cometeram, deve-se levar em consideração que nenhuma doutrina essencial ao cristianismo foi afetada, afinal a maioria das variantes textuais são diferenças ortográficas, ordem de palavras e, como disse, acréscimos de palavras. Muitas vezes, por exemplo, algum copista colocava ao lado do texto algum comentário, e outro, sem perceber, copiava o texto junto com o comentário como se fizessem parte do que o autor escreveu. Também ocorria de saltarem alguma linha, ou pularem certas letras ou palavras. Isso aconteceu principalmente porque a maioria dos copistas não eram profissionais, nem sabiam realmente ler o texto em grego. Isso era muito comum naquela época. No livro O pastor de Hermas se pode ver um exemplo desse tipo de cópia. Depois de dizer para uma anciã que não consegue lembrar de tudo que ouviu, pede o livro para fazer uma cópia:

Eu o tomei e fui para outra parte do campo, onde copiei todo o conjunto, letra por letra, mesmo não sabendo distinguir as sílabas. E, ao final, quando completei as letras do livro, ele foi de repente arrebatado de minha mão; mas não vi por quem (O pastor, 5,4)

Norman Geisler comenta que:

Embora nem todos os copistas do Novo Testamento fossem escribas treinados profissionalmente, eles foram capazes de transcrevê-lo com tanto cuidado que a precisão desse processo ficou demonstrada pela nossa capacidade de determinar o texto original com um grau de precisão muito grande mais elevado do que qualquer outro livro da antiguidade

É bom lembrar que nem todos os copistas eram iletrados, e que, quando se fala de copistas profissionais, se referimos a pessoas treinadas e pagas para isso. É claro que dentre os fieis existiam pessoas letradas e que voluntariamente faziam as cópias. Mais tarde os monges também recebiam um tipo de treinamento para copiar o Novo Testamento, embora não fossem pagos para isso.

Outra forma de preservação textual que observamos hoje são as citações dos pais da igreja. De fato, somente com as citações dos pais da igreja poderíamos reconstruir grande parte do Novo Testamento. Por isso, através desses manuscritos feitos por esses copistas, as citações dos pais da igreja, também incluindo traduções para outras línguas como Etíope, Eslavo, Armênio, Copta e latim, e os estudos atuais podemos ter certeza de que a doutrina cristã foi bem preservada na sua forma escrita. Como o objetivo aqui não é provar a autenticidade (para isso existem vários estudos), penso que até aqui o que foi colocado é importante para o assunto tratado no livro.

Como podemos ver, mesmo com todos os problemas enfrentados na escrita e preservação, a tradição teve grande importância para (1) preservar a tradição oral do primeiro século, pois Jesus ensinou seus apóstolos e outros discípulos, estes além de ter ensinado outras pessoas com um ministério parecido, colocaram seus ensinamentos por escrito (2) registrar essa tradição oral em textos que eram lidos nas comunidades cristãs e desde o inicio foram considerados inspirados da mesma forma que o Antigo Testamento; (3) copiar o Novo Testamento de forma que hoje, através de sérios estudos, podemos garantir sua autenticidade. Portanto, quem nega a tradição diz que o Novo Testamento não é importante, e afirmar que somente as escrituras têm primazia é a mesma coisa que afirmar que a tradição apostólica é a única verdadeira e importante quando se trata de ensinamentos cristãos.

Isso é um passo importante, pois vimos que a tradição posterior só vai ser considerada apostólica realmente se dar continuidade a esses ensinamentos e não contradizê-los. Até porque existem tradições diferentes em algumas religiões, onde dizem que o Novo Testamento foi adulterado. Os muçulmanos, por exemplo, dizem que o que possuímos hoje sobre Jesus foi adulterado pelos cristãos convertidos do paganismo, que incorporaram crenças pagãs, como a divindade de Jesus e a Trindade, mas que não era originalmente o ensino de Jesus nem os primeiros cristãos acreditavam nisso, mas que só posteriormente estes ensinos foram decretados no Concílio de Nicéia. Certa vez assisti a um filme que mostrava o evangelho segundo os muçulmanos. Vários ensinos mostrados nesse evangelho são muito posteriores ao primeiro século e a tradição cristã mais antiga, e muito diferente também. O problema, não só nesse ensino, mas em outros também, é que querem interpretar a vida de Jesus com um pensamento pré estabelecido do que Jesus não poderia ter dito, e isso impede que se avaliem as fontes antigas com imparcialidade. Eles acabaram por aceitar como textos não adulterados pelos cristãos, não aqueles que a critica textual e um estudo sério apontam, mas os que claramente vão de encontro com sua doutrina. Citei o islã como um exemplo, porém existem muitas outras tradições religiosas que seguem este mesmo caminho. Caminho que, por preconceito e pressuposições, ignoram o que as evidencias apontam.

Quanto a esse pensamento de que os cristãos, após algum tempo, inseriram doutrinas diferentes da que Jesus ensinava e que a igreja primitiva acreditava (principalmente quando se trata da Divindade de Jesus e a Trindade), se dá pra perceber que isso não passa de um mito muito divulgado.

Mais tem algo que precisa ser tratado, e é outro ponto importante: como o Canon do Novo Testamento foi desenvolvido? Os cristãos escolheram arbitrariamente, ou os textos tiveram sua relevância e inspiração expostas de outra forma?

Autor: Jonadabe Rios

quinta-feira, 10 de junho de 2010

História dos escritos neotestamentarios - Parte II

 Parte 1, 3, 4.



Os evangelhos, as cartas apostólicas e o Apocalipse são datados entre 45 a 100 AD. Os evangelhos são anônimos, eles não se identificam como de “Mateus”, “Lucas”, “Marcos” ou João, isso foi atribuído desde a tradição antiga a eles. O evangelho que, hoje, temos mais certeza do seu autor é o de Lucas, pois foi endereçado ao “excelentíssimo Teófilo”, o mesmo que os Atos dos Apóstolos foi enviado. Esse “Teófilo”, por conta do seu significado (aquele que ama a Deus), por vezes é interpretado não como um individuo, mas a todo o cristão.

No entanto, mesmo não tendo total certeza de quem escreveu os evangelhos, a tradição primitiva é uniforme quando se trata disso, e mesmo com as diversas disputas teológicas que existiram desde o começo da igreja, não há disputa referente a isso. Craig Bloomberg cita outros motivos que reforçam a idéia de que é improvável que a igreja tenha atribuído a esses escritores para dar mais credibilidade:

Marcos e Lucas nem sequer pertenciam ao grupo dos 12. Mateus sim, mas era odiado porque fora coletor de impostos; portanto, depois de Judas Iscariotes (que traiu Jesus!), seria ele a figura mais abominável. Compare isso com o que aconteceu quando os fantasiosos evangelhos apócrifos foram escritos muito depois. As pessoas atribuíram sua autoria a personagens conhecidos e exemplares: Filipe, Pedro, Maria, Tiago. Esses nomes tinham muito mais prestígio que os de Mateus, Marcos e Lucas. Respondendo então à sua pergunta, não haveria por que conferir a autoria a esses três indivíduos menos respeitáveis se não fossem de fato os verdadeiros autores.

Sobre o evangelho de João diz que:

Não há dúvida quanto ao nome do autor: era João mesmo. A questão é que não se sabe se foi João, o apóstolo, ou se foi outro.

