terça-feira, 12 de maio de 2009

William Lane Craig e o delírio de Dawkins

Craig responde ao argumento central do de Dawkins, "Deus um Delírio", e mostra como ele é totalmente vazio em suas afirmações.




domingo, 22 de março de 2009

A morte dos cananitas.



Por vezes os cristãos são confrontados com questionamentos de algumas partes do Antigo Testamento que aparentemente soam como algo maléfico e impossível de ser feito por um Deus amoroso. Um exemplo foi a destruição dos cananitas.
Vários vídeos e textos circulam pela internet, que, se analisados superficialmente, dão a entender que a Bíblia pode ser tudo, menos um exemplo de moral. Já que os “pobres” cananitas foram citados, pois alguns dizem: “Como pode ser algo moralmente certo um povo destruir outro e ainda tomar sua moradia?”, vamos ver se a ordem de Deus pra matá-los foi justa ou não.
Primeiro, este povo estava longe de ser inocente. Um estudo detalhado sobre eles revela isso. Era um povo totalmente depravado, as crianças, estrangeiros e mulheres não eram respeitados e constantemente eram oferecidos em sacrifício por motivos banais.
Eles tinham um deus, dentre vários, chamado Moloque. Este tinha corpo de homem, cabeça de touro e braços estendidos para frente (um pouco abaixados) onde os pais colocavam seus filhos nas mãos do ídolo. Após serem colocadas nas mãos da estátua, as crianças caiam numa fornalha onde morriam queimadas. Nessas ocasiões, vários tambores eram tocados para abafar os seus gritos. Alguns desses ídolos eram ocos, e dentro deles eram colocados fogo, e, depois de totalmente aquecidos, os pais colocavam as crianças nas mãos da estátua para serem queimadas até a morte. Em escavações, foram encontradas ruínas de um templo que haviam vários despojos de crianças recém-nascidas. Um motivo banal que posso citar é que, antes de se construir uma casa, uma criança recém-nascida era sacrificada, e os seus restos destruídos eram colocados nos alicerces da casa para supostamente trazer a felicidade da família.
Segundo, apesar de Deus ter avisado e dado tempo para eles se arrependerem, o povo continuou a praticar os seus atos abomináveis sem arrependimento. O que Deus deveria fazer em relação a isso? Ele já tinha avisado, chamado o povo ao arrependimento e dado muito tempo para se arrependerem. E o que eles fizeram? Ignoraram o chamado de arrependimento e continuaram com seus atos abomináveis aos olhos de qualquer pessoa (imagine diante de Deus?). Deus suspendeu o julgamento por 400 anos pois ainda não tinha chegado o tempo que não se poderia tolerar de forma alguma! (Gn. 15:13,16).
Deus não poderia deixar isso acontecer com um povo totalmente contaminado. O que restou foi cortar o mal pela raiz, como Norman Geisler disse: “Às vezes, uma cirurgia radical é necessária para exterminar completamente um câncer mortal do corpo de uma pessoa.”. E Deus tinha razões para isso (ou vão negar?), Israel foi apenas um instrumento de justiça (constantemente Deus usou outros povos como instrumento de justiça para os erros de Israel). E aos que dizem que matar não é amoroso: Prefeririam que eles continuassem sacrificando crianças?
Alguém pode dizer que é justificável a morte dos adultos, mas das crianças não, pois elas são inocentes. Sim elas são inocentes, e é bom lembrar que quando uma criança morre ela está livre de todo mal e automaticamente vai herdar a vida eterna. As crianças um pouco maiores já estavam contaminadas com o estado abominável do povo, e quando crescessem poderiam influenciar mais pessoas. Em vez de injusto, Deus foi misericordioso para tirá-los de um povo depravado e levá-las para sua presença.
Por fim, quem quisesse fugir teria tempo para isso, e com certeza muita gente fez isso. Deus é justo e soberano. O Salário do pecado é a morte, a justiça teria que ser feita, pois o aquele mau não poderia ser tido como algo bom. E por isso Israel foi ordenado a não se misturar com eles, destruir toda cidade e todo o vestígio de idolatria e carnificina de um povo que teve muito tempo para mudar.


“Não é por causa da tua justiça, nem pela retitude de teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela maldade destas nações que o Senhor, teu Deus, as lança de ti.” Deuteronômio 9:5.


Autor: Jonadabe Rios

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Eu Sou - Oficina G3

Já que o texto anterior é sobre a divindade de Jesus. Tá aí uma bela música sobre o tema pra vocês curtirem.



Muitos querem me encontrar
Mas não sabem onde ir
Outros querem me escutar
Mas não param pra me ouvir

Eu sou o principio e o fim
Não há outro igual a mim
Todo poder esta em minhas mãos

Muitos dizem me conhecer
Mas me conhecem só de ouvir
Outros tentam me explicar
Negar tudo o que eu fiz

Quem buscar me encontrara
Quem pedir recebera
Quem invocar eu vou ouvir
Eu sou o eu sou

Eu sou o, eu sou
Minha palavra não tem fim
Tudo esta em minhas mãos
Não há impossíveis para mim


Jesus, o Grande Eu Sou!

