segunda-feira, 7 de maio de 2012

Origem do Alcorão (2) - O argumento do analfabetismo

A primeira parte pode ser vista aqui.

Além do seu estilo, a fonte humana e o conteúdo do Alcorão são prova de sua origem divina. Eles insistem em que nenhum livro com essa mensagem poderia ter vindo de um profeta analfabeto como Maomé.

É questionavel que Maomé tenha sido realmente analfabeto. Como certa autoridade observou, as palavras árabes al unmi, que querem dizer o profeta "inculto" no Alcorão (7.157), "podem [significar] 'pagão' em vez de 'analfabeto'". Pfander prefere a tradução "o profeta gentio", concordando que o termo não implica analfabetismo (Pfander, p. 254).

A evidência sugere que Maomé não era analfabeto. Por exemplo, "quando o Tratado de Hudaibah foi assinado, Maomé pegou a pena de Ali, riscou as palavras nas quais Ali o designara 'o enviado de Deus' e substituiu-as com a própria mão pelas palavras 'filho de Abd'allah". E, "segundo a tradição, quando estava morrendo, Maomé pediu pena e tinta para escrever uma ordem designando seu sucessor, mas sua força acabou antes de o material ser trazido" (Pfander, p. 255)

W. Montgomery Watts informa que "muitos habitantes de meca sabiam ler e escrever, e portanto pressupõe-se que um comerciante eficiente como Maomé entendia um pouco das artes" (Watt, p. 40). Mesmo teólogos muçulmanos referem-se a Maomé como o "perfeito em intelecto" (Gudel, p. 72) Se Maomé não teve treinamento formal na juventude, não há razão para que uma pessoa tão inteligente não pudesse aprender sozinha mais tarde.

Em terceiro lugar, mesmo supondo que Maomé fosse analfabeto, isso não significaria que o Alcorão tenha sido ditado por Deus. Existem outras explicações possíveis. Ainda que não formalmente treinado, Maomé era uma pessoa inteligente, de grande habilidade. Seu escriba poderia ter compensado suas deficiências ao estilizar a obra. Tal prática era comum. Homero era cego; logo, provavelmente, não escreveu seus épicos sozinho. Alguns críticos argumentam que é possível que a primeira impressão de Maomé estivesse certa, que ele tivesse recebido a informação de um espírito maligno, que pode ter potencializado sua capacidade.

W. M. Watt, Muhammad: prophet and statesman.

C. G. PFANDER, The Mizanu’l Haqq (The balance of truth)

Por Norman Geisler, retirado da "Enciclopédia Apologética"

Comentários do Blog:

É interessante notar que as duas supostas evidências apresentadas para o Alcorão até o momento são elementos que podem ter outras explicações. Assim, são "evidências" que só convencem quem já está convencido.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Filosofia para a sala de aula - G. K. Chesterton.

O que o homem moderno precisa aprender é simplesmente que todo argumento tem em sua base uma suposição; isto é, algo de que não se duvida. É claro que você pode, se quiser, duvidar da suposição que está na base de seu argumento, mas nesse caso estará começando um argumento diferente com uma outra suposição em sua base. Todo argumento começa com um dogma infalível, e esse dogma infalível só pode ser discutido se recorrermos a algum outro dogma infalível; você jamais poderá provar seu primeiro enunciado, ou então ele não será o primeiro. Isto é o bê-á-bá do pensamento. Que tem um ponto especial e positivo: pode ser ensinado na escola, como o outro bê-á-bá. Não começar uma argumentação sem antes declarar seus postulados é algo que pode ser ensinado em filosofia como é ensinado em Euclides, numa sala de aula comum com um quadro-negro. E penso que deveria ser ensinado de maneira simples e racional mesmo para os jovens, antes de saírem para as ruas e serem entregues à lógica e à filosofia dos meios de comunicação.

Muito da nossa confusão sobre religião e das nossas dúvidas advém disto: nossos céticos modernos sempre começam afirmando aquilo em que não acreditam. Mas mesmo de um cético queremos saber primeiro em que ele acredita. Antes de discutir, precisamos saber o que é que não se discute. E essa confusão aumenta infinitamente pelo fato de que todos os céticos do nosso tempo são céticos em diferentes graus da dissolução que é o ceticismo.

Agora, você e eu temos, espero, esta vantagem sobre todos esses hábeis novos filósofos: não estamos malucos. Todos nós acreditamos na Catedral de São Paulo; muitos de nós acreditam em São Paulo. Deixem-nos afirmar claramente este fato, que acreditamos em um grande número de coisas que fazem parte de nossa existência, e que não podemos demonstrar. E por ora deixemos a religião fora de questão. Afirmo que todos os homens sãos acreditam firme e invariavelmente em um certo número de coisas não demonstradas nem demonstráveis. Permitam-me apontá-las resumidamente:
   
(1)  Todo homem são acredita que o mundo ao seu redor e as pessoas que nele estão são reais, e não uma ilusão sua, ou um sonho. Nenhum homem começa a incendiar Londres na crença de que seu criado logo o acordará para o café da manhã. Mas o fato de que eu, em qualquer momento dado, não estou em um sonho não está demonstrado nem é demonstrável. O fato de que existe alguma coisa exceto eu mesmo não está demonstrado nem é demonstrável.

(2)  Todos os homens sãos acreditam não somente que este mundo existe, mas que ele é importante. Todo homem acredita que há em nós uma espécie de obrigação de nos interessarmos por essa visão ou panorama da vida. O homem são consideraria errado o homem que dissesse: "Eu não escolhi esta farsa e ela me aborrece. Sei que uma velha senhora está sendo assassinada no andar de baixo, mas estou indo dormir." Que exista alguma obrigação de melhorar as coisas que não foram feitas por nós não está demonstrado nem é demonstrável.

(3)  Todos os homens sãos acreditam que há algo que chamamos eu, ou ego, que é contínuo. Não há um centímetro de matéria em meu cérebro que permaneça a mesma de dez anos atrás. Mas se eu salvei um homem em uma batalha há dez anos atrás, sinto-me orgulhoso; se fugi, sinto-me envergonhado. Que haja algo como esse "eu" que permanece não está demonstrado nem é demonstrável. E isto é mais do que não demonstrado ou demonstrável; é matéria de discussão entre muitos metafísicos.

(4)  Por fim, a maioria dos homens sãos acredita, e todos os homens sãos na prática assumem-no, que eles têm poder de escolha sobre suas ações, e que são responsáveis por elas.

