sexta-feira, 30 de julho de 2010

A concepção de Deus no Islamismo e no Cristianismo.



Assista as outras partes aqui.

O que é ou não cristão?

Me deparei com a seguinte pergunta:

Afirmar que Jesus foi imolado para aplacar a ira de Deus, e resgatar os nossos pecados, não contraria fundamentalmente a mensagem Cristã?

O Cristo afirmou que a violência não poderia ser combatida pela violência.

O mal não poderia ser combatido pelo mal.

Como querem então alguns, que o sacrifício de sangue humano possa ser Cristão?

Algumas pessoas hoje em dia têm que entender uma coisa: o que é cristão não é todo esse nhanhanha por aí de somente amar ao proximo, somente fazer caridade, somente qualquer blablabla (até mesmo o "somente as escrituras").

A doutrina cristã é tudo o que foi passado pelos primeiros discipulos de Jesus.

Eles que viram e ouviram Jesus falar, você e eu não. Eles que aprenderam por anos com Jesus, você e eu não. Eles foram feitos apostolos e divulgadores da mensagem cristã que foi ensinada e vivida por Jesus, você e eu não. Foram com eles que Jesus deixou a responsabilidade de ensinar todas as coisas que haviam aprendido, e com a promessa de que não esqueceriam. Não pra mim ou pra você.

Esses que presenciaram, ou ouviram dos que presenciaram, escreveram o que chamamos hoje de Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. Eles foram os que escreveram cartas no primeiro século a toda a igreja. Eles morreram afirmando que falavam a verdade. Provaram que foram sinceros. No maximo foram loucos.

Esta Igreja, nas suas diversas comunidades, preservou esse ensino de forma oral e escrita, e isso foi passado de forma sucessiva e universal (daí o termo Católica). Todas aquelas comunidades possuiam suas crenças em comum, pelo simples fato de que tiveram origem apostolica, diferente da gnose e outros movimentos.

Então o que é ou não cristão, não é todo esse discurso piegas que hoje as pessoas acham, mas sim o que eles, os primeiros discipulos de Jesus, presenciaram e afirmaram.

Eles que foram os chamados cristãos, e eles acreditavam nisso. Então se acreditavam na morte expiatória, então ela é uma doutrina cristã. Se eles ensinavam que Jesus ressuscitou de fato dos mortos, então é uma doutrina cristã. Por mais que para alguns pareça uma idéia absurda.

E não é qualquer modismo de quem não presenciou nada daquilo, de quem não viu e ouviu Jesus pessoalmente, de quem não morreu pelo nome de Jesus na mão dos poderosos, que vai dizer o que é ou não cristão.

Não sou eu ou você, são eles que têm que dizer. Eles foram os enviados por Jesus.

Podem até dizer que é contraditório, errado e que não concordam. Qualquer um tem esse direito. Mas a idéia de que o que eles, os discipulos que viveram com Jesus, e os primeiros que tiveram o nome de cristãos, não preservaram a doutrina que teve esse nome por causa deles, que pregavam o seu Cristo morto e ressuscitado, e que qualquer pessoa vários séculos depois vai poder aparecer e dizer o que é ou não cristão? Essa é uma idéia totalmente absurda.

Outra questão é entender o porque disso tudo, qual o proposito e como conciliar. Mas dizer que algo é cristão ou não só porque não entendeu, e daí descartar o que aparentemente não faz sentido, é desonesto e contrário a tudo o que Jesus disse.

Eu posso concordar, discordar ou não entender. Nada mais que isso.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O Consolador é o Espiritismo?

O texto bíblico citado pra essa afirmação no Evangelho Segundo o Espiritismo é o seguinte:

Se me amais, guardai os meus mandamentos.
E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;
O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.
[...]

Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

A outra parte fala:

Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.

O problema é que Jesus não disse que o mundo ainda não conhece o Espírito da Veradde por não estar maduro. Ele diz que o mundo não recebe. E diz que não o recebe porque não e não conhece. Ainda afirma que os apostolos já conheciam, porque ele habita com eles, e que sempre estaria com eles.

Jesus disse que o consolador faria os apóstolos lembrarem tudo que ele havia dito, e ensinar. É um erro pensar que tudo que foi dito na bíblia, é dito pra quem está lendo. Está claro que eram os apostolos que seriam lembrados e ensinados por tudo que Jesus disse. Então, se Jesus falou a verdade, os apostolos receberiam o Espírito da Verdade que iria instruir.

Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja. (Mateus 16:18) Então, se acreditamos de fato em Jesus, esse relembrar seria para os apóstolos relembrarem de tudo que Jesus disse, também ensinar e ajuda-los em questões dificeis. E foi o que o Esprito lembrou e ensinou os apostolos, como é relatado nas cartas apostolicas e no livro de Atos. É óbvio pelo texto que Jesus disse que seus discipulos eram os que seriam lembrados. É um erro pensar que tudo escrito na bíblia se refere a quem está lendo.

Vamos ver o que os relatos preservados deles que possuimos afirma (Seria bom ler mesmo cada versiculo citado):

- Os apostolos já criam que o Espírito Santo havia sido enviado: Atos 19:2; Lucas 12:12 (o Espirito Santo ensinaria os Apóstolos o que convenha falar); Atos 8:15-17; Atos 13:4; Atos 20:23; Atos 2:4; João 20:22; Judas 1:20; Efésios 4:30; Atos 15:28.