Jesus afirmou ser Deus?


Jesus é Deus?

Por Jonadabe Rios

jonadabe.rios@hotmail.com



As afirmações extremadas de que Jesus é somente Deus, ou que é apenas humano têm sérios problemas. Se Jesus é somente Deus, como conseguiríamos seguir o exemplo dele, se ele é um ser que pode tudo? Seguir seus passos seria algo impossível, pois ele estava aqui na terra apenas com a aparência humana. No entanto, se Jesus fosse somente humano, como o sacrifício dele poderia nos salvar inteiramente?

Como assim o sacrifício não poderia nos salvar completamente? É uma questão Bíblica e lógica. Pois o pecado nada mais é do que uma ofensa grave a Deus e ao propósito que o homem foi criado. Deus é um ser infinito, por isso a reposição deve ser infinita. Mas nós por natureza somos finitos, e consequentemente não podemos pagar isso por si mesmo com nossas obras. A Bíblia então revela que foi necessário que Deus se tornasse homem para que o ser humano pudesse voltar a ter um relacionamento perfeito com Deus, e que Jesus tem tanto a natureza humana quanto a Divina. Alister McGrath comenta : "Como ser humano, Cristo tem a obrigação de Paga-lo; como Deus, ele tem a habilidade de paga-lo." (Teologia para amadores, p. 19).

Quero deixar claro que nesse texto pretendo mostrar que Jesus afirmou ser Deus, mas não provar essa afirmação, pois isso pode ficar pra outra ocasião. Mas ficando claro que Jesus afirmou ser Deus algumas conseqüências são óbvias caso elas sejam verdadeiras. Os profetas e líderes de outras religiões, até mesmo denominações que se dizem cristãs, ou estão enganados, ou são mentirosos e querem enganar. Isso serve aos que acreditam em revelações de espíritos que se dizem de luz.

Não vou tratar sobre a humanidade, pois ela é óbvia em nossos dias, embora as principais heresias que a igreja primitiva lutou foram contra a humanidade de Jesus. Então, Jesus afirmou ser Deus? O que significa a afirmação de que o verbo se fez carne? Como responder as principais críticas da Divindade de Jesus?



Atributos intransferíveis.


Existem atributos que certas pessoas possuem que nenhuma outra possui. Características que mesmo sem afirmar "Sou tal pessoa" sabemos quem é. Essas características podem indicar também a natureza e personalidades únicas. Suponhamos que apareça um desconhecido, e aos poucos você começa a saber mais dele. Ele conta que nasceu cerca de dois mil anos atrás, você se espanta. Dois mil anos? Como pode? Ele continua a dizer que teve 12 apóstolos, que se chamavam Pedro, André, Tomé, Filipe, Mateus, Bartolomeu, Tiago filho de Zebedeu, Tiago filho de Alfeu, Simão o Zelote, Judas Tadeu, João e Judas Iscariotes. Pedro o negou três vezes, e Judas Iscariotes o traiu. No final da conversa conta que morreu numa cruz, na cruz tinha uma placa com "INRI", e ao seu lado tinha dois ladrões também crucificados. Pra concluir a conversa ele diz que ressuscitou ao terceiro dia.

Você se espanta mais ainda, afinal, só uma pessoa em toda a história tem todos esses "requisitos". Não precisou dizer o nome pois você, através dos atributos intransferíveis, sabe quem é. Mais aí você ficou com algumas opções: Essa pessoa é lunática, é um brincalhão, um mentiroso ou é quem afirma ser.

Como já sabe, esta pessoa afirmava ter as características intransferíveis de Jesus, e consequentemente afirmava ser Jesus. Jesus também fez afirmações parecidas, ele disse que possuía certos atributos que só Deus possui. E mesmo não afirmando "Eu sou Deus" (Embora nunca tenha dito "Não sou Deus") diretamente, diversas vezes ele afirmou possuir a natureza divina. Não só Ele, mas seus discípulos. Alias, Jesus parecia gostar de fazer isso na frente dos fariseus e outros líderes religiosos. Alguns exemplos de atributos intransferíveis de Deus são a onipotência, onipresença, onisciência, soberania e eternidade. Existem outras e diversas afirmações que falam de sua natureza. E uma vez que Jesus afirmou possuí-las, ele afirmou ser Deus. O mesmo Deus que salvou Israel do Egito, adicionou a humanidade para si, morreu e ressuscitou para redimir os nossos pecados e nos dar esperança da ressurreição no último dia. Como disse Bruce L. Shelley: O cristianismo é a única grande religião que tem como fato central a humilhação de seu Deus.