Seguramente é possível estabelecer alguns enunciados simples, modestos como os acima, para fazer com que as pessoas saibam em que apoiar-se. E se o jovem do futuro não deverá (no momento) ser instruído em nenhuma religião, poderá ser ao menos ensinado, clara e firmemente, sobre três ou quatro sanidades e certezas do pensamento humano livre.

É bem assim mesmo kkkk


quarta-feira, 2 de maio de 2012

A realidade do Paganismo

Pe. André Dupeyrat  MSC

O relato que vocês lerão é horrível; mas o demônio é ainda mais horrível. Ele, que sempre odiou as crianças, não somente se esforça em matá-las – antes ou depois do nascimento – mas também busca legalizar e institucionalizar o assassínio delas, como querendo marcar com a sua assinatura as sociedades de que tomou conta.

Foi, por exemplo, o caso de Cartago, imolando suas crianças a Moloch-Baal (1). Assim também foi Canaã (cujos vícios contaminavam, às vezes, Israel [2]). E é o caso do aborto contemporâneo. É sempre o paganismo – antigo ou moderno –  sempre favorável à eliminação das crianças indesejáveis (3).

Em nossa época de “diálogo inter-religioso”, convêm recordar esta verdade a tempo e a contratempo: não somente as diversas religiões não são equivalentes no plano sobrenatural (uma leva ao céu, e as outras ao inferno), mas também elas produzem, já neste mundo, frutos bem diferentes. Uma – a do recém-nascido de Belém – defende a infância. As outras são marcadas, como Herodes, pelo sinal do Maligno, “homicida desde o começo” (Jo. 8, 34).

Reproduzimos aqui o estudo que o  pe. André Dupeyrat, missionário do Sagrado Coração, publicou em 1962, intitulado “Moloch Papua”, na sua obra 21 anos entre os Papuas (4).Ali encontraremos o pecado original e suas terríveis consequências; encontraremos também, a natureza humana, que permanece, apesar de tudo; e, finalmente, a necessidade que nós todos temos da graça sobrenatural e do doce e benfazejo reino de Cristo Rei, reino de justiça, de doçura e de paz. (Comentários da Revista Sel de la Terre, com pequenas adaptações).

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Quando uma mulher papua está para dar à luz seu primeiro filho, logo que aparecem os sintomas, ela chama três ou quatro outras mulheres que já passaram pelas dificuldades do parto e que, além disso, possuem também uma porca com seus leitões.

Elas descem em grupo para o ribeirão mais próximo, em companhia da porca e dos leitões. Foi o cortejo que eu vi e que me pareceu tão divertido.

Chegada ao ribeirão junto com as suas companhias, a jovem mulher se deita na margem deste, sobre um banco de areia ou, se não há isto, sobre um rochedo plano, e então as outras mulheres põem-se a insultá-la e a bater nela rudemente. O velho [que me contou] me assegurou mesmo de que elas chegavam a pisoteá-la, e isto me confirmado em seguida. A razão deste comportamento imprevisto é a  de ajudar a jovem a fazer as contrações desejadas, encorajando-a assim nos seus trabalhos. Estranho encorajamento, que o velho imitava para mim com arte: “força, imbecil, força” E seguiam-se golpes sobre a cabeça e o ventre da mulher. “Ah! Você quis ter uma criança, pois bem, agora pague o preço do teu desejo, podridão!…”  E mais socos e pontapés.

Por fim, e apesar das ações dessas estranhas parteiras, o bebê entra neste triste mundo. A partir deste momento, a jovem mãe é deixada inteiramente sozinha, justamente quando ela precisaria de maior assistência. Isto porque ela é considerada impura. Não se pode nem tocá-la. E assim as mulheres se retiram com suas  porcas barulhentas.

Com uma coragem e resistência à dor que só se encontra ainda entre os primitivos, a jovem mãe corta por si própria o cordão umbilical com uma pedra afiada. Cava com suas mãos um buraco no solo amolecido da margem do ribeirão, se possível entre duas grandes pedras, enterrando aí a placenta e o resto; lava-se com cuidado e asperge com água o rochedo, as pedras e a areia que podem ter sido contaminadas, pois nada deve subsistir do sublime drama do nascimento de um ser humano. Os espíritos dos mortos ou os da floresta poderiam acabar se apoderando de alguns grãos de areia ensanguentados para realizar malefícios contra a mãe ou seus futuros filhos.

Feito isto, a jovem mãe toma o seu recém-nascido que ela tinha deixado a vagir sobre a margem. Ela olha para este pequeno ser que vem dela, o primeiro. Seu coração de mãe, como todos os corações maternais, se derrete de ternura. Não é uma hipótese, sabemos disto através de outras confidências. Mas os inexoráveis ancestrais a obrigam a cumprir um dos atos mais revoltantes que se possa conceber.

Ela toma o seu filho por um dos pés, agitando-o um instante de cabeça para baixo, e o atira vigorosamente contra um rochedo. O pequeno e frágil crâneo se quebra e deixa sair, com o cérebro que não pensará jamais, grande quantidade de sangue fresco que corre sobre a pedra.

Neste momento, as porcas, que eram contidas pelas mulheres à distância, se precipitam. Atraídas já pelos odores do parto, enlouquecem com o odor de sangue fresco que acaba de sair do pequeno corpo. Com grande estrépito, atacam juntas a pequena vítima que jaz  como um boneco deslocado.

Então, todas as mulheres, inclusive a jovem mãe, acompanham atentamente a corrida das porcas com uma excitação e um nervosismo maiores que o de um agenciador  de apostas numa corrida.

Trata-se exatamente de ver qual será a primeira porca que atingirá primeiro o pobre pequeno cadáver para devorá-lo. Esta porca mostrará assim, pela sua façanha, que ela é a mais forte e esperta de todas; seus porquinhos, portanto, serão melhores que o das outras porcas.

Enquanto a horrível vencedora desta terrível corrida dilacera com os dentes o corpo do recém-nascido, brigando com as outras porcas que buscam arrancar-lhe alguns pedaços, as mulheres escolhem um dos porquinhos, que será macho se a vítima for um menino, e fêmea, no caso de uma menina.

O porquinho selecionado é lavado pelas parteiras, como se lavassem um recém-nascido, é enxugado com folhas, depois é entregue à mãe. Imediatamente esta se põe a amamentar o porquinho.

Daí em diante, este animalzinho será seu filho. Ela o alimentará como a uma criança, primeiro amamentando-o; mais tarde, ela mastigará legumes e, boca a boca, fará passar o alimento ao porquinho.