Segundo eles, Deus já havia dado o Espírito Santo. "Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo." 1 Tessalonicenses 4:8

E isso é evidenciado em Atos:

E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:4,8)

E a promessa de Cristo foi cumprida, como registrada no mesmo livro (v. 2,4)

Além de crer que o Espírito foi enviado, eles, por meio do ensino desse Espírito, acreditavam que o mesmo tinha personalidade, e que já a manifestava naquela época:

- Inteligência - 1 Co 2.9-11; Jo 14.26;
- Vontade e capacidade de escolha - At 13.2; 16.6; 20.28; 1 Co 12.11;

Pedro disse que Ananias mentiu ao Espirito Santo, e fala que nao mentiu aos homens, mas a Deus:

"Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus." Atos 5:3,4

E o escritor de Hebreus confirma que o Espírito é Eterno (v. 9,14)

O que se pode concluir é que:

1 - Segundo as palavras de Jesus, o Espírito Santo viria naquela época, em Jerusalém, para os seus discipulos.
2 - Os discipulos afirmaram que o que Jesus disse foi cumprido.
3 - O Espírito era atuante na Igreja.
4 - Ele possuia caracteristicas de uma personalidade.
5 - Ele é Deus.

Uma pergunta:

Diante do que foi exposto (que é claro e é diferente da visão espírita), o que o Evangelho Segundo o Espíritismo afirma foi ensinado pelo Espírito da Verdade?

Autor: Jonadabe Rios

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os Católicos são idólatras! Porque quero, porque quero, porque quero!

Já ouviu falar em Anscar Vonier? Saiba mais aqui: https://www.facebook.com/projetoanscarvonier

***

 É fato que a Bíblia condena a adoração a imagens, e por isso alguns protestantes usam esses trechos bíblicos para apoiar suas afirmações.

Mas há uma diferença entre ídolos (imagens que são adoradas como se fossem deuses) e imagens que servem como uma lembrança e inspiração para as pessoas. Então, o fato dos católicos utilizarem imagens não significa que eles são idólatras (adoram as imagens como se fossem deuses). Quem faz isso, segundo a doutrina católica, não é católico.

Existem passagens bíblicas que proíbem a fazer imagens e outras em que Deus ordena que se faça imagens. Deus pode se contradizer? Nós cristãos acreditamos que não, então deve haver uma explicação para isso, e vamos observar o que a bíblia diz para ter essa explicação. Caso não acredite na explicação, o que resta é a conclusão de que Deus se contradisse, o que nenhum cristão pode acreditar.

No primeiro exemplo Deus ordena que uma serpente seja construída para que qualquer pessoa que olhasse para ela fosse curada. No momento esta serpente não era adorada, apenas a tinham como um instrumento de livramento que o seu Deus havia ordenado. Só a partir do tempo em que davam a essa serpente adoração e glória devidas a Deus que ela foi destruída. O mesmo se pode dizer dos anjos na arca e das imagens que tinha no tempo.

Ele tirou os altos, quebrou as estátuas, deitou abaixo os bosques, e fez em pedaços a serpente de metal que Moisés fizera; porquanto até àquele dia os filhos de Israel lhe queimavam incenso, e lhe chamaram Neustã. (2Reis 18:4)

O que está implícito aí é que a serpente foi preservada pelos que sucederam Moisés, como Josué, em tempos posteriores. Nesse caso, o problema não foi a confecção da imagem que foi ordenada pelo próprio Deus, mas a adoração como se fosse um Deus.

Outro exemplo interessante são as imagens que estavam no templo, que, segundo a bíblia, eram revestidas de ouro (1Reis 6:21,22). Adiante o livro relata que:

E no oráculo fez dois querubins de madeira de oliveira, cada um da altura de dez côvados. E uma asa de um querubim era de cinco côvados, e a outra asa do querubim de outros cinco côvados; dez côvados havia desde a extremidade de uma das suas asas até à extremidade da outra das suas asas. Assim era também de dez côvados o outro querubim; ambos os querubins eram de uma mesma medida e de um mesmo talhe. A altura de um querubim era de dez côvados, e assim a do outro querubim. E pôs a estes querubins no meio da casa de dentro; e os querubins estendiam as asas, de maneira que a asa de um tocava na parede, e a asa do outro querubim tocava na outra parede; e as suas asas no meio da casa tocavam uma na outra. E revestiu de ouro os querubins. E todas as paredes da casa, em redor, lavrou de esculturas e entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, por dentro e por fora. Também revestiu de ouro o soalho da casa, por dentro e por fora. E à entrada do oráculo fez portas de madeira de oliveira; o umbral de cima com as ombreiras faziam a quinta parte da parede. Também as duas portas eram de madeira de oliveira; e lavrou nelas entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, os quais revestiu de ouro; também estendeu ouro sobre os querubins e sobre as palmas. (1Reis 6:23:32)

Os Querubins tinham 10 cúbitos, sendo que cada cúbito possui 50cm! Até mesmo o véu tinha Querubins 2Cr 3:7. Nas crônicas relata que tinha também animais:

Fez também o mar de fundição, de dez côvados de uma borda até a outra, redondo, e de cinco côvados de altura; cingia-o ao redor um cordão de trinta côvados. E por baixo dele havia figuras de bois, que cingiam o mar ao redor, dez em cada côvado, contornando-o; e tinha duas fileiras de bois, fundidos juntamente com o mar. E o mar estava posto sobre doze bois; três que olhavam para o norte, três que olhavam para o ocidente, três que olhavam para o sul e três que olhavam para o oriente; e o mar estava posto sobre eles; e as suas partes posteriores estavam todas para o lado de dentro. (2Cronicas 4:2-4)


O que podemos compreender nisso tudo é que o que Deus proíbe é a idolatria, que é diferente de veneração.

Por isso que logo quando criticam a Igreja Católica dizendo que Deus condena a idolatria eu digo que é verdade, o problema é: o que é idolatria? Qual a definição bíblica de idolatria?

