quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Protestantes a favor das imagens?

No séc. XVI, a Reforma Protestante retomou a luta contra as imagens e passou a arrancar e destruir as obras sacras. Alguns historiadores indicam Martinho Lutero como o responsável por tal "violência", ao combater o culto aos santos. Entretanto, tomando contato com alguns livros , parece que a versão tradicional não condiz com a realidade, já que alguns protestantes tradicionais parecem não se posicionar contra o uso das imagens.

O teólogo e historiador luterano Martin N. Dreher, sustenta uma posição bem favorável ao uso das imagens. Seguem alguns trechos em sua obra, em especial do capítulo 5, entitulado "Palavra e Imagem":

"Na primavera de 1522 aconteceu, em Wittenberg, o início de uma das maiores catástrofes na história da humanidade. O conselho da cidade determinara a retirada das imagens das igrejas. Quando se começou a executar a decisão dos conselheiros municipais, a multidão reunida na frente da igreja da cidade invadiu o templo, arrancou as imagens das paredes, quebrou-as e terminou por queimar tudo do lado de fora. Em questão de minutos, uma paixão brutal destruiu o que para gerações de cristãos fora objeto de veneração religiosa. Onde os iconoclastas passaram, os templos ficaram como lavouras após uma chuva de granizo. Igual a uma epidemia o iconoclasmo se alastrava por todas as regiões. E o mais interessante é que são poucos os historiadores que se referem a ele, permitindo que o iconoclasmo continue a ser praticado até os nossos dias. O terrível disso tudo é que cristãos, munidos de machados e martelos, se levantaram contra objetos sacros, em locais consagrados, ante os quais até há pouco se haviam ajoelhado. Cristãos destruíram a linguagem da imagem que durante séculos havia orientado os cristãos. E o culpado pela destruição não foi o povo, mesmo que ele tenha realizado a ação; os culpados foram os pregadores que, a partir do púlpito, incitaram ao iconoclasmo. O mentor intelectual do iconoclasmo em Wittemberg foi Andreas Bodenstein, de Karlstadt. Ardoroso em sua maneira de ser, mas falho no tocante à reflexão sobre a consequência de seus atos, Karlstadt assumiu a direção do movimento reformatório em Wittemberg enquanto Lutero se encontrava no Wartburgo. No inverno de 1521/22, Karlstadt escreveu e publicou livreto com o título 'Da Eliminação das Imagens'. O livro é diminuto, tem poucas páginas, mas teve grandes consequências, provocando a destruição de muitas obras-de-arte. Segundo Karlstadt, não se pode tolerar imagens nas igrejas, pois afrontam o primeiro mandamento. Os 'ídolos de óleo' colocados sobre os altares, são invenção do demônio. Karlstadt tomou posição não somente contra esculturas, mas contra pinturas, a nova tendência na arte do Renascimento e da Reforma. Há autores que consideram Karlstadt o primeiro puritano. Assim, o emergente puritanismo seria responsável pelo iconoclasmo. Um outro momento parece ser importante para entender a onda iconoclasta: o biblicismo. Na Reforma se expressou a convicção de que somente a palavra havia de vencer. Para o mundo da Reforma, que tomava o cristianismo primitivo como norma e exemplo, não podia haver lugar para a imagem. Não é de se admirar que parte considerável do protestantismo tenha assumido as concepções de Karlstadt e que Calvino tenha em sua 'Institutas' um capítulo dedicado a todos os argumentos que podem ser usados contra as imagens. Quais as consequências desse fato? O século XVI não mais entendeu a linguagem das imagens e, por isso, as destruiu, produzindo consequências caóticas e cegueira. [...] Com a retirada das imagens do interior das igrejas protestantes destruiu-se o pensamento simbólico tão constitutivo para o cristianismo. E o pensamento simbólico é pensamento religioso propriamente dito. É na linguagem simbólica que se expressa a experiência do espiritual. Quando essa forma de pensamento não-conceitual deixa de ser usada ou é ridicularizada, produz-se a destruição de uma das disposições religiosas do ser humano. Quando se destruíram as imagens, destruiu-se o elemento que deixa o que é cristão transformar-se em sentimento. A imagem provoca e confirma o pensamento simbólico, sem o qual não se pode imaginar religiosidade viva. Observando imagens religiosas aprendemos a sentir simbolicamente. A melhor forma de introduzir crianças no mundo de concepções cristãs é através de imagens. Quando aprendemos a ver a imagem apenas como 'ídolo', destruímos a percepção para o pensamento simbólico. [...] Quando o ser humano não é mais capaz de pensar e de ver símbolos em uma tradição cristã viva, sua consciência religiosa fica esclerosada. [...] No início, Lutero tinha dificuldades com as imagens e afirmava que seria melhor se não existissem. [...] Mas quando Karlstadt deu início à onda iconoclasta, nela nada mais viu do que vandalismo, que estava prestes a destruir a liberdade evangélica e a reintroduzir a lei. Por isso, Lutero passou pouco depois a afirmar que imagens são memoriais e testemunhos e como tais devem ser toleradas. Além disso, chegou a afirmar que, se pudesse, mandaria pintar toda a Bíblia dentro e fora das casas. Sua postura em favor da pintura e das imagens tornou-se mais do que evidente desde a publicação dos catecismos (1529). As imagens movem a fé das crianças e dos simples. A fé cristã não se dirige, para ele, apenas aos ouvidos, mas também aos olhos das pessoas. A arte sacra deve ser meditada, e meditação não é pensamento lógico. Meditar é silenciar para que Deus possa falar. Nos últimos 500 anos, em razão do iconoclasmo, o pecado humano não tem deixado Deus falar; só fala o homem".

As palavras acima demonstram que o mundo protestante vem se abrindo para o uso das imagens. É interessante notar como a posição de Dreher é semelhante à da Igreja Católica, especialmente por repudiar o iconoclasmo e por reconhecer a importância que as imagens representam para o pensamento abstrato e catequético. Antes disso, em 1956, um congresso luterano lançou a questão: "por que admitir as impressões auditivas na catequese e rejeitar as impressões visuais? Estas parecem ainda mais eficientes do que aquelas".

Retirado do Veritatis Splendor

Comentários do blog:

Esse é um assunto já batido e refutado há muito tempo e desde que surgiu, mas ironicamente é o principal "argumento" dos protestantes brasileiros (em especial os pentecostais e neopentecostais). Isso acontece pois não percebem a diferença entre ter imagem, venerar, e idolatrar.

Por esse motivo não custa nada trazer algum texto novo sobre um tema antigo, como esse, onde há a defesa feita por um protestante em relação aos equivocos sobre o uso de imagens.

Mais textos do blog sobre o assunto:

http://porquecreio.blogspot.com/2010/07/os-catolicos-sao-idolatras-porque-quero.html
http://porquecreio.blogspot.com/2011/09/prova-biblica-para-o-culto-de-deus.html
http://porquecreio.blogspot.com/2011/02/imagens-outras-perspectivas.html
http://porquecreio.blogspot.com/2010/11/as-catacumbas.html (também de um protestante)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Enquanto isso...


No ventre de uma mulher grávida, dois gêmeos dialogam:

– Você acredita em vida após o parto?

– Claro! Deve haver algo após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.

– Bobagem, não há vida após o nascimento! Afinal, como seria essa vida?

– Não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que há aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comamos com a nossa boca.

– Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Além disso, andar não faz sentido, pois o cordão umbilical é muito curto.

– Sinto que há algo mais. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.

– Mas ninguém nunca voltou de lá. O parto apenas encerra a vida. E, afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.

– Bem, não sei exatamente como será depois do nascimento, mas, com certeza, veremos a mamãe e ela cuidará de nós.

– Mamãe? Você acredita em mamãe? Se ela existe, onde está?

– Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela não existiríamos.

– Eu não acredito! Nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que ela não existe.

– Bem, mas, às vezes, quando estamos em silêncio, posso ouvi-la cantando, ou senti-la afagando nosso mundo. Penso que após o parto a vida real nos espera; e, no momento, estamos nos preparando para ela.

(Autor desconhecido)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Da suposta desunião da Igreja Católica


Rodrigo, um grande amigo, andou comentando uma postagem do blog, e com isso fez uma postagem no seu blog sobre o assunto (que tem alguns ótimos artigos). Não pude respondê-lo antes pois sofri um capotamento de carro, mas graças a Deus não aconteceu nenhuma tragédia.

A critica dele é que os católicos alegam a desunião protestante, enquanto a própria Igreja Católica seria desunida. Em sua postagem ele cita alguns exemplos que irei comentar. Ele também cita algumas questões relativas ao primado de Pedro, no Concílio de Jerusalém, que resolvi não tratar.

Rodrigo não nega que o protestantismo é dividido (e não sei como ele responde essa questão com a unidade ensinada por Jesus, e vista na Igreja primitiva), no entanto ele alega que não há diferença entre a desunião protestante e a católica.

Mostrarei aqui que a desunião católica (que é um mau) não é na essência, ao contrário da desunião protestante. Citarei o que ele postou, seguido de resposta.
Você precisa ir dizer isso para teus correligionários tradicionalistas, que pensam de forma diferente. Para comprovar o que eu digo, confira este singelo parágrafo:
Recordando-me desta doutrina certíssima e irrevogável da Madre Igreja [da Eucaristia] e observando as transformações, convulsões e experiências peculiares do que atualmente ousam qualificar de renovação litúrgica, sou como que forçado a concluir que esta balbúrdia se rege por uma doutrinaoposta à doutrina ortodoxa. (http://permanencia.org.br/drupal/node/2118, as enfases são todas do autor)
E este artigo segue dizendo que as mudanças litúrgicas comprometem a transubstanciação e a doutrina do Sacrifício de Cristo. Não que eu concorde com isso, repito (sendo protestante, não creio na transubstanciação), estou apenas demonstrando a que ponto os católico-romanos divergem entre si.
E o que vem a seguir é quase uma admissão disto, pela boca de outro tradicionalista:
Então quem está dentro da Igreja? Aqueles que aceitam e procuram por em pratica as falsas doutrinas do Vaticano II ou aqueles que as recusam abertamente para permanecer fieis ao que o Magistério, assistido pelo Espírito Santo, ensinou durante dezenove séculos?

Isso na verdade só demonstra que não dizemos que há mais de uma Igreja, ou que ambos podem estar certos ao mesmo tempo. Mas que um grupo está com a Igreja e outro não. Um é católico, outro não.

Ao dizer que quem está com a Igreja é quem acredita no que Ela sempre afirmou, só se está dizendo que não é católico quem acredita em inovações que contradizem o que sempre foi ensinado. Um exemplo disso foi Ário, com sua inovação de que Jesus não é Deus. Ora, quando ele veio com este ensino, mesmo dentro de templos católicos, isso não passou a significar que esse era também um ensino católico. O ensino da Igreja foi o que ela sempre acreditou: que Jesus é Deus.

Dessa forma a pergunta citada por Rodrigo também se aplica nesse caso: é católico quem acredita no que a Igreja sempre ensinou, ou quem acredita em inovações? É católico Atanásio que defende o que sempre foi ensinado, ou Ário? É óbvio que a resposta é que Atanásio é católico, e Ário não. Apesar de estar em templos católicos, a fé dele não é. Essa não é uma divisão DENTRO da Igreja, mas alguém que ensina algo diferente do que ela ensina, e portanto está fora dela. Esse é o foco do que foi mencionado.