A mulher não matará mais as crianças que nascerão depois. Pelo contrário, ela cuidará deles com muito carinho. Mas a prova de que ela é uma boa mãe será tirada do modo como ela cria o seu porco. Se ela conseguir criar um porco grande e gordo, será considerada como uma doméstica fora do comum e como mulher de alto preço. Seu marido terá orgulho disto, e ela será a glória de sua  aldeia, porque virá o momento em que o animal deverá ser massacrado por ocasião de uma grande dança, e os convidados julgarão o sucesso da festa pelo tamanho dos porcos sacrificados. Aliás, foi para esta finalidade que o porquinho foi escolhido, alimentado, criado.

Sua “mãe” sentirá por causa disto a mais profunda amargura. Ela poderá até chegar ao ponto de cortar um de seus dedos, como fazem as mulheres para manifestar sua dor por ocasião da perda de um ente querido.

Todavia, nem sequer uma parcela da carne dos porcos massacrados será comida por um membro da tribo, pois os porcos eram “filhos” dela. Tudo é distribuído aos estrangeiros convidados que, por sua vez, quando fizerem uma dança na sua tribo, oferecerão também  seus próprios porcos. E será preciso que eles sejam semelhantes aos porcos que eles receberam, o contrário seria uma grave ofensa que pode se tornar uma causa de guerra.

Pode-se perguntar qual é a razão que leva jovens mães a sacrificar assim seus primogênitos, um gesto horrível que nos faz lembrar certos costumes mencionados na Bíblia e, sobretudo, os sacrifícios oferecidos  pelos notáveis cartagineses ao terrível deus Moloch.

Interroguei numerosos indígenas. A resposta era sempre a mesma:

_ Nossos antepassados fizeram assim; fazemos como eles…

Às vezes, acrescentavam:

_ Se não fizéssemos assim, as piores calamidades cairiam sobre nós, pois os espíritos dos antepassados  ficariam irritados…

Notas

(I) Segundo o testemunho de Diodoro da Sicília, “havia entre os cartagineses uma estátua de bronze de Baal que estendia as mãos abertas e um pouco inclinadas para baixo, de maneira que a criança que era aí posta rolava e caia num buraco de fogo” (XX, 14, 6). Em 310 A.C., os cartagineses atribuíram sua derrota para os romanos ao fato de que eles tinham se habituado a imolar a Baal crianças compradas, e não suas próprias. Para se redimirem disto, imolaram então 300 meninos das melhores famílias da cidade. Encontrou-se em Cartago, mas também na Sicília e na Sardenha (sobretudo em Soucis – a atual San’Antioco, na província de Cagliari) a sepultura de milhares de meninos assim sacrificados.

 (2) – “e edificaram altares a Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocausto a Baal, o que eu não mandei jamais, nem disse, nem me veio ao pensamento” (Jer. 19, 5)- Foi para evitar esta contaminação que Deus recomendou aos israelitas o extermínio completo dos povos pagãos instalados na terra prometida.

 (3) – Entre os povos mais civilizados dos pagãos da Antiguidade, os gregos e os romanos, a prática do abandono (chamado “exposição”) dos meninos foi considerado como um direito do pai de família *(v. o estudo sobre “L’eugénisme pré-chrétien” em Le Sel de la Terre, nº 31). O aborto, considerado inicialmente como imoral (foi ainda condenado por Ovídio no seu Arte de Amar, que está longe de ser um tratado de virtudes), se generalizou sob os imperadores. Em toda parte se constata a mesma coisa: a China pratica desde tempos imemoriais a eliminação das meninas (já Marco Polo falava disto no século XIII); o infanticídio é constatado desde o Níger até a Groelândia. Quanto ao paganismo moderno, ver o estudo sobre “L’eugénisme post-chrétien”, em Le Sel de la Terre 33.

 (4) André Dupeyrat, 21 ans chez les Papous, Paris, La Colombe, 1962, pág. 222-226.

Retirado do blog da FBMV

terça-feira, 1 de maio de 2012

Origem do Alcorão (1) - Estilo literário singular


Por Norman Geisler


A revindicação islâmica a favor do Alcorão é incomparávem em relação a qualquer outra das principais religiões. Será que o Alcorão é um milagre? Maomé afirmou que sim – na verdade foi o único milagre que ofereceu como prova de suas afirmações de ser profeta (surata 17.88). A evidência que os muçulmanos oferecem para tal afirmação inclui os seguintes pontos:

- Argumento do estilo literário singular.

A eloquência é altamente questionável como teste da inspiração divina; mas a pedra fundamental da posição islâmica é que o Alcorão possui qualidade e estilo literários que só poderiam ter vindo diretamente de Deus. Na melhor das hipóteses a qualificação literária do Alcorão prova que Maomé era uma pessoa dotada artisticamente. Mas dons artísticos e intelectuais surpreendentes não são necessariamente sobrenaturais. Mozart escreveu sua primeira sinfonia aos seis anos de idade e produziu toda a sua obra musical antes dos 35 anos, quando morreu. Maomé só começou a ditar as revelações quando contava com 40 anos. Mas que muçulmano diria que as obras de Mozart são miraculosas? Se eloqüência fosse o teste, muitos clássicos literários poderiam ser considerados divinos, desde a Ilíada e a Odisséia de Homero até Shakespeare.

Além disso, até alguns dos primeiros estudiosos muçulmanos admitiram que o Alcorão não era perfeito quanto à forma literária. O teólogo xiita iraniano Ali Dashti observa que:
Entre os teólogos muçulmanos do período antigo, antes do fanatismo e da hipérbole prevalecerem, houve alguns como Ebrahim On-Nassam que reconheceram abertamente que a ordem e a sintaxe do Alcorão não eram miraculosas e que obras de valor igual ou maior poderiam ser produzidas por pessoas tementes a Deus.
Apesar de alguns condenarem essa visão (baseada na interpretação da surata 17.90), On-Nassam teve muitos defensores, entre eles vários expoentes da escola mutazilita (Dashti, p. 48).