Por isso fica um dilema para os que dizem que Deus condena a simples confecção de imagens: Ou Deus se contradisse, ou mentiu. A pessoa que acredita nisso não pode, de hipótese alguma, ser considerada cristã, pois para os cristãos Deus não pode mentir nem se contradizer. A única saída é acabar com o preconceito sobre a confecção de imagens e admitir que o que Deus proíbe é a adoração delas como se fossem um deus, o que se vê pelo contexto das proibições. Se não fosse isso, Deus não teria dado sua benção sobre o templo como a bíblia relata:

E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a casa do SENHOR. E os sacerdotes não podiam permanecer em pé para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do SENHOR enchera a casa do SENHOR. (1Reis 8:10,11)

É bom lembrar que a questão aqui não é o objetivo das imagens, mas se todo e qualquer tipo de imagem são proibidos por Deus. Se Deus abominasse, não teria enchido a casa com sua glória garantindo a aprovação de tudo que foi feito.

Alguns se utilizam de subterfúgios como o dicionário para dizer que veneração tem o mesmo significado de adoração. Ora, a definição do dicionário é superior a definição bíblica? Além disso, o dicionário atribui o mesmo significado para “amar” e “honrar”, então Deus teria mandado os filhos adorar os pais?

Quando não conseguem condenar o uso de imagens pela bíblia, com seu preconceito infundado, algumas pessoas apelam para a afirmação de que os cristãos primitivos não faziam o uso de imagens, o que é mentira. Qualquer um que observar as catacumbas cristãs primitivas vai perceber que eles faziam sim o uso de imagens, como se pode ver em pesquisas sobre as catacumbas cristãs. Esse é um dos vários motivos que se faz concluir que os cristãos primitivos eram mais católicos que protestantes, além das doutrinas que seguiam.

É importante citar que a reforma protestante inicialmente não condenou o uso de imagens, já que como observamos, não é algo anti-biblico. Eles tratavam de outras questões como a justificação do cristão, por exemplo. Com o passar do tempo e o aumento do preconceito e implicância com o catolicismo, além da falta de conhecimento bíblico devido à Sola Scriptura (afinal, qualquer um poderia ler e concluir o que bem entendesse já que, segundo eles o Espírito Santo os inspiraria e daria entendimento), os protestantes criaram esse clichê anti-católico de que os católicos adoram imagens. Com essa atitude de ignorar a importância das imagens no cristianismo, algumas pessoas têm agido com extrema falta de respeito em outras ocasiões do culto que merecem reverência.

Quero destacar, também, que quando se olha uma imagem não é para venerá-la, como se ela pudesse ver. A bíblia fala claramente que estátuas não ouvem, tocam ou enxergam. O que se faz é lembrar-se da pessoa retratada. Ninguém considera idólatra um filho que ama a mãe e vive recordando seu exemplo através de seu retrato (que é uma imagem), seria idolatria se o filho adorasse a mãe como se fosse o Deus criador do universo.

É fato também que algumas pessoas dão honras exageradas aos santos, entretanto esse não é o ensino católico. Vários afirmam que os padres poderiam acabar com esse tipo de atitude apenas afirmando que não se deve adorar aos santos, e é o que fazem. Quanto a alguns que não conhecem piamente sua doutrina, é bom lembrar que Deus não leva em conta o tempo de ignorância. Por essas e outras razões que ainda serão apresentadas, não se deve julgar o todo por causa de uma pequena parte.

Um exemplo desse julgamento é o que ocorre por conta do sincretismo religioso. É verdade que algumas pessoas atribuem os mesmos santos cristãos a divindades pagãs, como alguns “católicos” fazem? É verdade. Esse sincretismo ocorreu inicialmente com os negros, que, para poderem praticar seus cultos livremente, identificaram suas divindades aos santos cristãos. Mas isso não quer dizer que a doutrina da igreja permite. É verdade que alguns padres apóiam essa atitude? Também é verdade, mas isso acontece até mesmo no protestantismo com pastores que apóiam atitudes totalmente anti-cristãs, e quando não apóiam são coniventes com essa situação.

Também desde os primórdios do cristianismo houve pessoas que implantavam heresias, e os lideres não estavam livres disse. Portanto, assim como não devemos dizer que todos os evangélicos pisam no sangue de Cristo quando fazem sacrifícios vãos e apóiam doutrinas contrárias à própria escritura, também não devemos julgar toda a igreja católica por conta de uma pequena parte (pois isso ocorre principalmente no nordeste do Brasil). Por conta disso alguns objetam que o uso de imagens leva a idolatria. Isso algumas vezes é verdade, como a bíblia mostra que aconteceu com o povo de Israel, mas nem por isso Deus condenou a sua fabricação, principalmente na arca e no templo. Assim como as musicas muitas vezes levam a idolatrar os músicos e alguns pregadores são exaltados nas alturas, mas não se deixa de fazer musica e pregar devido seu beneficio.

Além dessas situações relatadas na bíblia, é bom lembrar que ela fala de formas iguais que apresentam objetivos diferentes. Para que entenda melhor essa questão, pode-se lembrar de musicas com um mesmo ritmo, tocadas por instrumentos idênticos, mas com mensagens totalmente opostas. Algumas fazem apologia à violência, enquanto outras trazem mensagens de paz. Ou um médico que abre o corpo para salvar uma vida e um psicopata que o faz por prazer mórbido. Ambos possuem a mesma forma (abrir um corpo ou possuir o mesmo ritmo), mas têm objetivos diferentes.

As situações narradas pelas escrituras são semelhantes. Alguns se ajoelham para venerar, como forma de respeito e veneração (1 Reis 1:16; 2 Samuel 14:4; 1 Reis 18:7; Rute 2:10), outros como adoração a ídolos ou a Deus.