É isso que está ocorrendo na atual crise da Igreja. No entanto, apesar de discordarem de questões como a validade do Concílio Vaticano II, e das formas litúrgicas, ambos concordam com os elementos que são citados na liturgia. Por exemplo, os tradicionalistas defendem que a liturgia da Nova Missa é perigosa, e que a transubstanciação vai depender da intenção do padre. Os que defendem a Nova Missa discordam desse perigo, no entanto ambos acreditam na transubstanciação. E assim ocorre com os demais dogmas.

Essas diferenças em relação aos protestantismos são imensas, onde um acredita na transubstanciação, enquanto outro não acredita, fazendo com que a diferença não seja só na liturgia (quando existe liturgia), mas nos dogmas, no que pode ou não ser considerado revelação de Jesus. Realmente não sei como ele consegue conciliar isso com o ensino de Jesus e dos apóstolos em relação à unidade.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um diálogo fictício sobre o batismo infantil.


Esse é um diálogo fictício criado por Dave Amstrong e “traduzido” por mim. Ainda não sei inglês o suficiente para fazer uma boa tradução, e tenho feito algumas como forma de praticar pelo menos a leitura. Ainda falta muito para que eu faça leituras e traduções sem dificuldade e sem apelar o tempo todo a um dicionário, mas mesmo com certa dificuldade estarei disponibilizando algumas pequenas traduções. Espero que façam bom proveito. Originalmente os personagens se chamavam “Zeke” (Protestante) e "Cathy” (Católica), mas resolvi trocar para nomes mais familiares aos brasileiros.

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João Flavio: Alexandre, por que os católicos batizam bebês? É sem sentido, pois eles não sabem o que está acontecendo e não podem arrepender-se, segundo Atos 2:38 e Marcos 6:16.

Alexandre: Mas onde está proibido na Bíblia especificamente o batismo de bebês?

João Flavio: Bem... Eu acho que não diz isso, mas...

Alexandre: Mas você não segue apenas o que é ensinado claramente nas páginas das Escrituras?

João Flavio: É a conclusão que vem a partir de idéias claras na Escritura. Por isso é uma doutrina bíblica.

Alexandre: Essa é uma grande diferença! Agora estamos no mesmo barco, já que a Bíblia não ensina explicitamente sobre o batismo de crianças. Devemos fazer inferências. Os católicos observam que lá existem muitas indicações de nossa visão.

João Flavio: Onde? Eu nunca vi nenhuma em 17 anos de convertido.

Alexandre: Em Atos 16:15, 33; 18:8 (cf. 11:14), e 1Corintios 1:16 afirma-se um indivíduo e sua “casa inteira” foram batizados. E seria difícil, para não dizer impossível, não haver nenhuma criança. Paulo em Colossenses 2:11-13 faz conexão entre o batismo e a circuncisão. Israel era a igreja antes de Cristo (Atos 7:38, Romanos 9:4). Circuncisão, dada ao oitavo dia, foi o selo do pacto com Deus feito a Abraão, que também se aplica a nós (Gálatas 3:14,29). Ela era o sinal de arrependimento e fé futura (Romanos 4:11). Crianças eram parte do pacto tanto quanto os adultos (Genesis 17:7, Deuteronômio 29:10-12, cf. Mateus 19:14). Da mesma forma, o batismo é o selo do Novo Testamento em Cristo. Ela significa a purificação do pecado, precisamente o que a circuncisão fez (Deuteronômio 10:16, 30:6, Jeremias 4:4, 9:25, Romanos 2:28-9, Filipenses 3:3). Crianças são salvas totalmente pela graça de Deus da mesma forma que os adultos são, exceto pelo consentimento intencional racional.

João Flavio: Isso é impossível. Você tem que se arrepender e nascer de novo para receber salvação, como João 3:5.

Alexandre: Ele não diz exatamente isso. Ele diz que primeiro é preciso “nascer da água e do Espírito”. Os católicos, juntamente com os Pais da Igreja, como Santo Agostinho, e muito protestantes (Luteranos e Anglicanos, por exemplo), interpretam com referência ao batismo e uma prova da necessidade do batismo infantil.

João Flavio: Isso não faz sentido. A água referida aqui é do saco amniótico quando o bebê nasce. Bebês não podem nascer novamente. Jesus está contrastando o nascimento natural e espiritual.

Alexandre: Você está dizendo que o bebê não pode ser salvo, e vai morrer antes da “idade da razão”?

João Flavio: Não, eu não disse isso. Deus também é misericordioso demais para deixar que isso aconteça a um bebê inocente.

Alexandre: Se você diz que o bebê será salvo, então há claramente uma justificação para batizar crianças, já que existem outros fatores para a salvação além de seu consentimento. Dessa forma você chega a mais um ponto comum, a aliança de salvação (veja, por exemplo, 1 Co 7:14, 12:13), diferente da noção individualista que a maioria dos evangélicos possuem. A realidade do pecado original faz com que o batismo seja desejado o mais rápido possível, já que remove a punição e conseqüência do pecado e infunde a graça santificante. É por isso que muitos protestantes como Luteranos, Anglicanos, Metodistas, Reformados e Presbiterianos, ao longo da história tem batizado bebês.

João Flavio: Espere um minuto. Você realmente acredita que o batismo faz algo? Ele é somente um simbolismo.

Alexandre: Vocês sempre negam que a matéria pode ser um meio de transmitir graça, e também frequentemente fazem cara feia com a idéia dos sacramentos, que são os meios físicos pelo qual a graça é conferida.

João Flavio: Não acreditamos neles, pois são anti-bíblicos. A Bíblia fala que o Espírito que confere a Graça (Jo 6:63, Rm 8:1-10), não a matéria. Os católicos sempre acreditam nessas coisas bizarras, como as estátuas, relíquias, rosário, a hóstia da comunhão e água benta. Isso geralmente vira idolatria.

Alexandre: Eu discordo. O próprio Deus se fez carne em Jesus Cristo. O lenço de Paulo curou doentes (At 19:12), também a sombra de Pedro (At 5:15). Assim, o batismo é feito para a regeneração dos pecados. Atos 2:38 fala do batismo "para a remissão dos seus pecados.", 1 Pedro 3:21 que " agora vos salva, o batismo" (cf. Mc 16:16, Rm 6:3-4). Paulo lembra que Ananias disse "batiza-te, e lava os teus pecados" Atos 22:16. Em Co 6:11 Paulo parece inferir uma conexão orgânica entre batismo (lavagem), santificação e justificação, enquanto os evangélicos separam todos os três. Tito 3:5 diz que Ele "nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação". O que mais de prova bíblica é preciso? É para explicar isso tudo como simbolismo?

João Flavio: Estou de saída. Tenho algumas perguntas para meu pastor...

Texto original: http://socrates58.blogspot.com/2005/11/fictional-dialogue-on-infant-baptism.html

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Epístola - Missa Tridentina.

"Depois da Coleta e das outras orações que, muitas vezes, são acrescentadas com o nome de memórias, vem a Epístola, que é quase sempre uma passagem das Epístolas dos Apóstolos, e algumas vezes tiradas de outro livro da Sagrada Escritura.

O uso de ler só uma epístola não é um costume primitivo da Igreja; remonta, no entanto, a mil anos, ao menos. Nos primeiros séculos lia-se, primeiro, uma lição do Antigo Testamento, seguida então por uma passagem dos escritos dos Apóstolos. Agora só se lê uma epístola na missa, exceto nos dias das Quadro Têmporas e em certos dias da Féria. O uso de ler as lições do Antigo Testamento antes da epístola desapareceu quando compuseram o missal que é usado hoje, contendo tudo o que se diz na missa ,seja pelo padre, seja pelo coro, e chamado por esta razão de “Missal integral”.

O missal de antigamente, ou Sacramentário, só continha, como já dissemos, as orações, os prefácios e o Cânon. Para o restante, havia o Antifonário, a Bíblia e um Evangeliário. Perdemos com a mudança que se operou, porque cada missa tinha seu prefácio próprio, e ficamos reduzidos a um pequeno número dessas peças litúrgicas.

Observa-se para o ofício o mesmo modo de agir, já que não havia ainda breviário, usava-se então o saltério, o hinário, a Bíblia, o passionário – no qual se liam os atos dos santos – e o homiliário, que continha os discursos dos Padres da Igreja.

Durante muito tempo, o primeiro domingo do Advento guardou o privilégio de ter duas epístolas na missa. Acabou-se por deixar só uma aí também. O ofício desse domingo foi tratado com grande cuidado e representa, mais fielmente que a maior parte dos outros ofícios, os usos da antiguidade; também, apesar de semi-duplice [1], não se lhe atribuía nunca um sufrágio, assim como até a Epifania. Os sufrágios só apareceram depois do século XI.

Assim tudo procede com ordem no Santo Sacrifício: o padre expôs primeiramente os pedidos e exprimiu os votos da assistência; a Santa Igreja falou por sua boca. Logo escutaremos a palavra do Mestre, no Evangelho, mas a Santa Igreja quer nos preparar para isso por seu servidor, e põe primeiramente a Epístola, indo assim do Profeta, do Apóstolo, a Nosso Senhor.

[1] Antes de 1962 as rubricas dividiam as festas em Dúplice de 1ª e 2ª classe, Semi-duplice e Simples. O missal de 1962 simplificou esta nomenclatura. As festas passaram a ser de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª classe."

Coleta - Missa Tridentina.


Coleta é a oração onde se apresenta os pedidos a Deus. É a primeira oração propriamente dita da Missa.

"Esta primeira oração da Missa se encontra nos ofícios de Vésperas, Laudes e Matinas, do ofício monástico; mas não no romano, salvo no natal, antes da Missa da meia noite. Não se encontra em Prima, porque este ofício foi instituído mais tarde; nem em Completas, que é como uma oração da noite, a qual só se tornou parte da liturgia com São Bento. Mas é reencontrada em Terça, Sexta e Nona".

O padre diz a Coleta de braços estendidos, observando o antigo costume dos primeiros cristãos. Esse costume pode ser observado nas imagens das catacumbas, além dos escritos patrísticos, que, como bem diz o autor, "teríamos perdido para sempre" muitos detalhes dos primeiros séculos sem os primeiros cristãos. Detalhes esses até mesmo importantes para a interpretação das escrituras.

"No Oriente, esse uso se conservou para todo o mundo; no Ocidente tornou-se muito raro e está restrito a casos particulares; só o padre reza desta maneira, porque representa Nosso Senhor oferecendo uma prece muito eficaz a Seu Pai enquanto estava na cruz."

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cristofobia, JÁ CHEGA!


Criticar alguma personalidade, algum judeu (que não seja Jesus), os homossexuais, dentre outras pessoas e grupos é querer acabar com a liberdade de expressão e incitar ódio e preconceito (basta lembrar o alarde que certos grupos fizeram com o filme "A Paixão de Cristo", em algumas falas de judeus, ou coisas do tipo)... Agora criticar Jesus é ser politicamente correto, mente aberta, em alguns casos - como esse - é fazer arte.