Agora, da mesma forma da analogia anterior, pense ter encontrado certo narazeno, fazendo afirmações como: "Eu sou Alfa e o Omega, o Principio e o fim, o primeiro e o ultimo, aquele que era, que é e que há de vir. Tenho todo o poder para perdoar os pecados você precisa que seus pecados sejam perdoados por mim. Eu sou a luz do mundo, e todo que não andar em mim está em trevas. Quer que um pedido seja respondido? ore em meu nome. Quer acesso ao Pai? Eu e o Pai somos um, ninguém vai a Ele se não for por mim. Sou o auto-existente, eterno, Pai da Eternidade, Príncipe da paz, Deus forte, e antes que Abraão existisse Eu Sou!". Você vai mais adiante e ele é adorado, mas só Deus deve ser adorado - Êx 20.1-4; Dt 5.6-9; At 14.15 - mas ele não diz que isso é errado, pelo contrário, elogia. Ele diz que deve ser honrado da mesma forma que o Pai (Jo 5:23). Ele afirmou compartilhar a glória de Deus desde a eternidade (Jo 17:5), E em Isaias 42:8 Deus disse: "Não darei a outro a minha glória". Ele afirmou ser o doador da vida (Jo 5:21-23); Mas somente Deus, Eu Sou, dá a vida. (1 Sm 2:6; Dt 32:39).



"Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?" Mc 2:7


C. S. Lewis foi muito bom ao explicar isso:


"A não ser Deus, isso, para quem fala, é tão absurdo que chega a ser cômico. Todos nós podemos entender que um homem perdoe as ofensas que recebe. Pisam em meu pé e eu perdôo, roubam meu dinheiro e eu perdôo. Mas o que pensaríamos de alguém que, não tendo sido roubado nem pisado, anunciasse que nos perdoa por termos pisado nos pés dos outros e roubado o dinheiro dos outros? O mínimo que poderíamos fazer seria chamar de petulância obtusa a conduta de quem assim procedesse. Entretanto, foi isso que Jesus fez. Ele disse a muitas pessoas que os pecados delas estavam perdoados, sem nunca consultar os que tinham sido prejudicados por esses pecados. Agia sem hesitação como se fosse a parte mais interessada, a pessoa mais ofendida em todas as ofensas. Isso só tem sentido se ele realmente era o Deus cujas leis são quebradas e cujo amor é ferido em cada pecado. Na boca de qualquer outra pessoa que não fosse Deus, essas palavras seriam para mim consideradas como uma tolice e vaidade jamais igualadas por qualquer outra personagem da História.

No entanto, mesmo os seus inimigos (e isso é a coisa mais estranha e mais significativa), quando lêem o Evangelho, não têm normalmente a impressão de tolice e vangloria. Muito menos a têm os leitores imparciais. Cristo diz ser "humilde e manso" e acreditamos; não nos damos em conta que se ele fosse só humano, a humildade e a mansidão seriam as características que menos descreveriam algumas de suas afirmações."


Em outra ocasião ele diz mais sobre o assunto:


"Entre aqueles judeus, repentinamente surge um homem que sai falando por aí como se ele mesmo fosse Deus. Afirma perdoar pecados. Diz que sempre existiu. Diz que julgará o mundo no final dos tempos. Vamos deixar uma coisa clara. Entre os panteístas, como os indianos, qualquer um pode dizer que é uma parte de Deus ou um com Deus: não haveria nada de muito estranho em relação a isso. Esse homem, porém, uma vez que era judeu, não poderia estar se referindo a esse tipo de Deus. Na linguagem daquele povo, Deus significava um ser fora do mundo, que o fizera e que era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. Quando você entende isso, percebe que aquilo que esse homem diz foi, de maneira bem simples, a coisa mais chocante que jamais fora pronunciada por lábios humanos."


Eu Sou. Uma afirmação subjetiva?


Algumas pessoas podem dizer que afirmar isso é muito subjetivo, afinal, Eu sou, dizem eles, pode significar que é qualquer coisa. Mas não para os Judeus, muito menos para o contexto inserido. Vamos analisa-los.


Em Êxodo 3:14 diz:


14 E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.

15 E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O SENHOR Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração.


Primeiro Deus diz a Moisés: "EU SOU O QUE SOU"


Depois Ele disse: "Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós."


Esse "Eu Sou" tem tantas implicações que a Torre de Vigia fez uma tradução forçada que não se pode fazer pelo grego.


Deus se identifica assim em outro momento:


"Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum deus há além de mim; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro, e ninguém há que escape da minha mão."

Dt 32:39


Por isso muitos se espantaram quando Jesus fez esta afirmação: "Em verdade, em verdade eu vos digo: Antes que Abraão existisse, EU SOU." João 8:58


Peter Kreeft no livro “O dialogo” diz que “Ninguém realmente sabe pronunciá-la, porque ninguém jamais se atreveu a pronunciá-la exceto Deus, e não se escreveu a palavra toda, apenas as consoantes, o Tetragrama. Nas Bíblias antigas ela aparecia escrita Jeová, e em algumas mais modernas, Javé. Significa ‘EU SOU’. [...]É o único nome puramente de primeira pessoa, particular, subjetivo, singular.”. Nenhuma pessoa pode dizer esse nome sem reivindicar ser Deus. E foi isso que Jesus fez. Disse que era Deus pronunciando o que nenhum judeu diria, um nome que só pode ser pronunciado pelo seu dono. Esse foi o motivo da revolta de muitos deles contra Jesus (João 8:59).