Pedro foi prudente falar para o homem que se ajoelhou diante dele pois sua cultura era essencialmente idólatra. João se prostrou diante do Anjo para adorar, o anjo disse para adorar a Deus. O versículo diferencia a forma do objetivo. Assim como o medico abre um corpo para salvar vidas e outro faz o mesmo para matar, João fez com o objetivo errado. Isso faz total sentido pois o anjo não o exortou porque se ajoelhou, mas por causa do objetivo de adorar.

Nem sempre se adora ajoelhado, ou se ajoelha adorando. Por isso, como observamos, na cultura judaica, se prostrar não é necessariamente adorar. Por esses motivos a forma (ajoelhar) não se configura sempre ao mesmo objetivo, que pode ser venerar, adorar ou até mesmo fazer zombaria.

Idolatria, como foi visto não é confeccionar imagens como lembrança ou respeito, mas tratar a criatura como se fosse o criador. Caso os protestantes que defendem isso levassem essa distorção da verdade a sério, e não apenas como preconceito (isso porque nem todos cometem esse erro), não teriam fotos, lembranças artesanais ou até mesmo imagens nos livros que falam contra imagens.

Nesse ponto, não se pode continuar ir de encontro a verdade e afirmar que confeccionar qualquer tipo de escultura é adoração e é condenado por Deus, mas apenas a idolatria, que nem sempre se dá com imagens esculturais.

Em suma: Deus proíbe os ídolos, não as imagens. Tanto que ordenou que dois anjos fossem postos na arca e que Salomão (seu escolhido para construir o templo) colocou várias imagens de tamanho consideráveis no Templo, atitude que foi aprovada por Deus. Por isso qualquer pessoa honesta intelectualmente deve pensar duas vezes antes de chamar os católicos de idólatras e considerar qualquer imagem um ato de idolatria.

Autor: Jonadabe Rios

A verdade sobre Galileu

Os deuterocanonicos possuem discrepancias com o resto da Bíblia?

 As objeções protestantes contra os deuterocanonicos são basicamente as seguintes:

1. Os livros vieram depois do período profético.
2. Os livros foram rejeitados por historiadores da mesma época da igreja primitiva e pela patrística.
3. Os livros foram rejeitados pelos hebreus.
4. Eles só voltaram a aparecer no canon da ICAR durante a reforma.
5. Os livros não foram citados por Jesus.
7. Os deuterocanonicos possuem ensinos contrários ao resto da bíblia.


- Os livros vieram depois do período profético.
Se o próprio Jesus, que é Deus, afirmou que o período profético (dos profetas judeus do Antigo Testamento) afirmou que a profecia acabou em João Batista, quem somos nós pra discordar? "Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João." Mt 11:13.

-  Os livros foram rejeitados por historiadores da mesma época da igreja primitiva e pela patrística.
Assim como os livros do Novo Testamento, houve certa discussão sobre quais deveriam fazer parte do canon. Alguns pais citam os deuterocanonicos, outros não. Da mesma forma que alguns pais da igreja primitiva citam certos livros do NT junto com os que hoje consideramos apocrifos (como a Didaquê e O Pastor) e não citam os que hoje os cristãos em geral aceitam como canonicos (motivos que vão de não conhecerem tais livros a não saber da sua autenticidade).

- Os livros foram rejeitados pelos hebreus.
A septuaginta foi citada por Jesus e pelos apóstolos. Se foi citada por Jesus, que, digo novamente, é Deus, quem somos nós pra discordar? Além disso, não havia unanimidade entre os judeus em relação a isso. Alguns só aceitavam o Pentateuco, por exemplo, outros tinham o canon judeu atual bem como a septuaginta. Na verdade, o Canon judeu atual foi estabelecido no concilio de Jamnia por motivos nacionalistas e, como se dá pra observar quando se estuda esse assunto, como forma de oposição ao cristianismo.

- Eles só voltaram a aparecer no canon da ICAR durante a reforma.
Isso não é verdade, até porque vários protestantes utilizaram o Canon católico, o concilio que ocorreu nesse período foi pra reafirmar o que a Igreja tinha como verdade de forma católica.

- Os livros não foram citados por Jesus.
Vários livros considerados inspirados pelos protestantes não foram citados por Jesus.

- Os deuterocanonicos possuem ensinos contrários ao resto da bíblia.

  "1.    Perdão do pecado mediante esmolas: Dizem que Tobias 12,9; 4,10; Eclesiástico 3,33 e 2 Macabeus 43-47 ensinam que as esmolas apagam os pecados, negando a redenção do sacrifício de Cristo e por isso não podem ser considerados canônicos. Primeiro estas referências são do AT, portanto não podem ter qualquer relação com o sacrifício de Cristo. Segundo, elas estão em plena conformidade com o AT, que ensina que o bem feito ao próximo será considerado em nosso julgamento. Este é o principio das esmolas. E esta mesma doutrina se encontra em Prov 10, 12, por exemplo. Será que o Livro dos Provérbios não é canônico também? Em terceiro lugar, esta mesma doutrina é confirmada no NT. Basta verificar Mc 9,41; Lc 11,41. Jesus confirma até mesmo o valor da esmola juntamente com outras formas de piedade (cf. Mt 6,2-18), veja também 1 Pd 4,8; At 10,3-4; 10,31.

    2.    A vingança e a prática do ódio contra os inimigos: Dizem que isto está em Eclo 12,6 e Judite 9,4 e contradiz ferozmente Mt 5,44-48. Mais uma vez Eclo diz respeito ao AT, onde valia a lei do retalião. Se o Livro do Eclesiástico não é canônico por esta razão, também não são Exodo, Deuteronomio e Levítico, Veja Ex 31,24; Lv 24,20; Dt 19,19-21.