Fazer ataques a Cristo e aos cristãos tem que ser permitido, temos que ser "tolerantes", isso é liberdade de expressão. O contrário não pode ser permitido, pois é querer impor a religiosidade e dogmas.

Como disse Reinaldo Azevedo:

"Cristo — sim, aquele, o Jesus — é alvo das maiores vilezas. E ai de quem se atrever a contestar o agressor. Há o risco de ser linchado sob a acusação de cercear a liberdade alheia. Malhar o Nazareno pode; chamá-lo eventualmente de “impostor” é um sinal de progressismo, de independência e de caráter superior. Mas Chico Buarque é intocável. Não foi assim, em passado recente, com Che Guevara, o porco fedorento?"

Segue aí um vídeo do que consideram liberdade de expressão. Ao mesmo tempo que criticava os poucos jovens que protestavam contra a peça em que se atira pedras numa imagem de Jesus Cristo, a platéia grita reafirmando essa "liberdade". Ironicamente os jovens que protestavam não possuem tal liberdade, tendo que ser tirados por policiais enquanto a platéia aplaudia o espetáculo.

Não é raro encontrar grupos que protestam de forma zombeteira em eventos organizados pela Igreja. Cito por exemplo um que jogava camisinhas na cara de jovens que oravam no JMJ, se não me falha a memória. Ou o tão comum hoje "beijaço gay" (que parece já até mesmo um certo fetiche). Agora compare-os com o protesto desse vídeo.

O que está na claro é que querem ter um tipo estranho de liberdade: liberdade para impor. Impor seus dogmas com aparência de mera opinião politicamente correta. Você não pode criticá-los, isso é intolerância. Não podem prendê-los em seus protestos contra a igreja (e falo agora das demais igrejas cristãs, não apenas a Católica). No atual conceito de "liberdade de expressão" se pode tolerar imagens de santos com formas eróticas, como fizeram numa parada gay, e ao mesmo tempo é intolerável que se diga o que tais santos diziam sobre essas práticas, o que fazia parte da vida dessas pessoas.

Podem zombar e atirar pedras em imagens que simbolizam a crença de milhares de pessoas no mundo inteiro, mas se você fizer uma música contrária a o que muita gente pensa, um filme em que apenas coloca o que está relatado em um documento antigo e considerado autêntico ou afirmar que não concorda com eventos como o holocausto por não existir evidências suficientes (que não é o meu caso), será acusado de incitar o ódio, ser intolerante e um fundamentalista fanático. Vão considerar uma ofensa, um crime digno de castigo.

Eles podem criticar a família, a correção dos filhos, a defesa da vida dos bebês e a dignidade desses seres vivos que são assassinados no ventre de suas próprias mães em prol de uma obsessão ao consumo de coisas e de pessoas, além de uma fuga de responsabilidade como seres humanos. Mas criticar qualquer uma dessas coisas é intolerância e algo injustificável. É isso que querem impor.

Eu não estou criticando a liberdade de se expressar, a questão aqui é a falsa tolerância. Então está aí meu recado: chega de Cristofobia.




segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Só para Recapitular...

31 de outubro... dia da "reforma" protestante, mas...

Muitos protestantes ainda não sabem que a 95 teses não foram para protestar contra a Igreja.

O protestantismo ainda não trouxe de volta as crenças apostólicas primitivas, a não ser boa parte das heresias primitivas.

Alguns sabendo que os Pais da Igreja ainda não apoiam suas heresias, os quais sem eles não teríamos a Bíblia, tentam até mesmo desqualificá-los.

Os protestantes ainda não conseguiram provar a Sola Scriptura.

Também não conseguiram refutar a veneração dos santos. Aliás, boa parte dos protestantes não tem outra coisa a criticar...

O protestantismo continua se dividindo.

Ainda não há uma única coisa que os protestantes concordem entre si, nem mesmo a existência de Deus ou sua natureza.

O número de ex protestantes (principalmente pastores e conhecidos anti-catolicismo) têm aumentado cada vez mais. Não por meio de emocionalismos, depois de ouvir alguma musica melosa e se sentir “tocado”, ou alguma pregação “ungida”, mas por meio da busca pela verdade. (Mais, e mais)

Isso não é diferente no Brasil.

Ao contrário da maioria de ex-“católicos”, os ex-protestantes eram protestantes de fato, enquanto a maioria dos que se diziam católicos, não conheciam e ainda não conhecem o que a Igreja ensina. ( Veja também)

Ainda tem gente que divulga mentiras como que a Igreja proibia traduções da Bíblia, além de sua leitura, sobre a Inquisição, entre outros tipos de mentira.

Enquanto você está lendo isso, provavelmente já abriram alguma outra igreja protestante dividindo ainda mais o que já nasceu em divisão.

A Igreja Católica continua Una, Católica, Apostólica e Romana.

E enquanto algum protestante tentar responder alguma coisa postada aqui, também estará surgindo alguma nova denominação com uma nova doutrina/revelação do que os apóstolos teriam ensinado. Alguém quer chutar algum nome de denominação que podem inventar?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Missa Tridentina - Glória in Excelsis

Este é um hino muito antigo (Segundo século), e está em todos os missais do oriente, ou seja, faz parte da liturgia oriental de forma universal (principal evidência para apostolicidade, além da antiguidade).

A principio é dirigido a Deus, a natureza divina, o princípio criador ( o "quê"), sem distinguir ainda a personalidade (o "quem"), o louvando, bendizendo e glorificando, pois o louvor pertence a Ele.

Ele é Bendito e glorificado na criação e redenção e por nos ter criado e redimido.

Por isso LAUDAMUS TE, BENEDICIMUS TE e GLORIFICAMUS TE, meu Senhor!

Gratias agimus tibi propter magnam gloriam tuam. Damos graças por causa de sua grande glória. E qual é sua grande glória? A Encarnação, ou seja, Jesus Cristo se fazendo carne para os propósitos divinos é sua grande Glória. Por isso damos graças, pois foi por nós que o Logos se fez carne, que Deus adicionou a humanidade ao seu Logos.

A Igreja então continua a glorificar, e passa a ser mais específica.

Primeiro é dado glória ao Pai: Domine Deus Rex Caelestis, Deus Pater Omnipotens. O Senhor é Deus.

Depois é dada glória ao Senhor Jesus, Filho Unigênito, e acrescenta mais ainda, além de ser "único gerado": Domine Deus, Agnus Dei, Fillius Patris. Senhor Deus, Cordeiro de Deus e Filho do Pai, ou seja, não é apenas um "filho de Deus", mas do Pai.

Aqui é mais clara a diferenciação de Pessoa. Pai e Filho do Pai. Por ser Filho, Filho Único Gerado do Pai, possui a mesma natureza, portanto não há erro em chamá-lo de Domine Deus - Senhor Deus. Se o Pai é por Natureza (quê) Senhor, o Filho também o é.

Depois se pede misericórdia ao Esposo, o Verbo, que tira o pecado do mundo, além de pedir para que receba nossas preces. Declara que Ele está a direita do Pai, e afirma que só Ele é Santo, Senhor e Altíssimo. Ele quem? Jesu Christe.

São afirmações sobre sua natureza co-eterna com o Pai.

Mas Tu solus Sanctus, Tu solus Dominus, Tu solus Altissimus, Jesus, cum Sancto Spiritu in glória Dei Patris. Assim, a Terceira pessoa da Trindade é mencionada. O Pai, Filho e Espírito Santo são igualmente o único (quê) Santo, Senhor, Altíssimo.

Essa é mais uma das várias evidências pré-nicenas da Divindade do Logos, e pré-constantinopolitana da Divindade e personalidade do Espírito Santo.

Esse hino, assim como vários trechos neotestamentários e outros textos primitivos não têm por objetivo explicar. São apenas expressões da fé revelada e repassada pela tradição apostólica de maneira universal (como as músicas e poemas são expressões), que posteriormente seriam explicadas, ligadas e reafirmadas num concílio.

O número de evidências pré-nicenas de várias localidades diferentes demonstram que essa era a fé universal, e as explicações dos concílios apenas reafirmaram essa fé, além de combaterem as inovações que contradiziam tudo que a Igreja sempre acreditou.

Ela sempre acreditou que Jesus era tanto Deus, como Cordeiro, Profeta, etc... O que se faz após isso é mostrar como as verdades de fé não são impossíveis de serem compreendidas ou explicadas até o limite em que verdades Divinas possam ser explicadas pela limitada razão humana.

ps.: Quando se fala da Natureza divina, se fala do quê Deus é. Quando se trata da personalidade, a referência é a quem possui esse quê. Então há separação entre quê e quem, impossibilitando qualquer contradição lógica. Não há um [quê] e três [quês] ao mesmo tempo, nem um [quem] e três [quem] ao mesmo tempo. E sim um [quê] e três [quem], assim como num triângulo (quê) há três pontas ("quem", como analogia). Exigir que entendamos completamente isso? Não conseguimos compreender completamente o mundo material e temporal, portanto é pura soberba e vontade de criticar exigir que se entenda completamente o que é Eterno e além da matéria. Este blog possui alguns textos sobre o assunto, mas por agora basta citar um que trato de algumas afirmações de muçulmanos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Missa Tridentina - Kyrie


 "Em seguida, vem o Kyrie, que o padre, nas missas cantadas, deve dizer no lado do altar onde leu o Intróito. Os seus ministros o acompanham quando ele vai para o meio do altar, e colocam-se atrás do padre em diferentes degraus. Nas missas privadas o Kyrie é dito no meio do altar.

Esta prece é um grito pela qual a Santa Igreja implora às três Pessoas da Santíssima Trindade. As três primeiras invocações se dirigem ao Pai, que é o Senhor: Kyrie, eleison; as três seguintes dirigem-se ao Filho encarnado, ao Cristo, e dizemos: Christe, eleison; enfim, as três últimas dirigem-se ao Espírito Santo, Senhor com o Pai e o Filho, e por isso repetimos: Kyrie, eleison – Senhor, tende piedade de nós. Para o Filho dizemos igualmente Senhor com o Pai e o Espírito Santo, mas a Santa Igreja emprega Ele a palavra Cristo, Christe, por causa da relação desta palavra com a encarnação.

Enquanto isso, o coro canta este Kyrie que o padre recita. Antigamente punham-se muitas palavras nessas invocações como no Missal do Mans, de 1705.

O Missão de São Pio V retirou o uso desses Kyries, chamados “enfeitados”. Na missa Papal cantam-se diversos Kyries; mas isto hoje é uma exceção. Os três gritos diferentes repetidos por três vezes, como quer atualmente na liturgia, nos mostra a relação que existe aqui em baixo com os nove coros que cantam no céu a glória do Altíssimo. Esta união com os anjos prepara para o Glória que vai seguir: cântico angélico trazido para a Terra pelos Espíritos bem-aventurados."

Missa Tridentina - Incensação


"O altar representa Jesus Cristo. As relíquias dos Santos que se encontram sobre o altar nos lembram que os santos são membros de Jesus Cristo. Porque, depois de ter tomado nossa natureza humana, não somente Nosso Senhor sofreu sua paixão, triunfou na Ressurreição e entrou na glória pela Ascensão, mas também fundou sua Igreja, sendo a cabeça do Corpo Místico, e todos os santos são seus membros. Neste ponto de vista, Nosso Senhor só está completo se for acompanhado pelos seus santos, e é por esta razão que os santos que estão com Ele na Glória, devem estar unidos a Ele no altar que o representa.