Já vimos, de inicio, a importância da tradição para preservar os nomes dos escritores dos evangelhos. O mesmo ocorre nas epístolas, embora algumas não se saiba realmente o autor. No entanto, o mais importante aqui não é a atribuição dos nomes de quem escreveu os evangelhos e as cartas, mas que de fato eles são documentos escritos do que os cristãos do século I acreditavam e do que os apóstolos ensinavam.
Lucas, como disse na introdução, se informou minuciosamente dos fatos ocorridos. Ele fala que utilizou de fontes orais e escritas, bem mais antigas, de pessoas que presenciaram tudo e que também se importaram em registrar. Paulo também fala de uma tradição que ele recebeu e que ele ensinou, e também escreveu (1 Coríntios 11:2; 2 Tessalonicenses 2:15; 3:6). E em 1Corintios 15 Paulo fala de um evangelho anunciado, que recebeu e que eles também receberam, continua afirmando que “primeiramente vos entreguei o que também recebi”, relatando uma tradição bem mais antiga que a primeira carta aos Coríntios (que foi escrita provavelmente por volta de 55 A.D.). É importante notar que Pedro, testemunha ocular e apóstolo de Jesus Cristo, considerava verdade cristã o que Paulo escrevia (2 Pedro 3:15).

A mesma coisa se pode perceber sobre os outros escritos do Novo Testamento, que, como foram escritos por contemporâneos, e, na sua maioria, testemunhas oculares de Jesus, eles se tratam, de fato, da tradição cristã mais antiga que temos registrado. Várias descobertas arqueológicas mostram que eles eram realmente do primeiro século, algumas delas mostram que se pode confiar no Novo Testamento como registro histórico, mas isso não é importante nesse momento.

Por fim, é importante destacar que naquela época a tradição oral tinha muito valor, mais até que o que estava escrito, e que, por várias testemunhas oculares ainda estarem vivas pelo fato de que foram registrados no primeiro século, qualquer erro que pudesse acontecer eventualmente, seja ensinado oralmente ou passado por escrito, estas várias testemunhas iriam corrigir. O que possivelmente pode ter acontecido com algum dos relatos que Lucas se baseou, avaliando o que escreveram e conferindo com quem presenciou tudo. É bom lembrar o cuidado que tinham ao preservar a tradição oral. Como a cultura palestina daquela época era basicamente oral, as pessoas desenvolviam desde cedo uma grande capacidade de memorização de textos e ensinos de sua tradição judaica. Isso influenciou muito a tradição oral cristã.

É importante ressaltar que a tradição oral daquela época é muito diferente e superior do que se passa oralmente em nossos dias. Hoje, por conta dos novos meios de comunicação e registros de informações, os fatos passados oralmente não têm muita importância. Diferente do que era para as pessoas da época.
Os judeus, por exemplo, gravavam partes completas da Tora, outros a gravavam de forma completa. Sabe-se que quando os copistas faziam uma cópia, passavam para algum rabino que tinha memorizado a Tora para conferir e corrigir algum erro, ou comparavam com a que eles mesmos tinham memorizado. Além disso, a população contava histórias de forma poética e musical, o que facilitava mais ainda essa memorização. Quando não tinham nada pra fazer, basicamente um treino de memória era feito, pois participavam de reuniões onde se contava histórias já memorizadas, passando isso pela sua tradição. Caso alguém tivesse uma tradição diferente, ou algum detalhe errado do que ouvira, outros que sabiam o corrigia.
De qualquer forma, a tradição oral não pode ser comparada com o jogo do “telefone sem fio”, como alguns fazem pra invalidá-la. Ainda hoje há casos de pessoas que memorizam histórias de cordel inteiras na segunda vez que a escutam. Craig Bloomberg diz que

“O Império Romano do século I continha somente culturas orais. Toda informação importante circulava de boca em boca. A maioria das pessoas que vivia no império era analfabeta. Os homens judeus tinham uma instrução muito maior do que o resto da população, porque muitos deles freqüentaram a escola em sinagogas locais, desde os cinco anos de idade até os doze ou treze. Eles teriam aprendido o suficiente para serem capazes de ler as Escrituras em hebraico, mas poucos teriam meios para possuir suas próprias cópias.” (Questões cruciais do NT, p. 31)

Além dessa rigorosa tradição oral (que não existia somente entre os judeus, como se pode notar), há outra possibilidade que Bloomberg observa:

“Em primeiro lugar, existe evidência de que os rabinos permitiam que os indivíduos tomassem nota depois dos ensinamentos, para facilitar o aprendizado e a memorização. Embora esta noção tenha sido satirizada, não é, de maneira alguma, irracional imaginar alguns dos discípulos de Jesus rabiscando lembretes para si mesmos depois de um dia de exposição ao seu ministério de ensinamento, para ajudá-los a recordar os pontos principais. Algo semelhante a isso parece ter sido o processo utilizado em Qumran, para preservar os ensinamentos do seu ‘Professor de Justiça’ anônimo. Em segundo lugar, o costume de Pedro, João e Tiago no livro de Atos, e nas epístolas, de realizar viagens ou fazer localização geográfica, mostra que a Igreja Primitiva desejava assegurar a exatidão daquilo que era pregado ou ensinado (Veja especialmente At 8; 15; 21; Gl 1 – 2). A igreja rescem-nascida não era uma entidade amorfa e descontrolada como muitas vezes é retratada; mas, ao contrário, era uma comunidade ‘impulsionada por objetivos’ com uma reconhecida liderança e mecanismos de responsabilidade.” (Ibid., p. 32)

Juntando o grau de importância da tradição oral com o registro dessa tradição passada em várias comunidades cristãs, que poderiam conferir e comparar o que estava escrito com o que haviam recebido, além do registro da própria comunidade de sua tradição oral (como é o caso de alguns evangelhos), ora lida em sua própria comunidade, ora copiada e repassada em outras comunidades apostólicas, dá pra notar a importância que os cristãos davam ao registrarem uma tradição mais antiga, e foi o que aconteceu com o que chamamos de Novo Testamento.

Eles presenciaram, pesquisaram, conferiram minuciosamente e registraram o que acreditavam ser a verdade cristã. As escrituras são o reflexo da tradição antiga, e não o contrário. Além disso (e por isso, também), no inicio, os cristãos não viam a necessidade de registrar, na forma atual, pois esperavam naqueles tempos o retorno de Jesus. Porem, com o tempo passando, perceberam essa necessidade, pois a importância que davam a isso foi tão grande que eles pretenderam preservar os escritos para a posteridade. Mas como isso aconteceu?

Autor: Jonadabe Rios 

terça-feira, 8 de junho de 2010

História dos escritos neotestamentários - Parte 1

 Parte 2, 3, 4.



Estarei escrevendo um pouco sobre a história do Novo Testamento e parte da tradição cristã. Acho esse tema muito importante pois irá mostrar que algumas pessoas estão equivocadas quando falam sobre a confiabilidade e autenticidade desses textos. Não digo só os céticos, mas de alguns cristãos que parecem acreditar que o Novo Testamento foi ditado letra por letra por Deus, e que foi dado tudo prontinho, o que não é verdade.

Eu acho impressionante a história da igreja primitiva, principalmente sobre o surgimento dos textos canonicos. Espero que gostem também.