O Alcorão não é único, mesmo entre obras em árabe. O estudioso islâmico C. G. Pfander indica que “nem todos os estudiosos árabes concordam que o estilo literário do Alcorão seja superior a todos os outros livros da língua árabe”. Por exemplo, “alguns duvidam que em eloqüência e poesia ele supere o Um’allqat, ou o Magamat ou o Hariri, apesar de poucas pessoas em temas islâmicos serem corajosas o suficiente para expressar tal opinião” (Pfander, p. 264) Dashti afirma, no entanto, que o Alcorão contém várias irregularidades gramaticais. Ele observa que:
O Alcorão contém frases que são incompletas e não são totalmente inteligíveis sem o uso de comentários; palavras estrangeiras, palavras árabes desconhecidas e palavras usadas com sentido anormal; adjetivos e verbos flexionados sem consideração de concordância de gênero e número; pronomes aplicados ilógica e incorretamente, que às vezes não têm referente; e predicados que, em passagens rimadas, às vezes estão muito afastados dos sujeitos.
E acrescenta: “essas e outras aberrações na língua deram liberdade aos críticos que negam a eloqüência do Alcorão” (Dashti, p. 48-9). Ele fornece vários exemplos (74.1; 4.160; 20.66; 2.172 etc.), um dos quais é: “No versículo 9 da surata 49 (Al hujjurat), ‘E quando dois grupos de crentes compaterem entre si, reconciliai-os, então!”. O verbo para “combaterem” está no plural, mas deveria estar no dual como o sujeito, “dois grupos”. Anis A. Shorrosh descreve outras falhas no Alcorão. Por exemplo, na surata 2, versículo 177, ele indica que a palavra árabe deveria ser sabirun, e não sabirin como é encontrada por sua posição na frase. Da mesma forma sabiin na surata 5, versículo 69 é mais acertada que sabiun. Além disso, Shorrosh indica que há “um erro grosseiro no árabe” da surata 3, versículo 59. (Shorrosh, p. 199-200). Dashti conta mais de 100 aberrações das regras e estruturas normais do árabe (Dashti, p. 50). Com tais problemas, o Alcorão pode ser eloqüente, mas não é perfeito nem incomparável.

Como Pfander observou:
Mesmo que provassem sem sombra de dúvida que o Alcorão é muito superior a todos os outros livros em eloqüência, elegância e poesia, isso não provaria sua inspiração, assim como a força de um homem não demonstra sua sabedoria ou como a beleza de uma mulher não demonstra sua virtude (Pfander, p. 267)
Não há conexão lógica entre eloquência literária e autoridade divina. O Deus soberano (que os muçulmanos aceitam) poderia decidir falar na linguagem cotidiana, se quisesse. Na melhor das hipóteses é possível tentar argumentar que, se Deus falou, ele deve ter falado da forma mais eloquente. De qualquer maneira, seria uma falácia argumentar que o simples fato de o Alcorão ser eloquente implica que Deus teria sido seu autor. Os seres humanos podem falar eloquentemente, e Deus pode falar numa linguagem comum.

Outras religiões usaram o belo estilo literário de suas obras como sinal da origem divina. Os muçulmanos aceitaram a inspiração dessas obras? Por exemplo, o fundador persa do maniqueísmo, Mani, “supostamente afirmou que os homens devem crer nele como o Parácleto [‘Auxiliador’ que Jesus prometeu em João 14] porque produziu um livro chamado Artand, cheio de belas figuras”. Além disso, “ele disse que o livro lhe foi dado por Deus, que nenhum homem vivo poderia desenhar as figuras com tanta beleza e que, portanto, evidentemente viera do próprio Deus” (Pfander, p. 264). Mas nenhum muçulmano aceitaria essa afirmação. Então por que os não muçulmanos devem aceitar a beleza literária como teste válido para a autoridade divina do Alcorão?

DASHTI , Twenty-three years: a study of the prophetic career of Mohammad.
C. G. PFANDER, The Mizanu’l Haqq (The balance of truth)

Por Norman Geisler, retirado da "Enciclopédia Apologética"

Comentários do Blog:

Apesar de eu não concordar muito com as afirmações do Norman Geisler, principalmente algumas sobre a Bíblia e suas doutrinas, nem tudo que ele escreve é ruim. Está aí a primeira parte do que ele trata do assunto, onde menciona a conclusão de dois pesquisadores.

O que acho engraçado nos defensores do Islã é que (1) o que eles afirmam da transmissão oral para a composição do Alcorão se aplica ao Novo Testamento, mesmo assim criticam sua composição (por puro desconhecimento das pesquisas sobre o assunto, já que geralmente só leem, de forma equivocada ainda por cima, alguns livros como o de Bart Ehrman) e (2) esse argumento é simplesmente sem sentido. Algo eloquente só significa que é eloquente, nada mais que isso. Isso na verdade se parece mais com um apelo a autoridade, só que uma pessoa pode escrever mentiras de forma eloquente enquanto outra pode escrever verdades de forma comum.

Em breve pretendo escrever alguns outros artigos refutando algumas alegações islâmicas, inclusive algumas interpretações mirabolantes que vi na internet em alguns blogs de muçulmanos.

As cosias não são bem assim como querem apresentar...

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Aleluia e Trato - Missa Tridentina


"Ao Gradual, sucede o Aleluia ou o Trato, conforme o tempo do ano: o Aleluia é repetido como um responsório e seguido de um versículo, depois do qual se torna a repetir uma terceira vez Aleluia. Este canto, por excelência, de louvor a Deus, devia ter seu lugar na Santa Missa. Ele tem qualquer coisa de tão alegre e, ao mesmo tempo, de tão misterioso, que nos tempos de penitência, quer dizer, depois da Septuagésima até a Páscoa, não é cantado.

Então é substituído pelo Trato. Este ocupa piedosamente a Assembléia durante o tempo necessário para as diferentes evoluções que devem ter lugar, quando o diácono, depois de ter pedido a bênção do padre, vai em procissão para o púlpito do evangelho e se prepara para fazer ouvir o Verbo de Deus.

O trato se compõe algumas vezes de um salmo inteiro, ou quase, assim como vemos no primeiro domingo da Quaresma; ordinariamente, só contém alguns versículos. Esses versículos, que se cantam com uma melodia bastante rica e muito característica, seguem sem anúncio e repetição: por ser todo executado de uma só vez, em uma só tirada, recebe o nome de Tractus."

O que acho interessante é que, até mesmo para quem não entende nada da língua, nem mesmo do português para ler em um missal bilíngue, se pode compreender muita coisa somente com os gestos.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Muçulmanos incendeiam igreja católica no Sudão

Um grupo de muçulmanos incendiou uma igreja católica em Kartum, capital do Sudão do Sul, ato que foi qualificado por especialistas como mais um lamentável incidente de "hostilidade religiosa".