Dizer que Jesus foi muito subjetivo afirmando isso é ignorar todo o contexto inserido pra apenas sustentar a pressuposição de que Jesus não pode ser Deus.



Filho do Homem?


Mc 14


61 Mas ele calou-se, e nada respondeu. O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito?

62 E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.

63 E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas?

64 Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte.


O sumo sacerdote e seus assistentes sabiam das implicações da afirmação que Jesus fez ai, quando referiu a si mesmo como "Filho do Homem" e que viria nas nuvens. Ele estava fazendo referencia direta a uma profecia de Daniel (Dn 7.13,14, onde o Filho do Homem receberá autoridade do Deus Pai e será adorado por todos. Eles sabiam muito bem que só Deus pode receber adoração, e Jesus disse que todos, inclusive eles iriam adora-lo. Acho que Jesus fazia questão de deixar os lideres religiosos da época desajeitados.



Uma listas de afirmações de Jesus.


- Ele declarou: "Eu sou o Primeiro e o Último" (Ap 1.17) - Deus referiu a si mesmo assim Isaías 44.6

- "Eu sou o bom pastor" (]o 10.11) - "O SENHOR é o meu pastor" (Sl 123.1)

- Jesus afirmou ser o juiz de todas as pessoas (Mt 25.315; Jo 5.27) - Joel apresenta Deus dizendo: " ... me assentarei para julgar todas as nações vizinhas" (]13.12)

- Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida" (]o 8.12). Mas o salmista declara "O SENHOR é a minha luz" (127.1)

- Jesus declarou: "Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele quer" (]o 5.21). Mas o AT ensina claramente que somente Deus é o doador da vida (Dt 32.39; 15m 2.6), aquele que levanta dos mortos (Is 26.19; Dn 12.2; Jó 19.25) e o único juiz (Dt 32.35; JI3.12)


Ocasiões em que recebeu e permitiu adoração:


Uma mulher Cananéia (Mt 15.25);

Todos os discípulos (Mt 28.17);

Um leproso curado (Mt 8.2);

Dirigente de uma sinagoga (Mt 9.18);

Pelos discípulos (Mt 14.33);

Mãe de Tiago e de João (Mt 20.20);

Endemoninhado geraseno (Mc 5.6);

Homem cego que foi curado (Jo 9.38);

Tomé, que disse: "Senhor meu e Deus meu!" (Jo 20.28).


Estes são algumas das passagens bíblicas que vislumbram a divindade de Jesus. Existem muitas outras, e várias profecias que dizem isso. Mas considero essas suficientes pra mostrar o que Jesus achava sobre si mesmo. Até mesmo seus discípulos tinham como Deus.



Principais críticas da divindade de Jesus.


“Um certo homem [...] perguntou [...] Bom mestre, o que devo fazer [...] Jesus respondeu: Por que me chamas de bom? Ninguém é bom, senão Deus” (Lucas 18: 19).


Jesus estava falando para aquele homem: "Só Deus é bom, sabe das conseqüências das suas palavras não é? Sabes que está me chamando de Deus, pois ninguém é bom senão Deus." Jesus está levando esse homem a considerar as implicações de chama-lo de bom. "Está me chamando de Deus?"


E isso fica claro no contexto, pois alguns versículos depois quando diz ao cego "42 Jesus lhe disse: Vê! Tua fé te salvou.", que pretensão seria de um simples homem (que se dizia humilde) afirmar que aquela fé (que foi depositada em Jesus) o tinha salvo.


Fica mais claro ainda se analisar o que Mateus registra dessa conversa, e novamente alguns versículos depois Jesus diz que é o "Filho do homem" que vai "assentar em seu trono glorioso". Essa não é a única vez que Jesus se intitula como o Filho do Homem, e isso tem ligação a uma profecia de Daniel (Dn 7.13,14), onde o Filho do Homem receberá autoridade do Deus Pai e será
adorado por todos.


Foi esse um dos motivos da indignação dos sacerdotes em outra passagem que ele se refere como o Filho do Homem (Mc 14:63,64), pois eles sabiam muito bem que só Deus deve ser adorado, mas Jesus estava afirmando que ele seria adorado, inclusive pelos sacerdotes.


As outras objeções à divindade de Jesus vem de um mal entendimento do que significa a afirmação de que o “Verbo se fez carne” e não entender o que significa a Trindade. Por isso antes de analisar as outras questões, vamos ver o conceito disso.



"E O Verbo se fez carne..." Jo 1:14 3

A afirmação de que Deus se fez homem não quer dizer que ele se limitou a natureza humana, mas que acrescentou a humanidade, se subordinou ao Pai e aceitou todas as limitações que nós seres humanos temos, mas não pecou. Foi isso o que Paulo quis dizer em Filipenses 2:5--11, Jo 1:1-14; Hb 2:17;


5 De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
6 Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
7 Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
8 E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
9 Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
10 Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
11 E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.