Quando o padre termina a oração que disse inclinado e com as mãos sobre o altar, prepara-se para a incensação. Duas incensações terão lugar durante o Santo Sacrifício, ambas com grande pompa, por respeito a Nosso Senhor, representado pelo altar, como acabamos de dizer. No entanto, o padre fará a primeira incensação sem o acompanhamento de uma oração; contenta-se em incensar todo o altar para perfumá-lo por inteiro. Vemos pelo Levítico, que desde cedo o incenso serviu ao culto do Senhor. A bênção que o incenso recebe do padre, na missa, eleva esse produto da natureza À ordem sobrenatural.

A Santa Igreja toma essa cerimônia do próprio céu, onde São João a contemplou. Em seu Apocalipse, ele vê o anjo com um turíbulo de ouro junto do altar do Cordeiro, cercado pelos 24 anciãos: Ângelus venit, ET stetit ante altare habens thuribulum aureum – E veio outro anjo e parou diante do altar, tendo um turíbulo de ouro (Ap 8, 3). Mostra-nos este anjo oferecendo a Deus as preces dos santos representadas pelo incenso. Assim, a Santa Igreja, fiel esposa do Cristo, procura imitar o céu e, aproveitando que o véu de seus mistérios foi um pouco levantado pelo Apóstolo amado, toma para a terra aquilo que se faz lá no alto para a glória do seu Esposo.

Neste momento da missa, só o altar e o padre são incensados: a incensação dos fiéis é reservada para a segunda vez. É costume da Santa Igreja expor sobre o altar imagens de santos e relíquias que também recebem o incenso."

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Missa Tridentina - Confiteor


É um tipo de confissão criada pela Igreja onde os pecados veniais são perdoados, caso exista o devido arrependimento. Assim, na missa, isso serve também para que nos lembremos de pedir perdão, caso tenhamos esquecido.

O padre começa a se acusar, e confessa-se não apenas a Deus, mas a tudo que é santo.

Não porque se deve pedir perdão aos santos, como se os tivessem ofendido, mas para que possam pedir por ele e com ele. Isso porque, dada a crença na comunhão dos santos, não se peca apenas diante de Deus, mas também diante de uma nuvem de testemunhas.

"Certas ordens religiosas podem acrescentar o nome de seu fundador. Assim, os beneditinos, acrescentam São Bento; os dominicanos, São Domingos; e os franciscanos, São Francisco, etc."

Depois se acusa também diante dos presentes, especificando as formas em que alguém pode pecar: pensamentos, palavras e obras.

Batendo a mão no peito, como o publicano, afirma que pecou por vontade própria: Mea culpa, mea maxima culpa.

Isso também serve para nos lembrarmos desse fato. Ou seja, o tempo todo somos ensinados e relembrados de certas verdades importantes.

Segundo o autor, essa confissão pode ser suficiente "para uma pessoa em perigo de morte e impossibilitada de fazer uma confissão mais explícita."

Os ministros também fazem essa confissão. Não aos irmãos (et vobis fratres(, mas ao padre (et tibi Pater).

"Terminada a confissão, o padre se inclina novamente, menos profundamente para que o Confiteor, e diz: Deus, tu conversus vivificabis nos - Ó Deus, com um só olhar nos dareis a vida; e os ministros: Et plebs tua laetabitur inte -e nosso povo se alegrará em vós. Em seguita: Ostende nobis, Domine, Misericordiam tuam - Mostrai-nos, Senhor, vossa misericórdia, com a resposta: Et salutare tuum da nobis - dai-nos o Salvador que vós preparastes."

Estas citações baseadas nas Escrituras (Sl 84, 1), demonstram que pedimos a Deus a Jesus, que é a própria Misericórdia, assim como os judeus pediam e esperavam o Messias. Assim, nas missas pedimos que Jesus continuamente venha a nós.

Logo após o "Dominus vobiscum" o padre sobe para o Altar e vai orar, pedindo que seus pecados sejam apagados, por menores que sejam ao se aproximarmos de Deus "mais nos pesa a menor mancha".

Após isso vem a incensação, que será comentada depois.

Mas o que se pode perceber é um culto, com a comunhão de todos os santos (e nisso entenda-se todos os cristãos vivos e mortos mas que estão na presença de Cristo), onde eles oram por nós e conosco, porém o culto é totalmente voltado para nosso Senhor Jesus.

E isso vai ficar mais claro com o passar do tempo.

Estamos apenas ansiosos, vamos assim dizer, pela chegada do Rei, e por isso nos preparamos para sua chegada. Esse Rei que vem a nós todos os dias nas Missas, e que virá também no futuro claramente para todos como Rei Eterno.

sábado, 15 de outubro de 2011

Erros ateus comuns...

Um ótimo texto escrito por um ateu, e traduzido por Charles Gomes. Existem vários outros erros, assim como os teístas também cometem muitos erros, mas achei interessante esse texto.

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Todo homem, onde quer que vá, é cercado por uma nuvem de convicções confortantes, que se movem com ele como moscas em um dia de verão.

Bertrand Russell

Ateístas são humanos como todo mundo. Eles encontram conforto em “saber” que estão certos. Absoluta certeza é gostoso. Ateístas podem escorregar em falsos pensamentos assim como crentes podem. De fato, é natural para nossos cérebros manter idéias contraditórias ao mesmo tempo, e todos nós precisamos lutar contra isso. Anteriormente escrevi sobre Quatro Erros Cristãos Comuns. Nesse post, eu quero trazer à luz alguns erros comuns no pensamento ateísta.

Culpar a Religião por Tudo

Religião não é a raiz de todo o mal, mas alguns ateus gostam de achar que é. Richard Dawkins fez um documentário na TV sobre religião chamado “A Raiz de Todo o Mal”, e o subtítulo do último livro de Christopher Hitchens é “Como Religião Envenena Tudo”.

Obviamente, muitos males – incluindo os genocídios ateístas mencionados acima – não vieram da religião. O Mal pode vir de ganância, pobreza, vergonha, desejo, boas intenções, amor, raiva, drogas, e muitas outras fontes.

E eu acho difícil acreditar que religião envenena tudo. Religião envenena a matemática? Arte Renascentista? Navegação? Chapéus?

Mitos Pró-Ateístas

Todo grupo de pessoas recontam a história de uma maneira que lhes favorece. Liberais e conservadores, socialistas e anarquistas, cristãos e budistas, fãs de hockey e loucos por NASCAR – todos nós temos alguns mitos que nos fazem parecer bem. Ateístas não são exceção.

Para mostrar que ateus são moralmente melhores que Cristãos, alguns ateus afirmam que menos de um por cento da população carcerária americana são de ateus, mesmo que ateístas representam 10% da população. Essas estatísticas são fabricadas ou baseadas num questionável estudo de 1925. Em verdade, “o segmento da população carcerária que se identifica como não-religioso é aproximadamente duas vezes mais que a encontrada na população em geral”.

Alguns ateus afirmam que muçulmanos destruíram a livraria de Alexandria, o maior tesouro de conhecimento do mundo antigo. Supostamente, o cruzado islâmico Umar proclamou que “os livros ou irão contradizer o Corão, nesse caso eles são heréticos, ou eles irão concordar com ele, neste caso eles são supérfluos,” e então queimou a livraria. Isso aparenta ser uma boa história, mas a história mostra que provavelmente não aconteceu dessa forma.

Outros ateus dizem que a idéia de Jesus como Deus não surgiu até 300 anos após a morte de Cristo, no Concílio de Nicéia. Mas ambas fontes cristãs e seculares mostram que algumas pessoas cultuavam Jesus como Deus muito antes.

E finalmente, para exagerar o conflito histórico entre religião e ciência, ateístas dizem que Galileu foi torturado pela igreja por afirmar que a terra girava em torno do sol. De fato, Galileu ofereceu falsas provas do Heliocentrismo, mentiu descaradamente na corte, e foi sentenciado a uma honrosa detenção onde ele continuou trabalhando em outros assuntos.

Esses e outros mitos ateístas emperram a busca pela verdade e a conversação entre crentes e descrentes.

Maus Estudos

Há muitos estudos desonestos tanto de ateus quanto de cristãos. Por agora, vou apontar duas instâncias de maus estudos ateístas.

Ateístas apontam que a palavra para Deus em Genesis 1:1 é elohim, o plural de el. Portanto, eles dizem, deve ser traduzido como “No princípio, os deuses criaram os céus e a terra,” revelando as raízes pagãs do Judaísmo. Agora, é provavelmente verdade que elohim foi emprestado das antigas religiões Canaanitas, onde o termo era usado para denotar um panteão de deuses. Mas nesse verso e centenas de outros, elohim é usado com um verbo singular, bara. Aqui, elohim pode ser um substantivo coletivo para um Deus singular de várias pessoas, assim como dizemos “Os Estados Unidos é cheio de pessoas gordas” em vez de “Os Estados Unidos estão…” Também, é provável uma instância de pluralidade majestática, um jeito hebreu de demonstrar grandeza por pluralizar substantivos, como em Jó 40:15 onde se refere ao Behemoth, significando a maior de todas as bestas (o singular de besta é behemah). Seria bom para ateus se o primeiro verso da bíblia traísse as origens politeístas do judaísmo, mas uma leitura cuidadosa do Hebreu não demonstra isso.

Outro exemplo. O Documentário conspiracionista Zeitgeist argumenta que Jesus foi fabricado de uma mistura de deuses antigos. Por exemplo, afirma que o deus egípcio Horus foi nascido de uma virgem, adorado por três reis, batizado na idade de 30, teve 12 discípulos, caminhou sobre as águas, foi crucificado e enterrado por três dias, e então foi ressurecto. De fato, se você ler qualquer  fonte sobre Horus que não está tentando traçar paralelos com Jesus, você encontrará que aproximadamente todas essas afirmações são simplesmente falsas. Assim como maior parte das afirmações feitas nessa parte do filme. Ainda, essas afirmações sao repetidas amplamente por muitos ateus, incluindo Bill Maher no seu filme Religulous.

Materialismo Dogmático

Alguns ateus começam com o pressuposto de Carl Sagan de que “o cosmos é tudo já foi, o que é e o que será”. Tudo é matéria. Nada é sobrenatural.

Eles podem estar corretos. Eu não espero encontrar evidência do sobrenatural. Mas todos precisamos estar abertos à descoberta. O Universo é um lugar surpreendente.

De fato, cientistas recentemente descobriram que apenas 4% do universo é matéria e energia – ao menos, matéria e energia como nós sempre compreendemos. Os outros 96% do universo consiste de coisas que nós não sabemos quase nada sobre – “matéria negra” e “energia negra”. Essas coisas podem não ser sobrenaturais, mas certamente é antinatural!

Lewis Thomas escreve, “A maior de todas as conquistas da ciência do século vinte foi a descoberta da ignorância humana”. Quase tudo que nós antes pensávamos que sabíamos virou falso, e nós muitas vezes descobrimos verdades que nossas intuições menosprezam. Dogmatismo e certeza absoluta não pertencem à mentes humanas limitadas.