Parte I

Os discípulos de Jesus, tanto judeus quanto gentios, testemunharam o fato principal da história da salvação humana. Jesus, o Messias prometido nas escrituras judaicas nos mostrou qual era sua principal missão aqui: Morrer para a remissão dos nossos pecados. Além disso, como o profeta semelhante a Moisés, Jesus nos deixou diversas explicações e novos ensinamentos com uma autoridade diferente dos demais mestres, “porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.” (Mateus 7:29). Howley declara que “durante seu ministério terreno, o Senhor mostrou a consciência do seu relacionamento singular com Deus, de sua própria autoridade. Em contraste com os mestres daquela época, ele afirmou com segurança a verdade das suas palavras, e seu direito de dizer: ‘Eu vos digo...’.”. Mas além de cumprir sua missão redentora, Jesus afirmou que, após sua ressurreição, passou a possuir o senhorio total. Ele está reinando agora, ele é o Senhor. Cesar era considerado o senhor, mas os cristãos afirmavam corajosamente que só Jesus Cristo é o senhor, essa foi uma das principais causas dos martírios. Entretanto, quanto mais eles sofriam perseguições, mais eles faziam questão de declarar o senhorio de Jesus, seja verbalmente, ou por escrito, mas principalmente com seu exemplo de vida.

    Seus discípulos fizeram questão de registrar o que aconteceu. Eles davam total importância às palavras e ensinamentos de Jesus que registraram o que até o momento fazia parte de sua tradição oral. Hoje esse conjunto de ensinamentos de Jesus escritos pelos seus discípulos são chamados de Novo Testamento. São textos que, além de explicar certas passagens do Antigo Testamento, nos falam do que aconteceu no seu tempo, das palavras de Jesus enquanto estava na terra, da causa e solução para o pecado. É um registro do que os cristãos primitivos consideravam ser a história da redenção. E isso foi realmente necessário, pois com o surgimento de heresias e outros tipos de controvérsias, se fez necessário o controle e precisão escrita.
    F. F. Bruce comenta que:

Durante os primeiros aproximadamente trinta anos após a morte e ressurreição de Cristo, não se sentiu grande necessidade de um relato escrito do seu ministério. Enquanto estivessem vivas testemunhas oculares dos eventos salvificos que pudessem falar com segurança do que tinham visto e ouvido, o testemunho de viva voz era suficiente. Até o tempo em que a boa nova foi contada por homens e mulheres que não tinham tido contato direto com Cristo nos dias da sua vida no corpo, eles sempre podiam apelar para a autoridade daqueles que tinham conhecimento de primeira mão. E essa atitude mental demorou para se extinguir. Ainda em 130 d.C., Papias, bispo de Hierápolis na Frigia, nos conta quanto era zeloso em conversar com aqueles que tinham conhecido os apóstolos e seus colaboradores, e como lhes perguntava o que os apóstolos realmente haviam dito, pois sentia que dessa forma estava em contato muito mais próximo com os fatos originais do evangelho do que poderia estar pela leitura de um registro escrito. (Comentário Bíblico NVI, p. 1486, Editora Vida)

Algumas pessoas falam que os ensinos de Jesus estão registrados somente nos evangelhos. Embora a maioria dos ditos estejam contidos nos evangelhos, isso não é verdade. Muitos dizem essas coisas pra poderem ignorar certos ensinamentos constrangedores (como se o que Jesus ensinou não fosse constrangedor). Mas tanto os evangelhos quanto Atos dos Apóstolos e as cartas apostólicas são tradições do primeiro século do que estes apóstolos, ou seus discípulos, afirmavam ter recebido diretamente de Jesus, ou, no caso de alguns discípulos, terem aprendido pelos apóstolos. É bom lembrar que alguns dos evangelhos são mais recentes do que parte das cartas apostólicas.

Os evangelhos foram escritos com propósitos diferentes entre si e entre os outros documentos cristãos. Alguns foram para relatar palavras que Jesus teria dito e que seus discípulos e oponentes também teriam afirmado. Mas isso se vê também nos outros textos. Quando Paulo fala da Santa Ceia, ele diz o seguinte:

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.”

Não há diferença nenhuma no que o que os evangelhos atribuem a Jesus e o que Paulo atribuiu a Jesus, no que diz respeito à afirmação de ter recebido isso de Jesus. Ambos afirmam que estas eram palavras (não necessariamente exatas) de Jesus. Ele diz que recebeu do Senhor, e passou para a comunidade. Depois, relata o que, segundo essa tradição, foram palavras de Jesus. Existem outras partes, como Hb 2:3; At 10:39,49; At 4:18:20; 1Jo 1:1,2. No Novo Testamento, pra quem lê atentamente, partes assim não são incomuns.

Também é bom lembrar que Jesus passou alguns anos ensinando os apóstolos e outros discípulos com sua doutrina. Como ele ensinou em diversos lugares e cidades, é lógico crer que ele repetiu doutrinas e parábolas. Essas doutrinas e parábolas foram registradas nos evangelhos, mas vários desses ensinamentos diretos de Jesus, pelo que os apóstolos afirmavam, estão contidas nessa tradição primitiva que foi depois registrada em documentos e lida nas comunidades cristãs. Por isso é razoável concluir que, segundo a tradição cristã, tanto os evangelhos quanto os outros documentos cristãos contém ensinos que as comunidades da época afirmavam ser de Jesus.

Atualmente podemos saber que o Novo Testamento foi preservado de forma extraordinária, e que são escritos autênticos do primeiro século com objetivos e destinatários diferentes, mesmo não possuindo os registros originais, mas diversas cópias manuscritas. Mas isso não impede que, com a critica textual, se possa estar muito próximo do que os escritores do Novo Testamento escreveram, garantindo assim sua autenticidade. Alguns autores, como Bart Erhman, com seu famoso livro “O que Jesus disse? O que Jesus não disse?” [1], insistem em dizer, com ajuda da mídia sensacionalista, que não possuímos os originais e o que temos são “só cópias, de cópias”, como se isso fosse alguma novidade. Ora, se não existem os originais, como ele cansa de dizer, como saber que tal variação é a mais próxima? Norman Geisler escreve que “Embora haja muitas releituras variantes nos manuscritos do NT, há uma multidão de manuscritos disponíveis para a comparação e correlação dessas leituras para chegar à leitura correlata. Por meio do estudo comparativo intensivo das leituras em 5.686 manuscritos gregos (existem cerca de 24.000 cópias, completas ou parciais, de outras línguas, incluindo o grego), os teólogos eliminaram cuidadosamente erros e adições de copistas ‘bem intencionados’ e discerniram quais manuscritos são mais precisos.”. [2] Trataremos um pouco sobre este assunto.

Hoje o debate está na confiabilidade dos escritos, ou seja, se o que eles escreveram é historicamente verdadeiro e não apenas parábolas cristãs que a igreja primitiva atribuiu a Jesus. Isso principalmente quando se trata do Jesus histórico.