Quando Jesus foi concebido não deixou de ser Deus mas acrescentou a natureza humana. Jesus enquanto estava como humano, estava sujeito as nossas fraquezas, tanto que em tudo foi tentado, sentia fome, sede e medo, como todos que tem a natureza humana. Ele não deixou de ser Deus, pois essas tentações não eram para sua natureza Divina.


E a trindade?


Falar da natureza de Deus é falar que espécie de ser Ele é, falar da personalidade de Deus é sobre quem Ele é. Quando falamos que Deus é uma trindade, queremos dizer que ele é uma pluralidade dentro de uma unidade. Ele tem uma natureza divina (o quê) compartilhada pelas três pessoas (quem) - o Pai (quem 1), o Filho (quem 2) e o Espírito Santo (quem 3).


Norman Geisler da uma boa explicação:


"A identidade desse ser tripessoal é composta de uma relação interna que contém três pessoas individuais distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Agora pode ficar um pouco mais claro que o quê infinito (Deus) não se tornou um quê finito (homem); ao contrário, Deus o Filho (quem 2), tendo uma natureza infinita (quê 1), acrescentou-se e assumiu uma natureza finita - um quê finito (quê 2). Não há três deuses (três quem) - há somente um Deus (quê 1) e três pessoas (três quem) que possuem essa única natureza divina. Foi somente a segunda pessoa, Jesus (quem 2) que compartilha a natureza divina (quê 1),, que assumiu uma segunda natureza, a natureza humana (quê 2)


Conseqüentemente, Jesus, Deus-Filho, veio à terra assumindo a natureza humana.


[...]


A doutrina simplesmente é que nosso Senhor Jesus Cristo como eterno Filho de Deus reteve o complexo total dos atributos divinos, e sempre e em todas as circunstancias comportou-se de maneira perfeitamente coerente com seus atributos divinos. Ele assumiu um complexo de atributos humanos essenciais e, durante "os dias de sua carne" (Hb 5:7) sempre e em todas as circunstâncias comportou-se de maneira perfeitamente coerente com sua natureza humana sem pecado."


Trindade




Portanto nas questões como “Deus pode ser tentado?” temos que levar em conta as duas naturezas de Jesus. Jesus pode ser tentado? Como Deus, não. Como homem? Sim. Na mesma ocasião que Jesus foi tentado vemos que os anjos reconhecem sua divindade:


10 Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.
11 Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.


Só a Deus servirás, e os anjos o serviam.



Conclusão.


Em várias ocasiões o Novo Testamento faz questão de mostrar que Jesus tem as duas naturezas. Por isso em questões como essas não devemos esquecer disso. Para concluir, gostaria de deixar um texto de Martim J. Scoot sobre a encarnação:


“Como todos os cristãos sabem, a encarnação significa que Deus (isto é, o Filho de Deus) se fez homem. Isso não quer dizer que Deus se tornou homem, nem que Deus cessou de ser Deus e começou a ser homem; mas que, permanecendo como Deus, ele assumiu ou tomou uma natureza nova, a saber, a humana, unindo esta à natureza divina no ser ou na pessoa – Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.

Na festa das bodas de Cana, a água tornou-se em vinho pela vontade de Jesus Cristo, o Senhor da Criação (João 2:1-11). Não aconteceu assim quando Deus se fez homem, pois em Caná a água deixou de ser água, quando se tornou em vinho, mas Deus continuou sendo Deus, quando se fez homem.

Um exemplo que nos poderá ajudar a compreender em que sentido Deus se fez homem, mais ainda não ilustra de maneira perfeita a questão, é aquele de um rei que por sua própria vontade se fizera mendigo. Se um rei poderoso deixasse seu trono e o luxo da corte, e vestisse os trapos de um mendigo, vivesse com mendigos, compartilhasse seus sofrimentos, etc., e isto para poder melhorar as condições de vida, diríamos que o rei se fez mendigo, porém ele continuou sendo verdadeiramente rei. Seria correto dizer que o que o mendigo sofreu era o sofrimento de um rei; que, quando o mendigo expiava uma culpa era o rei que expiava, etc.

Visto que Jesus Cristo é Deus e homem, é evidente que Deus, de alguma maneira, é homem também. Agora, como é que Deus é homem? Está claro que ele nem sempre foi homem, porque o homem não é eterno, mas Deus o é. Em um certo tempo definido, portanto, Deus se fez homem tomando a natureza humana. Que queremos dizer com a expressão “tomar a natureza humana”? Queremos dizer que o Filho de Deus, permanecendo Deus, tomou outra natureza, a saber, a do homem, e a uniu de tal maneira com a sua, que constituiu uma Pessoa, Jesus Cristo.