Ateus devem olhar para a religião e ateísmo com o mesmo senso comum.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Missa Tridentina - O Salmo Judica me


Como a Igreja geralmente escolhe algo que deseja exprimir, o Salmo 42 foi escolhido por causa do versículo "Introibo ad altare Dei - me aproximo do altar de Deus".

Não esteve sempre no missal, sendo fixado por São Pio V.

Desde o primeiro versículo se demonstra que o padre está in Persona Christi: Ab homine iniquo et doloso erue me - livra-me do homem fraudulento e perverso.

Dessa forma o Salmo abre bem a Missa, porque se refere a vinda de Jesus.

Como é um salmo cheio de alegria, não se faz uso na missa dos defuntos "porque estamos suplicando o sufrágio de uma alma, cuja partida nos deixa com saudades e luto. Também no tempo da Paixão, durante o qual a Santa Igreja está toda ocupada com os sofrimentos de seu Esposo, e não pensa em se alegrar".

Essas duas exceções mostram um tipo de didática na própria vida do povo. As pessoas são ensinadas das verdades cristãs pelo costume. Assim, elas são constantemente relembradas do sofrimento de Jesus no tempo da Paixão, e como simbolismo e demonstração litúrgica, não se faz o uso desse salmo.

Terminando o salmo, com o uso do Gloria Patri (Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto.
Sicut erat in principio, et nunc, et semper et in saecula saeculorum, Amen), o padre pede ajuda a Deus dizendo: Adjutorium nostrum in nomine Domini - nosso auxílio está no nome do Senhor", onde é respondido: Qui fecit caelum et terram - que fez o céu e a terra.

Pedindo, assim, auxilio a Deus para dar continuidade, pois mesmo sendo pecador e não merecendo, esse sacrifício foi algo que Deus quis, instituído pelo próprio Cristo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Missa Tridentina - Orações e cerimônias.






Preparação
-> O Salmo Judica me - Século XII.
-> Confiteor - Século XII.
-> Incensação - Costume grego do século, III introduzido no século XII.

Ante-missa
-> Introito - Século V.
-> Kyrie - Século V.
-> Gloria in Excelsis - Composto no século II, introduzido no século V.
-> Coleta - Composto entre os séculos III e V.
-> Epístola - Costume judaico herdado pela Igreja.
-> Gradual - Século V.
-> Aleluia - Trato - Século V.
-> Sequência - IX.
-> Evangelho - Costume judaico herdado pela Igreja.
-> Credo - Século V.

Sacrifício
-> Ofertório - Século V.
-> Incensação - Século IX.
-> Lavabo - Entre os séculos VII e VIII.
-> Suscipe, Sancta Trinitas - Século X.
-> Orate Fratres - Século X.
-> Prefácio - II.
-> Sanctus - II.
-> Te Igitur - Século V.
-> Memento dos Vivos - Século V.
-> Communicates - Século V.
-> Hanc Igitur - Século V.
-> Quam Oblationem - Século IV.
-> Consagração da Hóstia - Século I.
-> Consagração do Vinho - Século I.
-> Unde et Memores - Século IV.
-> Supra Quae Propitio - Século IV.
-> Supplices te Rogamus - Século IV.
-> Memento dos Mortos - Costume do século III, introduzido no século V.
-> Nobis Quoque Peccatoribus - Século V.
-> Per Quem Haec Omnia - Século III.

Comunhão
-> A Oração Dominical - Século III.
-> Libera Nos, Quesumus V - Século V.
-> Agnus Deu - Século VIII.
-> Orações antes da Comunhão - Século X.
-> Comunhão - Século IX.

Conclusão
-> Póscomunhão
-> Ite, Missa Est - Século V.
-> Bênção - Composto entre os séculos VII e VIII.
-> Último Evangelho - Século XIII.


O autor não deixou muito claro se todas as cerimônias passaram a existir nessa época, ou só começaram a fazer parte da liturgia nas datas citadas. Isso porque o Ultimo Evangelho, por exemplo, se não me falha a memória, é o prólogo de João, e esse prólogo é do primeiro século.

As orações mais antigas penso que são as melhores para sabermos o que os cristãos primitivos pensavam. Nesse caso, faço referência especial ao "Gloria in Excelsis", comentarei mais adiante.

Como será notado, a Missa irá relembrar, inclusive nos gestos, a Paixão de Jesus Cristo. Cada detalhe possui um significado (e provavelmente irei deixar passar em branco vários detalhes)

Tentarei colocar algumas fotos como exemplo.

Missa Tridentina - Introdução.


Já faz algum tempo que não posto nada, principalmente porque não tenho lido muita coisa sobre as controvérsias em relação a Igreja, e me dedicado mais a entender melhor a riqueza de fé que há nela. Dentre os tesouros, posso citar a Missa.

Estou lendo um livro sobre o assunto que se chama “Missa Tridentina – Explicações das orações e das cerimônias da Santa Missa”, de Dom Prosper Guéranger. Ao contrário do que muitos pensam, a Missa Tridentina não foi abolida. Por lei eclesiástica, ela nunca poderá ser.

O objetivo inicial do livro não foi ser uma defesa da Missa Tridentina em relação à Missa Nova, embora a Editora Permanência tenha editado o livro com esse objetivo. Isso porque, dentre outros motivos, muitos fiéis passam a desejar o Rito Tridentino quando o conhece.

O livro em si é um conjunto de comentários sobre as orações e outras formas litúrgicas encontradas no rito, e o liturgista, Dom Prosper Guérange, comenta em ordem, além de informar as datas em que as orações ou cerimônias foram compostas e passaram a ser usadas.

O interessante é que ele foi escrito antes do Vaticano II, o que significa que havia algum interesse de demonstrar o significado da Missa ao povo (que é uma obrigação da Igreja, mas infelizmente nem mesmo hoje há interesse em certos lugares). Certamente antes do livro foram desenvolvidos outros meios de explicar as cerimônias.

Hoje muitos dizem que a Missa Tradicional não era algo bom, principalmente porque o povão não entendia nada, e muitas vezes ficava a tratar de outros assuntos dentro da Igreja (embora mesmo em português muita gente não dá o devido valor, muito menos sabe o que ocorre, e têm a Missa como um passatempo, uma diversão, um meio de "sentir" a presença de Deus, como fazem os protestantes, ao cantar hinos). Há também muitas outras objeções, mas não irei tratar dela aqui.

Para quem deseja conhecer a Missa Tridentina e seus significados, o livro é ótimo. Estes comentários serão feitos com o objetivo de aumentar o interesse pelo assunto para quem ainda não possui o livro.

Cada postagem será sobre uma oração ou cerimônia. Quando o texto do autor for pequeno, colocarei na integra.

Antes de tudo, para quem não sabe, o que é a Missa?


Ela é O Sacrifício de Jesus, que por ter sido imolado antes da fundação do mundo, é apenas renovado, sem ser repetido.

Por isso é O Sacrifício, e não os sacrifícios. Jesus morreu apenas uma vez.

Com ele nós realmente morremos com Cristo, participamos de sua morte, ficamos literalmente presentes diante do calvário. É como se estivéssemos ao pé da cruz junto com a Virgem, João, os que zombavam, etc...

A única diferença é que "Ele tomou as nossas dores" (Isaías 53, 4), e por isso, para nós, é um sacrifício incruento, enquanto para Ele, ainda hoje é mastigado. No entanto é com isso que temos vida.

Se Deus pôde, por sua Majestade, adicionar a natureza humana a si, constantemente Ele também se faz pão. Não deixa de ser Deus. Isso deve ser entendido de uma forma parecida com a Encarnação.

Por esse motivo, a hóstia é dada na boca, não na mão. E por isso também a pessoa deve examinar a si mesma (1Co 11, 28), tendo pecado mortal, deve se confessar.

Ou seja, a Missa está longe de ser um culto como os cultos protestantes, que na sua maioria são antropocêntricos onde as pessoas vão buscar alguma "benção" ou apenas "sentir" e se emocionar com músicas e pregações que apelam mais a emoção do que ensinam a verdade, enquanto a Missa é voltada para Deus. É o Santo Sacrifício que Jesus fez a Deus em favor da humanidade.


"Porque não basta as rubricas bem celebradas - não basta o direito reconhecer sua legitimidade imortal - é preciso ainda conhecê-la por dentro, nos detalhes de vida espiritual que brilham em cada oração, em cada gesto."

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Prova bíblica para o culto de Deus através de uma imagem.

Por Dave Amstrong

Às vezes perdemos coisas na Bíblia, embora elas estejam bem na nossa frente. Alguns de nossos irmãos protestantes (principalmente os calvinistas, mas algumas outras denominações também) têm medo quase obsessivo de qualquer imagem associada com a adoração em tudo, pensando que todas as manifestações são exemplos de idolatria e exaltação indevida a “imagem de escultura”. Isto levou alguns elementos fanáticos a se opor até mesmo por crucifixos e estátuas de Cristo como ídolos. Em outras palavras, todas as imagens desabaram como “imagem de escultura” nos Dez Mandamentos, por conta dessa mentalidade equivocada. Mas a Bíblia não toma esse ponto de vista. Aqui está um exemplo impressionante:

E acontecia que, saindo Moisés à tenda, todo o povo se levantava, e cada um ficava em pé à porta da sua tenda; e olhava para Moisés pelas costas, até ele entrar na tenda. E sucedia que, entrando Moisés na tenda, descia a coluna de nuvem, e punha-se à porta da tenda; e o SENHOR falava com Moisés. E, vendo todo o povo a coluna de nuvem que estava à porta da tenda, todo o povo se levantava e cada um, à porta da sua tenda, adorava.

É também uma manifestação sobrenatural, que é uma grande diferença com qualquer ídolo verdadeiro feito por mãos de homens, mas que não faria nenhuma diferença para aqueles que equivocadamente sustentam que é inadmissível que Deus seja associado a qualquer imagem. O problema surge quando o próprio Deus expressamente sanciona tais imagens e a adoração em conjunto com elas, como aqui. Os iconoclastas (opositores de imagens) têm que explicar coisas como a sarça ardente (Ex 3,2-6), que não é somente fogo, mas também chamada de “anjo do Senhor” (Ex 3,2), “Deus” (3:4,6,11,13-16,18, 4:5, 7-8) e “O Senhor” (3:7, 16,18, 4:2, 4-6, 10-11, 14) alternadamente. Um anjo é uma criação (como também é o fogo e a nuvem), porém, Deus escolheu usar um ser criado e objetos inanimados para representá-lo de forma visível. Vários casos semelhantes ocorrem no Velho Testamento.

Original: http://socrates58.blogspot.com/2011/06/biblical-evidence-for-worship-of-god.html

Comentários do blog:

Apesar da questão das imagens ser pequena, pois talvez seja a objeção mais ridícula feita a Igreja Católica, ela é a que é mais usada. Motivo? Suspeito que os principais são uma falta de entendimento do que as Sagradas Escrituras ensinam, bem como do conceito de imagens, ídolos, ícones, idolatria e veneração. Muitas pessoas sabem que segundo as Escrituras não há condenação para o uso de imagens, no entanto ainda não são a favor, e o principal motivo para isso é que foi colocado em suas mentes uma associação para o mal em relação as imagens. Tanto é que o mais comum é chamarem "Imagens de Escultura" mesmo fotos, que claramente não são escultura. Ou seja, por tanto afirmarem isso e colocarem em suas mentes (um tipo de lavagem cerebral), qualquer imagem é vista [emocionalmente] como algo ruim. Não pelo seu intelecto, pois admitem racionalmente que o uso de imagens não é idolatria.