    3.    Prática do suicídio: Dizem que o ensino sobre a prática do suicídio está em 2 Macabeus 14,41-42. Entretanto em Jz 16,28.30 Sansão se suicida e sua morte é tida como grandiosa pelo autor do Livro de Juizes. A bíblia possui diversos casos de suicídio – principalmente entre guerreiros – basta ver: Jz0,54; 16,28-29; 1Sm 31,4-5; 2Sm 17,23; 1Rs 16,18.

    4.    Ensino de artes mágicas: Dizem que Tobias 6,8-9 favorece a prática de artes mágicas. Ora, em Tobias 8,3 vemos que não é Tobias quem expulsa o demônio, mas sim o Anjo Rafael. O interesse era ocultar a ação do Anjo para Tobias. Em Jo 9,6 vemos que Jesus reconstituiu os olhos de um cego com saliva e logo em Tg 5,’4 há instruções para usar óleo na cura de enfermos; será que por isso estes livros também deixaram de ser canônicos?

    5.    Prática da mentira: Dizem que Judite 11,13-17 e Tob 5,15-19 favorecem a pratica de mentiras. Abrão disse ao rei Abimelec que Sara era sua irmã, e na verdade era sua esposa (Gn 20,2). Jacó, auxiliado pela mãe, mente ao pai cego, dizendo que era o filho mais velho e no entanto era o mais novo (cf. Gn 27,19), além de também enganar o sogro (cf. Gn 31,20). Será que o livro de Gênesis também não é canônico?

    6.    Erros históricos e cronológicos: Dizem ainda que os livros de Baruc e Judite são cheios de contradições em relação aos protocanônicos do AT. Devemos nos lembrar que a Sagrada Escritura não é um livro histórico ou geográfico, nela Deus, através das limitações humanas comunicou seus desígnios.Veja que II Reis 8,26 se contradiz com II Cro 22,2; II Reis 23,8 também se contradiz com I Cro 11,11. Isto também faz deles livros não canônicos?"(O Canon bíblico - A origem da lista doslivros sagrados. Autor: Prof. Alessandro Lima. Editora COMDEUS.)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Paulo, Paulo, por que te perseguem?

Paulo Foi o Verdadeiro Fundador do Cristianismo?
Por Craig Bloomberg

Na metade do século XIX, o acadêmico alemão do Novo Testamento, Ferdinand Christian Baur propôs uma drástica revisão do entendimento tradicional das origens cristas. Empregando a filosofia de historia de G. W. F. Hegel, o mesmo homem que inspirou Karl Marx na arena política, Baur acreditou ver um processo de "tese-antitese-sintese" nas primeiras gerações da Historia da Igreja. Um ramo do cristianismo seguia a Pedro, que permanecia relativamente fiel ao ensinamento judaico de Jesus. Paulo, no entanto, representava uma abordagem contraria, influenciada mais pela cultura greco-romana. As gerações posteriores, então, criaram uma síntese das duas tendências. No final do século XIX, outro liberal alemão, William Wrede, expandiu a obra de Baur e chamou Paulo de o segundo fundador do cristianismo. Autores de outras disciplinas ficaram ainda menos discretos nas suas descrições. O famoso dramaturgo inglês George Bernard Shaw escreveu sobre "a monstruosa imposição a Jesus", ao passo que o filosofo niilista Friedrich Nietzsche chamou Paulo de "o primeiro cristão" e o "desevangelista judeu" (isto e, alguém que traz mas noticias, em lugar de um "evangelista", ou portador de boas novas).

Uma comparação superficial entre Jesus e Paulo certamente revela diferenças mais rápido do que similaridades. Paulo parece citar ou se referir aos ensinamentos de Jesus raramente, e dizer ainda menos sobre a vida de Cristo. Em vez disso/ Paulo se concentra no significado da morte e ressurreição de Jesus e emprega categorias cristológicas que fazem de Jesus um ser muito divino e exaltado. Particularmente para as pessoas que não julgam os Evangelhos terrivelmente dignos de confiança, que duvidam de que Jesus agisse como algo mais do que um profeta, ou declarasse sê-lo, Paulo parece trabalhar em um mundo completamente diferente.

Na primeira metade do século XX, Rudolf Bultmann se esforçou, como muitos, para conservar Jesus e Paulo afastados um do outro. Mas para Bultmann, a fé não dependia de evidencias históricas, mas do testemunho do Espírito de Deus a uma pessoa, por intermédio da sua Palavra. Uma pessoa poderia afirmar a doutrina crista tradicional como crente, pela fé, mesmo que os seus estudos como historiador conduzissem a retratos radicalmente diferentes das origens cristas. Bultmann também se fez famoso por apelar a 2 Coríntios 5.16 ("Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo, agora, já o não conhecemos desse modo") e reivindicar que isso queria dizer que, sendo incrédulos, os discípulos pensaram que era importante avaliar o Jesus histórico, mas que, sendo crentes, reconheciam que o Jesus terreno não tinha importância. O que importava era adorar o Senhor ressuscitado.

Na segunda metade do século XX, o pendulo começou a se afastar destas posições de extremo ceticismo. Os comentaristas concordam que 2 Coríntios 5.16 estava contrastando duas avaliações diferentes de Cristo, antes e depois da sua ressurreição — uma que não o considerava como o Messias divino, e outra que considerava. Acadêmicos conservadores, como F. E Bruce e J. W. Fraser escreveram livros importantes que destacam a continuidade entre as vidas e os ensinamentos de Jesus e Paulo,  gerando uma crescente confiança na similaridade entre os dois homens, ate mesmo em círculos menos conservadores. Em anos recentes, ninguém fez mais para defender esta causa do que o evangélico inglês David Wenham, em dois importantes livros e em vários artigos sobre o tema.