A encarnação, portanto, significa que o Filho de Deus, verdadeiro Deus desde toda a eternidade, no curso do tempo se fez homem também, em uma Pessoa, Jesus Cristo, constituída de duas naturezas , a humana e a divina. Isso, naturalmente é um mistério. Não podemos compreendê-lo, assim como tampouco podemos conceber a própria Trindade. Há mistérios em toda parte. Não podemos compreender como a erva e a água, que alimentam o gado, se transformam em carne e sangue. Uma análise química do leite não demonstra conter ele nenhum ingrediente de sangue, entretanto, o leite materno se torna em sangue e carne da criança. Nem a própria mão sabe como no seu corpo se produz o leite que dá a seu filho.

Nenhum dentre os sábios do mundo pode explicar a conexão existente entre o pensamento e a expressão desse pensamento, ou seja, as palavras. Não devemos, pois, estranhar se não podemos compreender a encarnação de Cristo. Cremos nela porque aquele que a revelou é o próprio Deus, que não pode enganar nem ser enganado.”



Espero que todos preconceitos sejam deixados de lado, e você tenha chegado a óbvia conclusão de que Jesus afirmou ser Deus, o mesmo Deus criou o mundo (Mt 3:3; Is 40:3-10).


quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ressurreição de Jesus - Transformação - Parte 5



"E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes?

E ele respondeu: Sim, Senhor; tu sabes que te amo.

Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.

Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me?

Disse-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo.

Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me?

Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo.

Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde tu não queiras. E disse isso signi­ficando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isso, disse-lhe: Segue-me.

E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, £ que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será?

Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu. Divulgou-se, pois, entre os irmãos o dito de que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?"

— João 21.15-23

"Varões israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela. Porque dele disse Davi:

'Sempre via diante de mim o Senhor,

porque está à minha direita,

para que eu não seja comovido;

por isso, se alegrou o meu coração,

e a minha língua exultou;

e ainda a minha carne há de repousar em esperança.

Pois não deixarás a minha alma no Hades,

nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção.

Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida;

com a tua face me encherás de júbilo.'

Varões irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. Sendo, pois, ele profeta e sabendo que Deus lhe havia pro­metido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono, nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no Hades, nem a sua carne viu a corrupção. Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ou vis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz:

Disse o Senhor ao meu Senhor:

Assenta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.

Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo."

Atos 2.22-36

O que aconteceu em resultado da ressurreição não tem precedente na história humana. No espaço de poucas centenas de anos, um peque­no grupo de crentes aparentemente insignificante teve sucesso em virar um império inteiro de cabeça para baixo. Como já se disse com proprie­dade: "Eles enfrentaram o aço brandido do tirano, a juba ensangüentada do leão e os fogos de mil mortes",1 porque estavam totalmente conven­cidos de que eles, como seu Mestre, iriam ressurgir da sepultura em um corpo glorificado e ressurreto.

Ainda que seja concebível que os discípulos tivessem enfrentado tortura, vilipendio e até morte cruel pelo que fervorosamente criam ser verdade, é inconcebível que tivessem estado dispostos a morrer pelo que sabiam ser mentira. Ninguém apregoou este argumento com mais eloqüência que o Dr. Simon Greenleaf, o majestoso Professor de Direito, em Harvard. Greenleaf foi indubitavelmente a maior autoridade ameri­cana em evidências de direito comum do século XIX. Seu livro, A Treatise on the Law ofEvidence (Um Tratado sobre a Lei das Evidências) ainda é considerado um dos trabalhos mais importantes sobre evidências legais. Em 1846, ele escreveu:

As grandes verdades que os apóstolos declaram foram que Cristo tinha ressurgido dos mortos, e que somente pelo arrependimento de pecados e fé nEle os homens podem ser salvos. Eles afirmam esta doutrina a uma voz, em todos lugares, não apenas durante os maiores esmorecimentos, mas diante dos terrores mais apavorantes que podem ser apresentados à mente humana.

Seu mestre perecera recentemente como malfeitor, pela sentença de um tribunal público. Sua religião procurou subverter as religiões do mundo inteiro. As leis de todos os países eram contra os ensinos dos seus discípulos. Os interesses e paixões de todos os governantes e dos grandes homens do mundo estavam contra eles. A moda do mundo estava contra eles.

Ao propagar esta nova fé, mesmo da maneira mais inofensiva e tran­qüila, eles poderiam esperar nada mais que desprezo, oposição, insulto, perseguições implacáveis, açoites, prisões, tormentos e mortes cruéis. Contudo, eles propagaram zelosamente esta fé; e todas estas misérias eles suportaram impavidamente — não, alegrando-se. A medida que um após o outro era morto de forma miserável, os sobreviventes davam prosseguimento à obra ainda com mais vigor e resolução. Os anais da guerra militar quase não oferecem exemplo de igual constância heróica, paciência e coragem impassível. Eles tinham todo o motivo possível para revisar minuciosamente os fun­damentos da fé e as evidências dos grandes fatos e verdades que defendiam, e estes motivos eram impingidos em sua atenção com a freqüência mais melancólica e maravilhosa. Era, então, impossível eles terem persistido em afirmar as verdades que narravam, não tivesse mesmo Jesus ressurgido dos mortos e não tivessem eles conhecido este fato tão certamente quanto conheciam algum outro fato.*