Centenas de muçulmanos botaram fogo no templo na noite de sábado 21 de abril, aonde vão para rezar muitos habitantes cristãos do Sudão do Sul.

A cobertura destes fatos realizada por diversos meios seculares tentou apresentar o ataque como um assunto relacionado somente à política e a economia por causa do enfrentamento entre Sudão do Sul e Sudão do norte.

A respeito, Nina Shea, Diretora do Hudson Institute’s Center para a Liberdade Religiosa, assinalou ao Grupo ACI que "durante muitos anos, os meios internacionais não puderam ver a dimensão religiosa deste conflito. Ao ler equivocamente a mensagem do incêndio da Igreja em Kartum, a imprensa demonstra que este ponto cego ainda se mantém".

Shea recordou, além disso, que "os ataques para destruir Igrejas se converteram em um padrão em cada vez mais áreas islâmicas. Em anos recentes, as Igrejas - algumas com fiéis cristãos– foram queimadas ou bombardeadas repetidamente no Egito, Iraque e Nigéria".

"Não existe mostra mais dramática da perseguição religiosa. A população cristã do Sudão já faz tempo que é o objetivo da violência de extremistas, incluindo a do governo radical do General Bashir, que advertiu que Sudão do Sul se tornava independente e não ia tolerar a diversidade religiosa no norte".

Finalmente, Nina Shea indicou que "por quase duas décadas, Kartum, cidade em que se aplica a lei islâmica do norte, tentou impor à força a lei sharia (muçulmana) principalmente nos cristãos e nos animistas do Sudão do Sul, algo que impulsionou uma rebelião que custou dois milhões de vidas".

Sudão do Sul, majoritariamente cristão, separou-se de Sudão para converter-se em um país independente em 2011. Nas tensões que ainda se vive na região, o componente religioso segue sendo fundamental, explicou Shea.

Fonte: ACI Digital

terça-feira, 24 de abril de 2012

Alguns comentários sobre o aborto

Vi essa discussão no facebook, e achei tanto espantosa quanto engraçada, por isso não sei se rio ou se choro com os argumentos abortistas. O argumento da pessoa que defendeu o aborto estará em vermelho (não por acaso), enquanto o pró-vida estará de azul.

Depois colocarei alguns comentários que fiz em uma outra página. Serão colocados na forma que escrevi lá, apenas para complementar com algo que penso sobre o assunto. Eu, pessoalmente, acrescentaria algumas coisas, porém isso será assunto para outro texto.

Bom proveito:

O aborto não é um assassinato. Isso já foi explicado um milhão de vezes, mas os pró-vida” insistem em se referir ao aborto como sendo um “assassinato”, o que de fato não é verdade. O cérebro é o órgão que controla o corpo e é responsável por todas as emoções. Enquanto o feto não possui o sistema nervoso central (o cérebro) formado, ele não pensa, não sente, não sofre, não ama, não odeia, não tem emoção nenhuma e não tem consciência de coisa nenhuma.


Hoje, consideramos que uma pessoa está morta, através da morte cerebral. A sociedade aceita que é esse órgão o responsável pela vida quando falamos da finalização dela. O mesmo deve ser considerado para o seu inicio. Quem acredita que apenas uma célula (célula ovo) ou um aglomerado de células (embrião) possui vida e esta deve ser defendida, deverá ser contra desligar os aparelhos após a morte cerebral para a doação de órgãos, para a utilização de plantas (afinal também possuem vida) e a própria vida em si (pois para uma pessoa viver , milhões de células morrem).


Por isso, caso seja necessário e se essa for a decisão da mulher, a remoção desse aglomerado de células de seu corpo pode e deve ser feita. Além disso: Um assassinato é cometido contra uma pessoa. Juridicamente, para se adquirir personalidade (ser pessoa) é necessário dois fatores: nascimento+vida, logo um feto não é uma pessoa.


Então, cientificamente e juridicamente falando, o aborto não é um assassinato.

Logo após a resposta que destroça essas afirmações:

1) “O cérebro é o órgão que controla o corpo e é responsável por todas as emoções. Enquanto o feto não possui o sistema nervoso central (o cérebro) formado, ele não pensa, não sente, não sofre, não ama, não odeia, não tem emoção nenhuma e não tem consciência de coisa nenhuma.”


Uma pessoa em estágio avançado de Alzheimer também não “pensa, não sente, não sofre, não ama, não odeia, não tem emoção nenhuma e não tem consciência de coisa nenhuma”. O mesmo pode ser dito sobre pessoas com demências graves. Se o fato de não pensar, sentir, sofrer, amar e odiar justifica a interrupção deliberada da vida de uma criança em gestação, o argumento se aplica inteiramente a uma pessoa com alguma das condições que mencionei acima. E, de fato, isso seria considerado assassinato – talvez não juridicamente, mas certamente do ponto de vista moral (coisa, aliás, da qual os pro-choice fogem desembestadamente).


2) “Hoje, consideramos que uma pessoa está morta, através da morte cerebral. A sociedade aceita que é esse órgão o responsável pela vida quando falamos da finalização dela. O mesmo deve ser considerado para o seu inicio.”


Você misturou alhos com bugalhos aqui. E eu trago não a minha opinião, mas a de Jérôme Lejeune (1926 – 1994), geneticista responsável pela descoberta da anomalia cromossômica que dá origem à Síndrome de Down. O Dr. Lejeune dizia: “A vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os 23 cromossomos femininos, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco da vida. [...] Aceitar o fato de que, depois da fertilização, um novo ser humano começou a existir não é uma questão de gosto ou opinião. A natureza humana do ser humano, desde a sua concepção até sua velhice não é uma disputa metafísica. É uma simples evidência experimental.


Portanto, seu argumento é falacioso. A vida humana começa no exato momento da concepção. E quem diz isso não sou eu, mas um cientista – aluías, um dentre inúmeros que compartilham de sua opinião. Escolhi especificamente este como exemplo em virtude de sua proeminência da área de Pediatria e de Genética.


3) “Quem acredita que apenas uma célula (célula ovo) ou um aglomerado de células (embrião) possui vida e esta deve ser defendida, deverá ser contra desligar os aparelhos após a morte cerebral para a doação de órgãos, para a utilização de plantas (afinal também possuem vida) e a própria vida em si (pois para uma pessoa viver , milhões de células morrem)...”


Essa aqui é outra falácia das boas, hein?!