Alguns textos foram escritos para comunidades cristãs especificas, porém com o ensino relevante para as demais igrejas, outras não se sabem os destinatários, no entanto sabemos que circulavam nas igrejas e eram atribuídos a algum apóstolo ou discípulo seu. Como Norman Geisler disse, “nesse momento, precisamos esclarecer um conceito errado muito comum sobre o NT. Quando falamos nos documentos do NT, não estamos falando de um único texto, mas de 27 textos. Os documentos do NT são 27 documentos diferentes, escritos em 27 rolos diferentes, por nove autores, num período de 20 a 50 anos. Esses textos específicos desde então foram reunidos em um único livro que hoje chamamos de Bíblia. Desse modo, o NT não é uma fonte única, mas uma coleção de fontes.” (Não tenho fé suficiente para ser ateu, p. 230)

    Sabemos também que eles trocavam liam as cartas em suas comunidades, e passavam umas para as outras o que os discípulos de Jesus escreveram. Paulo fala aos colossenses que “quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também.” (Cl 4:16).

Essa tradição de considerar o Novo Testamento como palavra de Deus foi preservada e é ensinada pelos pais da igreja, e dá pra perceber que eles davam o mesmo valor atribuído ao Antigo Testamento. E isso, como foi visto, fez parte da tradição posterior:

Clemente de Roma, em sua Epístola aos coríntios (c. 95-97), chama os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) “Escrituras”. Ele emprega também as expressões “disse Deus” e “Está escrito”, a fim de indicar passagens do Novo Testamento (cf. caps. 36 e 46). Inácio de Antioquia (110 d.C.) escreveu sete cartas, nas quais fez numerosas citações do Novo Testamento. Policarpo (c. 110-135), um dos discípulos do apóstolo João, fez muitas citações dos livros do Novo Testamento em sua Epístola aos filipenses. Ás vezes, esse autor introduz tais citações como “dizem as Escrituras” (cf. cap. 12). A obra denominada O pastor, de Hermas (c. 115-140), foi escrita em estilo apocalíptico (visões), semelhante ao de Apocalipse, com inúmeras referências ao Novo Testamento. O didaquê (c. 100-120), ou Ensino dos doze apóstolos, como às vezes é chamado, registra muitas citações livres do Novo Testamento. Papias (c. 130-140) inclui o Novo Testamento num livro intitulado Interpretação dos discursos do Senhor, mesma expressão usada por Paulo em referencia ao Antigo Testamento, em Romanos 3:2. A chamada Epístola de Diogneto (c. 150) faz muitas alusões ao Novo Testamento sem um título. (Introdução bíblica, Norman geisler e Willian nix).


    Em que época, como, por quem e para quem (ou quais comunidades), eles foram escritos? Como sabemos que o Novo Testamento é um registro dos cristãos do primeiro século? E de que forma essa tradição escrita foi preservada?


Notas

1 - Que recomendo a leitura, mas não somente essa, pois penso que a sua conclusão foi forçada.
2 - Enciclopedia apologetica, p. 650


Autor: Jonadabe Rios

Já decidimos! O testemunho de duas iranianas.

Maryam, 27, e Marzieh, 30, foram presas pela primeira vez no dia 5 de março de 2009, por abandonarem o islamismo. As autoridades iranianas as mantiveram na solitária da prisão de Evin, desprovidas de tratamento médico, vendadas e passando por longos períodos de interrogatório. Recentemente, foram transferidas para uma cela lotada. No momento da audiência, o promotor público, Haddad, perguntou para Maryam e Marzieh sobre a religião delas e disseram para elas desistirem de sua crença em Cristo. Quando ele questionou se eram cristãs, elas responderam: “Nós amamos Jesus.” Então, ele repetiu a pergunta, e elas disseram: “Sim, nós somos cristãs.”

Quando o promotor afirmou: “Vocês eram muçulmanas e se tornaram cristãs”, elas responderam: “Nós nascemos em famílias muçulmanas, mas não somos muçulmanas.”

Durante o interrogatório, quando elas fizeram referência a como Deus as confrontou pelo Espírito Santo, o promotor disse: “É impossível Deus falar com os seres humanos.”

Então, Marzieh perguntou: “Você está questionando o poder soberano de Deus?”

Ele respondeu: “Você não é digna de que Deus fale com você.”

Marzieh disse: “Não é você, e sim Deus, que deve dizer se sou digna ou não.”

Antes que a audiência acabasse, o promotor disse para que elas pensassem na opção de retornar ao islamismo, mas Maryam e Marzieh responderam: “Nós já nos decidimos.”

Depois disso, elas foram enviadas de volta para a prisão até decidirem desistir de sua religião. Apesar de a acusação pedir a mesma sentença dada em casos de apostasia, o juiz não pronunciou nenhum veredito.

Cinco meses de abuso e maus tratos causaram danos à saúde de nossas irmãs. Elas perderam peso e não receberam atendimento médico. Marzieh sofreu de dores na coluna, infecção dentária e fortes dores de cabeça.

"Não negaremos nossa fé. Se vamos sair da prisão, queremos fazê-lo com honra", elas disseram ao juiz.

Em 18 de novembro de 2009, Maryam e Marzieh foram libertadas da prisão. No entanto, a provação ainda não tinha terminado para as duas. Apesar de soltas, as acusações que sofriam ainda não haviam sido descartadas e, em abril, Maryam e Marzieh foram convocadas para outra audiência.

Após um mês de espera ansiosa por um veredito, finalmente a notícia de que em 23 de maio de 2010 todas as acusações contra Maryam e Marzieh foram retiradas.

Mesmo assim, elas fugiram para um país desconhecido, onde teriam a liberdade de praticar sua fé, depois de terem sido avisadas pelas autoridades judiciárias muçulmanas do Irã de que qualquer futura atividade cristã no Irã seria severamente punida.

"Somos muito gratas a todos que oraram por nós. Eu não tenho nenhuma dúvida de que Deus ouviu as orações de Seu povo. Eu acredito que nossa prisão e subsequente liberdade estavam no tempo e plano de Deus, e que tudo foi para a Sua glória. Mas as orações do povo encorajaram e nos sustentaram nesse momento tão difícil."

E pensar que tem crente desistindo da fé e do chamado porque ninguém lhe deu "bom dia"...


Fontes:
Resumo da ópera; Portas abertas; IRANIAN.COM

Outros relatos:

- http://porquecreio.blogspot.com/2010/01/ex-muculmano-que-conheceu-jesus.html
- http://porquecreio.blogspot.com/2010/01/conversao-de-um-muculmano-cristo.html

Penso que a conversão de alguns cristãos ao islamismo que ocorrem aqui no Brasil e em alguns outros países se deve a falta de entendimento das bases cristãs. Mas é questão de tempo pra que isso mude.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Historia de Jesus e a Nossa - Por Wolfhart Pannenberg

A fé cristã está ligada de um único modo com um acontecimento passado. Não há outra religião em que a pessoa histórica do seu fundador seja a base que suporta todas as coisas ou então seja o único apoio que, caído, todas as coisas podem cair com ele. Se omitirmos da mensagem crista qualquer relato das atividades terrenas de Jesus e do destine da crucificação e morte, nada especificamente cristão restaria. Em particular, o ensino de Jesus não pode, em si mesmo, ser o terreno e conteúdo da fé. O caráter e significado especifico da fé depende da autoridade de Jesus declarado por si mesmo em sua situação histórica particular, através da interpretação da lei de Moises e da proclamação do advento do reino de Deus com uma fé singular. A reivindicação implícita em seu ensino gerou o escândalo que o levou a execução.