Mas o ceticismo e difícil de eliminar, e antigas teorias ressuscitam de roupa nova. No principio deste novo milênio, Michael Goulder, da Universidade de Birmingham, modificou e reapresentou a teoria de Baur, pelo menos no que diz respeito à tensão em Corinto, sugerindo que Paulo tinha que combater o cristianismo Petrino como uma parte daquilo que ele considerava como falsos ensinos. E Gerd Ludemarm, cujas opiniões sobre o assunto que discutimos no capitulo anterior, nos tópicos "Os Credos Cristãos Antigos" e "Milagres", vão ainda mais alem do que Wrede, chama Paulo de verdadeiro fundador do Cristianismo. A idéia de que a mudança do ensino de Jesus para a teologia de Paulo a respeito de Jesus possa ser resumida com o titulo "De profeta judeu a deus dos gentios", continua a vir a tona!

O Conhecimento de Paulo sobre os Ensinos de Jesus

O obvio ponto de partida para responder a essas acusações envolve os mesmos textos que apresentei rapidamente no capitulo anterior, textos que demonstram que Paulo estava ciente dos ensinamentos de Cristo. Ali, o meu propósito foi meramente argumentar que a presença de citações ou referencias às palavras de Jesus, em cartas escritas antes da composição de qualquer Evangelho escrito, demonstrava que os ensinamentos de Cristo estavam circulando de boca em boca e eram relativamente preservados com cuidado. Aqui, nos precisamos nos aprofundar nos detalhes, examinando estes e outros textos, para determinar o quanto Paulo conhecia sobre Jesus e quão cuidadosamente ele usava o que conhecia.

AS REFERENCIAS MAIS CLARAS

Um Texto Litúrgico


De longe, a mais abrangente citação direta de Jesus nas epistolas de Paulo aparece em 1 Coríntios 11.23-25:

Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto e o meu corpo que e partido por vos; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice e o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes/ em memória de mim.

Aqui, Paulo apela a terminologia técnica dos judeus para a transmissão da tradição oral com os verbos ''recebi" e "ensinei''. Essas são informações que lhe teriam sido ensinadas muito cedo, na sua vida cristã. A celebração da Ceia do Senhor, em memória da Ultima Ceia de Jesus, caracterizava a adoração da Igreja desde a sua origem (veja Atos 2.42). As palavras usadas por Paulo são particularmente próximas da versão que Lucas apresenta da Ultima Ceia (Lc 22.19,20), embora todos os três autores Sinóticos incluam relatos razoavelmente similares. Embora Lucas modifique regularmente o texto de Marcos, quando eles compartilham relatos de um episodio na vida de Cristo, muitos acadêmicos pensam que Lucas teve uma fonte especial, particularmente de materiais exclusivos relacionados a ultima semana de vida de Cristo, e que a versão compartilhada por Lucas e Paulo reflete o mais antigo relato existente sobre a Ultima Ceia. Seja este o caso ou não, Paulo claramente veio a crer na morte substitutiva e expiatória de Jesus muito cedo, com base nas mesmas declarações que o próprio Jesus fez sobre a sua morte vindoura. Paulo certamente explica de forma detalhada o tópico em suas epistolas, muito mais do que Jesus o fez, mas os dois estão em perfeito acordo quanto ao tema.

Ensinos Éticos
Uma referenda menos direta ou abrangente a um ensinamento de Jesus aparece em 1 Coríntios 9.14, em que Paulo escreve: "Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho". Aqui, Paulo se refere ao ensinamento de Jesus, apresentado em Lucas 10.7 e Mateus 10.10, de que os trabalhadores merecem seus salários. Em razão do contexto financeiro mais explicito, Paulo provavelmente esta, de novo, aproveitando a forma usada por Lucas de uma assim chamada expressão Q (material encontrado em Mateus e Lucas, mas não em Lucas), e a forma da expressão normalmente considerada como a mais antiga, e mais literal tradução das palavras de Jesus. Algumas vezes, se alega que Paulo se sente livre para desobedecer aos mandamentos de Cristo, uma vez que em Corinto ele se recusa a aceitar dinheiro pelo ministério. Mas as palavras de Jesus enunciavam um principio de que aqueles a quem chamaríamos "trabalhadores cristãos em período integral" merecem apoio financeiro dos companheiros cristãos. Ele jamais disse que as pessoas não poderiam voluntariamente abrir mão de seu direito de receber este sustento, por uma boa razão, como a que Paulo acreditava ter.

O texto de 1 Coríntios 7 envolve urna interessante interação entre palavras que Paulo atribui diretamente ao ''Senhor'' e aquelas cujo veredicto é seu. No versículo 10, ele declara: "Aos casados, mando, não eu, mas o Senhor: Que a mulher se não aparte do marido". No versículo 12, no entanto, ele escreve: "Mas, aos outros, digo eu, não o Senhor..”, quando continua a lidar com a situação de uma pessoa crista com um cônjuge incrédulo que deseja abandonar o casamento. Embora, a primeira vista, possa parecer que Paulo esteja reivindicando inspiração para a sua primeira declaração, e então meramente de a sua opinião no segundo caso, e mais provável que ele queira dizer que sabe que o Jesus histórico ensinava, de modo geral, contra o divorcio (veja Mc 10.2-12), mas que Jesus não fez nenhum pronunciamento especifico a respeito de casamentos mistos. Paulo faz uma distinção similar no versículo 25: "Ora, quanto as virgens, não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel". Paulo realmente ere que o Senhor o guiou ao dar-lhe uma convicção sobre o tema, mas reconhece que não pode citar o Jesus terreno no processo. Finalmente, o versículo 40 conclui o capitulo com outra das "chamadas a dedsao"— sobre a felicidade pessoal de uma viúva que continua sem se casar — e acrescenta a sua convicção de que ele também tem o "Espírito de Deus", provavelmente um gentil empurrão nos professores elitistas de Corinto que pensavam que somente eles estivessem em contato com o Espírito de Deus.  Novamente, a forma do ensinamento de Jesus a que Paulo se refere, no principio dos seus comentários, reflete a mais antiga versão entre os relatos dos Evangelhos. E interessante, também, que a preferência de Paulo pela vida de solteiro, por todo este capitulo, provavelmente reflete o ensinamento contracultural de Jesus, de que Deus da a dádiva do celibato a alguns crentes (Mt 19.10-12). Como Jesus em Marcos 10.7 e passagens paralelas, Paulo também apela ao relato do Genesis sobre o casamento (como deixar pai e mãe, apegar-se ao cônjuge e tornar-se uma única carne) em um contexto próximo (1 Co 6.16) que sugere que ele conhecia, com detalhes, os ensinamentos de Jesus sobre o tema.