Um feto é um ser humano VIVO. Alguém cuja morte cerebral foi constatada é um ser humano MORTO. São coisas completamente diferentes. A vida, como já foi dito, começa na concepção, e não a partir do momento em que o sistema nervoso está plenamente desenvolvido. Além disso, a criança está sendo alimentada pela mãe através de uma conexão natural originária da concepção.


Quando a morte cerebral é constatada, não há chance de retorno a vida. A situação é diametralmente distinta. Como a vida está sendo mantida única e exclusivamente através de aparelhos (ou seja, artificialmente), não há porque manter o organismo em funcionamento. Veja bem: estou falando de um caso em que a morte cerebral já foi devidamente comprovada; esse raciocínio não se aplica a pessoas com doenças graves ou terminais que, ainda vivas, não têm chance de recuperar a saúde.


4) “Juridicamente, para se adquirir personalidade (ser pessoa) é necessário dois fatores: nascimento+vida, logo um feto não é uma pessoa. Então, cientificamente e juridicamente falando, o aborto não é um assassinato.”


Errado. Se o feto (ou nascituro) não fosse considerado um sujeito de direitos, o aborto não seria considerado pelo nosso ordenamento jurídico um crime doloso contra a vida (Código Penal, Título I – Dos Crimes contra a Pessoa, Capítulo I – Dos Crimes contra a Vida, arts. 124 a 127). O chamado “aborto necessário” e o “aborto no caso de gravidez resultante de estupro” (art. 128) são exceções à regra jurídica – assim como a legítima defesa (art. 23, II) o é.


A definição de pessoa que você deu (nascimento + vida) é dada pelo art. 2º do Código Civil (CC). No entanto, você só levou em consideração a parte que lhe interessava. Portanto, deixe-me colcoar tudo aqui:


“Art. 2º - A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com a vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.”


O ordenamento jurídico brasileiro “põe a salvo” os direitos do nascituro (ou seja, do feto). Assim é possível afirmar que a criança não-nascida é titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida), e é sujeito de outros direitos, como herança, doação e pensão alimentícia.


Além de tudo isso, gostaria de deixar o parecer do eminente jurista Dr. Ives Gandra da Silva Martins, constitucionalista respeitadíssimo tanto dentro quanto fora do País:


“O direito à vida, talvez, mais do que qualquer outro, impõe o reconhecimento do Estado para que seja protegido e, principalmente, o direito à vida do insuficiente. Como os pais protegem a vida de seus filhos após o nascimento, os quais não teriam condições de viver, sem tal proteção à sua fraqueza, e assim agem por imperativo natural, o Estado deve proteger o direito à vida do mais fraco a partir de teoria do suprimento.


Por esta razão, o aborto e a eutanásia são violações ao direito natural à vida, principalmente porque exercidos contra insuficientes. No primeiro caso, sem que o insuficiente possa se defender e no segundo, mesmo com autorização do insuficiente, porque o insuficiente, levado pelo sofrimento, não raciocina com a lucidez que seria desejável. É violação ao direito à vida o suicídio, pois o suicida é também um insuficiente levado ao desespero do ato extremo, por redução da sua capacidade inata de proteção, constituída pelo intuito de preservação.”


Resposta da abortista: Me desculpe, mas não vou dizer nada, cada um com suas convicções, além do mais não tenho tempo para bater boca.


***

Agora segue alguns comentários que fiz sobre o assunto (não nessa mesma página). Seguindo o mesmo esquema, os comentários abortistas estarão em vermelho, e haverá um comentário verde feito por um amigo meu:


É claro que é um cadaver, ou o senhor poderia mi citar algum amigo de vosso circulo social que atualmente não tem cérebro, ou apenas partes dele. Se você conseguir identificar um, calo-me na hora e concordarei com a proposta contrária. Caso não consiga, tem-se que não seja tutelado o direito a vida de um indivíduo que se anime por questão de 2 horas em média em troca de um dilaceramento da psíque da mulher. Neste caso, é totalmente plausível afirmar que a mulher gera um cadaver, pois sua morte está decretada, pela sua prória incapacidade em sobreviver por sí só.

Peraí! Para não ser um cadáver ele terá que ser de algum círculo social? Para não ser um cadáver ele terá que viver mais que duas horas? Uma hora? Três? Quanto tempo? O filho de um primo meu morreu ao nascer. Qual a quantidade mínima de tempo de vida para que ele fosse considerado um ser vivo? Sobre a morte estar decretada pela incapacidade de viver só, mesmo ao nascer QUALQUER BEBÊ vai depender da mãe para viver até que chegue a uma fase em que dependa de outros tipos de vidas que não são humanas (vegetais e outros animais), até que morra, pois todos estão com a morte decretada. Gostaria, por isso, que você mostrasse de que forma isso que você colocou definiria alguém como cadáver humano ou não.

Mas, pensemos bem a respeito. Quando mi refiri a questão de tempo de vida, minha intênção foi compará-la ao impacto da psíque da mãe. Veja, decidir sobre o próprio corpo é de interesse privado e não dá sociedade. Por exemplo, caso você esteja passando mal em um hospital e internado, se você estiver gozando de boas capacidades mentais, você pode a seu gosto assinar um termo e abandonar o tratamento, ou seja, o corpo é propriedade privada, não está sujeito a opinião pública. No entanto, no caso dos anencéfalos, temos que o assunto é complexo, visto que há a existência de um outro ser dentro do corpo da mulher. Se refletirmos, em uma gravidez de risco por exemplo, onde está em perigo a vida da mulher, não é considerado, pela justiça do Brasil, um crime. Sendo assim, vemos que o aborto, desde que em condições peculiares, não é considerado crime.


O que se é discutido então, é o fato de que a mulher enquanto germinadora de uma vida infrutífera, decretada a morte de uma forma sábida, deverá conviver com isso. É claro que todos estamos decretados a morrer, porém, um grande diferencial, não sabemos a hora. No caso dos anencéfalos, a morte é pré-estabelecida, esse é sem dúvidas, o fator principal.



[...] tanto em nosso caso quanto na dos anancéfalos não sabemos a hora. A coisa mais COMUM é as pessoas morrerem quando menos esperam. É COMUM, também, que morram antes que os demais, porém isso de forma alguma tira a dignidade dele. Se for o caso, por que não matar também os que vão morrer por causa de alguma doença, e se sabe que não haverá cura, mas que já estão nascidos? Só porque já estão nascidos? Que preconceito é esse? Ambos são bebês, ambos são humanos. Ou por que não tirar a vida também de outras pessoas com câncer que sabem que não terão cura? Eles não vão morrer? A família não vai sofrer? Então por que não fugir logo do sofrimento? A resposta é que todos possuem essa dignidade.