Se você conversar com qualquer evangélico sobre a Igreja Católica, é muito provável que seja o primeiro assunto a ser tocado. Para muitos, é a única objeção à Igreja, pois se não existissem imagens, ela seria como as evangélicas! Ora, há muito mais diferenças.

Assim, peço aos evangélicos que ainda continuam a criticar o uso de imagens, bem como a veneração de Santos e sua intercessão (que são coisas diferentes), que deixem de lado essa associação ao que é ruim. Não faz sentido continuar em um conjunto de grupos (protestantismo) em que suas objeções à Igreja Católica são falsas.


Deus estava sendo representado por essa coluna de nuvem. Eles não adoravam a coluna de nuvem, mas a Deus representado por ela, uma imagem feita pelo próprio Deus. Assim somo nós católicos. Também não veneramos a imagem (veja a mudança de termo, pois "venerar" não é "adorar"), pois ela em si não é nada, e sim a pessoa representada pela imagem.


Antes que venham postar dizendo que não é proibido usar imagens, mas se ajoelhar, ou venerar santos, leiam esses textos::

- Imagens, outras perspectivas.
- Católicos são idólatras, porque quero, porque quero e porque quero!
- As catacumbas.

Ainda há vários outros textos bíblicos sobre o uso de imagens, veneração de santos e consciência pós-morte. Sempre diferenciando o uso de imagens, de venerar, e de se pedir intercessão.

Quanto mais vejo certas objeções à Igreja Católica, mais percebo que os protestantismos não faz sentido.

Ps: Comentários ad hominem não serão aceitos.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Dicas para seres um militante ateu intelectualmente realizado

Com que então tu viste a luz e decidiste entregar a tua vida à militância ateísta. Muito bem. Agora que vais lutar por um mundo melhor (livre do crenças religiosas, principalmente o Cristianismo) há certas coisas que não podes dizer ou pensar. Podes pensar, mas tens que ter o cuidado de nunca dizê-las.
Há certos chavões e atitudes que podem fazer toda a diferença na tua vida. Ficam aqui algumas dicas que te podem ajudar a seres um militante ateu intelectualmente realizado:



1) Sempre que te apresentarem evidências da existência de Deus, diz que é um “argumento homem-palha“, “circularidade de raciocínio” ou “falácia da bifurcação“. Se alguma coisa for transcrita de outro lugar, diz que é “quote-mining“. Se a afirmação for de um evolucionista, diz que “foi tirada do contexto“.

2) Sempre que um Cristão disser que “coisas criadas implicam um criador”, rejeita esse argumento de senso comum, dizendo: “Isso é o velho argumento do relógio de William Paley“. Toma o cuidado de nunca dizeres como é que isso refuta o que o Cristão disse.

3) Sempre que um Cristão te disser que, ao aceitar Cristo, tens tudo a ganhar e nada a perder, diz que isso é a velha “aposta de Pascal“.

4) Sempre que um Cristão te disser que existem dezenas de historiadores antigos que referem o Senhor Jesus como Figura Histórica, diz que “os relatos foram todos adulterados pela Igreja Católica“. Atenção: nunca digas que a Igreja tinha pouco ou nenhum controle sobre a composição do Novo Testamento uma vez que, em vez de andarem a adulterar Textos que consideram Sagrados, os Cristãos andavam em fuga pelas suas vidas.

5) Mete na tua cabeça que a Bíblia está cheia de contradições e erros, mesmo sem leres as passagens em questão. Aprende a respeito da Bíblia, não a lê-la, mas a partir de sites ateístas.

6) Diz que, em tempos, já foste um “Cristão genuíno” que “ia sempre à igreja” e até ensinava lições às crianças e aos adolescentes (uma das coisas que há de bom nisto de ser ateu é que podes mentir à vontade, já que não acreditas em valores morais absolutos). Se um cristão contestar esta tua afirmação, dizendo: “Mas se deixaste de acreditar em Deus é porque nunca foste um cristão de verdade”… diz que isso é a falácia do “Nenhum escocês de verdade“.

Nunca reveles que, ao contrário da falácia do escocês, a Bíblia tem um critério segundo o qual pode-se ver que quem deixa a Igreja nunca foi Cristão (1 João 2:19.

7) Decora os ensinamentos dos grandes militantes ateus da tua década. Aprende aquilo que tipos como Sam Harris, Richard Dawkins e Christopher Hitchens dizem a respeito da religião e vai dizê-lo nos blogues dos Cristãos.

Ah… uma coisa muito importante: não te dês ao trabalho de fazer distinções entre as religiões. Cristianismo e Islamismo são a mesma coisa, tanto em doutrina como em valores.

8 ) Quando estiveres a debater com um Cristão no chat ou num blogue e ele te fizer alguma pergunta, responde-lhe com 2 ou 3 links (Se possível, textos grandes e que não estejam na língua materna do Cristão com quem estás a debater). Depois, quando ele te disser que isso é uma boa maneira de fugires ao debate, diz que ele só está é a dar desculpas.

9) Diz que “nenhum ser humano pode ter certezas absolutas de nada” e completa dizendo: “Só a ciência [que é feita por seres humanos] nos pode dar certezas absolutas“.

10) Quando estiveres a debater com um Cristão, faz com que os teus argumentos sejam acompanhados de insultos (como “burro“, “estúpido“, “ignorante“) e tácticas intimidatórias (como “vou pôr o que tu disseste na comunidade das pérolas cristãs“). Isso dá mais força ao teu argumento e se tiveres a sorte de apanhar um Cristão mais inseguro, poderás fazer com que ele pare de debater e ficarás apto para dizer que ganhaste o argumento.

11) Não te esqueças de ter à mão certos clichés como “vai estudar!” ou “até uma criança de 5 anos percebe isto!“.

12) Culpa o Cristianismo pela Santa Inquisição e pelas Cruzadas. Se algum cristão te responder à letra e disser que regimes ateístas como o Comunismo, em menos de 200 anos, foram responsáveis pela morte de mais pessoas do que todas as guerras religiosas em 2000 anos, diz que um ateu não pode ser culpado por aquilo que outro ateu faz.

13) Diz aos Cristãos que os cientistas já mostraram que Deus não foi preciso para o Universo e a Vida aparecerem. Se algum cristão disser que há muitos cientistas que acreditam em Deus, diz que esses “não são verdadeiros cientistas“.

Se te perguntarem como é que distingues um verdadeiro cientista dum falso cientista, diz com confiança “os verdadeiros cientistas não acreditam em fantasmas do céu”. Se o Cristão te mostrar a circularidade dessa alegação, rejeita-a escrevendo “LOL!!”

14) Finalmente, mas não menos importante, procura desenvolver boas relações com militantes ateus mais experientes. Procura fazer-te amigo daqueles ateus que já dominam estes princípios. Usa e abusa de conceitos como a moralidade, a lógica e a justiça.

Não te esqueças: ser ateu é dizer que Deus não existe mas ao mesmo tempo utilizar conceitos que só fazem sentido se Deus existe.

P.S.: Imprime uma cópia deste texto e leva-o sempre como um guia de bolso.

Retirado do blog http://darwinismo.wordpress.com

domingo, 14 de agosto de 2011

Novo Testamento - As ferramentas e o texto

Por Ben Witherington III


Para pessoas modernas como nós, é difícil imaginar o mundo antes das máquinas de impressão. De fato, é difícil para alguns de nós imaginar o mundo antes dos computadores, da internet, da TV ou, antes, das modernas bibliotecas, jornais ou revistas de notícias. Entretanto, o NT não só foi escrito antes de todas essas invenções, como o foi numa época em que a alfabetização ainda era restrita a uma parcela muito pequena da população. Além disso, foi escrito muito antes do registro sonoro de alguma coisa dita por alguém. Os antigos raramente esperavam uma transcrição ao pé da letra de uma fala, exceto ocasionalmente, quando se tratava de atas legais ou pronunciamentos do rei. Mesmo assim,obter a reprodução ao pé da letra de discursos proferidos durante um julgamento era novidade da época de Júlio César. Tiro, o famoso secretário e companheiro de viagens de Cícero, foi muito elogiado por causa da adaptação de uma “recente” invenção, a “taquigrafia” (espécie de escrita abreviada), que lhe permitia anotar ipsis litteris os discursos feitos nas cortes de Roma, no primeiro século antes de Cristo.

No mundo do NT, a palavra falada reinava soberana. Aliás, o NT foi escrito numa cultura predominantemente oral, na qual a escrita não tinha a primeira nem a última palavra. Pense, por exemplo, no que Platão disse antes da época do NT, quando menciona a advertência de Sócratis contra a substituição das tradições orais pela palavra escrita, porque as pessoas deixariam de usar a memória (Fedro, 274-275)! Os mesmos sentimentos são também expressos por autores que escreveram mais próximos da época do NT, como Xenofonte (Simpósio, 3.5) e Diógenes Laércio (7.45.56). Papias, um dos primeiros pais da igreja, que viveu no final do primeiro século d.C. e início do segundo, é famoso por sua observação sobre quanto ele preferia a palavra viva e as testemunhas vivas a qualquer escrita.

Devemos dar atenção à advertência de H. Gamble, de que “fazer uma distinção marcante entre os modos oral e escrito é anacrônico, no sentido que pressupõe tanto a moderna noção de estabilidade de um texto quanto os modernos hábitos de leitura. Os manuscritos, como eram todos os textos anteriores à invenção da imprensa, eram muito menos estáveis que os atuais textos impressos, porque estavam sujeito a modificações acidentais ou propositais, a cada nova transcrição. Além disso, na antiguidade, quase toda leitura, pública ou privada, era eita em voz alta; os textos eram rotineiramente convertidos no modo oral. Sabendo disso, os escritores antigos escreviam tanto para o ouvido quanto para os olhos” [1].

Essas atitudes em relação à oralidade e as dimensões desse modo de comunicação prevaleceram durante toda a época do NT, e simplesmente salientam o quão espantoso é o fato de os 27 documentos que constituem o NT terem chegado até nós. Então, como esses 27 documentos foram gerados numa época anterior à produção de textos em massa e à disseminação da alfabetização? É uma história notável, e infelizmente, sabemos muito pouco sobre ela. Mas o que sabemos merece ser contado e, espero, bem contado.

Nós, que estamos acostumados a ler a Bíblia, gostamos de repetir a frase “No princípio era o Verbo”. Logo ficará bem claro quanto essa frase é verdadeira. Antes que houvesse quaisquer palavras escritas para compor os livros do NT, havia palavras faladas – milhares delas. Provavelmente, o NT é apenas a ponta do iceberg de uma abundância de palavras sobre Jesus que foram comunicadas no primeiro século d.C. Podemos quase sentir a frustração do autor do evangelho de João, quando diz: “Jesus, na verdade, realizou na presença de seus discípulos ainda muitos outros sinais que não estão registrados neste livro” (Jo 20.30). Por que eles não foram registrados? Porque um rolo de papiro tinha um determinado tamanho, e o papiro era caro. Além disso, escrever e copiar um texto à mão era uma tarefa extremamente tediosa. Essas são limitações que raramente experimentamos na maioria dos lutares hoje.