Um grupo de alusões aos ensinamentos de Jesus aparece em Romanos 12 -15.15 Romanos 12.14 claramente se refere ao ensinamento de Jesus no Sermão da Montanha com os seus mandamentos de abençoar aqueles que perseguem os crentes, com a conclusão "abençoai e não amaldiçoeis". A ocorrência dos verbos para abençoar e amaldiçoar na forma deste ensinamento, segundo Lucas (Lc 6.28), mostra que, novamente, Paulo está mais próximo, nas suas palavras, da versão das palavras de Jesus consideradas como sendo a tradução mais antiga e mais literal (compare com Mt 5.44). Romanos 12.17 ("A ninguém tomeis mal por mal") pode ser uma alusão a uma parte do sermão encontrado apenas em Mateus (5.39 — "não resistais ao mal")* Os versículos 18-19 parecem fazer alusão ao mandamento de Jesus, de amar aos próprios inimigos/ especialmente da maneira como vemos em Lucas 6.27 e 36, que são, novamente, as formas mais antigas da tradição.

Romanos 13.7, com suas palavras sobre dar a todos os que lhes e devido, incluindo taxas e impostos, claramente relembra a resposta de Jesus a pergunta sobre o pagamento de tributes: "Dai, pois, a Cesar o que e de Cesar e a Deus, o que e de Deus". Ate mesmo o extremamente cético Seminário Jesus marca em vermelho este texto no Evangelho de Marcos (12.17), identificando-o como uma rara frase de Jesus preservada intacta na sua forma original. O apelo de Paulo aos romanos, para que deixem de julgar os outros com respeito a questões moralmente neutras (Rm 14.13) talvez seja uma alusão a outro ensinamento essencial do Sermão da Montanha sobre não julgar, para não ser julgado (Mt 7.1; Lc 6.37). O versículo seguinte (Rm 14.14) reitera ainda mais claramente a declaração de Jesus de que todos os alimentos agora são inerentemente limpos (Mc 7.18,19 par.), uma declaração que esta mais clara na sua forma mais antiga, a de Marcos. A declaração de Cristo também pode estar por trás da ordem de Paulo em 1 Coríntios 10.27: "Comei de tudo o que se puser diante de vos". Alternativamente, esse texto pode aludir a Lucas 10.7, sobre comer o que quer que as pessoas fornecessem aos discípulos, quando eles prosseguiam em suas viagens missionárias. Neste ultimo caso, e interessante que versículos consecutivos do mesmo sermão tenham sido citados em diferentes textos de Paulo (lembre-se de 1 Co 9.14 sobre Lc 10.8), sugerindo que Paulo conhecia blocos de ensinamento maiores do que simples frases individuais de Jesus.18 Finalmente, Romanos 15.1-3 se refere explicitamente ao modelo de Cristo, em não agradar a si mesmo, usando linguagem que também pode fazer eco as suas palavras sobre a servidão (cf. Mc 10.45).

Com a exceção da citação muito explicita e extensa do ensinamento de Jesus na Ceia do Senhor, todas essas referencias consideradas ate aqui caem em um claro padrão. Paulo faz alusão as palavras de Jesus, em lugar de citá-las diretamente. Todos os textos envolvem a instrução ética de Jesus. E as referencias repetidas aos sermões extensos de Jesus sugerem que Paulo conhecia mais do que ensinamentos individuais que circulavam isoladamente uns dos outros. Ele estava, pelo menos, ciente de grupos de ensinamentos sobre temas similares, se não da totalidade das próprias mensagens.19 Escatologia

O principal ponto teológico que aparece nas alusões de Paulo aos ensinamentos de Jesus e a escatologia. 1 Tessalonicenses 2.15,16 compara a perseguição que os tessalonicenses estão vivenciando aquela dos lideres judeus em Israel, "os quais também mataram o Senhor Jesus e os seus próprios profetas, e nos tem perseguido, e não agradam a Deus, e são contraries a todos os homens. E nos impedem de pregar aos gentios as palavras da salvação, a fim de encherem sempre a medida de seus pecados; mas a ira de Deus caiu sobre eles ate ao fim". Essas duras palavras nos lembram das palavras de Jesus a certos lideres hipócritas entre os fariseus e escribas, em Mateus 23, especialmente os versículos 32-36. Ali, Cristo declara: "Enchei-vos, pois, a medida de vossos pais" (v. 32); Ele descreve como eles tinham condenado profetas nas eras passadas, e como agora iriam crucificá-lo (v. 34,35), e conclui dizendo que "esta geração" será responsável por todo este pecado (v. 36). Novamente, todas essas alusões também tem paralelos em Lucas (11.48-51), de modo que estamos olhando para tradições com raízes muito antigas.20 Ainda que os comentaristas discutam se as palavras de Jesus e de Paulo foram cumpridas na passagem do antigo concerto para o novo, iniciado com a crucificação de Cristo (30 d.C.) ou na destruição de Jerusalém em 70 d.C. pelos romanos (ou em ambos os episódios), ainda ha paralelos surpreendentes entre as declarações dos dois oradores.