Somente a luz desses acontecimentos a forma peculiar de seus ensinos torna-se mais clara. E não apenas o significado, mas a validade dos ensinos de Jesus tem seu terreno exclusivamente em sua morte e em particular na sua ressurreição, pois a ressurreição poderia ser entendida como a autenticação divina do homem que os judeus haviam rejeitado como blasfemador. Sem a ressurreição, a interpretação da lei teria continuado como um cross-over statement e o anuncio iminente do final do mundo teria sido um erro por causa das circunstancias da época. O ensino de Jesus e verdadeiro, não isoladamente, mas apenas como um elemento no seu destino da vida. A fé crista esta completa e totalmente vinculada àqueles acontecimentos históricos há quase dois mil anos e com seu total significado, Não existe verdade independente daqueles fatos. Isso foi apenas através daqueles eventos que o Deus de Israel mostrou-se ao mundo que ele era o verdadeiro Deus. Consequentemente, nossa fé em Deus esta precisamente vinculada aos eventos que constituem o destino da vida de Jesus de Nazaré.

1.    Fé e entendimento

Vimos que a fé crista constrói sua esperança na verdade de um evento que ocorreu em um passado distante. Portanto, todas as coisas naturalmente dependem da obtenção de um conhecimento confiável e preciso desses eventos. A fé não pode substituir aquele conhecimento. Teria de ser uma fé negligente e sem esperança que tenta garantir a realidade de seu terreno a partir de suas fontes. Demonstrar exclusivamente a decisão de fé em resposta à questão da verdade da mensagem crista seria reduzir a fé a um absurdo. A fé pressupõe uma base: alguma coisa que continuamente prove ser uma verdade contra todas as duvidas. Isto e a informação dos eventos que juntos constroem o destino da vida de Jesus.

A ressurreição de Jesus tem um significado especial entre aqueles eventos. Nesta conexão Paulo diz: "E, se Cristo não ressuscitou, inútil e a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados" (I Co 15:17). A razão pela qual tal importância decisiva e vinculada à ressurreição de Jesus não e o caso de qualquer mera ressurreição da morte, mas aquela pessoa que ressuscitou foi Jesus de Nazaré cuja execução foi perseguida pelos judeus desde que julgaram que ele havia blasfemado. Se este homem ressuscitou da morte, e evidente que o Deus do Israel, contra quem eles supunham haver ele blasfemado, o reconhecera. Nossa fé e baseada naquele evento. A confiança em que Deus ressuscitou Jesus, chamamos fé, a qual pressupõe um conhecimento de eventos nos quais a esperança da nossa futura ressurreição e fundamentada. Aquele conhecimento e uma questão de razão. Consequentemente, em I Corintios Paulo cita como uma prova da credibilidade dessa informação a lista de testemunhas que experimentaram as manifestações do Cristo ressurreto.

Apenas quem tem tal conhecimento pode confiar no Deus que ressuscita da morte. Devemos redescobrir a coragem para enfrentar aquele fato. Devemos aprender novamente que a fé tem suas pressuposições, as quais não são instantaneamente garantidas por uma 'decisão de fé', mas são abertas ao julga-mento da razão. Somente pelo repetido aprendizado não ficare-mos excessivamente ansiosos — como muitos são — a respeito da nossa identidade crista. Então, a verdade universal do evento que da vida a nossa fé será revelada como a verdade que ilumina e aperfeçoa o mundo.

2. Investigação histórica.

Como podemos obter uma confirmação confiável a respeito da morte de Jesus? Como reconhecemos Jesus de Nazaré através da sua autoridade proclamada pelos requisitos de Deus e enfermidades saradas, e também por seu anuncio iminente do fim do mundo e do advento do reino de Deus? Como sabemos que ele foi reconhecido como um blasfemador, executado e levantado da morte? Isso e algo que somente podemos aprender da mesma maneira que conhecemos outros eventos do passado. Este conhecimento nem sempre é, mas pode ser, freqüente, como no caso do nosso entendimento de Jesus, apoiado por relatos distintos, testemunhos humanos e tradições escritas. Porém, nenhuma tradição pode ser aceita como verdadeira sem um exame. Isso seria contrario a toda razão, pois há algo errôneo na nossa tendência a tradição, para não dizer mentiroso.

Uma pessoa que lê um jornal e ocasionalmente compara seu conteúdo com outro jornal sabe que mesmo os artigos verdadeiros são sempre parciais e necessariamente seletivos. Os fatos nunca podem ser compreendidos e comunicados apenas de um ponto de vista particular, A influencia de uma abordagem especifica na seleção e apresentação e mais forte quando o. único objetivo do artigo não e a narrarão dos fatos, mas há também outros objetivos, como, por exemplo, a interpretação dos fatos. Se tivermos uma tradição e quisermos chegar a uma afirmação verdadeira dos acontecimentos, não e suficiente decidir se estamos tratando com uma mentira pura ou um artigo consciencioso. Sempre devemos questionar os interesses que levaram a produção deste artigo em particular. Se levarmos em consideração apenas o interesse realmente envolvido em cada caso chegaremos, então, a verdadeira declaração.

Tentei então sublinhar o procedimento de investigação histórica. Ele pode ser comparado à conduta de uma investigação criminal. Um bom detetive simplesmente não acreditara em uma ou outra testemunha, mas buscara sinais que Ihe darão pistas da verdadeira declaração dos acontecimentos. Também utilizará as declarações das testemunhas como indicativos que o ajudarão a chegar a sua própria conclusão do que e declarado, e dos fatos que não estão revelados. Dessa maneira, o detetive reconstruirá o curso dos eventos. Em principio, as pessoas fazem a mesma coisa quando querem estar certas a respeito de um incidente dentro do seu circulo de relacionamento. Um historiador faz o mesmo. Entretanto, um historiador precisa de muito mais informações objetivas e complexas para esclarecer um incidente porque a matéria esta em um passado distante.

As conclusões das investigações históricas nunca são completamente incontestáveis. Elas sempre são mais ou menos prováveis e podem ser mudadas através de novas descobertas e novas abordagens do problema. Todavia, a certeza que e afirmada pela historia e a maior que podemos ter dos eventos passados. Se a fé crista pressupõe informações a respeito dos eventos de um passado distante, então ela pode ganhar a maior certeza possível em relação àqueles eventos somente pela investigação histórica.

3 - Super-historia?

Atualmente os teólogos cristãos têm discutido se os eventos que constituem o destino de Jesus de Nazaré, que são fundamentais a fé, devem e podem ser conhecidos através das investigações históricas. Eles também discutem que as conclusões das investigações históricas têm de conter o campo da fé cristã. Há uma grande suspeita da investigação histórica. Sua aplicação às tradições bíblicas parecia estar levando a destruição à base da fé. Em particular, Jia, hoje, muitos estudiosos que acreditam que a ressurreição de Jesus não pode ser um fato histórico. Existem poucas analogias para um evento desse tipo; ele é anormal demais para o historiador ser capaz de sensatamente assumi-lo como um fato. Somente a fé — ela e reivindicada aqui — pode assumir o risco de confiar em tal fato anormal e leva-lo em consideração. Mas já vimos que a fé não pode garantir a certeza dos eventos do passado.