Então tirar a vida vai amenizar o sofrimento? Não, isso não ameniza o sofrimento, só se evita algo que não sabe do que vai ser. É uma fuga de responsabilidades. Sem contar que fugir do sofrimento, apesar de ser algo natural do ser humano (e por isso, a depender da situação, possui valor) não possui valor maior que uma vida humana.


Então, a mulher possui direitos de escolhas? Sim, isso é inegável. Porém o bebê, como ser humano tanto quanto ela, possui um direito que é maior que esse. Ou o direito de escolha e de não querer sofrer é maior que o direito a vida, mesmo que seja por um dia? Quem acha isso, que leve às últimas consequências em todas as áreas da vida.



Joanadabe Rios, então de posse de sua argumentação você declara por exemplo que não há diferênça entre um pasciente em estado terminal de cancer e um indívuo salubre ???


Que diferença haveria, além do estado de saúde?


Se você considerar tanto a saúde física, quanto a saúde psicológica, Nenhum.


Então... Não entendi sua pergunta.

Veja bem, Jonadabe Rios, se utópicamente, voce soubesse a data de sua morte e a sua consecutiva causa, você ainda sim seria igual a todos?? Agora vamos nos embasar no caso do pasciente em estado terminal de cancer. Presume-se que o médico tenha estabelecido que o mesmo viva apenas por um mês a mais. Imagine o impacto psicológico do indivíduo, o mesmo não tem como escapar desta condição.


O que estou querendo mi embasar é a quebra do instinto de sobrevivência, o ser humano é um indivíduo que tem enraizado em suas entranhas a própria sobrevivência, é um tanto quanto desconfortável a própria ideia de não existirmos. Desde que nos entendemos por pessoas, temos a noção de que existimos e vivemos, pois se a mesma não fosse procedente, não teríamos sentido algum. Agora, em situações particulares, onde é atacado o conceito e extinto de sobrevivência, o que pode-se ver é uma distância de infinitos anos luz do indivíduo referido, para como indivíduo tido como "normal".


Agora, Jonadabe, passemos esta situação para um ser humano, genero feminino, que até então pensava estar gerando em suas entranhas um indivíduo saudável que viverá, correrá, irá brincar pela casa, talvez com os avós, sorrirá nos momentos em que está mulher estiver desistimulada. É uma alegria imensa. Agora devemos prestar atênção neste momento. No momento em que a mãe se torna ciênte de que ao invés de gerar uma vida, está gerando um indivíduo nos mesmos padrões subjetivos de um pasciente em estado terminal de cancer. Que apesar de estar vivo e não ter data ou hora determinada para morrer, está com a morte predestinada Imaginem o potencial impacto na vida da germinatriz.



Sim, mas você está tratando a questão pelo impacto emocional.


Primeiro, o impacto para alguém sobre sua morte não diminui em nada sua humanidade e dignidade, só aumenta o impacto psicológico. Estou querendo tratar o assunto pela dignidade humana e o valor da vida, e não o impacto que teria para essa pessoa (até porque, no caso dos fetos, não há impacto para eles).


Porém, eu sinceramente não consigo imaginar isso pelo simples fato de que o impacto psicológico de cada coisa varia de pessoa para pessoa. Para dar um exemplo análogo, mas sobre outro assunto (sendo que também é um impacto psicológico), meu tio sente um impacto psicológico imenso com baratas. Ele prefere pular de um precipício do que atravessar uma "barreira de baratas" (sério). Já eu pisaria nelas com gosto.


Com a vida é a mesma coisa. Hoje mesmo (estou falando a verdade), ouvi de uma mulher que está com câncer, e o câncer é bem forte. Na primeira quimioterapia ela perdeu todos os cabelos (o que é bem incomum na primeira). Porém, quando foram falar com ela, ela simplesmente estava feliz e tratava aquilo como um "probleminha". Por isso, o impacto varia de pessoa para pessoa, e não podemos colocar esse impacto relativo como algo absoluto.


Jonadabe, não devemos olhar a questão de forma individual, porque se olharmos as questões de forma individual, não será promovido a justiça de nenhum modo, pois fazemos parte de um Estado populoso


Não podemos colocar esse impacto relativo como algo absoluto, concordo.


EM ANALOGIA, NÃO PODEMOS COLOCAR QUE TODAS AS MULHERES SEJAM OBRIGADAS A GERMINAR PONTENCIAIS NATI-MORTOS.


Essa é a essência da ADPF 54 - Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental




[...] fazermos parte de um estado populoso não muda o fato de que cada caso é um caso. Estamos falando de seres humanos e pessoas com potencial de viver muito tempo (já vi de casos de pessoas que viveram mais de 30 anos)


Jonadabe Rios Essa questão eu levo pela prudência. Vamos fazer uma analogia, certo?


Então, caso queira começar com a analogia, me responda: suponhamos que você seja responsável por uma empresa de demolição. Dizem que todos saíram do prédio a ser demolido. Poré, há a suspeita de haver alguma criança (ou até um cachorro) lá dentro. Você demoliria o prédio, ou verificaria antes de demolir?



Depois disso vamos ao que disse sobre a mulher se "obrigada".

Jonadabe, lógicamente, determinaria uma varredura.

ok. Vamos a outra analogia: Suponhamos que você é um caçador. Há algo se mechendo em uma moita, e você está com a arma apontada. Há a POSSIBILIDADE de ser um animal de caça, e há a possibilidade ser mero vento, e há a de ser um ser humano. Você atiraria ou verificaria?



Jonadabe, nesta situação, aguardaria para saber o que há por traz da moita. E dependendo do que for procederia ao disparo.

Então, se você demolisse antes de averiguar se há alguém no prédio, e se atirasse antes que tivesse uma certeza de que não era um ser humano, você estaria sendo tolo ou sábio?



Seria um tolo, logicamente. Entendo a base de sua argumentação. No entanto, você deve se atentar para o fato de que, se em ambas situações, houve-se tecnologia necessária para se definir a posição de determinada situação, não necessitaría de um procedimento urgente para proceder a uma determinada ação.


O que quero dizer, é que em sua argumentação, você desconsidera a Medicina.


Que bom que esteja começando a entender. Mas vamos lá. Levando em consideração que NÃO SABEMOS se o feto é um ser humano ou não (embora eu possa argumentar de forma positiva que é um ser humano, mas quero dar um jeito de você concluir por si mesmo), matá-lo sem ter essa certeza tornará a pessoa tola ou sábia?