Vejamos a questão sob outro ângulo. Os evangelhos abrangem, basicamente, o período da história em que Jesus exerceu seu ministério na Terra Santa, aproximadamente de 27 a 30 d.C. Não encontramos em nenhum lugar dos evangelhos uma passagem que mencione Jesus ou qualquer um dos discípulos escrevendo enquanto aqueles eventos ocorriam. Provavelmente, a narrativa da história na forma escrita surgiu mais tarde.Semelhantemente, todas as epístolas de Paulo foram escritas para congregações que já haviam sido fundadas e tinham recebido a palavra oralmente muito antes de receberem qualquer comunicação por escrito. De fato, as cartas de Paulo funcionam como uma espécie de substituto das conversas orais que ele gostaria de ter tido, se pudesse estar presente. Tanto isso é verdade que as cartas trazem as marcas características desse tipo de comunicação – elas refletem padrões e técnicas da antiga retórica Greco-romana, a arte oral da persuasão. No caso dos evangelhos e das epístolas, a Palavra era oral muito antes de ser escrita. Hoje em dia, invertemos o processo quando lemos o texto do NT em voz alta e, em seguida, proclamamos ou discursamos com base no que foi lido. Portanto, é justo dizer que, quando contamos a história do NT, estamos contando a história de um fenômeno de segunda ordem, a história do resíduo literário de um movimento primordialmente oral que cresceu fundamentado na pregação e no ensino, na oração e no louvo e em outras formas de comunicação oral. No período inicial da história cristã, não foi principalmente por intermédio dos textos que a Palavra se espalhou, mas sim pela proclamação oral. A exceção à regra foi o uso das Escrituras Hebraicas ou, mais freqüentemente, sua tradução grega, a Septuaginta, como podemos ver na passagem [2] de 2 Timóteo 3,16. Precisamos ter essas coisas em mente agora que vamos examinar os maravilhosos e desafiadores textos do NT.

AS FERRAMENTAS DO OFÍCIO E SEUS USUÁRIOS

Apesar das afirmações tão seguras de inúmeras introduções ao NT, não sabemos muito sobre quem realmente escreveu alguns dos seus livros. Quando digo “escreveu”, estou me referindo a quem realmente fez os apontamentos. E, mesmo quando temos certeza de quem foi a fonte de determinado documento, por exemplo, de que a carta aos Romanos saiu da mente de Paulo, somos informados de que a pessoa que efetivamente redigiu o documento foi um desconhecido chamado Tércio (Rm 16.22). [3]

Vemos, então,que foi necessário certo trabalho de equipe para escrever alguns documentos do NT, e que teremos de discutir as relações entre os autores e escribas, e entre os que passavam adiante as tradições e os editores, antes de terminarmos. Alguns documentos, tais como os três primeiro evangelhos, são formalmente anônimos, já que o nome do autor não é mencionado em nenhuma parte do livro. Tampouco são mencionadas os nomes dos escribas. Os sobrescritos desses evangelhos refletem tradições posteriores da igreja a respeito da autoria ou fontes primária do material.

Também temos, é claro, um documento como Hebreus, que é claramente anônimo, embora tenham surgido várias hipóteses sobre quem seria seu autor. Só quando o nome do autor é mencionado no próprio documento (como ocorre na maioria das cartas do NT) é que temos um ponto de partida concreto para definir quem produziu um determinado livro do NT. Mas o que realmente sabemos é que, fosse quem fosse, a pessoa que produziu o primeiro exemplar de cada um desses documentos sabia ler e escrever grego, que, obviamente, é a língua em que foi escrito todo o NT, pois era a língua franca do mundo Greco-romano. [4] Portanto, vamos primeiramente examinar a habilidade e o ofício de escrever em grego na antiguidade.

Como a taxa de alfabetização nunca ultrapassou cerca de dez por cento, durante a época em que os documentos do NT foram redigidos, [5] É lógico que a maioria das pessoas, quando desejava que alguma coisa fosse escrita, recorria a um escriba, um escritor profissional. Normalmente, essas habilidades profissionais eram requisitadas para a elaboração de documentos muito práticos – contratos, testamentos, cartas comerciais, certidões de casamento e assemelhados. Os livros do NT não eram nada disso. Porém, numa cultura predominantemente oral, com alta taxa de anafalbetismo, não é de admirar que os escribas, ou amanuenses, fossem fáceis de encontrar e aceitassem escrever quase todo tipo de documento, mediante remuneração. Contudo, não devemos nos apressar em concluir que todos os documentos do NT foram escritos por escribas. E por quê?

Os variados níveis de habilidade na redação do grego do NT mostram que, com certeza, esses documentos não foram todos redigidos por profissionais fluentes em grego, embora isso tenha ocorrido algumas vezes, como no caso de Romanos. Também é interessante observar que o próprio conteúdo dos documentos do NT os teria enquadrado como um tipo de literatura que, normalmente, só era lida pela elite letrada. Esse não era o tipo de documento prático ou comercial que pessoas comuns da sociedade Greco-romana teriam redigido ou mandado copiar.

Além da classe dos escribas, a alfabetização também era encontrada entre pessoas que não pertenciam à elite da sociedade, como soldados, médicos, comerciantes, artesãos e engenheiros. Podemos conjeturar com certo grau de segurança que pelo menos dois dos maiores documentos do NT, Lucas e Atos, foram escritos por alguém que não era um escriba mas era letrado por causa de sua profissão (i.e. , era médico). Uma suposição igualmente razoável é a de que um documento como Apocalipse foi escrito por alguém cuja primeira língua era o aramaico, mas que tinha o grego como segunda língua, porquanto ele escreve em grego com certa dificuldade. [6] O NT como um todo provavelmente não é resultado do trabalho de escribas; e, como a maioria ou todos os documentos foram elaborados para serem lidos em voz alta, o objetivo de seus redatores não foi produzir literatura pura, no sentido moderno do termo. Eram texto com funções predominantemente não-literárias. [7]

Então, como se iniciou o processo? Depois de um período em que as histórias do evangelho foram divulgadas em diversos contextos e de diversas maneiras, e exortações de vários tipos foram feitas oralmente na igreja primitiva, chegou um momento em que fatores ligados à distância espacial e temporal provocaram certa urgência de colocar várias coisas por escrito. No caso dos evangelhos, a urgência se devia, provavelmente, ao fato de que as testemunhas oculares e auditivas estavam morrendo, por volta da segunda metade do primeiro século d.C., e se fazia necessário preservar as tradições que elas haviam transmitido oralmente.

Certamente, não é impossível que, em alguns lugares, essa necessidade tenha surgido mais cedo e tenha gerado coisas como: (1) uma coleção de ditos de Jesus em aramaico, feita pela igreja de Jerusalém; (2) uma coleção de histórias de milagres envolvendo Jesus; (3) um esboço em aramaico de grande parte da história do evangelho; [8] (4) uma narrativa por escrito da última semana de vida terrena de Jesus; e (5) um documento composto, principalmente, dos ensinamentos de Jesus, a que tanto o primeiro quanto o terceiro evangelista tiveram acesso, e que hoje chamamos de Q. [9] Esses antigos percussores dos nossos evangelhos não existem mais, e a maioria dos estudiosos acredita que nenhum evangelho em grego tenha sido produzido ou estivesse disponível na forma escrita antes de 60 d.C. Isso significa que as cartas, e em particular as cartas paulinas, são os mais antigos documentos do NT, cronologicamente falando, [10] e as cartas são os documentos do NT mais nitidamente ligados aos escribas.

É importante ressaltar a esta altura que, com toda certeza, não devemos pensar em “livros”, no sentido moderno da palavra, quando falamos dos documentos do NT. Em primeiro lugar, naquela época eles não eram manufaturados em forma de livro ou códice, mas sim escritos em rolos de papiro. Em segundo lugar, evidentemente, eles não eram produzidos em massa. Inicialmente, apenas algumas cópias devem ter sido feitas, por causa do tempo necessário e do custo elevado. Em alguns casos, como nas cartas, talvez tivesse sido feito apenas um exemplar.

Quando nos referimos à cultura literária daquela época, estamos falando de pequenos círculos da elite letrada do mundo Greco-romano, que tinha dinheiro para mandar reproduzir documentos e fazer cópias para os amigos, além de ter tempo para lê-los ou mandar que alguém o fizesse em voz alta. A cultura liveira, no sentido moderno de publicações para as massas, não existia. Os autores da antiguidade, normalmente, dependiam de patronos abastados para poderem custear a produção e a circulação de suas obras. Na minha opinião, Teófilo, mencionado no início de Lucas e Atos, provavelmente era o patrono de Lucas, que escrevia para ele e seu círculo de amizades.

Mas como a escrita era feita, e em que tipos de materiais? A forma padrão de produzir um documento na antiguidade era escrever em papiro. Normalmente um rolo tinha de 20 a 25 centímetros de altura e até 10,5 metros de comprimento. Em geral, só se escrevia de um lado, já que o papiro não é um material muito denso. O texto era disposto em duas colunas de 5 a 10 centímetros de largura, com cerca de 25 a 45 linhas por coluna. Além disso, por causa do custo e do espaço necessário, normalmente não havia pontuação nem divisão de palavras, sentenças e parágrafos. Tudo era escrito em letras maiúsculas, e, portanto, uma linha desse texto ficava mais ou menos assim: SÓUMANÃODISSESEUNOME. É claro que podemos ler “Só uma não disse seu nome” ou “Só um anão disse seu nome”. Questões de interpretação surgem simplesmente pela falta de separação entre as letras ou pela ausência de pontuação. Além disso, não havia capítulos nem versículos nos manuscritos originais do NT antes do início da Idade Média!

“A leitura na Antiguidade geralmente era feita em voz alta, mesmo em particular. A razão disso é que os textos eram redigidos em escrita contínua [...] sem divisões entre palavras, frases, orações, parágrafos e sem pontuação, de modo que era necessário pronunciar e ouvir as sílabas para poder organizá-las em padrões semânticos reconhecíveis. Dessa forma, quase todos os textos antigos eram compostos tendo em vista o modo como soariam quando seriam lidos em voz alta.” [11] Foi só no próximo fim do primeiro século d.C. que a forma de  texto chamada códice ou caderno de notas se popularizou, e parece que os antigos cristãos estavam entre os primeiros a reconhecer sua utilidade e adotá-la. [12]

Numa época em que não existiam direitos autorais, o que acontecia quando um patrono recebia um manuscrito era o seguinte: “A publicação [...] consistia em entregar esse original a um patrono amigo, o qual, então, o disponibilizaria para ser copiado por outras pessoas interessadas. Desse modo, as cópias eram multiplicadas em série, uma de cada vez. Uma vez que o texto estivesse em circulação e disponível para a cópia, qualquer um que estivesse interessado e tivesse acesso a ele poderia mandar fazer uma cópia. Assim, os livros eram produzidos e adquiridos por meio de um processo informal e não regulado”. [13]

A maioria das composições da antiguidade eram escritas com uma pena e tinta sobre o papiro, embora às vezes fosse usada pele de ovelhas para produzir pergaminho ou velo, um tipo de pele animal altamente refinada. A qualidade da superfície de escrita, a tinta e as penas variavam. Cícero, que escreveu por volta de 54 a.C., resume muito bem a situação: “Para esta carta, usarei uma boa pena, uma tinta bem misturada e um papel polido de marfim, pois você escreve que quase não conseguiu ler minha última carta [...] porque eu costumo usar a primeira pena que me aparece, sem me preocupar se é boa ou não” (Carta a Quinto 2.15.1). A cana de junco era a melhor pena da antiguidade e foi substituída pelas penas de pássaros (calamos) por volta do sétimo século d.C. A tinta era feita com carbono ou fuligem diluídos em água.