Esses acontecimentos devem ser assumidos como históricamente incontestáveis. A fé crista seria uma péssima autoridade se a ressurreição de Jesus não fosse realmente um fato histórico. Alem disso, como insistiu Paulo, a nossa fé seria em vão. Entretanto, as objeções contra o fato da ressurreição ser vista coco um evento real do passado não são propriamente históricas. Elas surgem não só do caráter dos relatos da ressurreição como da hipótese do historiador não conseguir aceitar um evento anormal como um fato. Isso e um argumento histórico. O carater incomum de um evento não e necessariamente um argumento contra a sua realidade. Na verdade, qualquer evento na historia é mais ou menos único. Apenas se os relatos das aparições do Cristo ressurreto fossem explicados como mito ou pura lenda, ou se fossem demonstradas claramente as marcas das experiências visionarias subjetivas, sem apoio subjetivo, e que se poderia contestar historicamente a realidade da ressurreição de Jesus. A mera anormalidade de um evento não e uma razão suficiente para negar a sua realidade. Uma vez que os argumentos citados não são obviamente apresentados, não existe hoje uma conclusão objetiva contra a hipótese de que a ressurreição de Jesus seja um fato histórico. E sem esta hipótese fica difícil explicar o aparecimento da comunidade cristã de uma maneira historicamente convincente.

Por causa do perigo aparente dos fundamentos da fé a partir de uma investigação histórica, a teologia se permitiu nos últimos cinqüenta anos tomar um atalho desastroso. Foi feita uma tentativa a fim de encontrar uma proteção. A historia de Jesus tem sido descrita como uma 'super-historia', a 'historia da salvafao’ ou 'a historia principal', opondo-se a 'historia normal'. Os estudiosos do Novo Testamento em geral acostumaram-se a falar apenas da fé Pascal da comunidade primitiva em vez dos eventos da ressurreição de Jesus. Nessa conexão me limitarei a observação que não há nenhum tipo de conhecimento dos eventos passados que passam pelo conhecimento histórico. Somente porque a ressurreição de Jesus é um fato histórico e um fundamento estável há fé no Deus que o ressuscitou. Os cristãos devem crer que a realidade da ressurreição de Jesus constantemente apoiará o teste da investigação histórica e aquela dúvida histórica constantemente será superada com o progresso da investigação. Mas não haverá 'abrigos' para a fé. Se houvesse, a fé não poderia ser fundamentada em fatos históricos. O fato da morte de Jesus, na qual Deus manifestou-se, permanece aberto a duvida histórica e é uma parte essencial do fato de Jesus ter sido realmente um homem.

4. A unidade da história.

No inicio, disse que a fé crista tem ligação estreita com o destino da vida de Jesus. Também. disse que a fé pode ser apenas uma questão de acontecimentos que podem ser descritos por um historiador. Agora, tenho que dar o significado do que foi dito, ma is precisamente, de outro angulo. A morte de Jesus, como o campo da fé, tem seu significado não isoladamente em si mesma, mas dentro do contexto da historia do povo de Israel. O Deus de Jesus, a quem ele invocou como Pai, foi o Deus de Israel. Jesus interpretou os mandamentos que foram transmitidos como os mandamentos do Deus de Israel. A expectativa de Israel que o inicio do reino de Deus estava próximo foi também a expectativa de Jesus e o conteúdo da sua mensagem.

Jesus, juntamente com sua mensagem e sua fé, pertence a historia em que o povo de Israel, desde sua origem, era consciente de que estava no caminho de Deus. E esta historia nos liga, os contemporâneos, com a morte de Jesus, pois a historia de Deus, que começou com a libertação de Israel do Egito e seu estabelecimento na Palestina, não findou com a ressurreição de Jesus. Ela transformou-se, então, em uma historia da propagação da fé crista, uma historia da missão crista. Por isso as nações do Ocidente foram persuadidas pela historia do Deus de Israel, receberam dela a missão histórica mundial, e ainda são parte de uma historia com o Deus da Bíblia. Apenas com essa visão a historia do Ocidente e uma continuidade de eventos, os primórdios desses acontecimentos tem ligação estreita com o povo de Israel.

A unidade dessa historia esta fundamentada na unidade do Deus que se tornou o Deus de Israel, e através de quem toda a historia do Ocidente e determinada, seja na fé ou na descrença. Portanto, gostemos ou não, todos estamos intima-mente ma is ligados com a historia de Israel do que, por exemplo, com os nossos progenitores germânicos. Apenas pela mediação do cristianismo estamos ligados com a Antiguidade. O espírito europeu é muito mais profundo e permanentemente marcado pelo cristianismo do que parece ser se o olharmos de um modo rápido e superficial Ate mesmo a liberdade do homem moderno e sua tecnologia em relação ao mundo e um efeito do espírito bíblico: Isto e, uma conseqüência do fato de que o Deus bíblico e livre fora do mundo e que o próprio mundo interrompe o divino. E verdade que a era moderna e largamente caracterizada pela apostasia do cristianismo. Porém, ate mesmo a sua apostasia não escapou das hipóteses cristas.

5. A consciência ocidental da história.

A unidade da nossa historia com a historia antiga de Israel através da morte de Jesus ficou mais clara devido a compreensão do mundo como historia da humanidade que começou através do Antigo Testamento, e o pensamento histórico que surgiu disso. Todas as outras religiões antigas vêem o mundo como uma ordem cósmica, fundamentada na ordem dos deuses, sobre as quais os mitos fazem seus relatos. Os eventos são significativos para essas religiões terrenas apenas a medida que a ordem divina eterna reflete-se nelas. Foi diferente em Israel, quanto mais o caráter especial de seu pensamento que se amoldou no curso da sua historia.

O Deus de Israel não esta vinculado com a ordem do mundo, mas confronta o mundo com a sua liberdade. A liberdade de Deus esta imediatamente evidente pelo fato dele trazer a tona a emergência do que e novo e inesperado. O Israel antigo não olhou para uma ordem eterna do mundo, mas para o futuro que seu Deus criou. As promessas de Deus, para as quais Israel viveu, foram dirigidas para o futuro. Foi somente como resultado disso que o tempo ganhou sua direção irreversível, da promessa ao cumprimento. Nos livros históricos mais velhos a tensão da promessa e cumprimento compreendeu apenas parte dos eventos no curso da historia do mundo, como na narrativa que descreveu como Salomão sucedeu o trono de Davi. No final, na literatura apocalíptica, Israel viu os acontecimentos mundiais como um todo, da maneira como Deus via, com um alvo final. Este derradeiro cumprimento agora não era esperado como o evento da ressurreição cios mortos.

Apenas sob esse angulo, dentro da estrutura daquela concepção da historia que permaneceu valida tanto para as testemunhas do Novo Testamento como para o antigo Israel, a importância da ressurreição de Jesus pode ser completamente valorizada. O objetivo de toda a historia — a saber, a ressurreição dos mortos — já veio em Jesus, uma vez que Deus o ressuscitou. Para nos, o fim ainda esta por vir. Nossa ressurreição ainda não aconteceu. Para o mundo, a historia ainda não esta completa. Esta e ainda a nossa situação. Este e o significado da ressurreição de Jesus para nos. Nele o final da historia do mundo já esta completa: um fim que também nos espera, mas para nos ele ainda esta escondido no futuro. Somente através do entendimento bíblico do mundo como uma historia divina que tem um objetivo — o final do mundo — e que o significado da morte de Jesus se torna inteligível.