* O livro The Testimony of the Evangelists (O Testemunho dos Evangelistas) contém esta nota:

Se se presumisse que as testemunhas tivessem sido influenciadas de modo desfavorável, isto não lhes destruiria o testemunho em termos de fato; apenas depreciaria o peso do seu julgamento em termos de opinião. A regra da lei sobre este assunto foi declarada pelo Dr. Lushington nestas palavras: "Quando você examina o testemunho de testemunhas estreitamente relacionadas com as partes e não há nada muito peculiar que tende a lhes destruir o crédito, quando elas de­põem os meros fatos, seu testemunho deve ser crido; quando elas depõem no que tange a termos de opinião, então deve ser recebido com suspeita". (Dillon versus Dillon, 3 Curteis, Eccl. Rep., pp. 96, 102.)

Se fosse moralmente possível eles terem sido enganados neste assunto, todo motivo humano operava para os levar a descobrir e admitir o erro. Ter persistido em tão grosseira falsidade, depois de terem se inteirado dela, não só era encontrar, para o resto da vida, todos os males os quais o homem pode infligir do nada, mas também suportar a angústia da culpa interior e da consciência; sem esperança de paz futura, sem testemunho de boa consciência, sem expectativa de honra ou estima entre os homens, sem esperança de felicidade nesta vida ou no mundo vindouro.

Semelhante conduta nos apóstolos teria sido totalmente irreconciliável com o fato de que eles possuíam a constituição comum de nossa natureza comum. Contudo, a vida que tiveram mostra que eles eram homens como todos os outros de nossa raça; controlados pelos mesmos motivos, animados pelas mesmas esperanças, afetados pelas mesmas alegrias, subjugados pelas mesmas tristezas, sacudidos pelos mesmos medos e sujeitos às mesmas paixões, tentações e fraquezas como nós. E seus escritos evidenciam que eles foram homens de entendimento vigo­roso. Se, então, o testemunho deles não fosse verdade, não haveria motivo possível para esta invenção.2

Os Doze

Como Greenleaf tão habilmente comunica, os doze3 foram transfor­mados completamente pela ressurreição.

Pedro, que outrora ficou com medo de ser exposto como seguidor de Cristo por uma jovem, depois da ressurreição foi transformado em um leão da fé e sofreu morte de mártir.4 De acordo com a tradição, ele foi crucificado de cabeça para baixo porque se sentiu indigno de ser crucificado da mesma maneira que seu Senhor.5

Tiago, o meio-irmão de Jesus, que antes odiava tudo o que seu irmão defendia, depois da ressurreição se chamou "servo [...] do Senhor Jesus Cristo" (Tg 1.1). Ele se tornou líder da Igreja em Jerusalém e, em cerca de 62 d.C, foi martirizado por causa de sua crença.6 Eusébio de C^saréia descreve como Tiago foi lançado do pináculo do templo e subseqüentemente apedrejado.7

O apóstolo Paulo foi igualmente transformado. Em outro tempo per­seguidor incessante da igreja crescente, se tornou o principal ganhador de adeptos entre os gentios. Sua transformação radical é sublinhada em sua carta aos filipenses:

Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como estéreo, para que possa ga­nhar a Cristo e seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé; para conhecê-lo, e a virtude da sua ressurreição, e a comunicação de suas aflições, sendo feito conforme a sua morte; para ver se, de alguma maneira, eu possa chegar à ressurreição dos mortos (Fp 37-11).

Pedro, Tiago e Paulo não estavam sós. Como o filósofo J. P. Moreland mostra, em semanas depois da ressurreição, não apenas um judeu, mas uma comunidade inteira de pelo menos dez mil judeus estava disposta a deixar as próprias tradições sociológicas e teológicas que lhes tinha dado identidade nacional.8

Tradições

Entre as tradições que foram transformadas depois da ressurreição encontram-se o sábado, os sacrifícios e os sacramentos.

Em Gênesis, o sábado era uma celebração da obra de Deus na cria­ção (vide Gn 2.2,3; cf. Êx 20.11). Depois do Êxodo, o sábado se expan­diu para uma celebração da libertação de Deus da opressão do Egito (vide Dt 5.15). Em conseqüência da ressurreição, o sábado foi mudado uma vez mais. Tornou-se uma celebração de "descanso" que temos por meio de Cristo que nos livra do pecado e da sepultura (vide Cl 2.16,17; Hb 4.1-11). Em memória da ressurreição, a igreja primitiva cristã mudou o dia de adoração do sábado para o domingo. Deus proporcionou à igreja primitiva novo padrão de adoração pela ressurreição de Cristo no primeiro dia da semana, suas subseqüentes aparições no domingo e a descida do Espírito Santo no domingo.9 Para a emergente Igreja Cristã, a armadilha mais perigosa era não reconhecer que Jesus era a substância que cumpriu o símbolo do sábado.