Mesmo depois de ter comprado os pedaços de papiro necessários, a pessoa ainda não estava pronta para tomar nota de um ditado ou escrever. O papiro tinha de ser preparado para a escrita, e um dos principais motivos é que não existia papel pautado. O escriba ou escritor pegava uma régua e um disco de chumbo e traçava linhas finas no papel. Ele precisava também de um apontador de pena, que era uma pedra abrasiva, e uma faca para fazer novas pontas, à medida que ia escrevendo. Nem o papiro, nem as penas, nem a tinta, nem os instrumentos para fazer linhas e apontar a pena eram baratos.

Mas, por que o papiro era tão caro? Em primeiro lugar, porque quase todo ele era produzido num único lugar, o Egito, e perto do Nilo, para que se pudesse colher o tipo de junco apropriado. Além disso, ainda havia o processo exigido para sua produção. Plínio, o Velho, diz que a cana do papiro, que tem perfil triangular, tinha de ser fatiada com uma agulha (!) em tiras largas e muitos finas. O miolo do talo ou da cana era a porção mais “carnuda” e, portanto, a parte mais útil. A casca verde provavelmente deveria ser eliminada.

As tiras, assim que eram cortadas, tinham de ser quase imediatamente colocadas sobre uma prancha de madeira umidecida com água do Nilo. Ocasionalmente, era adicionado um tipo de goma de farinha suave para auxiliar o processo, mas, normalmente, a própria seiva do junco era suficiente para unir as tiras e formar uma peça de papiro. Quando a peça de papiro estava pronta, as pontas eram aparadas para deixar as bordas retas. As tiras eram dispostas horizontal e verticalmente, formando um padrão de linhas cruzadas e, em essência, entrelaçadas. A peça de papiro recém-produzida era, então, pendurada ou estendida para secar ao sol. Por último, umas vinte peças de papiro eram costuradas umas às outras para formar um rolo (Plinio, Natural History 13.74-77). Quando um rolo ou peça de papiro chegava às mãos do escriba, este ainda tinha de alisá-lo com uma concha ou um pedaço de marfim. Era preciso tomar cuidado para que o papel não ficasse polido demais a ponto de não absorver a tinta com facilidade.

Em vista de todo o exposto, entende-se por que as pessoas comuns recorriam a um escriba quando precisavam ter algum documento redigido ou, se pudessem arcar com a despesa, contratavam um secretário pessoal, como mostra, por exemplo, a relação entre Cícero e Tiro. Em geral, quanto mais longo o documento maior a necessidade de um escriba profissional, e, pelos padrões antigos, muitos documentos do NT são realmente longos. Todos os evangelhos, Atos, as maiores cartas de Paulo e Apocalipse podem ser classificados como documentos muito longos, pelos padrões antigos. Até mesmo algumas cartas que consideramos curtas (e.g., Filipenses, Tiago, 1Pedro) eram muito grandes para uma carta, pelos padrões antigos. Vários autores do NT eram prolixos (v., p. ex., At 20.7-11) e, como muitos documentos do NT são apenas substitutos de uma conversação ou proclamação oral, eles também são muito longos. Os primeiros cristãos, que produziram esses documentos, obviamente tinham muito o que dizer!

Não dissemos nada até agora sobre a caligrafia, mas, na antiguidade, assim como hoje, as pessoas diferentes tinham diferentes estilos e modelos de escrita manual. Era crucial para ao escriba ter uam caligrafia bonita e legível, e não borrar a página enquanto escrevia. Falando em termos práticos, isso significava que o contratante preferia ter um destro para escrever em latim ou grego e um canhoto para escrever em aramaico ou hebraico, porque as duas primeiras línguas se escrevem da esquerda para a direita, enquanto as últimas são escritas da direita para a esquerda. Observe como Paulo acrescenta, de tempos em tempos, uma nota de próprio punho, em letras grandes, no fim do documento. Em Gálatas 6.11 está escrito: “Vede com que grandes letras vos escrevo de próprio punho”. [14] Como o espaço era precioso, ele teria preferido uma letra menor e mais concisa para redigir a maior parte do documento, para não desperdiçar espaço demais.

O ideal era que o escriba conhecesse tanto o autor quanto seu público. Os povos antigos acreditavam que as cartas deveriam ou refletir a personalidade do autor e, até certo ponto, levar em conta também o leitor. [15] Um secretário poderia ou não ter aprendido a técnica da estenografia; se não tivesse, o processo de composição poderia ser muito demorado. Muitos têm sugerido que, em alguns trechos do NT, principalmente nas cartas de Paulo, em que temos uma frase incompleta, isso talvez tenha ocorrido porque o escriba não sabia estenografia e não conseguia acompanhar a velocidade do ditado. E é claro que, se um assunto fosse urgente, poderia não haver tempo ou papiro à mão para tomar notas estenográficas e depois escrever o texto completo. O que podemos afirmar com certeza é que, normalmente, não era prática corrente do primeiro século os secretários redigirem documentos para os autores, exceto, talvez, quando se tratasse de matéria meramente formal, como um comunicado de que alguma coisa fora recebida. [16] Quando um secretário escrevia em nome de alguém, era costume informar isso no documento (v. Cícero, Carta aos amigos, 8.1.1).

Quando uma pessoa, que não fosse o autor, era mencionada no inicio de um documento, normalmente tinha algo a ver com o documento. Por exemplo, em 1Coríntio 1.1, Sóstenes, um cristão, foi provavelmente o escriba que redigiu esse documento para Paulo. [17] Já em 1 e 2Tessalonicenses, poderíamos considerar seriamente a questão da co-autoria envolvendo Paulo, Timóteo e Silvano, diante do modo como o documento começa. Não era costume dizer “nós” num documento como esse, a menos que se tratasse realmente de “nós”. Da mesma forma, no evangelho de João (21.24) o “nós” [implícito] significa, no mínimo, uma pessoa falando pela comunidade da qual o discípulo amado fazia parte.

Quando se tratava de cartas, o procedimento normal era fazer duas cópias, uma para o remetente e a outra para ser enviada (Cícero, Carta aos amigos 9.26.1). Nas terras de Roma, antes de Augusto, não havia serviço de correio regular para ser usado por pessoas comuns, nem mesmo um serviço postal oficial do governo. Desse modo, quando as pessoas tinham uma carta para enviar, aproveitavam alguma viagem que seus amigos, parentes ou pessoas com quem mantinham relações de negócios estivessem para fazer e pediam-lhes que entregassem a correspondência ao destinatário. No caso dos cristãos, essa tarefa parece ter ficado a cargo de outros cristãos; e, no caso de Paulo, aparentemente o encarregado era algum de seus colaboradores. Romanos 16.1,2 e Colossenses 4.7-9 não parecem indicar que Paulo confiaria seus documentos a uma pessoa qualquer que estivesse viajando na direção certa. A questão das redes sociais dos primeiros cristãos precisa ser considerada quando pensamos na disseminação das boas novas em várias formas escritas. Naturalmente, a rapidez com que um documento chegava a um grupo de pessoas ou a um indivíduo dependia do modo e da velocidade do meio de transporte, assim como outros fatores. Muitas vezes, as mensagens escritas não chegavam ao destinatário, e as conseqüências podiam ser desastrosas. Existe um famoso ditado inglês que diz: “Por causa de um prego, a ferradura se perdeu. Por causa do mensageiro, a mensagem se perdeu. Por causa da mensagem, perdeu-se a batalha. Por causa da batalha, perdeu-se a guerra; e tudo por causa de um prego”. Parece claro que alguns importantes documentos cristãos da época do NT realmente estão perdidos para nós. Por exemplo, em 1Coríntios 5.9, Paulo menciona que já havia escrito àquela igreja, advertindo-os de que não se associassem com pessoas imorais. Isso significa que houve uma carta aos coríntios anterior a 1Coríntios. Mas ela, provavelmente, perdeu-se nas areias do tempo. O que temos no NT é só uma amostra representativa da comunicação e do discurso dos primeiros cristãos. Talvez ainda encontremos alguns dos documentos perdidos desse período.

Fonte: História e histórias do Novo Testamento.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Não foi o dogma católico da Virgindade de Maria importado do paganismo? Não nasceram todos os deuses de mães virgens: Mitra da Pérsia, Adônis, Osíris e Chrisna?


Não. Ainda que algumas vezes haja traços de semelhança entre o Cristianismo e as várias religiões pagãs, não se dá isso com a Virgindade de Maria.

O racionalista Harnack escreve:

“A conjectura de Usener de que a idéia da virgindade de Maria é um mito pagão, recebido pelos cristãos, é inteiramente contradito pelo desenvolvimento da tradição cristã” (History of Dogma, I, 100).

Antes de mais nada. Mitra nem sequer teve mãe humana: era invariavelmente considerado “filho de uma rocha”, representada por uma pedra cônica que figurava a abóbada celeste, onde apareceu a primeira vez o deus da luz.

Adônis, ou Tamuz (Ez. 8, 14), era um semideus que representava a luz do sol.

Vários mitos o fazem o filho de Ciniras, de Fênix, e do Rei Teias da Assíria e de sua filha Mirra.

Osíris era filho, ou de “Seb”, Terra, e de “ Nuit”, Firmamento, ou do coração do “Atum”, que foi o primeiro dos deuses e o primeiro dos homens.

Chrisna, o mais popular entre os avatares ou encarnações de Vishnu, não nasceu de mãe virgem, pois a mãe deste deus preto, antes dele nascer, já tinha dado muitos filhos a seu marido Vasudeva.

As lendas que o fazem semelhante a Jesus Cristo foram extraídas de documentos posteriores muitos séculos ao Cristianismo e aos Evangelhos (Trisdall: Mystic Christs, 27)

Os antigos mitos pagãos foram tomados da natureza e representam a sucessão do dia e da noite, das várias estações do ano, o mistério da vida e sua transmissão de criatura a criatura.

Não são datados, nem localizados, e pertencem geralmente a períodos vagos e imaginados, anteriores a aparição do homem sobre a terra.

Mas o que se conta de Jesus Cristo – desde o seu nascimento até a sua Ascensão ao Céu – tem todas as características não de um mito, mas de história.

Lugares, datas, pessoas, contemporâneos, sucessos, tudo especificado, tudo não entretecido com a textura de história universal, que ela não pode prescindir dos fatos da vida de Jesus Cristo, contados pelo Evangelho.

Fonte: Caixa de Perguntas, p. 203, 204, Rev. Bertrand L. Conway.