Todo pensamento histórico ocidental tem origem na compreensão bíblica do mundo como historia. Os filósofos modernos da historia emergiram dentro de um processo da secularização da compreensão bíblica de toda a realidade como historia. Agora o homem deveria ser o condutor da historia do mundo em lugar de Deus. A unidade da historia não deveria mais ser fundamentada em sua direção pela providencia divina, mas na unidade da humanidade em evolução continua para um estado maior. Mas se o homem e não mais Deus deve ser o seu condutor, então a historia esta limitada a perder sua unidade. Pois a humanidade existe apenas na multiplicidade dos seres humanos individuais. Uma vez que o homem e feito condutor da historia, e impossível continuar em qualquer unidade interior dessa historia. Mas, com a quebra da unidade da historia, hoje somos ameaçados com a perda completa da consciência histórica. Em questão de tempo, apenas no Deus da Bíblia, que e a unidade da historia da humanidade e a herança da nossa historia ocidental, haverá garantia.


6. A verdade da esperança da ressurreição.

A concepção bíblica da historia universal pressupõe a expectativa apocalíptica de uma ressurreição da morte futura e geral? Vimos que essa expectativa forma um único pano de fundo contra o qual a ressurreição de Jesus pode ser vista em seu significado completo como a erupção da consumação de toda a historia. Porém, não e uma expectativa deste tipo, a qual deve ser contada entre as hipóteses antropológicas da fé crista, que o homem do século vinte reclama?

Creio que uma investigação moderna na natureza humana torna mais fácil a visão de como a verdade dessa expectativa e razoável. A abertura do homem para o mundo, transcendendo qualquer situação que surja no mundo, pode ser compreendida hoje somente em termos da expectativa de uma ressurreição. A expressão 'abertura ao mundo' implica que aquele homem tem um destino infinito: de um modo diferente isso já era conhecido nos primórdios e por essa razão os filósofos constantemente assumiam uma vida apos a morte. A tradição filosófica entendeu seu destino, transcendendo a morte por ser a alma infinita e imortal.

Essa idéia nos parece estranha, uma vez que a nova antropologia trouxe a unidade de todos os acontecimentos mentais com os processos corporais e então não somos mais capazes de pensar como uma alma sem um corpo. Por esta razão, não mais concebemos o destino infinito de um homem alem da morte em termos da imortalidade da alma — if at all — apenas como uma ressurreição. Hoje seria possível redescobrir uma nova luz quanto a verdade da hipótese antropológica a respeito da concepção da historia bíblica do apocalipse: a expectativa da ressurreição dos mortos. A ressurreição de Jesus e interrompida como algo inteligível, embora seja historicamente atestada como um milagre, Ela, então, se torna novamente inteligível como a interrupção da consumação da historia, a qual para nos ainda esta por vir, mas para Jesus já aconteceu. Portanto, nosso vinculo com a morte de Jesus, com suas falas, seu sofrimento e cruz, também garantem nossa participação futura no que já apareceu apenas em Jesus, e também compartilhar a vida da ressurreição, na qual o destino do homem alcança a sua consumação.


www.soluschristusbr.com

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Reflexões sobre o vaso e o Oleiro.



"[...] vaso entre os vasilhames de terra! Acaso diz a argila ao oleiro: Que fazes? Acaso diz a obra ao operário: És incompetente?"

Se Deus existe, o conhecimento dele é muito maior do que podemos imaginar, é tanto que com nossa razão nunca vamos poder compreender Deus completamente. Nós mal conseguimos compreender o que podemos ver, mal podemos entender de coisas finitas, e vamos questionar o que tem sabedoria infinita?

A comparação entre nós e Deus foi de um vaso e o oleiro. Nosso conhecimento em relação as coisas no mundo pode ser comparada dessa forma, então, com o conhecimento de Deus. Não foi uma comparação de um pai para o filho, ou de um ser humano para com um animal. Mas de um vaso (objeto sem vida) com o oleiro (ser com vida, inteligente e com capacidades que o vaso nem pode imaginar).

O vaso não pode saber nem experimentar do conhecimento do oleiro, assim como nosso conhecimento não é o mesmo que o do Eterno. Nós (Os vasilhames da terra) não podemos nem sequer compreender como é ser o Oleiro (Deus). O vaso não tem consciencia de nada, muito menos dos propositos do oleiro, assim como nós não temos a mesma consciencia que Deus.

É muita prepotencia do vasilhame finito, que pode rachar com uma queda, achar que pode confrontar a sabedoria e conhecimento eternos de Deus.

Com nosso caso foi o seguinte: Deus nos revelou que é bom, que é justo, que é santo e todo poderoso. Tem fé nisso quem quiser. A palavra de Deus fala que tudo vai ter uma explicação, tudo tem uma finalidade boa. O mal permitido em determinado periodo de tempo vai proporcionar um bem eterno.

Como entender? Eu não entendo, eu aprendo e vou entender isso tudo no final.

Muita coisa ruim aconteceu comigo e que no final não foi ruim de fato, apenas considerei ruim no momento. E isso acontece com todo mundo.

Autor: Jonadabe Rios

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quem é cristão?




Hoje em dia várias religiões se intitulam cristãs, duvido que fariam isso no tempo primitivo da era cristã. Um bom exemplo de religião que se diz cristã é o espiritismo, mas os principais pontos de diferenças são grandes: a ressurreição final dos mortos, a condição humana, justificação pela fé e o objetivo da morte de Jesus são alguns exemplos. Quero fazer alguns comentários sobre esse tema.


Quem acha que ser cristão é somente amar ao próximo está muito enganado.

Os cristãos antigos consideravam muito importante o credo da pessoa, pois o que cremos influencia nas nossas atitudes em relação a Deus e aos homens.

Mas pode se chamar cristão quem quiser, inclusive os espíritas, o problema é que as crenças do espiritismo não são as mesmas daqueles a quem se deram esse nome de cristãos e que morreram na boca dos leões.

Quem morria nas bocas dos leões é quem chamava Jesus de o Senhor e acreditava que mesmo morrendo eles ressuscitariam, tinham a certeza de que estavam salvos e não precisavam de evolução, não os que acreditavam que pagariam seus próprios erros em outra vida e que Jesus era apenas um bom mestre, não o SENHOR da sua vida.

Inacio, por exemplo, achava o seguinte:

Estou condenado com bestas selvagens por terra e mar, dia e noite, sendo atado a dez leopardos, o numero da companhia de soldados que, mesmo quando tratados com gentileza só agem com grande ferocidade. Mas em meio a esses iniquidades, estou aprendendo. Mas não sou por isso justificado. Que eu seja beneficiado por aquelas feras que estão prontas para mim, e também oro para que me encontrem rapidamente e que eu possa também atraí-los e agradá-los para que me devorem logo e não tenham medo de mim como têm alguns a quem não tocam. Mas, caso não se disponham, vou força-los. Perdoai-me: sei qual a vantagem que isso dará. Agora começo a ser discipulo. Nada, nem as coisas visíveis, nem invisiveis, instigam minha ambição, contanto que eu possa ganhar a Cristo. Seja fogo, a cruz, o assalto de feras selvagem, o rasgar de meus ossos, o quebrar de meus membros, os ferimentos em todo corpo, que as torturas do Diabo me assaltem, que eu ganhe somente a Cristo Jesus."