Para os crentes judeus, o sistema sacrificai também foi radicalmente transformado pela ressurreição de Cristo. Desde os dias de Abraão, os judeus foram inteirados da obrigação de sacrificar animais como símbolo da expiação do pecado. Contudo, depois da ressurreição, os seguidores de Cristo de repente deixaram de sacrificar. Eles reconheceram que a nova aliança era melhor que a antiga aliança, porque o sangue de Jesus Cristo era melhor que o sangue de animais (vide Hb 8—10). Entende­ram que Jesus era a substância que cumpriu o símbolo dos sacrifícios de animais. Ele era "o Cordeiro [sacrificai] de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29).

Como o sábado e o sistema sacrificai, os "sacramentos" judaicos da páscoa e do batismo foram profundamente transformados. No lugar da refeição pascal, os crentes celebraram a Ceia do Senhor. Moreland salienta que Jesus tinha acabado de ser morto de modo grotesco e humilhante, contudo os discípulos se lembravam com alegria do corpo partido e do sangue derramado de Cristo. Só a ressurreição pode explicar isso! Imagine os devotos de John F. Kennedy reunindo-se para comemorar seu assassinato às mãos de Lee Harvey Oswald. Eles podem celebrar suas confrontações com o comunismo, suas contri­buições aos direitos civis ou seu carisma cativante, mas nunca seu assassinato brutal.10

De modo semelhante, o batismo foi transformado radicalmente. Os convertidos gentios ao judaísmo eram batizados em nome do Deus de Israel.11 Depois da ressurreição, os convertidos ao cristianismo também foram batizados em nome de Jesus Cristo (vide At 2.36-41).12 Assim, os cristãos compararam Jesus com o Deus de Israel. Só a ressurreição pode explicar isso.13

Hoje

A cada dia, pessoas de todas as línguas, tribos e nações são batizadas em nome do Cristo ressurreto. Recentemente, diante do jardim da tum­ba em Jerusalém, encontrei um turista que não fazia idéia da significa­ção da ressurreição. Expliquei-lhe que Cristo se encapsulou em carne humana para restaurar a relação com Deus quebrada por nosso pecado, que Cristo viveu a vida perfeita que nós nunca poderíamos viver e que Ele morreu por nossos pecados, foi sepultado e, no terceiro dia, ressus­citou dos mortos. Também lhe expliquei que esta não era mera fantasia, mas o fato mais bem atestado da história antiga. Depois de comunicar o feito que demonstra o fato da ressurreição, este jovem deu o passo final e pessoalmente experimentou o Cristo ressurreto. Reconhecendo que era pecador, ele se arrependeu dos seus pecados e recebeu Jesus Cristo como Deus e Salvador de sua vida.

Hoje, ele conhece o Cristo não só por evidências, mas também por experiência. Cristo ficou mais real para ele do que a própria carne nos seus ossos.





Notas

1. Fonte desconhecida.

2. Simon Greenleaf, The Testimony ofthe Evangelists: The Gospels Examined by the Rules ofEvidence (Grand Rapids: Kregel Classics, 1995; publicado originalmente em 1874), pp. 31, 32.

3. Vide 1 Coríntios 15.5, onde os apóstolos originais, exceto Judas, são menciona­dos como os doze (cf. João 20.24).

4. Vide Clemente de Roma (c. 30-100 d.C), Primeira Epístola aos Coríntios, cap. V; Tertuliano (c. 160-225 d.C), Sobre a Prescrição contra os Heréticos, cap. XXXVI; Eusébio (c. 260-340 d.C), História Eclesiástica, Livro II, p. XXV.

5. Vide Eusébio, História Eclesiástica, Livro III, p. I, onde Eusébio cita Orígenes (c. 185-254 d.C.) concernente à crucificação de Pedro.

6. Kenneth Barker, editor geral, The NIV Study Bible (Grand Rapids: Zondervan, 1985), p. 1.879.

7. Eusébio, Livro II, p. XXIII. Cf. Josefo, Antigüidades Judaicas, 20:9:1; vide John P. Meier, A Marginal Jew: Rethinking the Historical Jesus, vol. 1 (Nova York: Doubleday, 1991), pp. 57-59.

8. Strobel, The Case for Cbrist, p. 251.

9. Norman Geisler e Thomas Howe, When Critics Ask (Wheaton: Victor Books, 1992), p. 78. Vide Mateus 28.1-10; João 20.26ss; Atos 2.1; 20.7; 1 Coríntios 16.2.

10. Argumentação adaptada de Lee Strobel, The Case for Cbrist, pp. 251, 253.

11. "Esperava-se que os prosélitos que entravam no judaísmo se despissem da roupa anterior, se submetessem à circuncisão e tomassem banho completo, depois do que eram considerados membros da comunidade judaica. O rito era reconheci­mento de mácula e da aceitação da lei como agente purificador." (Carl F. H. Henry, editor, Basic Cbristian Doctrines [Grand Rapids: Baker Book House, 1971], p. 256.)

12. Vide também Mateus 28.19; Atos 8.16; 10.48; 19.5; Romanos 6.3-5; 1 Coríntios 6.11.

13. Adaptado de Strobel, The Case for Cbrist, p. 253.