Em 1 Tessalonicenses 4.15, Paulo anuncia: "Dizemos-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nos, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem". Nos versículos 16 e 17, ele prossegue, explicando que o próprio Senhor ira retornar do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, e então os crentes que ainda estão vivos irão encontrar o Senhor "nos ares". Embora alguns comentaristas pensem que esta e uma informação que Paulo recebera diretamente do Cristo ressuscitado, parece mais provável que ele este] a, novamente, aludindo a ensinamentos do Jesus terreno, E difícil saber quanto do que ele acrescenta depois do versículo 15 faz parte desta "palavra do Senhor", mas e interessante observar vários paralelos ao ensinamento de Jesus no Sermão das Oliveiras (em Mc 13; Mt 24 - 25 e . Lc 21). Especificamente, Marcos 13.26 e paralelos descrevem o retorno de Cristo do céu (como em 1 Ts 4.16a), quando envia os seus anjos (cf. v. 16b). O paralelo em Mateus acrescenta uma referenda a um clamor de trombeta (Mt 24.31; cf. 1 Ts 4.16c), ao passo que Mateus e Marcos continuam falando de tuna congregação de todo o povo de Deus (Mt 24,31; Mc 13.27; cf.lTs 4.15,17).

O fato de que a "palavra do Senhor" se refere aos ensinamentos de Jesus no Apocalipse Sinótico, como Marcos 13 e passagens paralelas são freqüentemente chamadas, e reforçado por alusões ainda mais claras em 1 Tessalonicenses 5. Nos versículos 2 e 4, a vinda de Cristo e comparada a chegada surpresa de um ladrão durante a noite. Essa e urna metáfora tão incomum e assombrosa (especialmente uma vez que Cristo era reverenciado, mas os ladrões são considerados maus)/ que Paulo provavelmente não a teria inventado, Quando vemos Jesus na sua parábola do pai de família, empregando a metáfora idêntica para uma realidade idêntica (Mt 24.43,44; Lc 12.39,40), temos praticamente certeza de que Paulo esta fazendo alusão a esta passagem em particular. A repentina chegada do fim, quando as pessoas pensam que o mundo continuara normalmente (1 Ts 5.3), combina com o ensinamento de Jesus na seção imediatamente anterior do Sermão das Oliveiras (Mt 24.37-42). A metáfora das dores do parto, no mesmo versículo, corres-ponde a Marcos 13.8 e passagens paralelas. Estar sóbrios e vigilantes, como filhos do dia (1 Ts 5.4-6) repete o chamado a vigilância, em Marcos 13.33, e toda a parábola das virgens, em Mateus 25.1-13 (cf. também os servos vigilantes em Lucas 12.35-38, que pode, originalmente, ter feito parte do mesmo sermão). 2 Tessalonicenses 2.3-6 oferece vários equivalentes a descricjlo da abominação da desolação em Marcos 13.14-20 e passagens paralelas. Uma vez mais, Paulo parece ter conhecido todo o sermão de Jesus e se refere a ele em varias ocasiões diferentes. E as parábolas e metáforas citadas estão entre as passagens, nos Sinóticos, mais amplamente consideradas como autenticas, ate mesmo por acadêmicos céticos de grandes porções da tradição do Evangelho. As linhas de continuidade entre Paulo e o Jesus histórico novamente superam as diferenças.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Peter Hitchens, mais um ex-ateu que percebe as incoerencias de sua antiga crença: o ateísmo.

O jornalista Peter Hitches, irmão do famoso ateu Christopher Hitches, acaba de lançar o livro The Rage Against God: How Atheism Led Me to Faith(Zondervan, 2010, 224p) em que conta sua jornada da descrença para o compromisso com a Fé Cristã.

A descrição do livro, como consta na contra-capa, mostra Como “com firme abertura e honestidade intellectual, Peter Hitchens, descreve o fracasso pessoal e curiosidade filosófica que o levou a queimar sua Bíblia na escola preparatória e a abraçar o ateísmo em seu lugar. A partir daí, ele traça sua experiência como um jornalista em Moscou, União Soviética, e a observação crítica que o deixou com mais perguntas que respostas; e mais desespero do que a esperança de viver uma vida significativa. Com a observação em primeira mão linha indistinta entre a política e a igreja, Hitchens revela as razões por que uma avaliação honesta do ateísmo não pode sustentar a descrença em Deus. No processo, ele fornece a esperança para todos os crentes que, nas palavras de T.S. Eliot, pode descobrir “o fim de toda nossa exploração chegará onde começamos a conhecer o local pela primeira vez”

Peter fala sobre a hostilidade contra a religião que ele testemunhou na queda da União Soviética, e que equivale ao que os novos ateus estão fazendo de uma maneira nova e re-inventada.

    “Se você empurra a Deus para fora do mundo, então você cria um deserto imenso"


Ele faz uma observação muito precisas sobre a nossa sociedade ocidental:

    Este país deixou de ser verdadeiramente cristã em termos de pessoas verdadeiramente, consciente e educada de forma a crer que a fé cristã após a primeira guerra mundial. As pessoas continuam a comportar-se como se fossem cristãos. E a sociedade continua a funcionar como se fosse uma sociedade cristã por algum tempo depois ele foi embora. Temos vivido os últimos 40 ou 50 anos, no crepúsculo do cristianismo. Mas, eventualmente, a noite cai.

Hitchens, o Peter, já teve um colóquio com Hitches, o Christopher ocorrido em 03 de abril de 2008.