Ele não tinha medo da morte não porque ele teria outra vida em outra encarnação, ou porque aquilo serviria de pagar algo que ele merecia, mas pra mostrar que Jesus era realmente seu SENHOR.

Olhe a crença desse chamado cristão que tinha Jesus como SENHOR:

Mas sei e creio que ele foi visto após a ressurreição e que disse aos que chegaram a Pedro: "Tomai, apalpai-me e vede que não sou um espírito sem corpo", e imediatamente tocaram nele e creram.

Estas citações foram feitas por Eusébio, na edição da CPAD estão nas paginas 113 e 114.

Se alguém quer se considerar cristão e não acredita na tradição apostólica e no que esses apóstolos ensinaram, pode se considerar, fique a vontade, mas não pode se considerar seguidor dos ensinos de Jesus.

O ensino de Jesus não era apenas "amar ao proximo", foi muito mais do que isso. Foi sobre o homem e sua condição, as consequencias de sua morte e ressurreição.

Eu não me considero muçulmano só porque acredito em alguns ensinos de Maomé, como de que Deus é um, nem espírita porque acredito que Deus é amor.

Esses discípulos de Jesus que foram chamados de cristãos acreditavam que Jesus cumpria as profecias e os ensinos do Antigo Testamento, e que Jesus veio nos dar novos mandamentos e nos ajudar nesta interpretação dos textos antigos. Eles ensinavam que a sua morte foi pra nos salvar, e que o próprio Jesus disse isso.

Eles afirmavam que a partir da ressurreição física e corpórea de Jesus a nova criação de Deus e restauração do mundo começou. Eles agora tinham a certeza de que Deus não tinha abandonado o homem em seus próprios pecados nem o mundo por causa do pecado. Deus prometeu, por isso vai cumprir, alias, segundo eles, Deus já está cumprindo.

E nós podemos fazer parte dessa restauração transformando o presente à luz do futuro, não esperando uma evolução espiritual.


Outra diferença é que não há evolução do homem em relação a Deus, por um simples motivo: um morto não evolui, um morto não faz nada.

O ser humano, segundo esses cristãos primitivos, é morto espiritualmente, e se não for a graça de Deus para regenera-lo ele continuaria morto em seus próprios enganos e atitudes contra Deus.

Por isso a evolução espiritual só é lei universal para quem acredita nisso. Para a tradição apostólica o homem está preso na lei do pecado e só pode ser livre pela graça. Então não é lei da evolução, é a regeneração.

O homem morto se torna vivo, ele renasce. Quem antes era escravo do pecado agora é livre em Cristo Jesus.

O conjunto de crenças do espiritismo tem lógica em si mesmo, mas a partir do momento em que se dizem seguir Jesus caem em contradição, porque além de Jesus não ensinar somente o que vivem destacando (como amar ao proximo), nos mostrou coisas diferentes da doutrina espírita.

Se quiserem dizer que os escritos foram adulterados e que os espíritos revelaram o que Jesus realmente ensinou, fiquem a vontade também.

Mas não são afirmações baseadas em evidencias. A tradição cristã nesse sentido é sólida, e as novas descobertas sobre a bíblia contrariam isso. Nesse caso, então, os espíritas estariam fazendo um salto de fé cega.

Se ser cristão é só amar ao proximo, ok, considere-se cristão quem quiser. Mas para aqueles que tiveram seus ossos despedaçados nas bocas das feras, e que foram chamados de cristãos pela primeira vez, ser um discipulo de Jesus nao era somente dizer que se deve amar ao proximo.

Isso serve também para os que se dizem cristãos e participam de reuniões evangélicas e católicas, por exemplo. No que você acredita? O que você acredita faz parte dos ensinos de Jesus passados pela tradição apostólica? Sua vida é um reflexo de seu credo?

Autor: Jonadabe Rios

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Podem os naturalistas confiar em suas mentes?

Um questionamento interessante feito por William Lane Craig. É uma questão que os naturalistas tem que responder, e normalmente ignoram (isso quando entendem a questão). O argumento fica mais forte ainda se lembrar que nossa razão é limitada, e não temos como provar que nossos sentidos nos mostram como é a realidade em si, muito menos que eles nos mostram algo relevante sobre a realidade.

Isso os "empiristas" vivem ignorando, pois não se pode provar de forma empírica que nossos sentidos nos mostram algo que realmente importa sobre a realidade, além da função para a sobrevivência. Já havia feito um texto sobre a razão e seus limites, mas vamos ao que Craig disse:

O naturalismo, a visão de que não há Deus e que nós somos simplesmente produtos de interações aleatórias de acaso e necessidade. É o naturalismo possível de ser afirmado de forma racional? E Alvin Plantinga, que é provavelmente o maior filósofo cristão hoje em dia, tem argumentado que de fato o naturalismo não pode ser afirmado de forma racional. E a razão é a mesma que o cavalheiro aqui acabou de dar.


A saber, que se o naturalismo é verdadeiro, então nossas faculdades cognitivas são produto de um processo evolutivo, o qual não conduz para a produção de crenças que sejam verdadeiras, mas, em vez disso, conduz para crenças que o ajudem a sobreviver.  Nossas faculdades cognitivas são escolhidas pelo seu valor para sobrevivência, não pela sua capacidade de perceber a verdade.


E Plantinga apresenta cinco ou seis formas onde nossas crenças podem conduzir à sobrevivência, sem nos conduzir à verdade. Então, no naturalismo há algo que derrota suas próprias crenças.


Ou seja, você crê que suas capacidades cognitivas não conduzem à verdade, mas apenas à sobrevivência, portanto, as crenças que você possui são crenças que você tem apenas porque elas têm valor para a sobrevivência, não necessariamente porque elas tem algum valor de verdade.


Mas se isso é verdadeiro, então sua própria conclusão de que o naturalismo é verdadeiro é duvidosa, pois ela não é resultado de mecanismos que formam crenças que conduzem à verdade, mas apenas à habilidade de sobreviver.


Então, o próprio naturalismo não pode ser afirmado! Pois, o naturalista está preso aqui em um tipo de ciclo que derrota a si mesmo:


Ele crê no naturalismo com base nas faculdades que, segundo o próprio naturalismo, não podem ser confiadas a produzirem crenças que sejam necessariamente verdadeiras.


Então, eu penso que é um argumento poderoso, que está sendo muito discutido hoje em dia. Esta é, na verdade, uma dúvida que perturbou o próprio Darwin. Darwin disse:


“Como posso eu confiar no cérebro de um macaco para chegar às conclusões que eu cheguei? Se minha teoria estiver correta, então ela parece botar dúvida a si mesma, porque não posso ter certeza que minhas faculdades cognitivas sejam realmente confiáveis."


[...] Esse é um problema que o naturalista deve encarar.

sábado, 8 de maio de 2010

As mais novas bíblias de estúdo.

Bíblia de estudo materialista Deus, um delírio.
Com ela você saberá responder corretamente os crentes bitolados.
Comentários do maior estudioso bíblico da atualidade, não! Desde que a vída começou a evoluir gradualmente por milhares e milhares e milhares de anos por acaso!




Você já ouviu falar na bíblia "Temas em concordância"? Que concordância que nada! Temos agora a bíblia temas em discordância! Com ela você vai poder parar de ficar copiando e colando de sites céticos as supostas... digo.. todas aquelas contradições da bíblia!



Aproveite!