Isso, assim como demolir o prédio e atirar na moita, é agir como se soubesse o que não sabe.

Joanadabe, sinceramente matá-lo sem ter certeza, seria uma atitude EXTREMAMENTE TOLA.


No entanto, como mi refiri anteriormente, sua argumentação desconsidera a Medicina.

Então, quem defende o aborto de anancéfalos (isso consideramos que NEM SABEMOS), está sendo sábio ou tolo? (já já tratamos do direito de escolha da mulher)


Nesse momento ela falha, porque desconsiderar a medicina, é desconsiderar, nos dias de hoje, a manutenção dos estados saudáveis.



Desconsidera a medicina de que forma?

Sua argumentação tem total enfase, no entanto, como mi refiri anteriormente, a Medicina, funciona como a tecnologia que dispensa tal ato de esperar ou não, compreende. A Medicina nos vem como ferramenta para evitar tal fato.

Sinceramente ainda não entendi como a medicina torna isso justificável.


Se você passa a considerar a existência da Medicina, você se abstem do fator surpresa.

Ainda não entendi.


Jonadabe. Voce em sua argumentação se refere a incerteza, pelo que eu entendi, correto ?

Não, eu posso argumentar de forma positiva que o feto anancéfalo é um ser humano como qualquer outro. Minha argumentação se baseia na prudencia. Apesar de, penso eu, conseguir mostra isso. Quero mostrar que até mesmo SE NÃO SOUBESSEMOS disso, o aborto seria injustificável.

Jonadabe, o Gabriel tá embananado com a própria linguagem. Deixa eu traduzir o problema numa bifurcação simples: A "Medicina" (como se entidades abstratas fizessem algo...) dá o direito de alguém adiantar o ASSASSINATO de alguém? Ou dá o direito à RETIRADA de um ser humano já MORTO? No primeiro caso, é injustificável o uso da Medicina; no segundo caso, é justificável.


Bom, sinceramente não entendi que ligação há no que eu disse com o que você quer dizer sobre a mecidina. Isso porque é exatamente pela medicina que se demonstra que ele é um ser vivo e humano como qualquer outro.

Jonadabe. Pela medicina demonstra que ele é um ser vivo? Convido-te a pensar sobre esta resolução do conselho federal de medicina: http://www.saude.df.gov.br/003/00301009.asp?ttCD_CHAVE=22504


Chamo atênção especialmente para a parte introdutória da Resolução: "CONSIDERANDO que a parada total e irreversível das funções encefálicas equivale à morte, conforme critérios já bem estabelecidos pela comunidade científica mundial;"


Vou dar uma lida. Mas isso pode ser visto pro lógica. Porém, já estamos indo para outra questão, até que se diagnostique que seja um feto anancéfalo, já se passou um bom tempo, o que já seria suficiente para considerá-lo como ser vivo.


Após a leitura:


Anancefalia não é parada encefálica. Anancefalia também não significa que não há cérebro, é só um termo genérico.


Bom, ainda espero razões. Vou encerrar minha participação por aqui. Caso queira continuar amanhã, estarei de acordo. Mas vou aproveitar para copiar o que coloquei em outro lugar:


Quanto as famílias que vivem com essas crianças, por mais doloroso que possa ser, conheço exemplos disso. Aliás, não só de bebês anancefalos, mas seres humanos com outros tipos de problemas que não poderão fazer ambas as mesmas coisas, e mesmo assim seu direito a vida é assegurado. Uma pessoa com deficiência de um órgão, ou sem esse órgão, não será menos humano por causa disso (Como era em resposta a otura afirmação, me refiro a qui a fazer o que todas pessoas fazem. Porém, cada pessoa que possui certa deficiência física não poderá fazer o que outros fazem). Eu realmente não acho que uma pessoa que não poderá fazer nada disso seja menos digna do que as que poderão fazer. Ainda tem outras questões, que não vou tratar aqui para não me estender, como o fator da unificação da família em situações como essas.


Vou aproveitar para refletir e poder expressar-me de forma mais fidedigna aos meus anseios, até uma próxima discussão.

ok.



Após o termino, uma mulher postou o seguinte:

O legal é que só tem homens, com exceção de mim, claro, opinando sobre o que é possível no corpo das mulheres.

Minha resposta:

O fato de que a maioria dos que estão a frente são homens (embora discorde que a maioria dos que apoiam são homens) não significa que a argumentação é falsa. Isso é falácia. Uma coisa não é verdadeira ou falsa por causa do gênero da pessoa que diz, ela é verdadeira ou falsa se corresponde com a realidade das coisas e faz sentido como IDÉIA. E as ideias são universais, para homens e para mulheres.


Por fim, fica minha pergunta aos que defendem o aborto, já que não é a primeira vez que vejo esse tipo de argumentação: isso é tudo que vocês têm a apresentar?

No mais, a analogia que fiz foi praticamente uma cópia de um diálogo que li num livro de Peter Kreeft: http://porquecreio.blogspot.com.br/2009/10/aborto-socrates-e-herodes-debatem.html

domingo, 22 de abril de 2012

Gradual - Missa Tridentina


“Entre a Epístola e o Evangelho canta-se o Gradual. Compõe-se de um responsório com seu versículo. Antigamente se repetia o responsório inteiro antes e depois do versículo, na forma que ainda é usada para os responsórios breves, mas numa melodia muito ornada.

O gradual é, efetivamente, a parte mais musical do oficio e, como o canto era muito delicado, nunca eram admitidos mais de dois cantores, que subiam no púlpito para cantá-lo. Púlpito é uma espécie de cátedra de mármore colocada na Igreja.

É precisamente por subir os degraus do púlpito, que esta peça recebeu o nome de Gradual, assim como são chamados Salmos graduais os que os judeus cantavam subindo os degraus do templo."

Relembrando do sorteio que será realizado dia 30: http://porquecreio.blogspot.com.br/2012/04/sorteio-do-livro-ortodoxia-de.html

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Um pagão ensinando cristianismo a um que se diz cristão...

É triste ver que muitos cristãos ainda conhecem pouco de sua história (e por isso são presas fáceis para os que criticam a fé, inclusive com dados mentirosos ao estilo do Código da Vinci), por outro lado é bom ver pessoas que, mesmo não sendo cristãs, não procuram distorcer os fatos sobre o cristianismo.